Encontro de Lisboa: Maurício Paiva relembra “resgate do trabalhismo de Getúlio”


Bruno Ribeiro
01/07/2022

Liderada por Leonel Brizola, reunião de exilados estimulou progresso democrático no Brasil

“Era o resgate do trabalhismo de Getúlio [Vargas]”, resumiu o engenheiro mineiro Maurício Paiva diante da representatividade histórica do “Encontro de Lisboa”, gerador da “Carta de Lisboa”. Signatário do documento coletivo produzido entre 15 e 17 de junho de 1979, o mineiro descreveu, no programa “Trabalhismo na História”, do Centro de Memória Trabalhista (CMT), todo o processo de mobilização política liderada por Leonel Brizola e apoiada por exilados.

“A alma do trabalhismo. […] Getúlio era a alma do projeto socialista, democrático e focado na nacionalidade brasileira, no conjunto do país. Está escrito no documento”, afirmou, em entrevista para o coordenador do CMT, Henrique Matthiesen.

Em Lisboa, no final da década de 70, Paiva contou que apoiou a chegada de Brizola ao país lusitano após a passagem pelos Estados Unidos. Em seguida, detalhou a relação com o ex-governador do Rio Grande do Sul para estruturar a reunião trabalhista.

“Brizola teve todo o apoio do governo Mário Soares, do Partido Socialista. […] A partir de Portugal, ele abriu as portas da Internacional Socialista, que lhe deu muito apoio. Particularmente, o núcleo mais forte, que era o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), sob a liderança do ex-chanceler Willy Brandt”, explicou.

Liderança no Comitê Pró-Anistia no Brasil, Paiva relatou ainda a constante atuação, inclusive com a difusão de notícias através de um jornal próprio, para fortalecer todo o processo que antecedeu a reabertura brasileira e a projetada reativação do PTB original.

Sobre o consequente retorno do exílio após mais de uma década, Paiva garantiu que colocou o interesse nacional no lugar de qualquer tipo de revanche contra os seus torturadores, que o fizeram ser expulso para a Argélia após intensa luta armada de resistência política.

“Voltei cheio de esperança. Me empenhei para construir o [antigo] PTB com Brizola, com quem trabalhei por 10 meses, no Rio de Janeiro, antes de retornar para Minas”, encerrou, ao citar o livro de sua autoria: “O Sonho Exilado”.