Didier Motchane: do punho e a rosa para a eternidade socialista


FLB-AP
30/10/2017

Criador do símbolo que une o punho e a rosa, clássica representação socialista no mundo, o francês Didier Motchane morreu no último domingo (29), aos 86 anos, por decorrência de um câncer. No Brasil, o PDT utiliza a figura na sua identidade visual desde 1979, quando foi criado por Leonel Brizola.

Com a rosa vermelha associada ao socialismo e o punho como indicador dos valores humanistas e democráticos, o emblema idealizado por Motchane, que foi um dos membros históricos do Partido Socialista (PS) da França, também é usado ainda por siglas em diversos outros países, incluindo Portugal, Inglaterra e Itália.

Em um comunicado, o Partido Socialista francês homenageou um “intelectual exigente” que “contribuiu com seu pensamento para a construção” do partido. Em relação a sua morte, o PS acredita que a “partida não apagará na história os anos durante os quais ele foi referência para uma geração de homens e mulheres à esquerda que ainda são executivos do PS”.

Posicionamento

Conforme descrito no estatuto, o PDT “adota como símbolo a rosa vermelha, seguindo a tradição da Internacional Socialista, e desde sua fundação, adota as cores vermelhas, brancas e azuis e a bandeira com duas faixas verticais vermelhas, uma branca ao centro e a sigla em azul”.

Diante da atual realidade repressora e excludente promovida pela direita neoliberal, a direção nacional pedetista segue ratificando os princípios traduzidos por Motchane. Em março deste ano, durante o XXV Congresso da Internacional Socialista (IS) em Cartagena, na Colômbia, o presidente nacional do partido e vice-presidente da IS, Carlos Lupi, ponderou sobre a perversa divisão patrocinada pelo capital.

“Precisamos refletir sobre o que acontece no mundo. A Internacional Socialista não pode aceitar a construção de muros. A direita continua crescendo na humanidade com o poder do capitalismo”, disse, ao completar: “Nós, socialistas e sociais-democratas, olhamos para os seres humanos. Peço uma reflexão sobre o que acontece no mundo e que impacta a humanidade. Precisamos derrubar os muros da discriminação. É o papel da Internacional Socialista, que sempre esteve na vanguarda”, convocou o pedetista.

Em julho, durante reunião promovida em Nova Iorque (EUA), Lupi criticou as ações do atual presidente Michel Temer:

O presidente da Fundação e secretário-geral do PDT, Manoel Dias, reforçou o alerta de Lupi ao traçar um paralelo entre o golpe político promovido no Brasil e a destruição do legado trabalhista.

“No Brasil, a jovem democracia sofreu um atentado no ano passado. O atual governo segue a cartilha do sistema financeiro e promove movimentações que buscam destruir a Previdência e a CLT, além de correr para entregar o nosso petróleo, que é a riqueza para emancipação do nosso povo”, alertou Dias, que foi ministro do Trabalho e Emprego no governo da presidente Dilma Rousseff.

Registro

A foto abaixo mostra Leonel Brizola, em São Borja (RS), em 1994. Na oportunidade, o líder do partido valorizou o Trabalhismo, ideologia política alinhada ao socialismo, ao ostentar a rosa vermelha diante do túmulo do ex-presidente da República, Getúlio Vargas.

Trajetória

Nascido em 17 de setembro de 1971, Motchane teve uma atuação marcante na refundação Partido Socialista (PS) francês, em 1971, além de ocupar diversos cargos institucionais, incluindo o de secretário internacional e de ação cultural. No Parlamento Europeu, foi eleito deputado nas primeiras eleições por sufrágio (direito de voto) universal, em 1979, onde ficou por dois mandatos.

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