{"id":84221,"date":"2025-07-01T21:42:14","date_gmt":"2025-07-02T00:42:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=84221"},"modified":"2025-07-25T13:38:09","modified_gmt":"2025-07-25T16:38:09","slug":"orgulho-e-urgencia-o-desafio-de-garantir-dignidade-a-populacao-lgbtqia-no-brasil-por-leo-lupi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/orgulho-e-urgencia-o-desafio-de-garantir-dignidade-a-populacao-lgbtqia-no-brasil-por-leo-lupi\/","title":{"rendered":"Orgulho e urg\u00eancia: o desafio de garantir dignidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ no Brasil &#8211; por Leo Lupi"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apesar de avan\u00e7os em pol\u00edticas, eventos e direitos, ainda persistem n\u00edveis alarmantes de viol\u00eancia, exclus\u00e3o educacional, informalidade laboral, barreiras econ\u00f4micas e dificuldade de acesso \u00e0 sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>A visibilidade LGBTQIA+ no Brasil representa avan\u00e7os e urg\u00eancia. Avan\u00e7o, na medida em que pol\u00edticas, representatividade e apoio institucional ganham cada vez mais forma: h\u00e1 centenas de Ongs, parcerias, eventos LGBTQIA+, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es sociais em prol da causa. E urg\u00eancia ainda requerida, j\u00e1 que subsistem n\u00edveis alarmantes de viol\u00eancia, exclus\u00e3o educacional, informalidade laboral, barreiras econ\u00f4micas e dificuldade de acesso \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro, como epicentro cultural e pol\u00edtico, tem protagonismo natural para promover inclus\u00e3o efetiva por meio de investimentos p\u00fablicos, parcerias com a sociedade civil, press\u00e3o legislativa e est\u00edmulo ao setor privado. A visibilidade n\u00e3o pode jamais ser sin\u00f4nimo de vulnerabilidade que propicie: viol\u00eancia, como os ataques homof\u00f3bicos que ocorrem constantemente, inclusive durante as Paradas LGBT; ou o apagamento da classe ao desconsiderarem o uso do nome social como um direito nos atendimentos.<\/p>\n<p>Nem pode ser resultado da visibilidade LGBT um contrassenso, como quando se v\u00ea a pr\u00e1tica das chamadas \u2018curas gays\u2019 propagadas principalmente em templos religiosos, mesmo havendo proibi\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2020 para as chamadas terapias de convers\u00e3o, presentes na Resolu\u00e7\u00e3o 1\/1999, do Conselho Federal de Psicologia (CFP).<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio empenhar a este p\u00fablico mais poder, protagonismo e justi\u00e7a, assim como repara\u00e7\u00e3o, por meio de cotas estudantis e trabalhistas, entre outras medidas que possam reavivar os direitos fundamentais. O desafio do tema exige sintonia entre pol\u00edticas afirmativas, engajamento social e compromisso empresarial para que ningu\u00e9m seja deixado \u00e0 margem da dignidade e da cidadania plena. Isto \u00e9, estabelecendo direitos civis, pol\u00edticos e sociais de modo amplo e duradouro para a sociedade LGBTQIA+.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1970, o movimento LGBT no Brasil luta contra viol\u00eancia, AIDS e estigmatiza\u00e7\u00e3o, ganhando for\u00e7a especialmente ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 um fardo pesado: o Pa\u00eds ainda \u00e9 o que mais mata pessoas trans no mundo. Ali\u00e1s, pelo 17\u00ba ano consecutivo, segundo o Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024, o dossi\u00ea da Rede Trans Brasil.<\/p>\n<p>Entre estas v\u00edtimas, 93% eram mulheres trans e travestis, e a maior parte das mortes ocorreu na regi\u00e3o Nordeste, historicamente caracterizada por popula\u00e7\u00e3o mais carente. Tamb\u00e9m revelou o Estudo do Observat\u00f3rio de Viol\u00eancias LGBTI+ em favelas do Rio (janeiro\/2024) em consulta com 1.705 pessoas em mais de cem favelas cariocas que travestis, pessoas trans e n\u00e3o-bin\u00e1rias enfrentam abandono escolar (25,5% n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio), barreiras \u00e0 sa\u00fade (28% dos homens trans sem acesso a medicamentos) e sal\u00e1rios abaixo de R$ 500 (60% dos travestis).<\/p>\n<p>Junho \u00e9 conhecido como o M\u00eas do Orgulho LGBT, tendo o dia 28 como a data que marca a celebra\u00e7\u00e3o e a den\u00fancia. Isso porque em 28 de junho de 1969 na cidade de Nova York aconteceu a Rebeli\u00e3o de Stonewall, quando pessoas que frequentavam o bar chamado Stonewall se rebelaram contra as for\u00e7as policiais que frequentemente abordavam, prendiam e reprimiam o p\u00fablico frequentador do bar, em sua maioria gays e transexuais.<\/p>\n<p>A sigla LGBTQIA+ significa l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, trans, queers, assexuais e o s\u00edmbolo de \u201c+\u201d inclui todas as identidades que fazem parte do movimento, como pessoas pansexuais, n\u00e3o bin\u00e1rias etc. Mais do que uma \u201csopa de letrinhas\u201d este acr\u00f4nimo representa a diversidade e pluralidade da hist\u00f3ria e trajet\u00f3rias de in\u00fameras pessoas que t\u00eam como causa comum a luta pela liberdade de ser e amar sem temer.<\/p>\n<p>Todos os anos, este per\u00edodo \u00e9 visto como uma oportunidade global para lembrarmos das conquistas at\u00e9 aqui, mas tamb\u00e9m para continuarmos pensando, debatendo e agindo, o que \u00e9 crucial, para que todos possam conviver com direitos iguais e honra, sem o terror da viol\u00eancia e a sombra da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>*Leo Lupi \u00e9 subsecret\u00e1rio de Assist\u00eancia Social do munic\u00edpio do Rio de Janeiro e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola no Rio de Janeiro.<\/em><\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de avan\u00e7os em pol\u00edticas, eventos e direitos, ainda persistem n\u00edveis alarmantes de viol\u00eancia, exclus\u00e3o educacional, informalidade laboral, barreiras econ\u00f4micas e dificuldade de acesso \u00e0 sa\u00fade A visibilidade LGBTQIA+ no Brasil representa avan\u00e7os e urg\u00eancia. 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