{"id":83908,"date":"2022-10-27T13:37:13","date_gmt":"2022-10-27T16:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=83908"},"modified":"2022-10-27T13:41:10","modified_gmt":"2022-10-27T16:41:10","slug":"pesquisadores-da-uerj-analisam-novo-centrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/pesquisadores-da-uerj-analisam-novo-centrao\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da UERJ analisam novo &#8220;Centr\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>PDT elegeu 17 deputados, sendo agora a segunda maior bancada da esquerda no Congresso<\/strong><\/p>\n<p>Quatro pesquisadores do Observat\u00f3rio do Legislativo Brasileiro (OLB), ligado a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) &#8211; Joyce Luz, Maiane Bittencourt, J\u00falio Canello e Jo\u00e3o Feres J\u00fanior &#8211; publicaram esta semanda detalhado estudo sobre a atua\u00e7\u00e3o dos parlamentares da atual legislatura vinculados ao chamado &#8220;Centr\u00e3o&#8221;, como eles se sa\u00edram na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o e como dever\u00e1 ser a atua\u00e7\u00e3o desta bancada, hoje dominante no Congresso, na legislatura que se inicia em fevereiro de 2023.<\/p>\n<p>O estudo detalha tamb\u00e9m quais parlamentares da corrente foram reeleitos, quem s\u00e3o os novos integrantes do&#8221;Centr\u00e3o&#8221;, por conta dos partidos a que s\u00e3o filiados, e afirma que j\u00e1 \u00e9 possivel &#8211; faltando dois meses para encerrar o mandato de \u00a0Bolsonaro &#8211; dizer que sua promessa de &#8220;quebra da ordem da velha pol\u00edtica&#8221;, feita em 2018, durou pouco: \u00a0acabou em 2020 quando Bolsonaro come\u00e7ou a distribuir cargos e recursos para o &#8220;Centr\u00e3o&#8221; em troca de apoio parlamentar.<\/p>\n<p>O &#8220;or\u00e7amento secreto&#8221;, tamb\u00e9m \u00e9 tema da \u00edntegra do estudo, j\u00e1 que \u00e9 atrav\u00e9s dele que o governo atende aos parlamentares com emendas cujo custeio sai diretamente da Uni\u00e3o apesar da falta de transpar\u00eancia sobre o destino do dinheiro.<\/p>\n<p>Para efeitos de identifica\u00e7\u00e3o, \u00a0o &#8220;Centr\u00e3o&#8221; foi considerado &#8220;um conjunto de partidos e parlamentares que habitam a direita do campo pol\u00edtico, mas com fraca consist\u00eancia ideol\u00f3gica, cuja atua\u00e7\u00e3o parlamentar e pol\u00edtica \u00e9 marcada por pr\u00e1ticas de fisiologismo. Hoje, podemos classificar neste grupo as seguintes agremia\u00e7\u00f5es: PP, PL, Podemos, PROS, PSD, PTB, Republicanos, Solidariedade, Avante e Patriota&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nesta legislatura, como mostramos em outros trabalhos do Observat\u00f3rio do Legislativo (OLB), o Centr\u00e3o votou a favor das propostas do Poder Executivo em mais de 88% das vezes, sendo decisivo para a aprova\u00e7\u00e3o de pautas importantes de sua agenda, a exemplo da Reforma da Previd\u00eancia, da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que afetou o pagamento de precat\u00f3rios, principal fonte do recurso que possibilitaria, mais tarde, a aprova\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Brasil no valor de 400 reais, bem como a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s, um dos carros-chefes da pauta econ\u00f4mica da campanha eleitoral de Bolsonaro.<\/p>\n<p>&#8220;Se na legislatura que se encerra esse grupo de partidos contava com 258 deputados(as) federais, na nova legislatura, eleita no dia 2 de outubro, esse n\u00famero sobe para 260, ou seja, no agregado da contagem dos eleitos, o grupo mostrou enorme estabilidade para assumir 2023. Isso nos permite antever que o futuro presidente do Brasil, seja ele novamente Bolsonaro (PL) ou Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), precisar\u00e1, necessariamente, negociar a governabilidade com os partidos e parlamentares do &#8220;Centr\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o estudo detalha que a maior bancada eleita para a C\u00e2mara \u00a0de 2023 foi a do Partido Liberal (PL), legenda do atual presidente. Com 99 cadeiras, o PL alcan\u00e7ou 30% a mais de cadeiras do que tem na atual legislatura.\u00a0 A segunda maior bancada ser\u00e1 do Partido dos Trabalhadores (PT), situado no lado oposto do espectro ideol\u00f3gico, que tamb\u00e9m cresceu, alcan\u00e7ando 68 cadeiras. \u00a0&#8220;N\u00e3o \u00e9 surpresa que os partidos dos principais candidatos \u00e0 presid\u00eancia tenham obtido as maiores bancadas&#8221;.<\/p>\n<p>O estudo cita que &#8220;por outro lado, partidos mais antigos e tradicionais do ponto de vista hist\u00f3rico, tiveram perdas importantes. Esse \u00e9 o caso do PSDB, cuja bancada perdeu 9 membros, diminuindo para 13 parlamentares, e do PSB, que perdeu 10 cadeiras&#8221;.<\/p>\n<p>Importante registrar que 16 partidos, por n\u00e3o terem alcan\u00e7ado a cl\u00e1usula de barreira, perderam sua identidade pr\u00f3pria &#8211; ser\u00e3o obrigados a se juntar a outros, para sobreviver, j\u00e1 que n\u00e3o alcan\u00e7aram vota\u00e7\u00e3o para eleger, no \u00a0m\u00ednimo, 12 deputados federais.\u00a0 O PTB foi uma das siglas que deixou de existir.<\/p>\n<p>O PDT elegeu 17 deputados, sendo agora a segunda maior bancada da esquerda no Congresso, abaixo apenas do PT &#8211; e isto gra\u00e7as a candidatura e a vota\u00e7\u00e3o de Ciro Gomes, candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; cuja campanha propositiva ajudou na elei\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios candidatos que disputaram a elei\u00e7\u00e3o pela legenda do PDT.<\/p>\n<p>O estudo do Observat\u00f3rio do Legislativo Brasileiro registra que das 32 siglas que lan\u00e7aram candidatos para a C\u00e2mara dos Deputados, somente 23 elegeram representantes. Partidos como AGIR, Democratas, PCB, PCO, PMB, PMN, PRTB, PSTU e UP n\u00e3o conseguiram passar pelas novas regras eleitorais para eleger seus respectivos candidatos. Em 2018, dos 35 partidos que disputaram, 30 elegeram pelo menos um candidato.<\/p>\n<p>&#8220;Em termos pr\u00e1ticos, isso significa que para conseguir construir maiorias no interior da arena legislativa, o futuro Presidente da Rep\u00fablica ou os pr\u00f3prios parlamentares precisar\u00e3o recorrer ao apoio de aproximadamente 10 partidos e n\u00e3o de 17, como era o caso em 2019, no in\u00edcio da atual legislatura&#8221;. Explica tamb\u00e9m que os deputados eleitos pelos partidos que comp\u00f5em o &#8220;Centr\u00e3o&#8221; totalizam, na legislatura que come\u00e7a em 2023, 260 deputados &#8211; \u00a0crescimento de apenas duas cadeiras em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero atual&#8221;.<\/p>\n<p>Este total de deputados \u00e9 de tr\u00eas \u00a0cadeiras acima do necess\u00e1rio para se obter maioria absoluta na C\u00e2mara e, assim, aprovar projetos de lei (que exigem esse qu\u00f3rum). J\u00e1 para a aprova\u00e7\u00e3o das Propostas de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PECs), necessita de 308 votos. Para aprov\u00e1-las, o &#8216;Centr\u00e3o&#8217; precisar\u00e1 cooptar no m\u00ednimo outros 48 parlamentares.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que houve significativa redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de partidos na C\u00e2mara dos Deputados entre a atual e a futura legislatura: \u00a0de 30 para 23; e que o n\u00famero de partidos com relev\u00e2ncia num\u00e9rica no legislativo, caiu de 17 para 10.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, &#8220;isto indica potencial facilita\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da coaliz\u00e3o de governo e aponta na dire\u00e7\u00e3o de uma maior clareza ideol\u00f3gica dos partidos frente ao eleitorado. O sistema multipartid\u00e1rio brasileiro gerou um n\u00famero enorme de partidos, inclusive na C\u00e2mara dos Deputados, e isso faz com que o cidad\u00e3o\/eleitor tenha maior dificuldade de discernir o perfil ideol\u00f3gico de cada um deles&#8221;.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o \u00e9 que o &#8220;Centr\u00e3o&#8221; embora n\u00e3o tenha alterado muito em termos de tamanho, em torno de 260 parlamentares, alterou bastante sua composi\u00e7\u00e3o interna, fortalecendo o PL, partido de Bolsonaro, que conquistou 23 cadeiras a mais, chegando a uma bancada de 99 parlamentares. \u00a0&#8220;Praticamente todos os outros partidos do grupo sofreram perdas, com destaque para o PP, que ficou com 11 deputados a menos&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 destacado que &#8220;no bojo do crescimento do partido de Bolsonaro, veio a elei\u00e7\u00e3o de deputados fortemente ligados a sua figura, como Andr\u00e9 Fernandes, Bia Kicis, Carla Zambelli, Carol de Toni, Eduardo Bolsonaro, Eduardo Pazzuello, Nikollas Ferreira e Ricardo Salles&#8221;.\u00a0 Esses aliados pr\u00f3ximos constituem, na pr\u00e1tica, uma esp\u00e9cie de &#8220;fac\u00e7\u00e3o bolsonarista&#8221; dentro da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 destacada a conclus\u00e3o de &#8220;caso o eleito seja Lula, como indicam as pesquisas e o resultado das urnas do primeiro turno, certamente haver\u00e1 uma reconfigura\u00e7\u00e3o do &#8220;Centr\u00e3o&#8221; que hoje conhecemos, ou, porque n\u00e3o dizer, desfigura\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os autores acreditam que muitos dos integrantes do pr\u00f3ximo &#8220;Centr\u00e3o&#8221;, se forem for\u00e7ados a optar \u00a0entre o conforto do fisiologismo e as agruras da pugna ideologica, &#8220;certamente escolher\u00e3o a primeira op\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PDT elegeu 17 deputados, sendo agora a segunda maior bancada da esquerda no Congresso Quatro pesquisadores do Observat\u00f3rio do Legislativo Brasileiro (OLB), ligado a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) &#8211; Joyce Luz, Maiane Bittencourt, J\u00falio Canello e Jo\u00e3o Feres J\u00fanior &#8211; publicaram esta semanda detalhado estudo sobre a atua\u00e7\u00e3o dos parlamentares da&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":83909,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1390,1401],"tags":[],"class_list":["post-83908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorias","category-nacional"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83908"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83913,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83908\/revisions\/83913"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}