{"id":83846,"date":"2022-10-24T15:18:44","date_gmt":"2022-10-24T18:18:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=83846"},"modified":"2022-10-24T15:21:16","modified_gmt":"2022-10-24T18:21:16","slug":"os-100-anos-do-mestre-darcy-26-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/os-100-anos-do-mestre-darcy-26-de-outubro\/","title":{"rendered":"Os 100 anos do Mestre Darcy: 26 de outubro"},"content":{"rendered":"<div><strong>Um dos mais interessantes brasileiros a pesquisar, escrever e insistir sobre profundidades do Brasil<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Tenho n\u00e3o s\u00f3 a honra, mas o grato prazer pessoal de registrar o centen\u00e1rio daqui h\u00e1 dois dias de Darcy Ribeiro, um dos mais interessantes brasileiros a pesquisar, escrever e insistir sobre profundidades e originalidades do Brasil. Darcy Mestre foi escritor, soci\u00f3logo e homem antenado para qualquer an\u00e1lise criativa do Brasil.<\/p>\n<p>Com Darcy trabalhei na Secretaria de Cultura &#8211; tempo em que era tamb\u00e9m vice-governador de Leonel Brizola &#8211; quando fui nomeado por ele para dois cargos importantes. O primeiro a Superintend\u00eancia Geral de todos os museus do estado do Rio, quando reformamos os abandonados Museu do Ing\u00e1 e Ant\u00f4nio Parreiras em Niter\u00f3i. O segundo a Superintend\u00eancia de Grandes Eventos P\u00fablicos, quando ele aprovou com raro entusiasmo (t\u00e3o de seu feitio) a ideia de fazer o Museu do Carnaval do Rio nas ruas da cidade, o primeiro dos quais fizemos na Esta\u00e7\u00e3o do Largo da Carioca que teria sido visto por mais de 1 milh\u00e3o de pessoas (no qual fui assessorado por Jo\u00e3o Trinta e Maria Augusta Rodrigues).<\/p>\n<p>Darcy Ribeiro, mineiro de Montes Claros, nasceu no dia 26 de outubro de 1922. Formou-se em Ci\u00eancias Sociais pela Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo, em 1946, e teve carreira de proje\u00e7\u00e3o internacional, principalmente nas \u00e1reas de antropologia, etnologia e educa\u00e7\u00e3o. Um estudioso e defensor do modo de vida dos povos ind\u00edgenas. Em 1954 organizou no Rio de Janeiro o Museu do \u00cdndio, o qual dirigiu at\u00e9 1957.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Ainda em 1954, elaborou o plano de cria\u00e7\u00e3o do Parque Ind\u00edgena do Xingu, situado no ent\u00e3o Mato Grosso que, em 1977, seria desmembrado, surgindo o Mato Grosso do Sul. Uma figura presente e marcante nos momentos centrais da hist\u00f3ria do pa\u00eds.Deliciem-se com as ideias originais e provocativas em textos escritos entre 1995 e 1997, quando Darcy mantinha uma coluna semanal na Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>Alguns dos trechos, ou li\u00e7\u00f5es do Mestre:<\/p>\n<p><i>\u2013 N\u00e3o h\u00e1 maior besteira que a de um brasileiro embasbacar-se com a doutrina norte-americana da globaliza\u00e7\u00e3o. (&#8230;)<\/i><\/p>\n<p>Falta-nos, essencialmente, vontade pol\u00edtica para formular e p\u00f4r em execu\u00e7\u00e3o um projeto pr\u00f3prio de desenvolvimento aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p>\u2013 O Brasil, \u00faltimo pa\u00eds a acabar com a escravid\u00e3o, tem uma perversidade intr\u00ednseca na sua heran\u00e7a, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso.<\/p>\n<p>\u2013 Mais vale errar se arrebentando do que poupar-se para nada.<\/p>\n<p>\u2013 Viva aceso, olhando e conhecendo o mundo que o rodeia, aprendendo como um \u00edndio (&#8230;) seja um \u00edndio na sabedoria.<\/p>\n<p>\u2013 Floresce no Brasil uma pedagogia tarada e vadia, segundo a qual o fracasso da crian\u00e7a pobre na escola \u00e9 culpa dela pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u2013 Ningu\u00e9m se comove, de fato, com uma crian\u00e7a faminta ou com um jovem condenado ao analfabetismo. Contanto que os filhos da gente de bem comam fartamente e estudem em boas escolas, o resto n\u00e3o importa.<\/p>\n<p>\u2013 A miragem da globaliza\u00e7\u00e3o, pregada unanimemente pela m\u00eddia num consenso comprado, \u00e9 um engodo. (&#8230;) Restaurada em todo o seu poderio, seria para o Brasil uma recoloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 nossa tradi\u00e7\u00e3o: em nome do progresso futuro, vendemos o passado, ou o que nos restou dele.<\/p>\n<p>\u2013 Gosto muito do Brasil. Muito demais. Sou patriota \u00e0 moda antiga, verde-amarelo, vibrante. (&#8230;) fico danado quando vejo algu\u00e9m nascido aqui ter descaso pela patrinha.<\/p>\n<p>\u2013 Presente, passado e futuro? Tolice. N\u00e3o existem. A vida \u00e9 uma ponte intermin\u00e1vel. Vai-se construindo e destruindo. O que vai ficando para tr\u00e1s com o passado \u00e9 a morte. O que est\u00e1 vivo vai adiante.<\/p>\n<p><b>(*) Ricardo Cravo Albin \u00e9 jornalista, historiador e music\u00f3logo<\/b><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos mais interessantes brasileiros a pesquisar, escrever e insistir sobre profundidades do Brasil Tenho n\u00e3o s\u00f3 a honra, mas o grato prazer pessoal de registrar o centen\u00e1rio daqui h\u00e1 dois dias de Darcy Ribeiro, um dos mais interessantes brasileiros a pesquisar, escrever e insistir sobre profundidades e originalidades do Brasil. 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