{"id":82478,"date":"2022-06-20T07:59:54","date_gmt":"2022-06-20T10:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=82478"},"modified":"2022-06-20T13:01:41","modified_gmt":"2022-06-20T16:01:41","slug":"entenda-por-que-bruno-e-dom-eram-cabras-marcados-para-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/entenda-por-que-bruno-e-dom-eram-cabras-marcados-para-morrer\/","title":{"rendered":"Entenda por que Bruno e Dom eram cabras marcados para morrer"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNormal\"><strong>\u00c9 preciso acabar com a m\u00e1quina de guerra instalada no Vale do Javari contra o meio ambiente e os povos origin\u00e1rios. Bruno e Dom: presentes!<\/strong><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Os desaparecimentos do sertanista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips ecoam como um tr\u00e1gico grito de socorro da floresta amaz\u00f4nica e de seus habitantes originais. Hoje, todo o mundo sabe que ali, naquele monte de folhas que se v\u00ea pelo Google Maps, onde fica a Terra Ind\u00edgena Vale do Javari (a segunda maior do Brasil), dois her\u00f3is empenharam suas vidas individuais para defender as vidas coletivas, destru\u00eddas diariamente pelo garimpo, pela gan\u00e2ncia, pelo ouro, pelo agroneg\u00f3cio, pelo narcotr\u00e1fico, pela pesca predat\u00f3ria e, at\u00e9, por mission\u00e1rios religiosos, inescrupulosos defensores de um deus da morte.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Bruno Pereira n\u00e3o era para estar l\u00e1. Ele j\u00e1 tinha sido vestido pelos genocidas com uma camisa desenhada com dois alvos: um na frente e outro atr\u00e1s. Um terceiro estava estampado em sua testa. Ele era o cabra marcado para morrer.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">O estudo dos boletins de servi\u00e7o da Funai fornece provas eloquentes do compromisso de Bruno com a defesa dos povos isolados e de recente contato. No dia 2 de janeiro de 2020, por exemplo, o boletim registra que Bruno realizou &#8220;reuni\u00e3o com autoridades ref. ao assunto presente no documento sigiloso Of\u00edcio 219\/Gabinete do Procurador\/PRM\/Tabatinga, de 17\/06\/2019, que trata da promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de combate a il\u00edcitos na regi\u00e3o do Alto Solim\u00f5es, com presen\u00e7a de povos ind\u00edgenas isolados.&#8221;<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Em 3 de janeiro do mesmo ano, Bruno participou de a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o, monitoramento e vigil\u00e2ncia com o objetivo de realizar articula\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e proceder ao encaminhamento dos preparativos para a execu\u00e7\u00e3o de Opera\u00e7\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o no Juta\u00ed em conjunto com as for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es de coibi\u00e7\u00e3o de il\u00edcitos ambientais e de combate ao garimpo ilegal na TI (Terra Ind\u00edgena)&#8221;.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Em agosto de 2014, Bruno participou de reuni\u00e3o e discuss\u00e3o no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal sobre Sa\u00fade Ind\u00edgena e ingresso irregular de mission\u00e1rios na Terra Ind\u00edgena Vale do Javari.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">No come\u00e7o de 2019, Bruno integrou a &#8220;articula\u00e7\u00e3o para alinhamentos estrat\u00e9gicos e institucionais com o Comando Militar da Amaz\u00f4nia, Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Amazonas, Delegacia de Pol\u00edcia Federal de Tabatinga, 8\u00b0 Batalh\u00e3o de Infantaria da Selva do Ex\u00e9rcito em Tabatinga, que se refere \u00e0 seguran\u00e7a das equipes operacionais da FPE (Frente de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental) Vale do Javari durante a execu\u00e7\u00e3o do Plano de Conting\u00eancia para Situa\u00e7\u00f5es de Contato, e realizou articula\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e institucionais junto \u00e0 Procuradoria da rep\u00fablica, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Amazonas em Tabatinga&#8230;&#8221;<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Bruno foi respons\u00e1vel pela Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai at\u00e9 outubro de 2019. Logo depois de coordenar uma opera\u00e7\u00e3o que expulsou centenas de garimpeiros da terra ind\u00edgena Yanomami, em Roraima, entretanto, foi exonerado do cargo sem qualquer tipo de justificativa interna.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">A exonera\u00e7\u00e3o foi assinada no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro pelo ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, o ex-delegado da Pol\u00edcia Federal (PF) Luiz Pontel de Souza, escolhido para o cargo pelo ex-juiz \u00a0Sergio Moro. Para ocupar o lugar de Bruno, foi escolhido o mission\u00e1rio evang\u00e9lico Ricardo Lopes Dias, que atuou entre 1997 e 2007 na Miss\u00e3o Novas Tribos do Brasil (MNTB), organiza\u00e7\u00e3o com origem nos EUA que promove a evangeliza\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas brasileiros desde os anos 1950. Um coordenador &#8220;terrivelmente evang\u00e9lico&#8221;, \u00e9 claro! Para esses mission\u00e1rios, \u00e9 preciso arrancar o cora\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas para impor-lhes o Deus vingativo e cruel professado por algumas igrejas crist\u00e3s, comprometidas com a teologia da prosperidade. Veja aqui.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Os registros dessas in\u00fameras notas nos Boletins de Informa\u00e7\u00e3o da Funai mostram que as atividades de Bruno eram conhecidas por todos os agentes que deveriam zelar pela seguran\u00e7a do territ\u00f3rio. Que ele se reunia com o Comando de todas as for\u00e7as repressivas, a\u00ed inclu\u00eddos o Ex\u00e9rcito, a Pol\u00edcia, a Marinha, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, a Funai. Ele n\u00e3o era um aventureiro irrespons\u00e1vel, vers\u00e3o que o pr\u00f3prio Bolsonaro esfor\u00e7ou-se para impor \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica mundial nas primeiras horas do desaparecimento.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Acontece que Bruno, depois da exonera\u00e7\u00e3o do cargo de Coordenador dos \u00cdnd\u00edos Isolados, nunca pretendeu para si o conforto de uma aposentadoria precoce. Inconformado, ele pediu para ser licenciado sem vencimentos por dois anos do cargo p\u00fablico. E voltou para o Vale do Javari, desta vez prestando consultoria \u00e0 Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas da regi\u00e3o, a Univaja, sobre com defender a Terra Ind\u00edgena contra a intrus\u00e3o de garimpeiros, traficantes e pescadores ilegais.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ciente de que a preserva\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena s\u00f3 poderia ser feita com a exposi\u00e7\u00e3o para todo o mundo do drama humanit\u00e1rio e ambiental ali presentes, Bruno firmou uma parceria existencial com Dom Phillips, jornalista ingl\u00eas, branco, colaborador de algumas das mais prestigiosas publica\u00e7\u00f5es do mundo: os jornais &#8220;The Guardian&#8221; e &#8220;New York Times&#8221;. A parceria ideal. Um sertanista e um jornalista. Um brasileiro e um ingl\u00eas. E \u00e9 agora, por causa dos desaparecimentos deles, que o mundo sabe: ali, naquele canto a oeste do Brasil, trava-se uma luta de vida ou morte, de preserva\u00e7\u00e3o ou de destrui\u00e7\u00e3o, de respeito \u00e0s culturas origin\u00e1rias, ou de tributo ao deus Mercado, que vem neste momento se entesourando em ouro e metais preciosos, porque n\u00e3o sabe at\u00e9 quando o d\u00f3lar se aguenta.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u00c9 preciso honrar a luta de Bruno e Dom<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u00c9 claro que temos de prantear o prov\u00e1vel assassinato desses dois her\u00f3is. Mas precisamos tamb\u00e9m honrar os seus sacrif\u00edcios. Quando os monstros que hoje governam o Brasil pensaram que tinham acabado com a resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o das terras ind\u00edgenas, depois de terem transformado a Funai em uma &#8220;funda\u00e7\u00e3o anti-ind\u00edgena, marcada pela n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ind\u00edgenas, somada a uma militariza\u00e7\u00e3o sem precedentes do \u00f3rg\u00e3o&#8221;, Bruno recusou-se a abandonar sua raz\u00e3o de viver. Ele se reinventou e seguiu na luta.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">H\u00e1 pessoas assim em todo o Brasil. Gente que segue resistindo, apesar de tudo, da persegui\u00e7\u00e3o, do risco de vida, do ostracismo, da criminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Honrar essas vidas, agora, significa exigir n\u00e3o apenas a puni\u00e7\u00e3o de quem interrompeu suas trajet\u00f3rias heroicas. N\u00e3o aceitaremos que fique tudo por isso mesmo e que a culpa recaia apenas sobre um sujeito miser\u00e1vel, descart\u00e1vel, meio branco, meio preto, meio ind\u00edgena. Porque outro miser\u00e1vel ser\u00e1 escalado para matar uma nova lideran\u00e7a ind\u00edgena, um jornalista, um sertanista. Haver\u00e1 uma como\u00e7\u00e3o, um processo apressado que prender\u00e1 esse outro bode expiat\u00f3rio.\u00a0 E assim sucessivamente.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u00c9 preciso acabar com a m\u00e1quina de guerra instalada no Vale do Javari contra o meio ambiente e os povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Quem \u00e9 que paga as lanchas, as retroescavadeiras, os tratores, as imensas dragas, os avi\u00f5es para transporte do min\u00e9rio, quem \u00e9 que paga tudo isso?<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Como \u00e9 poss\u00edvel que, numa regi\u00e3o fortemente militarizada, que conta com as presen\u00e7as ostensivas de uma delegacia geral de Pol\u00edcia Civil, uma Delegacia da Pol\u00edcia Federal, um batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar do Amazonas \u2013 PMAM, um pres\u00eddio estadual, um efetivo da For\u00e7a Nacional do Brasil, um Destacamento de Controle do Espa\u00e7o A\u00e9reo de Tabatinga (DTCEA-TT), um Comando de Fronteira do Ex\u00e9rcito (8\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva), uma Capitania dos Portos da Marinha do Brasil e uma unidade do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, as principais atividades econ\u00f4micas locais sigam sendo o contrabando, o garimpo ilegal e o narcotr\u00e1fico? Por que esse efetivo fortemente armado n\u00e3o cumpre seu papel, e a fronteira ocidental do Brasil segue sendo uma peneira para que ingressem na terra ind\u00edgena todo e qualquer aventureiro que lance m\u00e3o, como acontece no Brasil desde 1500?<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Como o narcotr\u00e1fico se conecta \u00e0 atividade garimpeira, provendo recursos, explorando a prostitui\u00e7\u00e3o, corrompendo militares, mantendo o fluxo de m\u00e3o-de-obra necess\u00e1ria ao garimpo, sustentando o ex\u00e9rcito de assassinos de aluguel?<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Como a pesca ilegal e predat\u00f3ria no rio Solim\u00f5es e seus afluentes conecta-se ao narcotr\u00e1fico? Como a atividade pesqueira foi &#8220;sequestrada&#8221; pelo crime organizado de modo a fornecer barcos e canoas destinadas ao escoamento da droga?<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Como funciona o com\u00e9rcio de ouro em Tabatinga e cidades vizinhas? Quem compra e quem vende o ouro, nas lojinhas espalhadas pelas cidades do Alto Solim\u00f5es e do Vale do Javari? \u00c9 at\u00e9 estranho. S\u00e3o &#8220;lojinhas&#8221; t\u00e3o banais e aparentemente inofensivas, quanto os pontos de jogo do bicho no Rio ou em S\u00e3o Paulo. S\u00f3 que essas lojinhas s\u00e3o s\u00f3 aparentemente inofensivas, haja vista a fortuna amealhada por apenas uma empresa, respons\u00e1vel pela revenda de ouro para os mercados especulativos.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">A FD Gold, por exemplo, de propriedade de Dirceu Frederico Sobrinho, tamb\u00e9m presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Ouro (Anoro), foi acusada em agosto de 2021 pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal despejar no mercado nacional e internacional 1.370 quilos de ouro ilegal somente entre 2019 e 2020. Detalhe, Dirceu \u00e9 muito pr\u00f3ximo do general Hamilton Mour\u00e3o (ex-comandante militar da Amaz\u00f4nia) e de altos dignit\u00e1rios do governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ah, mas isso \u00e9 problema &#8220;deles&#8221; l\u00e1!<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Errado: a sede da FD Gold, fica na avenida Paulista, cora\u00e7\u00e3o financeiro de S\u00e3o Paulo. Em maio, a FD Gold declarou-se propriet\u00e1ria de 77 kg de ouro encontrados em um avi\u00e3o, em Sorocaba. A carga, avaliada em 23 milh\u00f5es de reais, estava sendo escoltada pelo tenente-coronel Augusto Tasso, lotado na Casa Militar, respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do governador Rodrigo Garcia (PSDB), de S\u00e3o Paulo. Coincid\u00eancia? Precisa desenhar ou \u00e9 f\u00e1cil perceber a conex\u00e3o entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a e a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Tudo isso s\u00f3 para dizer que n\u00e3o basta que as investiga\u00e7\u00f5es sobre o desaparecimento de Bruno Pereira e de Dom Phillips detenham-se na pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o de um sujeito com o sugestivo apelido de &#8220;Pelado&#8221;. Esse est\u00e1 pelado de tudo. Sem dinheiro, sem prest\u00edgio, sem liberdade, sem nada. Amanh\u00e3, esse Pelado aparecer\u00e1 morto, e todos diremos: &#8220;Mereceu&#8221;. Mas ele \u00e9 s\u00f3 o &#8220;elo mais fraco&#8221; da cadeia de maldades, de cobi\u00e7a e de horrores.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u00c9 preciso que sigamos o dinheiro e vinguemos nossos her\u00f3is, perseguindo e condenando os tubar\u00f5es que financiam a morte dos povos origin\u00e1rios e a destrui\u00e7\u00e3o da floresta. Gente covarde, que usa pobres miser\u00e1veis como bucha de canh\u00e3o enquanto permanecem escondidos atr\u00e1s das paredes de pr\u00e9dios valiosos na avenida Paulista, refrescados pelo ar-condicionado a milh\u00e3o e pisando o ch\u00e3o acarpetado do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Dom Phillips e Bruno Pereira! Seguiremos os seus exemplos de amor e solidariedade!<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Pelo fim imediato da explora\u00e7\u00e3o do ouro e demais riquezas das Terras Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Fora Bolsonaro e seu governo genocida!<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><strong>(*) Laura Capriglione \u00e9 jornalista.<\/strong><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">Fonte:\u00a0 Jornalistas Livres<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 preciso acabar com a m\u00e1quina de guerra instalada no Vale do Javari contra o meio ambiente e os povos origin\u00e1rios. Bruno e Dom: presentes! Os desaparecimentos do sertanista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips ecoam como um tr\u00e1gico grito de socorro da floresta amaz\u00f4nica e de seus habitantes originais. 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