{"id":80298,"date":"2021-10-15T18:29:06","date_gmt":"2021-10-15T21:29:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=80298"},"modified":"2021-10-15T18:29:06","modified_gmt":"2021-10-15T21:29:06","slug":"dia-do-mestre-15-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/dia-do-mestre-15-de-outubro\/","title":{"rendered":"Dia do Mestre &#8211; 15 de outubro"},"content":{"rendered":"<p>Rubem Alves por ele mesmo: nasci em Minas Gerais, em Boa Esperan\u00e7a. Estudei m\u00fasica, quis ser m\u00e9dico, mas acabei te\u00f3logo. Teologia que apesar do nome pouco sabe sobre os deuses, mas muito suspeita sobre os homens, pois os deuses s\u00e3o as imagens do desejo. \u00c0 medida que envelhe\u00e7o minha biblioteca encolhe, prefiro os cl\u00e1ssicos. Escrevi v\u00e1rios livros sobre educadores e educa\u00e7\u00e3o, mas prefiro os livros que escrevi para crian\u00e7as e, este prazer nas hist\u00f3rias infantil como profiss\u00e3o e na poesia me fizeram abra\u00e7ar a psican\u00e1lise pois o que um psicanalista deve fazer \u00e9 simplesmente tentar resgatar o mundo das imagens po\u00e9ticas esquecidas e vivas nos subterr\u00e2neos da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 Rubem Alves, um filosofo da vida de quem gosta de ensinar. Um poeta de si mesmo, um te\u00f3logo dos deuses que considera a todos com os desejos que estes suscitam. Aqui estou eu, parafraseando os sentimentos que me incitam Rubem Alves ao referenciar os modos e formas de ensinar e, muito mais, o prazer que se recebe ao aprender com aqueles que ensinam com a certeza do esp\u00edrito repleto de emo\u00e7\u00f5es e prazeres que o ensinar nos inundam. S\u00e3o gra\u00e7as que se recebe em meio \u00e0s emo\u00e7\u00f5es que nos imp\u00f5em do \u00edntimo a partir da a\u00e7\u00e3o desse verbo que se pauta pela comunica\u00e7\u00e3o que se faz presente no ato de educar e aprender, nos lembra Alves: Ensinar \u00e9 um exerc\u00edcio de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, n\u00e3o morre jamais. (Rubem Alves, 2003) .<\/p>\n<p>Muito se tem falado do sofrimento dos professores, de seu desalento, de seu esquecimento pelo Estado que teima em demonstrar que a exist\u00eancia dos horrores que acontece \u00e0 sociedade e \u00e0s culturas dos mais pobres, dos esquecidos e desvalidos pelos seus modos de viver, dos seus modos de pensar, de suas cores de pele, de suas vestimentas, religi\u00f5es diversas e modos de agir diferenciados s\u00e3o considerados \u00e0 margem social, discriminados e violentados cotidianamente por a\u00e7\u00f5es movidas pelo \u00f3dio sempre aceso aos cora\u00e7\u00f5es pelo arautos do com\u00e9rcio, da ind\u00fastria e da escraviza\u00e7\u00e3o repetindo, \u00e9 sua responsabilidade, sua culpa por n\u00e3o ter se esfor\u00e7ado como eles pr\u00f3prios ao possuir tantos bens, dinheiro e fama.<\/p>\n<p>Mas, neste Dia dos Mestres &#8211; 15 de outubro de 2021, eu que aprecio como Rubem Alves o avesso das coisas, passo a falar da alegria e do prazer em ser professora movida por preciosos sessenta anos de magist\u00e9rio. Vendo a alegria que se encontra em ver o jardim que se planta crescer, a crian\u00e7a que aprende se tornar um adulto mais cr\u00edtico, mais humano, mais vulner\u00e1vel as dores alheias pelo trabalho coletivo e aos pares desenvolvidos em cada aula. Senti que eu mesma ao sobrescrever sobre os escritos deste poeta do educar o mesmo sentimento que nos invade a n\u00f3s professores e professoras \u2013 sentirmo-nos tamb\u00e9m como jardineiros vivenciando a cada dia o esplendor de ver a planta crescer como educador\/educadora das mil formas de ensinar o melhor da vida.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 minha\/nossa poesia e, como poeta\/poetiza jamais pensarei em me aposentar, pois como Alves, quem deseja se aposentar daquilo que lhe traz alegria de viver e de existir? Cedo descobrimos como Rubem Alves, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e, tantos outros, que o prazer de ensinar era cada vez maior quanto mais distantes estivessem nossos jovens alunos das deforma\u00e7\u00f5es presentes nas (des)educa\u00e7\u00f5es que recebem nossos estudantes provocadas pelas distor\u00e7\u00f5es existentes entre aqueles que conhecem efetivamente o ch\u00e3o das escolas, suas alegrias e vicissitudes, as comunidades que os envolvem e aqueles que planejam de seus gabinetes conte\u00fados e metodologias que cobram e avaliam professores e alunos com a\u00e7\u00f5es matematizadas e estat\u00edsticas que, como alertava Einstein: se colocarmos um homem com metade de seu corpo em um freezer e outra metade fora do freezer, ao final da estat\u00edstica teremos um homem morto.<\/p>\n<p>Volto a lembrar a escola asa e a escola gaiola. Lembremos as \u00e1guias que mesmo correndo o risco das alturas acreditam que o risco das quedas vale a pena, pois l\u00e1 de cima veem mais longe e muito mais bonita a paisagem. Apreendem do mundo muito mais que as tartarugas que n\u00e3o correm risco de quebrar as pernas nem o casco ao andar vagarosamente sobre o solo. Importante lembrar que a aprendizagem \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do viver, a gente aprende para sobreviver \u00e0s intemp\u00e9ries e para viver melhor, sempre com alegria e prazer de viver em comunh\u00e3o. Assim, nossas aprendizagens se iniciam com os sentidos: ver, ouvir, falar, cheirar, gostar e agir. Nosso corpo fala e se expressa a partir de nossas aprendizagens.<\/p>\n<p>Dia do Mestre, fala-se ao mestre com carinho de seu prazer em ensinar e aprender com o outro de sua cultura e formas de viver diferenciadas, local de mem\u00f3ria e de vida transdisciplinar. Educar \u00e9 ensinar a pensar com vistas a um mundo de liberdades onde os meios n\u00e3o bastam para trazer o prazer e a alegria, que s\u00e3o os sentidos da vida local comum da educa\u00e7\u00e3o da sensibilidade que tamb\u00e9m necessita ser educada, pois somos tamb\u00e9m seres de cultura(s), inventamos e reinventamos objetos de prazer que n\u00e3o se encontram apenas na natureza: a m\u00fasica, as artes, a culin\u00e1ria, a arquitetura, os perfumes, os toques e tudo mais.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o asa precisa despertar tais sentimentos e sensibilidades para que a capacidade de sentir prazer e alegria se desenvolva e se expanda. Deste modo, existem mais atributos ao professor-educador, ao mestre que ensina e aprende para al\u00e9m de fazer um ensino abstrato das disciplina. \u00c9 preciso que se torne um mestre de prazeres tamb\u00e9m capazes de ensinar e mais aprender.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns a todos e todas professoras\/professores deste nosso Brasil violentado. Seguimos nossa tarefa de educadores da liberdade e do prazer de ensinar e aprender. Estejamos todos e todas n\u00f3s, militantes do Movimento Trabalhista pela Educa\u00e7\u00e3o do Partido Democr\u00e1tico Trabalhista, partido hist\u00f3rico de Pasqualini, Brizola e Darcy Ribeiro movidos pela honra de elevarmos nossa educa\u00e7\u00e3o ao patamar de excel\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para cumprir estat\u00edsticas internacionais, mas acertar ao olhar o presente com os olhos de quem acredita que EDUCAR \u00c9 A MISS\u00c3O DEMOCR\u00c1TICA DE TODOS\/TODAS N\u00d3S PROFESSORES\/PROFESSORAS TRABALHISTAS<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubem Alves por ele mesmo: nasci em Minas Gerais, em Boa Esperan\u00e7a. Estudei m\u00fasica, quis ser m\u00e9dico, mas acabei te\u00f3logo. Teologia que apesar do nome pouco sabe sobre os deuses, mas muito suspeita sobre os homens, pois os deuses s\u00e3o as imagens do desejo. \u00c0 medida que envelhe\u00e7o minha biblioteca encolhe, prefiro os cl\u00e1ssicos. Escrevi&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":80300,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1584,1390,3908,1397],"tags":[179,277,5228,5229],"class_list":["post-80298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-editorias","category-movimento-trabalhista-pela-educacao","category-movimentos","tag-brizola","tag-darcy-ribeiro","tag-pasqualini","tag-professoras-trabalhistas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80298"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80301,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80298\/revisions\/80301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}