{"id":75747,"date":"2021-01-30T12:00:51","date_gmt":"2021-01-30T15:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=75747"},"modified":"2021-02-02T23:24:37","modified_gmt":"2021-02-03T02:24:37","slug":"edialeda-do-nascimento-simbolo-de-resistencia-contra-a-desigualdade-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/edialeda-do-nascimento-simbolo-de-resistencia-contra-a-desigualdade-racial\/","title":{"rendered":"Edialeda do Nascimento: s\u00edmbolo de resist\u00eancia contra a desigualdade racial"},"content":{"rendered":"<p>\u201cVejo hoje, no Brasil, que h\u00e1 uma pena de morte n\u00e3o escrita. Eu acho que cabe a n\u00f3s, militantes, pol\u00edticos, tentar acabar com a lei de morte n\u00e3o escrita. Mas para que isso mude, \u00e9 necess\u00e1rio que elejamos negros. Pessoas que tenham compromisso com a causa, que conhe\u00e7am nossa hist\u00f3ria\u201d. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 parte de um pronunciamento feito pela saudosa Edialeda do Nascimento, em uma Audi\u00eancia P\u00fablica realizada na C\u00e2mara dos Deputados, em 2009.<\/p>\n<p>Mulher e negra, Edialeda enfrentou todas as dificuldades impostas pela cor de sua pele e se tornou um s\u00edmbolo da luta contra o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o racial contra os afrodescendentes, al\u00e9m de resist\u00eancia contra o racismo no Brasil. Hoje, 30 de novembro, o PDT relembra seu legado deixado h\u00e1 11 anos.<\/p>\n<p>Doze anos ap\u00f3s o referido discurso, o Brasil ainda enfrenta a infeliz pena descrita pela pedetista. Ainda \u00e9 recorrente em nossos notici\u00e1rios di\u00e1rios casos de crian\u00e7as, jovens e adultos que s\u00e3o mortos todos os dias, v\u00edtimas da viol\u00eancia, decorrente de um preconceito enraizado na cultura do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cMulher guerreira, que criou os filhos praticamente sozinha, vencendo os preconceitos e se tornando a primeira mulher negra a ser secret\u00e1ria de Estado no primeiro governo Brizola,\u00a0 no Rio de Janeiro\u201d, assim\u00a0 o presidente Nacional do PDT, Carlos Lupi, descreve Edialeda.<\/p>\n<p>Edialeda lutava por mais introdu\u00e7\u00e3o da cultura afro-americana nas escolas do Brasil, e trabalhava, com o apoio de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, para expandir as oportunidades para os negros nas universidades federais do Pa\u00eds, al\u00e9m de lutar para garantir mais oportunidades de trabalho.<\/p>\n<p>Outro panorama destacado pela pedetista, por ocasi\u00e3o daquele discurso na C\u00e2mara, foi acerca dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), daquele mesmo ano, sobre a popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil em face da ocupa\u00e7\u00e3o do povo afrodescendente em espa\u00e7os de poder. Cen\u00e1rio que desperta perguntas ainda nos dias atuais, pois enfrentamos uma realidade semelhante em nossa sociedade. \u201cCad\u00ea os negros generais, almirantes, brigadeiros, ministros das altas cortes? Cad\u00ea o negro na pol\u00edtica?\u201d, indagou.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente v\u00ea que o negro n\u00e3o consegue chegar \u00e0 faculdade, e ainda quando consegue \u00e9 dif\u00edcil para ele conseguir um emprego, a gente v\u00ea que tem que brigar com os governos, em todos os n\u00edveis\u201d, afirmou a pedetista.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os negros somavam-se uma quase maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Hoje, segundo o IBGE, j\u00e1 s\u00e3o 56,10% da popula\u00e7\u00e3o que se declara negra e mesmo assim, ainda enfrentamos um grande desfalque na representatividade negra no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil orgulha-se de ser um pa\u00eds de democracia racial. Mentira! Eu n\u00e3o vejo negros aqui na C\u00e2mara dos Deputados, nos tribunais, nas cortes, no ex\u00e9rcito, na marinha, na aeron\u00e1utica, nas universidades. Quando o IBGE diz que somos maioria, eu quero ver essa maioria em cargos do Itamaraty\u201d, afirmou Edialeda, em sua fala, proferida durante a audi\u00eancia p\u00fablica, quando deixou tamb\u00e9m um recado e um pedido aos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos, nesta C\u00e2mara, o que nunca houve: chegar e falar de negro, no espa\u00e7o de discuss\u00e3o. Queria pedir aos senhores que est\u00e3o presentes \u2013 deputados, pessoas que trabalham na C\u00e2mara, jornalistas \u2013 que n\u00e3o deixassem que esta discuss\u00e3o se acabasse. Ela s\u00f3 come\u00e7ou aqui. Acabaremos essa discuss\u00e3o quando conseguirmos concretizar uma aboli\u00e7\u00e3o de fato&#8221;, ressaltou a pedetista.<\/p>\n<p>Ao final de seu discurso<strong>,<\/strong> Edialeda foi enf\u00e1tica quanto \u00e0 necessidade da aboli\u00e7\u00e3o do preconceito e a import\u00e2ncia de dar condi\u00e7\u00f5es dignas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de qualidade a todos os brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cA aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 concretizada e s\u00f3 vai se concretizar quando n\u00f3s, negros \u2013 n\u00e3o eu que sou m\u00e9dica, falo 5 l\u00ednguas, que j\u00e1 viajei \u2013, a criancinha, que mora no final de uma vila, no final da Bahia, tiver um m\u00e9dico a sua disposi\u00e7\u00e3o 24h por dia, ou morar numa casa com saneamento b\u00e1sico, com \u00e1gua corrente, numa casa digna; quando seus pais pagarem um trem, um transporte p\u00fablico de qualidade, para n\u00e3o sei onde, tiver acesso a uma escola integral e integrada, onde ela, segundo Darcy Ribeiro dizia, aprenda a ler, escrever e pensar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Trajet\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Graduada em medicina pela Universidade de Valen\u00e7a, no Rio de Janeiro, Edialeda era fluente em franc\u00eas, italiano, espanhol e ingl\u00eas. Foi secret\u00e1ria nacional do Movimento Negro do PDT, e uma das fundadoras do partido ao lado de Leonel Brizola.<\/p>\n<p>Ainda no governo Brizola, no Rio de Janeiro, Edialeda se tornou a primeira negra a assumir a secretaria de Estado de Promo\u00e7\u00e3o Social. Participou de diversas reuni\u00f5es e congressos realizados na Am\u00e9rica Latina, Estados Unidos e Europa, inclusive da Internacional Socialista, al\u00e9m de ter sido organizadora e conferencista do I Congresso de Mulheres Negras das Am\u00e9ricas, realizado, em 1984, no Equador.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVejo hoje, no Brasil, que h\u00e1 uma pena de morte n\u00e3o escrita. Eu acho que cabe a n\u00f3s, militantes, pol\u00edticos, tentar acabar com a lei de morte n\u00e3o escrita. Mas para que isso mude, \u00e9 necess\u00e1rio que elejamos negros. 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