{"id":72381,"date":"2020-07-07T22:52:19","date_gmt":"2020-07-08T01:52:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=72381"},"modified":"2020-07-10T16:56:09","modified_gmt":"2020-07-10T19:56:09","slug":"ciro-gomes-celso-furtado-foi-visionario-diante-da-agenda-retardataria-no-ne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/ciro-gomes-celso-furtado-foi-visionario-diante-da-agenda-retardataria-no-ne\/","title":{"rendered":"Ciro Gomes: \u201cCelso Furtado foi vision\u00e1rio diante da agenda retardat\u00e1ria no NE\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Mediado por Carlos Lupi, quarto painel encerrou o semin\u00e1rio em homenagem ao centen\u00e1rio do economista brasileiro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria de Celso Furtado mostra o momento em que o Brasil percebe seu potencial. Viu o parto de um pa\u00eds moderno. O Keynesianismo tropicalizado.\u201d, afirmou o ex-governador do Cear\u00e1, Ciro Gomes, durante o encerramento, nesta ter\u00e7a-feira (7), do semin\u00e1rio online realizado pelo Centro de Mem\u00f3ria Trabalhista (CMT), em homenagem ao centen\u00e1rio de nascimento do intelectual paraibano, celebrado no pr\u00f3ximo dia 26 de julho. Mediado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o quarto painel tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o do governador do Maranh\u00e3o, Fl\u00e1vio Dino, e da doutora em economia, T\u00e2nia Bacelar.<\/p>\n<p>\u201cPara Furtado, o desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 uma acumula\u00e7\u00e3o do tempo ou uma consequ\u00eancia fatalista dos desdobramentos do capitalismo. Ele denuncia que isso \u00e9 falso. Portanto, estabelece, com clareza, que \u00e9 necess\u00e1rio que exista Estado e o todo o seu comprometimento\u201d, disse Ciro, ao relatar a amplitude do pensamento vision\u00e1rio apresentado h\u00e1 mais de 60 anos.<\/p>\n<p>Durante a transmiss\u00e3o pelo Youtube do CMT (confira, ao final, na \u00edntegra) e pelas redes sociais da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola \u2013 Alberto Pasqualini (FLB-AP), Lupi ratificou a representatividade do homenageado ao citar a import\u00e2ncia do seu legado na integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a contribui\u00e7\u00e3o para o progresso do continente sul-americano.<\/p>\n<p>\u201cFurtado foi um grande brasileiro e patriota que tocava nas feridas da burguesia. N\u00e3o existe na\u00e7\u00e3o sem um projeto feito pela sua gente. Na Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina (CEPAL), \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ele j\u00e1 buscava sa\u00eddas para poder libertar o povo. Ele n\u00e3o se conformava em ser submisso dentro de um projeto de na\u00e7\u00e3o libert\u00e1rio\u201d, comentou, ao completar: \u201cTinha uma cabe\u00e7a desenvolvimentista que fazia a defesa dos exclu\u00eddos e o combate ao preconceito. Ele era uma voz que n\u00e3o se calava diante do opressor\u201d.<\/p>\n<p>Para T\u00e2nia Bacelar, Furtado tinha uma ampla atua\u00e7\u00e3o e um protagonismo internacional, mas sempre fez quest\u00e3o de nunca abandonar suas ra\u00edzes nacionalistas. Por isso, segundo ela, seu legado \u00e9 t\u00e3o f\u00e9rtil e reverbera com tamanha contemporaneidade.<\/p>\n<p>\u201cNa minha vis\u00e3o, ele era um cidad\u00e3o do mundo, apesar de n\u00e3o querer tirar o p\u00e9 do Brasil. Ele sabia a import\u00e2ncia do seu pa\u00eds para a Am\u00e9rica Latina, at\u00e9 como refer\u00eancia\u201d, justificou.<\/p>\n<p>\u201cEle tinha uma vis\u00e3o multidimensional, passando n\u00e3o s\u00f3 pela economia e o social, mas tamb\u00e9m pela \u00e1rea ambiental. Ao fazer autocr\u00edtica, ele conseguia avan\u00e7ar trabalhando entre as dimens\u00f5es\u201d, pontuou, dando \u00eanfase \u00e0 profundidade da sua obra. \u201cNada mais contempor\u00e2neo que a economia criativa. E, naquela \u00e9poca, ele j\u00e1 via potencial nessa \u00e1rea\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Consolidando os apontamentos, Fl\u00e1vio Dino celebrou o perfil desenvolvimentista e popular que tinha, de transparecia, um posicionamento n\u00edtido de defesa intransigente da popula\u00e7\u00e3o mais humilde.<\/p>\n<p>\u201cCom esse perfil, conseguia quebrar o coronelismo. Sempre militou contra a desigualdade regional. Para n\u00f3s, nordestinos, exclu\u00eddos da revolu\u00e7\u00e3o burguesa do s\u00e9culo XX, podemos perceber que o avan\u00e7o industrial, estimulado por Furtado, representou ganhos para a nossa regi\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Origens<\/strong><\/p>\n<p>Ex-ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Ciro chegou a analisar com Furtado, em 2003, a possibilidade de execu\u00e7\u00e3o da revitaliza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), autarquia federal que teve o intelectual paraibano como idealizador e primeiro presidente, no governo Juscelino Kubitschek (1956-61). Em 2001, a entidade foi extinta por Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>\u201cO Nordeste tinha problemas de capital humano e de infraestrutura. Tudo o que impedia o sonho modernizante, desde a \u00e9poca de 50, de industrializa\u00e7\u00e3o. Quando ele faz a Sudene, j\u00e1 projetava um mecanismo de coes\u00e3o pol\u00edtica, pois ali haveria poder real do coletivo. Assim, poderia fazer algumas apostas de transforma\u00e7\u00e3o\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Indicando a representatividade da superintend\u00eancia ap\u00f3s mais de 20 anos de atua\u00e7\u00e3o como pesquisadora e economista, Bacelar ratificou que a sua concep\u00e7\u00e3o foi uma proposta institucional arrojada.<\/p>\n<p>\u201cA Sudene foi uma ousadia de Celso Furtado. O cora\u00e7\u00e3o era o seu conselho, a partir da desconcentra\u00e7\u00e3o via um elo interfederativo. A aposta na pol\u00edtica a partir do di\u00e1logo do presidente com os governadores para patrocinar um projeto de transforma\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em uma exalta\u00e7\u00e3o ao sucesso das gest\u00f5es de Ciro e Dino e do cons\u00f3rcio de governadores, Carlos Lupi assegurou que o sucesso de Furtado traduz a vit\u00f3ria contra o retrocesso.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos nele a representa\u00e7\u00e3o da ascens\u00e3o social. Ele surge do Nordeste para mostrar sua intelig\u00eancia para o mundo. Por isso, \u00e9 simb\u00f3lico que esta regi\u00e3o continue sendo um foco de resist\u00eancia democr\u00e1tica. Voc\u00eas conseguem, com muito sacrif\u00edcio e luta, estar acima da m\u00e9dia nacional\u201d, exaltou.<\/p>\n<p>Um dos indutores da sua forma\u00e7\u00e3o, Dino aponta, como um destaque, a sensibilidade para permitir um progresso equacionado entre vertentes que precisavam caminhar de forma harm\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cCelso pautava a defesa da industrializa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m lutava pela reforma agr\u00e1ria para mudan\u00e7a do perfil regional. Arauto do planejamento, buscava planejar para desconcentrar e partilhar com todos. Assim, combateu fortemente a desigualdade social\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Progresso<\/strong><\/p>\n<p>Ao exaltar o legado do pensamento desenvolvimentista para a Am\u00e9rica Latina, Ciro reafirmou a necessidade de um Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) para o Brasil superar a estagna\u00e7\u00e3o imposta pelo subdesenvolvimento, estrutura classificada, por Furtado, como historicamente determinada pela evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>\u201cEstou recuperando o papel do Brasil forte como defendia Celso Furtado. Faltava projeto ao pa\u00eds. O preconceito se levanta contra todo o patriota. Falar de justi\u00e7a social e soberania nacional \u00e9 momento para ser chamado de coronel, por exemplo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Para Ciro, a efetiva justi\u00e7a social, com redistribui\u00e7\u00e3o de renda, redu\u00e7\u00e3o da desigualdade e gera\u00e7\u00e3o de empregos, passa pelas mudan\u00e7as estruturais, que contemplam, como elemento central, a altera\u00e7\u00e3o do modelo de economia de subsist\u00eancia a partir da reindustrializa\u00e7\u00e3o. Este processo demanda, portanto, a parceria estrat\u00e9gica entre os setores estatal e privado para permitir o fortalecimento do mercado interno, a gera\u00e7\u00e3o de capital nacional, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia sobre a exporta\u00e7\u00e3o de commodities, de baixo valor agregado.<\/p>\n<p>Bacelar entende que o Nordeste mudou, por\u00e9m o Brasil se perdeu. Para ela, o pa\u00eds precisa de um projeto de reposicionamento no contexto mundial, pois o formato de pa\u00eds industrial do s\u00e9culo XX n\u00e3o \u00e9 o mesmo do atual.<\/p>\n<p>\u201cO Nordeste hoje \u00e9 resist\u00eancia, como vemos no cons\u00f3rcio de governadores, que dialoga com o pensamento de Furtado. Est\u00e3o, assim, recriando a ideia de regi\u00e3o olhando para frente\u201d, celebra.<\/p>\n<p>Ao finalizar, Dino relembrou a preocupa\u00e7\u00e3o latente de Furtado com o meio ambiente, dentro de uma \u201cvis\u00e3o de desenvolvimento que precisa ser para todos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO seu pensamento continua virtuoso e vigoroso para lutar pelo Nordeste e pelo Brasil. Ao longo da vida, teve a capacidade de agregar perspectivas novas. Uma delas, nas d\u00e9cadas de 80 e 90, \u00e9 a vis\u00e3o ambiental, ecol\u00f3gica. Virtude de atualiza\u00e7\u00e3o como refer\u00eancia para um novo desenvolvimentismo\u201d, concluiu.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mediado por Carlos Lupi, quarto painel encerrou o semin\u00e1rio em homenagem ao centen\u00e1rio do economista brasileiro \u201cA hist\u00f3ria de Celso Furtado mostra o momento em que o Brasil percebe seu potencial. Viu o parto de um pa\u00eds moderno. 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