{"id":69309,"date":"2020-01-22T17:43:51","date_gmt":"2020-01-22T20:43:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=69309"},"modified":"2020-01-22T20:44:12","modified_gmt":"2020-01-22T23:44:12","slug":"leonel-brizola-minha-referencia-parte-l-por-wendel-pinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/leonel-brizola-minha-referencia-parte-l-por-wendel-pinheiro\/","title":{"rendered":"&#8220;Leonel Brizola, minha refer\u00eancia!&#8221; (PARTE l), por Wendel Pinheiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Um l\u00edder trabalhista que, junto com Jo\u00e3o Goulart, teve como o seu mestre pol\u00edtico nada mais que o l\u00edder nacional-popular Get\u00falio Vargas.<\/em><\/p>\n<p>Aquariano com ascendente em virgem e lua em sagit\u00e1rio e nascido \u00e0s 22h no dia 22 de janeiro de 1922 em Carazinho, no interior ga\u00facho, Brizola lutaria no decorrer de sua inf\u00e2ncia, adolescente e juventude, atrav\u00e9s do trabalho e da educa\u00e7\u00e3o, a alcan\u00e7ar os espa\u00e7os de dignidade e cursar a Faculdade de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul nos decorrer dos anos 1940.<\/p>\n<p>Com o fim da Era Vargas, em meio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular do Movimento Queremista, Brizola com um conjunto de trabalhadores, estudantes e donas de casa fundaria o PTB no Rio Grande do Sul em 1945.<\/p>\n<p>Seria o mesmo Brizola que, liderando um grupo de jovens do porte de Fernando Ferrari, Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Ferreira da Silva, Ney Ortiz Borges, Sereno Chaise e Pedro Simon, fundaria o setorial jovem do PTB, a Ala Mo\u00e7a em 15 de mar\u00e7o de 1946.<\/p>\n<p>Com clara lideran\u00e7a, Vargas n\u00e3o apenas admirou a sua desenvoltura como incentivou Brizola a prosseguir a sua trajet\u00f3ria no PTB. Eleito ainda jovem como Deputado Estadual em 1947 com apenas 25 anos, ele se notabilizaria por ser um not\u00f3rio parlamentar das causas populares.<\/p>\n<p>Seria neste \u00ednterim, entre a Presid\u00eancia da Ala Mo\u00e7a e o exerc\u00edcio de seu mandato que Brizola n\u00e3o apenas namoraria, mas se casaria com a irm\u00e3 de Jango, a Neusa Goulart Brizola, cujo matrim\u00f4nio apenas terminaria com o falecimento dela em 1993.<\/p>\n<p>Reeleito deputado estadual em 1950 com expressiva vota\u00e7\u00e3o, tudo se encaminhara para que o jovem Brizola pudesse ser eleito Prefeito de Porto Alegre pelo PTB na chapa composta com Maneco Vargas. Por\u00e9m, as divis\u00f5es internas na legenda trabalhista fariam com que Brizola perdesse por margem diminuta de votos nas elei\u00e7\u00f5es de 1952.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo com o suic\u00eddio de Vargas em 24 de agosto de 1954 e a como\u00e7\u00e3o popular em todo o pa\u00eds gerada pela sua morte e a sua mensagem na Carta Testamento, as elei\u00e7\u00f5es de outubro de 1954 apontariam para a consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em definitivo de Leonel Brizola como um dos deputados federais mais votados do Rio Grande do Sul. Seria na sua posse de deputado que Brizola interromperia em p\u00fablico o juramento de Carlos Lacerda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o por afirmar que ele estava faltando com a verdade, caracterizado como um not\u00f3rio perturbador do Estado de Direito.<\/p>\n<p>Em 1956, Brizola foi eleito Prefeito de Porto Alegre e faria um arrojado mandato, investindo n\u00e3o apenas na moderniza\u00e7\u00e3o da capital ga\u00facha e de sua infraestrutura, projetando a cidade portoalegrense para o s\u00e9culo XXI, bem como proliferaria a exist\u00eancia de escolas p\u00fablicas nos v\u00e1rios pontos da capital.<\/p>\n<p>Como efeito de sua reconhecida operosidade pol\u00edtica, ainda t\u00e3o jovem, ele seria eleito em 1958 como Governador do Rio Grande do Sul com apenas 36 anos de idade. Tamanho feito conferia a ele a devida responsabilidade pelos rumos do estado, enquanto o seu cunhado era, naquele momento, Vice-Presidente da Rep\u00fablica e Presidente Nacional do PTB.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de promover desenvolvimento com justi\u00e7a social, seu governo criou mais de 6 mil escolas. O ensino t\u00e9cnico em seu governo foi apoiado e os professores eram devidamente valorizados. A Reforma Agr\u00e1ria seria um dos pontos de centralidade no seu governo, al\u00e9m de promover pol\u00edticas sociais capazes de integrar as massas ao progresso social.<\/p>\n<p>Buscando desenvolver o Rio Grande do Sul e enfrentando a resist\u00eancia das corpora\u00e7\u00f5es estadunidenses com a p\u00e9ssima presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os no campo da telefonia e da energia el\u00e9trica, Leonel Brizola encampou, em um gesto de coragem e em um ato in\u00e9dito na Hist\u00f3ria do Brasil, as empresas ITT e Bond and Share. Tamanha ousadia faria com que Brizola fosse considerado um dos principais inimigos dos EUA.<\/p>\n<p>Com a queda de J\u00e2nio Quadros em 25 de agosto de 1961, diante da tentativa frustrada de um golpe bonapartista, a tentativa de um golpe militar para impedir a posse de Jo\u00e3o Goulart seria impedida com a insurrei\u00e7\u00e3o popular iniciada no Rio Grande do Sul e liderada por Brizola atrav\u00e9s da Campanha da Legalidade. Tamanha resist\u00eancia popular, com a ades\u00e3o posterior do III Ex\u00e9rcito, faria com que o pa\u00eds estivesse \u00e0s v\u00e9speras de uma guerra civil. Entretanto, a &#8220;solu\u00e7\u00e3o de compromisso&#8221; criada residiu na posse de Jango em 7 de setembro de 1961 sob o Regime Parlamentarista.<\/p>\n<p>Brizola n\u00e3o apenas auferiu legitimidade, reconhecimento e lideran\u00e7a em n\u00edvel nacional, como se tornara, em 1962, o deputado federal mais votado no Brasil pelo Estado da Guanabara, com 270 mil votos, correspondendo, naquele momento, a mais de 27% dos votos v\u00e1lidos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nenhum deputado federal at\u00e9 2018 alcan\u00e7ara a marca proporcional recorde acima dos 20% dos votos &#8211; nem mesmo quadros como Paulo Maluf, Lula, Ciro Gomes, En\u00e9as Carneiro, Garotinho, ACM Neto, Russomano e Bolsonaro ao disputarem as elei\u00e7\u00f5es de deputado federal.<\/p>\n<p>Liderando a Frente de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (FMP), Brizola mobilizou em todo o pa\u00eds os famosos Comandos Nacionalistas, tamb\u00e9m conhecidos como os &#8220;Grupos dos Onze&#8221;, onde eles receberiam as devidas orienta\u00e7\u00f5es para defenderem as Reformas de Base e se mobilizarem, seja para pressionarem a agilidade de Jo\u00e3o Goulart ou para enfrentarem uma direita mobilizada e bancada pelos d\u00f3lares oriundos de think tanks como o IPES e o IBAD.<\/p>\n<p>Com as fortes tens\u00f5es sociais e as disputas pol\u00edticas acirradas, os setores conservadores da classe m\u00e9dia e das For\u00e7as Amadas, al\u00e9m da burguesia brasileira e do apoio institucional de Washington promoveriam o \u00eaxito do Golpe Civil-Militar de 1964 contra o governo constitucional de Jango. Mesmo tentando resistir durante um m\u00eas ap\u00f3s o golpe, Brizola foge para o Uruguai e apoia a resist\u00eancia armada, criando do Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR). Mesmo com as Guerrilhas de Tr\u00eas Passos e de Capara\u00f3, as a\u00e7\u00f5es do MNR n\u00e3o surtiriam o efeito necess\u00e1rio para desgastar e derrubar o Regime Ditatorial e, neste sentido, Brizola n\u00e3o optou mais pela resist\u00eancia armada.<\/p>\n<p>Perseguido pela ditadura e se tornando um dos principais inimigos, Brizola sofreria um ultimato para ser expulso do Uruguai. Em um movimento inesperado, o l\u00edder trabalhista aproveitou a pol\u00edtica de Direitos Humanos do Presidente Jimmy Carter para recorrer o seu pedido de asilo pol\u00edtico, o que seria prontamente aceito em 1977.<\/p>\n<p>Com a morte de Jango em 6 de dezembro de 1976, Brizola se tornara automaticamente a lideran\u00e7a trabalhista de vulto maior. Seus esfor\u00e7os em envidar a refunda\u00e7\u00e3o do PTB n\u00e3o apenas resultaram no Encontro de Lisboa em junho de 1979, mas na sua volta ao Brasil em setembro do mesmo ano e as articula\u00e7\u00f5es para a reconstru\u00e7\u00e3o da agremia\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<p>Entretanto, as manobras de Golbery do Couto e Silva, ministro chefe da casa civil, consumaram a perda da sigla do PTB em 12 de maio de 1980 para o setor \u00e0 direita, liderado pela sobrinha neta de Get\u00falio, Ivete Vargas.<\/p>\n<p>Sobrou a Brizola, junto com os trabalhistas hist\u00f3ricos e demais quadros de esquerda, debaterem durante duas semanas o nome do futuro Partido, at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o do PDT em 26 de maio de 1980.<\/p>\n<p>Muitos seriam os desafios de Brizola nesta nova legenda.<\/p>\n<p>Como seria o Brizola no PDT? Quais os desafios nesta nova organiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A parte 2 responder\u00e1.<\/p>\n<p>Aguardem. \ud83d\ude09<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um l\u00edder trabalhista que, junto com Jo\u00e3o Goulart, teve como o seu mestre pol\u00edtico nada mais que o l\u00edder nacional-popular Get\u00falio Vargas. 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