{"id":67214,"date":"2019-08-05T12:03:16","date_gmt":"2019-08-05T15:03:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=67214"},"modified":"2019-08-12T10:43:43","modified_gmt":"2019-08-12T13:43:43","slug":"o-petroleo-ainda-e-nosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-petroleo-ainda-e-nosso\/","title":{"rendered":"O Petr\u00f3leo ainda \u00e9 nosso! I: Por que Petrobr\u00e1s?"},"content":{"rendered":"<p><em>Centro de Mem\u00f3ria Trabalhista se debru\u00e7a sobre a hist\u00f3ria brasileira para mostrar o real valor da Petrobr\u00e1s<\/em><\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o do Trabalhismo para a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do Estado brasileiro \u00e9 ampla e, provavelmente, a de maior envergadura, se considerar o \u00faltimo s\u00e9culo. Na bagagem, a Petrobr\u00e1s aparece como o principal legado e, correspondendo \u00e0 sua magnitude, o que mais sofre ataque de for\u00e7as antinacionalistas.<\/p>\n<p>Prim\u00e1rio no hist\u00f3rico projeto de na\u00e7\u00e3o sustentado pelo trabalhismo, a estatal brasileira ser\u00e1 tema do pr\u00f3ximo trabalho publicado pelo Centro de Mem\u00f3rias Trabalhistas da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola Alberto Pasqualini (CMT\/FLB-AP), com a parceria da Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s (AEPET).<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o tem lan\u00e7amento previsto para setembro deste ano e concentra textos de especialistas t\u00e9cnicos, pol\u00edticos, jornalistas e historiadores acerca do tema. Nomes como Carlos Lupi, Ciro Gomes, Jos\u00e9 Augusto Ribeiro e Paulo Henrique Amorim d\u00e3o tom ao conte\u00fado, que inclui momentos decisivos para o fomento da estatal, sua import\u00e2ncia para o Brasil e os interesses que a moveram de 1953 at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Para brindar a iniciativa da FLB-AP, o portal do PDT Nacional preparou uma reportagem especial, dividida em quatro cap\u00edtulos. A ideia \u00e9 transportar o leitor para o universo Petrobr\u00e1s, provocando a inquieta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para inserir o povo brasileiro \u2013 leg\u00edtimo mandat\u00e1rio da estatal \u2013 na defesa da estrutura que ainda ocupa o lugar de maior pot\u00eancia na soberania nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que Petrobr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 quase 66 anos, nascia um dos maiores patrim\u00f4nios do estado brasileiro: a Petrobr\u00e1s. No dia 3 de outubro de 1953, Get\u00falio Vargas sancionou a Lei 2004, que \u201cestabelecia o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e confiava sua execu\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa de economia mista na qual a Uni\u00e3o teria obrigatoriamente o controle acion\u00e1rio\u201d, como afirma Jos\u00e9 Augusto em texto que comp\u00f5e o trabalho do CMT. Entretanto, o debate envolvendo o petr\u00f3leo no Brasil \u00e9 mais do que centen\u00e1rio, remontando ao Imp\u00e9rio de Pedro II.<\/p>\n<p>Ainda na segunda metade do s\u00e9culo XIX, j\u00e1 se especulava a exist\u00eancia do petr\u00f3leo no subsolo brasileiro. \u00c0 \u00e9poca, pot\u00eancias como os Estados Unidos tinham maior dom\u00ednio no assunto e compreendiam sua real import\u00e2ncia no cen\u00e1rio mundial. Se o carv\u00e3o era a fonte de energia mais utilizada do mundo, logo daria lugar \u00e0 lama negra. N\u00e3o por acaso, os interesses estrangeiros passaram a influenciar o pa\u00eds na seara do mineral.<\/p>\n<p>As suspeitas de exist\u00eancia de petr\u00f3leo no Brasil deram origem a pesquisas encabe\u00e7adas por t\u00e9cnicos e especialistas norte-americanos. Prematuramente, todos conclu\u00edam que, apesar de ind\u00edcios, por aqui o ouro negro jamais jorraria. O governo imperial, por sua vez, n\u00e3o se interessava tanto e deixava a cargo de particulares a livre tentativa de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o Brasil tornou-se Rep\u00fablica, a situa\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera nacional n\u00e3o sofreu mudan\u00e7a significativa. Pior que isso: o atraso no assunto tornou o estado cada vez mais dependente de grandes empresas internacionais do ramo. Por aqui, tudo era importado e, no mercado do petr\u00f3leo, quem surfava eram as sete irm\u00e3s: Exxon; Shell; BP; Mobil; Texaco; Gulf; e Chevron.<\/p>\n<p>Em 1930, a Revolu\u00e7\u00e3o chegou com o p\u00e9 na porta. Get\u00falio Vargas tomava o poder para romper com interesses olig\u00e1rquicos e governar para os brasileiros. O trabalhista ga\u00facho tinha na manga um projeto de na\u00e7\u00e3o, o \u00fanico sustent\u00e1vel at\u00e9 hoje, que primava pela soberania nacional \u2013 e a independ\u00eancia energ\u00e9tica estava no topo da lista. Para isso, era preciso se livrar dos plutocratas sanguessugas.<\/p>\n<p>Ainda no primeiro ano de Governo Provis\u00f3rio, Vargas assinou um decreto, nacionalizando todas as reservas minerais do pa\u00eds. O ato tirava das m\u00e3os dos latifundi\u00e1rios a posse das riquezas contidas nos subsolos de suas terras. Mais tarde, j\u00e1 durante o Estado Novo, criou o Conselho Nacional de Petr\u00f3leo (CNP) e, em 1939, o pa\u00eds descobriu sua primeira jazida do mineral, em Lobato, sub\u00farbio de Salvador, na Bahia.<\/p>\n<p>\u201cEm 1939, ao ser descoberto petr\u00f3leo em Lobato, Get\u00falio o p\u00f4s imediatamente sob controle do Conselho Nacional do Petr\u00f3leo, para evitar que a futura explora\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea ca\u00edsse nas m\u00e3os de testas de ferro de grupos estrangeiros\u201d, explica Jos\u00e9 Augusto Ribeiro.<\/p>\n<p>Deposto em 1945, Vargas precisou esperar at\u00e9 1950 para\u00a0 voltar a trabalhar pela autossufici\u00eancia energ\u00e9tica do Brasil. A equipe t\u00e9cnica do governo confeccionou o projeto que seria submetido ao Congresso Nacional para fundar a Petrobras. O tema aqueceu os debates na sociedade civil e gerou desconforto no poder econ\u00f4mico. Uma guerra de narrativas seria travada at\u00e9 o desfecho da contenda.<\/p>\n<p>De um lado, a campanha \u201cO petr\u00f3leo \u00e9 nosso\u201d urrava pela cria\u00e7\u00e3o de uma empresa capaz de controlar todo o mercado do \u00f3leo no pa\u00eds; do outro, as multinacionais faziam forte press\u00e3o contra a iniciativa, corroborados por Carlos Lacerda e sua acidez conhecida por meio de artigos publicados nos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o brasileiros.<\/p>\n<p>Mesmo assim, em 1953 o Congresso aprovou o projeto do Executivo e foi criada a Petr\u00f3leo Brasil SA. Para lamento das multinacionais que n\u00e3o tiravam os olhos do potencial brasileiro no ramo, o Estado passava a ditar o andamento desse setor em seu mercado e dava mais um passo rumo \u00e0 soberania nacional. No entanto, a estatal brasileira logo sofreria baixas investidas liberais.<\/p>\n<p><em>Continua&#8230;<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de Mem\u00f3ria Trabalhista se debru\u00e7a sobre a hist\u00f3ria brasileira para mostrar o real valor da Petrobr\u00e1s A contribui\u00e7\u00e3o do Trabalhismo para a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do Estado brasileiro \u00e9 ampla e, provavelmente, a de maior envergadura, se considerar o \u00faltimo s\u00e9culo. 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