{"id":66195,"date":"2019-06-17T15:31:34","date_gmt":"2019-06-17T18:31:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=66195"},"modified":"2019-06-17T17:09:27","modified_gmt":"2019-06-17T20:09:27","slug":"carta-de-lisboa-40-anos-de-resistencia-do-trabalhismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/carta-de-lisboa-40-anos-de-resistencia-do-trabalhismo\/","title":{"rendered":"Carta de Lisboa: 40 anos da hist\u00f3rica resist\u00eancia do Trabalhismo"},"content":{"rendered":"<p>Entre os dias 15 a 17 de junho de 1979, h\u00e1 exatos 40 anos, foi realizado, em Lisboa, na capital portuguesa, um encontro chamado: \u201cEncontro dos Trabalhistas do Brasil no Ex\u00edlio com os Trabalhistas no Ex\u00edlio\u201d. <\/p>\n<p>Organizado por Leonel Brizola, ent\u00e3o expatriado pelo golpe militar de 1964, o evento reuniu centenas de lideran\u00e7as trabalhistas, incluindo o secret\u00e1rio-geral do Partido Socialista Portugu\u00eas, Mario Soares, que representava a Internacional Socialista, para discutir a reorganiza\u00e7\u00e3o do Trabalhismo.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia, os participantes formularam a <strong>\u201cCarta de Lisboa\u201d<\/strong>, um importante documento que norteou a reorganiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, a partir do fim da ditadura militar e da posterior aprova\u00e7\u00e3o da anistia.<\/p>\n<p>O documento pontua os principais eixos do Trabalhismo, como a no\u00e7\u00e3o de nacionalidade e de na\u00e7\u00e3o; a considera\u00e7\u00e3o da propriedade privada, condicionando seu uso \u00e0s exig\u00eancias do bem-estar social; os direitos individuais; a defesa da interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia; a proposta sindical baseada na liberdade e na autonomia sindicais e uma sociedade socialista e democr\u00e1tica.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"750\" src=\"http:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-1024x750.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54388\" srcset=\"https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa.jpg 1024w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-100x73.jpg 100w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-300x220.jpg 300w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-768x562.jpg 768w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-123x90.jpg 123w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Carta-de-Lisboa-600x439.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><em>Na foto, o cartaz original do Encontro (com a assinatura dos participantes), que se encontra na sede nacional do PDT, em Bras\u00edlia-DF e foi doado por Jos\u00e9 Maria Rabelo, um dos signat\u00e1rios da Carta de Lisboa.\u00a0 <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Confira a \u201cCarta de Lisboa\u201d na \u00edntegra:<\/em><\/p>\n<p><strong>Documento<\/strong><\/p>\n<p><em>Reconhecendo que \u00e9 urgente a tarefa de liberta\u00e7\u00e3o do nosso povo, n\u00f3s, brasileiros que optamos por uma solu\u00e7\u00e3o trabalhista, nos encontramos em Lisboa. E se o fizemos fora do Pa\u00eds, \u00e9 porque o ex\u00edlio arbitr\u00e1rio e desumano impediu este Encontro no lugar mais adequado: a P\u00e1tria brasileira. A tarefa de organizar com nosso povo um Partido verdadeiramente nacional, popular e democr\u00e1tico \u00e9 cada vez mais premente. N\u00e3o desconhecemos as permanentes tentativas das for\u00e7as autorit\u00e1rias de esmagar os movimentos dos trabalhadores. Mas o reposit\u00f3rio de coragem e dignidade dos trabalhadores faz com que eles n\u00e3o se dobrem nem se iludam. E com eles estamos n\u00f3s, Trabalhistas.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o podemos deixar de salientar, tamb\u00e9m, que aqueles que defendem uma posi\u00e7\u00e3o paci\u00eancia, assim como a inoportunidade da luta contra a opress\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o, exatamente os que se encontram em condi\u00e7\u00f5es de sofrimento e persegui\u00e7\u00e3o, mas ao contr\u00e1rio, navegam nas \u00e1guas da abastan\u00e7a e dos privil\u00e9gios. Invoca-se, por outro lado, que a restaura\u00e7\u00e3o da vida democr\u00e1tica e o ressurgimento de partidos aut\u00eanticos dependem do sistema e de suas f\u00f3rmulas jur\u00eddicas e legais. Consideramos, todavia, um ato de incompet\u00eancia pol\u00edtica e de deslealdade para com o nosso povo, aguardar as provid\u00eancias dos juristas do regime, de cujas f\u00f3rmulas, somente por ingenuidade ou m\u00e1 f\u00e9, pode se esperar algo de diferente da vontade de institucionalizar a espolia\u00e7\u00e3o de nossa gente e a manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica inaceit\u00e1vel para o povo brasileiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Fato novo mais importante da conjuntura brasileira n\u00e3o \u00e9 nem a crise do regime, nem o fracasso de todos os seus projetos e promessas.<\/em><\/p>\n<p><em>O novo, importante e fundamental, \u00e9 a emerg\u00eancia do povo trabalhador na vida pol\u00edtica do Pa\u00eds. N\u00e3o de um povo amedrontado depois de 15 anos de opress\u00e3o, mas de um povo que se organiza sob as mais variadas formas \u2013 nos sindicatos, nas associa\u00e7\u00f5es, em comunidades, em movimentos e organiza\u00e7\u00f5es profissionais \u2013 com o mesmo objetivo: o de lutar por seus direitos, pela democracia. Como parte desta emerg\u00eancia se deve destacar as conquistas do movimento estudantil, e a luta agora vitoriosa pela reorganiza\u00e7\u00e3o da UNE.<\/em><\/p>\n<p><em>A experi\u00eancia hist\u00f3rica nos ensina, de um lado, que nenhum partido pode chegar e se manter no governo sem contar com o povo organizado e, de outro lado, que as organiza\u00e7\u00f5es populares n\u00e3o podem realizar suas aspira\u00e7\u00f5es sem partidos que as transformem em realidade atrav\u00e9s do poder do Estado. A falta de apoio popular organizado pode levar a situa\u00e7\u00f5es a situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas como aquela que conduziu o Presidente Get\u00falio Vargas a dar um tiro em seu pr\u00f3prio peito.<\/em><\/p>\n<p><em>Partidos e povo organizados constituem, por conseguinte, as duas condi\u00e7\u00f5es fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><em>Analisando a conjuntura brasileira, conclu\u00edmos pela necessidade de assumirmos a responsabilidade que exige o momento hist\u00f3rico e de convocarmos as for\u00e7as comprometidas com os interesses dos oprimidos, dos marginalizados, de todos os trabalhadores brasileiros, para que nos somemos na tarefa da constru\u00e7\u00e3o de um Partido Popular, Nacional e Democr\u00e1tico, o nosso PTB. Tarefa que n\u00e3o se improvisa, que n\u00e3o se imp\u00f5e por decis\u00e3o de minorias, mas que nasce do encontro do povo organizado com a iniciativa dos l\u00edderes identificados com a causa popular.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00f3s, Trabalhistas, assumimos a responsabilidade desta convocat\u00f3ria, porque acreditamos que s\u00f3 atrav\u00e9s de um amplo debate, com a participa\u00e7\u00e3o de todos, poderemos encontrar nosso caminho para a constru\u00e7\u00e3o no Brasil de uma sociedade socialista, fraterna e solid\u00e1ria, em Democracia e em Liberdade.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00f3s, Trabalhistas, queremos representar para o povo brasileiro o esp\u00edrito da toler\u00e2ncia e da fraternidade. N\u00f3s, Trabalhistas, participamos ao lado do nosso povo em todas as suas lutas, e porque o nosso projeto \u00e9 profundamente democr\u00e1tico, procuraremos alian\u00e7as com as outras for\u00e7as tamb\u00e9m democr\u00e1ticas e progressistas do nosso Pa\u00eds. N\u00f3s, Trabalhistas, militaremos ativamente me todas as frentes e, porque o nosso projeto \u00e9 pluralista, n\u00e3o pretendemos absorver ou manipular os sindicatos ou as organiza\u00e7\u00f5es populares das mais diversas origens.<\/em><\/p>\n<p><em>Entendemos a necessidade de um intenso debate para o desenvolvimento constante da Democracia e n\u00f3s, Trabalhistas, estaremos sempre empenhados em discutir com todas as for\u00e7as populares e democr\u00e1ticas do nosso Pa\u00eds. \u00c9 por isso que favorecemos o surgimento de outras organiza\u00e7\u00f5es, que auspiciamos o aparecimento de outros partidos e que, nas nossas lutas, respeitaremos os seus princ\u00edpios.<\/em><\/p>\n<p><em>A consecu\u00e7\u00e3o destes objetivos exige, como requisito pr\u00e9vio e fundamental no campo do pensamento e da cultura, a conquista da plena liberdade de cria\u00e7\u00e3o intelectual, de express\u00e3o e de imprensa. Neste sentido, torna-se imprescind\u00edvel a revoga\u00e7\u00e3o de todas as formas de censura.<\/em><\/p>\n<p><em>O grande desafio com que n\u00f3s, Trabalhistas, nos defrontamos hoje \u00e9 o de nos situarmos no quadro pol\u00edtico brasileiro para exercer o papel renovador que desempenh\u00e1vamos antes de 1964 e em raz\u00e3o do qual fomos proscritos.<\/em><\/p>\n<p><em>Com efeito, apesar de termos tido numerosas defici\u00eancias, n\u00e3o por ela que ca\u00edmos. Fomos derrubados, isto sim, em virtude das bandeiras que levantamos. A velha classe dominante brasileira e os agentes internos do imperialismo, n\u00e3o nos podendo vencer pelo voto nos exclu\u00edram pelo golpe.<\/em><\/p>\n<p><em>A verdade que afinal se fez evidente (depois copiosamente comprovada) \u00e9 que o governo do Presidente Jo\u00e3o Goulart foi derrubado por uma a\u00e7\u00e3o conjugada. Os latifundi\u00e1rios temiam a lei da Reforma Agr\u00e1ria que, com a nossa presen\u00e7a no Congresso Nacional, seria inevit\u00e1vel. Por sua vez, o governo norte-americano de ent\u00e3o planejou e coordenou o golpe para evitar a aplica\u00e7\u00e3o da lei de Remessa de Lucros que poria termo \u00e0 espolia\u00e7\u00e3o do Brasil pelas empresas multinacionais.<\/em><\/p>\n<p><em>O desafio com que nos defrontamos \u00e9, por conseguinte, o de retomar as bandeiras daquela tentativa generosa de empreender legalmente as reformas institucionais indispens\u00e1veis para liberar as energias do povo brasileiro. Especialmente uma reforma agr\u00e1ria que d\u00ea a terra a quem nela trabalha, em milh\u00f5es de glebas de vinte a cem hectares, em lugar de entreg\u00e1-las em prov\u00edncias de meio, de um e at\u00e9 de mais de dois milh\u00f5es de hectares na forma de super-latifundi\u00e1rios, subsidiados com recursos p\u00fablicos. E termos tamb\u00e9m de levantar a bandeira da luta pela regulamenta\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro, para p\u00f4r fim \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o das riquezas nacionais e ao dom\u00ednio das pr\u00f3prias empresas brasileiras pelas organiza\u00e7\u00f5es internacionais.<\/em><\/p>\n<p><em>O regime militar que sucedeu ao governo constitucional, sendo regressivo no plano hist\u00f3rico, se fez repressivo no plano pol\u00edtico e, em conseq\u00fc\u00eancia, totalmente infecundo e desp\u00f3tico. Apesar de contar com todo o poderio do arb\u00edtrio, legislando a n\u00edvel constitucional da forma mais discriminat\u00f3ria, s\u00f3 fez acumular mais riqueza nas m\u00e3os dos mais ricos e mais no colo dos mais privilegiados. O bolo que t\u00e3o reiteradamente prometeram repartir quando crescesse, agora o sabemos, \u00e9 o de uma d\u00edvida externa gigantesca que montava a 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 1964 e hoje supera os 50 bilh\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Nessas circunst\u00e2ncias, o nosso primeiro compromisso \u00e9 o de reconduzir o Brasil a uma institucionalidade democr\u00e1tica em que todo o poder emane do povo e seja por ele periodicamente controlado atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es livres e diretas, nas quais todos os brasileiros de maior idade sejam eleitores e eleg\u00edveis. O Brasil democr\u00e1tico pelo qual lutamos ser\u00e1 uma Rep\u00fablica realmente federativa, com progressiva descentraliza\u00e7\u00e3o do poder, onde o voto ter\u00e1 que ser proporcional, para que \u2013 havendo a mais ampla representa\u00e7\u00e3o das diversas for\u00e7as pol\u00edticas \u2013 n\u00e3o seja escamoteada a vontade popular. A Rep\u00fablica a que aspiramos h\u00e1 de estar defendida contra todo intento de golpismo e contra toda e qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de despotismo e repress\u00e3o, para assegurar permanentemente ao povo brasileiro o direito elementar de viver sem medo e sem fome.<\/em><\/p>\n<p><em>Nosso segundo compromisso \u00e9 o de levantar as bandeiras do Trabalhismo para reimplantar a liberdade sindical e o direito de greve, como os instrumentos fundamentais de luta de todos os que dependem do sal\u00e1rio para viver. \u00c9 dever tamb\u00e9m dos Trabalhistas lutar contra a brutal concentra\u00e7\u00e3o da renda que responde inclusive pelo achatamento dos sal\u00e1rios, fixados em \u00edndices falsificados e sempre inferiores ao aumento das taxas reais do custo de vida.<\/em><\/p>\n<p><em>Ser\u00e1 tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00e3o primordial dos Trabalhistas a elabora\u00e7\u00e3o de uma nova legisla\u00e7\u00e3o do trabalho que recupere as conquistas subtra\u00eddas pela ditadura e que permita a amplia\u00e7\u00e3o constante dos direitos dos trabalhadores. Nosso terceiro compromisso \u00e9 de reverter as diretrizes da pol\u00edtica econ\u00f4mica, com o objetivo de afirmar, em lugar do primado do lucro, a prioridade de dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades vitais do povo, especialmente as de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, vestu\u00e1rio e educa\u00e7\u00e3o. O resultado da orienta\u00e7\u00e3o economicista at\u00e9 agora vigente \u00e9 este contraste espantoso entre a super prosperidade das empresas \u2013 especialmente as estrangeiras \u2013 e o empobrecimento do povo brasileiro. Nos \u00faltimos anos, trabalhadores do campo se viram convertidos majoritariamente em b\u00f3ias-frias que perambulam sem trabalho permanente, e trabalhadores nas cidades se viram transformados em massas marginalizadas que se concentram na porta das f\u00e1bricas. Estas imensas multid\u00f5es vivem em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas de car\u00eancia elementar que j\u00e1 t\u00eam sua sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica e sua sa\u00fade mental afetadas.<\/em><\/p>\n<p><em>Por tudo isso \u00e9 que devemos definir prontamente as for\u00e7as de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e os procedimentos legais mais adequados para mobilizar o nosso povo para uma campanha de salva\u00e7\u00e3o nacional. Atrav\u00e9s dela, n\u00f3s, Trabalhistas, buscaremos dar solu\u00e7\u00e3o, dentro do prazo o mais breve poss\u00edvel, ao problema m\u00e1ximo de nossa P\u00e1tria, que \u00e9 a marginalidade. Com efeito, um dos aspectos mais desumanos da pol\u00edtica econ\u00f4mica da ditadura \u00e9 a convers\u00e3o da for\u00e7a de trabalho nacional num ex\u00e9rcito de excedentes. Nem a singela aspira\u00e7\u00e3o de um emprego permanente em que se ganha um sal\u00e1rio-m\u00ednimo para a sobreviv\u00eancia, o sistema pode assegurar. O drama social pungente dessas massas marginalizadas, que humilha e envergonha a Na\u00e7\u00e3o Brasileira, afeta, especialmente a quatro categorias de pessoas cujos problemas est\u00e3o a exigir a aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria dos trabalhadores.<\/em><\/p>\n<p><em>Primeiro, o de salvar os milh\u00f5es de crian\u00e7as abandonadas e famintas, que est\u00e3o sendo condenadas \u00e0 delinq\u00fc\u00eancia; bem como o meio milh\u00e3o de jovens que, anualmente, alcan\u00e7am os dezoito anos de idade analfabetos e descrentes de sua P\u00e1tria.<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo, o de buscar as formas mais eficaz de fazer justi\u00e7a aos negros e aos \u00edndios que, al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o geral de classe, sofrem uma discrimina\u00e7\u00e3o racial e \u00e9tnica, tanto mais injusta e dolorosa, porque sabemos que foi com suas energias e com seus corpos que se construiu a nacionalidade brasileira. Terceiro, o de dar a mais s\u00e9ria aten\u00e7\u00e3o \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es da mulher brasileira, que jamais viu reconhecidos e equiparados seus direitos de pessoa humana, de cidad\u00e3 e de trabalhadora; e que, al\u00e9m de ser v\u00edtima da explora\u00e7\u00e3o representada pela dupla jornada de trabalho, se v\u00ea submetida a toda sorte de vexames sempre que procura fazer valer seus direitos.<\/em><\/p>\n<p><em>Quarto, o de fazer com que todos os brasileiros assumamos a causa do povo trabalhador do norte e do nordeste, tanto por uma economia local obsoleta, como por um colonialismo interno exercido de forma escorchante pelas unidades mais ricas da federa\u00e7\u00e3o e pelo pr\u00f3prio Governo Federal, que propicia sua explora\u00e7\u00e3o entregando \u00e0s grandes empresas, na forma de subs\u00eddios para aumentar seus lucros, os recursos que deviam ser destinados \u00e0quelas popula\u00e7\u00f5es extremamente carentes.<\/em><\/p>\n<p><em>No plano da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, duas tarefas se imp\u00f5em com a maior urg\u00eancia a todos os Trabalhistas.<\/em><\/p>\n<p><em>Em primeiro lugar, a luta por uma Anistia ampla, geral e irrestrita de todos os patriotas brasileiros perseguidos por sua resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Este \u00e9 o requisito indispens\u00e1vel \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o da comunidade nacional para a retomada do esfor\u00e7o conjunto para fazer do Brasil uma P\u00e1tria solid\u00e1ria de cidad\u00e3os livres, emancipados do medo, da ignor\u00e2ncia e da pen\u00faria.<\/em><\/p>\n<p><em>Em segundo lugar , a luta pelo retorno \u00e0 normalidade democr\u00e1tica que s\u00f3 se efetivar\u00e1 no Brasil quando ap\u00f3s a reimplanta\u00e7\u00e3o da liberdade de organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria o nosso povo eleger a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. Reconhecemos as dificuldades para que nosso povo tenha uma participa\u00e7\u00e3o efetiva. E por participa\u00e7\u00e3o efetiva entendemos cr\u00edtica via e permanente e n\u00e3o atua\u00e7\u00e3o eleitoral epis\u00f3dica ou simplesmente a ades\u00e3o a propostas impostas verticalmente.<\/em><\/p>\n<p><em>A proposta do novo Partido Trabalhista a ser discutida pelo nosso povo e formulada em territ\u00f3rio brasileiro, despida de solu\u00e7\u00f5es importadas, tem que levar em conta a necessidade de criar um partido que expresse os anseios e seja dirigido pelas classes populares. A nova proposta come\u00e7a com a repulsa \u00e0queles que v\u00eaem no ressurgimento do PTB uma sigla de f\u00e1cil curso eleitoral. A nossa proposta tem um sentido claro de op\u00e7\u00e3o pelos oprimidos e marginalizados.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste particular e dentro de um horizonte que n\u00e3o \u00e9 absolutamente crist\u00e3o, mas marcado por um capitalismo impiedoso, imp\u00f5e-se a nossa defesa constante dos pobres contra o ricos, ao lado dos oprimidos contra os poderosos.<\/em><\/p>\n<p><em>Na luta a favor da justi\u00e7a contra a opress\u00e3o se insere a quest\u00e3o da atual ideologia de seguran\u00e7a nacional, que tem servido para justificar as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos. Tal doutrina gerou no Pa\u00eds a mais completa inseguran\u00e7a para os cidad\u00e3os comuns, ensejando a expans\u00e3o da brutalidade, da den\u00fancia e da tortura, tanto contra os presos pol\u00edticos, como contra as lideran\u00e7as sindicais e sobretudo, com incid\u00eancia cruel sobre as camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Porque damos import\u00e2ncia central ao nosso povo como sujeito e criador do seu pr\u00f3prio futuro, sublinhamos o car\u00e1ter coletivo, comunit\u00e1rio e n\u00e3o individualista da vis\u00e3o Trabalhista.<\/em><\/p>\n<p><em>A partir deste momento devemos concentrar todos os nossos esfor\u00e7os na prepara\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional da organiza\u00e7\u00e3o do novo PTB, a realizar-se no Rio de Janeiro, no dia 19 de abril de 1980.<\/em><\/p>\n<p><em>No Congresso, recolheremos, atrav\u00e9s de nossas bases, as grandes aspira\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es da vontade popular.<\/em><\/p>\n<p><em>Com o Congresso, continuaremos firmemente, sob a inspira\u00e7\u00e3o da Carta Testamento do Presidente Get\u00falio Vargas, a caminhada junto ao povo que nos levar\u00e1 \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria.<\/em><\/p>\n<p><em>Lisboa, 17 de junho de 1979<\/em><\/p>\n<p><em>A.M\u00aa. Doutel de Andrade, Ajadil de Lemos, Alberto Martins da Silva, Aldo Pinto, Alex Souza, Alfredo H\u00e9lio Sirkis, Almir Dutton Ferreira, \u00c1lvaro Petraco da Cunha, Anatailde de Paula Crespo, Anselmo Francisco Amaral, Ant\u00f4nia Gon\u00e7alves da Silva Oliveira, Ant\u00f4nio Alves de Moraes, Ant\u00f4nio S\u00e9rgio Monteiro, Artur Jos\u00e9 Poerner, Augusto Calmon Nogueira da Gama, Benedito Cerqueira, Calino Pacaheco, Carlos Augusto da Gama, Carlos Cunha Contursi, Carlos Fayal, Carlos Franco, Carlos Minc Baumfeld, C\u00e9sar Behs, Chizuo Osava, Cibilis da Rocha Viana, Cl\u00e1udio Augusto de Alencar Cunha, Cl\u00f3vis Brigag\u00e3o, Danilo Groff, Darcy Ribeiro, Derli M. Carvalho, Domingos Fernandes, Edmauro Gopfert, Eduardo de Azevedo Costa, Erasmo Chiapeta, Eric Nepobuceno, Eunice de Souza, Eva Ban, Fernando Perrone, Fl\u00e1vio Tavares, Francisca Brizola Rotta, Francisco Barreira, Francisco Dal Pr\u00e1, Francisco Goulart Lopes de Almeida, Francisco Juli\u00e3o, Genival Tourinho, Georges Michel Sobrinho, Geraldo Lopes Burmeister, Get\u00falio Pereira Dias, Gil Cuneggato Marques, Haroldo Sanford Barros, H\u00e9lio Ricardo Carneiro da Fontoura, Herbert de Souza, Hild\u00e9rico Pereira de Oliveira, \u00cdndio Vargas, Irany Campos, Irineu Garcia, Isaac Ajnhorn, J. G. de Ara\u00fajo Jorge, Jackson Kepler Lago, Jo\u00e3o Vicente Goulart, Jos\u00e9 Wanderley, Jos\u00e9 Carlos de Oliveira, Jos\u00e9 Macedo de Alencar, Jos\u00e9 Maria Rabelo, Jos\u00e9 Maur\u00edcio, Jorge Roberto da Silveira, Jos\u00e9 Carlos Rolo Ven\u00e2ncio, Jos\u00e9 Gomes Talarico, Jos\u00e9 Guimar\u00e3es Neiva Moreira, Josino de Quadros Assis, Landa Maria Lopes de Almeida Ajnhorn, Leonel Brizola, L\u00facio Rigo Marques, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Luiz Carlos Soares Severo, Lygia de Azeredo Costa, Lys\u00e2neas Dias Maciel, Magnus Francisco Antunes Guimar\u00e3es, Manoel Sarmento Barata, Marcelo Carvalho, M\u00e1rcio W. de Almeida, Marco Ant\u00f4nio de Andrade Le\u00e3o, Maria do Carmo Brito, Maria Margarida Parente Galamba de Oliveira, Maria Z\u00e9lia Brizeno Costa Lima, Martha Maria Maur\u00edcio Vianna, Matheus Schmidt, Maur\u00edlio Ferreira Lima, Maur\u00edcio Vieira de Paiva, Miguel Bodea, Mila Cauduro, Moema S\u00e3o Thiago, Murilo Rocha Mendes, Neusa Goulart Brizola, Ney Ortiz Borges, Nielsen de Paula Pures, Norma Marzola, Olga Martins, Orlando Maretti, Osvaldo Lima Filho, Oswaldo Pimentel, Ot\u00e1vio Goulart Brizola, Paulo C\u00e9sar Timm, Paulo Medeiros, Pedro Celso Ulhoa Cavalcanti Neto, Pedro Dietrich J\u00fanior, Pedro Veronese, Raimundo Arroio, Ronaldo Dutra Machado, Saulo Saija, Sebasti\u00e3o Nery, Sereno Chaise, Tania Lyra, Tertuliano de Passos, Theot\u00f4nio dos Santos, Trajano Ribeiro, Tuffik Mattar, V\u00e2nia Bambirra, Vera Mathias, Wilson Vargas da Silveira, Zo\u00e9 Rodrigues Dias.<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 15 a 17 de junho de 1979, h\u00e1 exatos 40 anos, foi realizado, em Lisboa, na capital portuguesa, um encontro chamado: \u201cEncontro dos Trabalhistas do Brasil no Ex\u00edlio com os Trabalhistas no Ex\u00edlio\u201d. 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