{"id":63338,"date":"2019-03-19T12:55:12","date_gmt":"2019-03-19T15:55:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=63338"},"modified":"2019-03-19T19:48:12","modified_gmt":"2019-03-19T22:48:12","slug":"trabalhismo-em-dialogo-discute-os-30-anos-de-caracazo-e-a-crise-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/trabalhismo-em-dialogo-discute-os-30-anos-de-caracazo-e-a-crise-na-venezuela\/","title":{"rendered":"\u201cTrabalhismo em Di\u00e1logo\u201d discute os 30 anos de Caracazo e a crise na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p>Na turbul\u00eancia pol\u00edtica completa, a Venezuela comemorou no \u00faltimo m\u00eas o 30\u00ba anivers\u00e1rio do &#8220;Caracazo&#8221; &#8211; revolta popular esmagada em sangue e fogo pelo governo de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez, em fevereiro de 1989. Em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0 data a Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola \u2013 Alberto Pasqualini do Rio de Janeiro, na \u00faltima quinta-feira (14), debateu \u201c30 anos de Caracazo e a crise na Venezuela\u201d.<\/p>\n<p>O evento foi realizado na sede da Funda\u00e7\u00e3o, na Pra\u00e7a Tiradentes, e teve como debatedor Heitor Cesar, Membro do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e diretor da Funda\u00e7\u00e3o de Estudos Pol\u00edticos Econ\u00f4micos e Sociais Dinarco Reis. O debate foi mediado por William Rodrigues, secret\u00e1rio executivo da FLB-AP Rio e Presidente Nacional da Juventude Socialista.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1989, Caracas era uma cidade cosmopolita de pr\u00e9dios altos e lojas bem abastecidas, que atendiam uma classe alta abastada que desfrutava dos frutos da riqueza do petr\u00f3leo da Venezuela.  Para turistas americanos e europeus e funcion\u00e1rios do petr\u00f3leo, Caracas era um lugar agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cMas dentro e em torno da capital, havia bairros empobrecidos onde as pessoas famintas mal conseguiam sobreviver dia a dia\u201d, contextualizou Heitor Cesar.<\/p>\n<p>\u201cMuitos trabalhadores mal pagos, viviam em \u00e1reas vizinhas e contavam com \u00f4nibus para chegar aos seus empregos. Outros viviam dentro da cidade, mas eram pobres demais para desfrutar de qualquer benef\u00edcio da vida urbana\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o o governo anunciou que aumentaria as tarifas de \u00f4nibus\u201d.<br \/> Para Heitor, \u201cessa foi a \u00faltima gota\u201d. Enquanto os ricos podiam andar em seus carros importados de luxo, aqueles que viviam no limite tinham que escolher entre comida e come\u00e7ar a trabalhar.<\/p>\n<p>O aumento da tarifa levou a uma explos\u00e3o de f\u00faria. Pessoas famintas de todas as idades invadiam lojas e pegavam o que precisavam ou podiam arrastar para casa. No come\u00e7o era comida, mas \u00e0 medida que a rebeli\u00e3o se ampliava, as lojas eram esvaziadas de tudo o que podia ser levado.<\/p>\n<p>\u201cO Caracazo, revelou o profundo abismo entre as classes sociais na Venezuela e mostrou &#8211; como o governo mobilizou a pol\u00edcia e depois os militares para acabar com a rebeli\u00e3o &#8211; que esses corpos de homens armados existiam para proteger a propriedade de os ricos e derrubar quaisquer desafios\u201d, afirmou Heitor.<\/p>\n<p>De acordo com dados oficiais pelo governo na \u00e9poca, os eventos de fevereiro e mar\u00e7o de 1989 deixaram 300 mortos, muitos feridos, v\u00e1rios desaparecidos e muitas perdas materiais. Embora o n\u00famero exato de pessoas mortas ainda seja desconhecido, v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es e publica\u00e7\u00f5es afirmam que as v\u00edtimas chegaram a mais de 2.000.<\/p>\n<p>Para Heitor, todos os eventos pol\u00edticos na Venezuela depois de fevereiro de 1989, at\u00e9 hoje, s\u00e3o marcados pela influ\u00eancia do Caracazo. As revoltas militares de 4 de fevereiro e 27 de novembro de 1992; a demiss\u00e3o e pris\u00e3o do Presidente Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez em 1993; o triunfo eleitoral de Rafael Caldera no final do mesmo ano; a liberta\u00e7\u00e3o, em 1994, de Hugo Ch\u00e1vez e dos outros soldados criados em 1992; a candidatura e o triunfo eleitoral de Ch\u00e1vez em 1998; o levante popular espont\u00e2neo de 11 de abril de 2002 para resgatar e substituir Ch\u00e1vez na presid\u00eancia; resist\u00eancia popular ao golpe de Estado em dezembro de 2002 e janeiro-fevereiro de 2003; e assim por diante, todos os processos pol\u00edticos relevantes nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas derivam, de uma forma ou de outra, dos efeitos dessa insurrei\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n<p><strong>Venezuela e o Petr\u00f3leo<\/strong><br \/> A Venezuela tem as maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo. O imp\u00e9rio Rockefeller, na \u00e9poca chamado Standard Oil, come\u00e7ou a explor\u00e1-los em 1921. O governo venezuelano nacionalizou esse valioso recurso em 1976, supostamente em benef\u00edcio do povo. Mas naquela \u00e9poca pouco mudou para os pobres famintos em Caracas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 90, mudan\u00e7as na lei de nacionaliza\u00e7\u00e3o permitiram que empresas americanas como ConocoPhillips e ExxonMobil (originalmente Standard Oil) recuperassem o controle efetivo das reservas de petr\u00f3leo da Venezuela. Mas mesmo antes da lei ser mudada, o Caracazo mostrara que essa grande riqueza estava beneficiando apenas os poucos e n\u00e3o os muitos.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca do Caracazo, Hugo Ch\u00e1vez era oficial do ex\u00e9rcito venezuelano. Nascido em uma fam\u00edlia da classe trabalhadora, ele simpatizava com o sofrimento dos trabalhadores e dos pobres. Ele e v\u00e1rios outros soldados haviam formado uma organiza\u00e7\u00e3o secreta dentro do ex\u00e9rcito, conhecida como Movimento Bolivariano 200, para disseminar a ideologia revolucion\u00e1ria entre seus pares.<\/p>\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana<\/strong> <br \/> Em fevereiro de 1992, Ch\u00e1vez e um grupo de seus colegas oficiais lideraram uma tentativa de derrubar o governo do presidente Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez. Ele falhou, e Ch\u00e1vez concordou em se render &#8211; mas sob a condi\u00e7\u00e3o de que ele pudesse se dirigir a seus colegas oficiais na televis\u00e3o nacional. Ele disse a seus camaradas que, lamentavelmente &#8211; \u201cpor enquanto\u201d, ele disse &#8211; seu objetivo de tomar o poder n\u00e3o poderia ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez passou dois anos na cadeia e surgiu em 1994 como um her\u00f3i do povo. Ele formou um novo partido pol\u00edtico e, em 1998, foi eleito presidente do pa\u00eds com 56% dos votos. Ele continuou a ser reeleito at\u00e9 sua morte, quando foi sucedido pelo ex-motorista de \u00f4nibus e dirigente sindical Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n<p>Hugo Ch\u00e1vez foi eleito e reeleito pelo povo e, efetivamente, mudou a pol\u00edtica econ\u00f4mico-social em favor dos mais humildes, com grandes e importantes resultados. E fez crescer, assim, uma forte oposi\u00e7\u00e3o, das elites privilegiadas, apoiadas, obviamente, pelo governo americano. Tal qual ocorre no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sua liberta\u00e7\u00e3o, ele iniciou uma peregrina\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica em todo o pa\u00eds, al\u00e9m de adicionar alunos \u00e0s suas fileiras, profissionais, pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios, camponeses, cultores, pescadores, mineiros, ind\u00edgenas, trabalhadores, mulheres, jovens, militares, l\u00edderes locais e quase toda a lideran\u00e7a da esquerda venezuelana.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na turbul\u00eancia pol\u00edtica completa, a Venezuela comemorou no \u00faltimo m\u00eas o 30\u00ba anivers\u00e1rio do &#8220;Caracazo&#8221; &#8211; revolta popular esmagada em sangue e fogo pelo governo de Carlos Andr\u00e9s P\u00e9rez, em fevereiro de 1989. 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