{"id":60140,"date":"2018-06-30T16:27:48","date_gmt":"2018-06-30T19:27:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=60140"},"modified":"2018-06-30T16:33:48","modified_gmt":"2018-06-30T19:33:48","slug":"nossa-chance-real-de-mudanca-no-brasil-e-o-ciro-defende-o-vereador-fernando-william","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/nossa-chance-real-de-mudanca-no-brasil-e-o-ciro-defende-o-vereador-fernando-william\/","title":{"rendered":"&#8220;Nossa chance real de mudan\u00e7a no Brasil \u00e9 o Ciro&#8221;, defende o vereador Fernando William"},"content":{"rendered":"<p>Vereador da cidade do Rio de Janeiro em seu quarto mandato, Fernando William \u00e9 um dos quadros que est\u00e1 no partido praticamente desde a sua funda\u00e7\u00e3o. M\u00e9dico, Fernando j\u00e1 foi deputado federal e ocupou secretarias importantes na Prefeitura e no Governo do Rio.<\/p>\n<p>Em entrevista para o site da Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola- Alberto Pasqualini (FLB-AP), o vereador falou sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o PDT e sua vis\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se filiou ao PDT em 1982. Como o partido surgiu em sua vida e qual sua identifica\u00e7\u00e3o com o trabalhismo?<\/strong><\/p>\n<p>Meu pai era brizolista, e eu, com nove anos de idade, acompanhava meus pais na campanha do Brizola pra deputado federal do Rio de Janeiro, por exemplo. Eu assistia \u00e0 r\u00e1dio Mayrink Veiga, que era a r\u00e1dio que divulgava a opini\u00e3o dos nacionalistas. Me lembro, como se fosse hoje, que estava ouvindo parlamentares da frente nacionalista, janguistas, brizolistas, quando se interrompeu a fala e entrou uma voz dizendo que o presidente Jango havia se afastado do pa\u00eds, e que o canalha do presidente do Senado, Auro de Moura, havia empossado Ranieri Mazzini, que era o presidente da C\u00e2mara e, portanto, o substituto natural do presidente Jango. Depois, a hist\u00f3ria demonstrou que isso n\u00e3o era verdade. O Jango estava no Rio Grande do Sul. Aquilo se revelou realmente uma articula\u00e7\u00e3o dos presidentes do Senado e da C\u00e2mara com militares golpistas para dar o golpe de 64.<\/p>\n<p>A minha hist\u00f3ria foi muito vinculada ao trabalhismo, fui do movimento estudantil durante anos, fui orador da turma. Num determinado momento, quando Brizola funda o PDT, eu ingresso no partido muito jovem. Algumas vezes me chamaram pra ser candidato e eu n\u00e3o quis. Em 89, eu era m\u00e9dico, tinha um razo\u00e1vel conhecimento, tinha sido inclusive diretor de uma unidade de sa\u00fade, e, ent\u00e3o, fui candidato a vereador. Sem um tost\u00e3o, sem nada, gastando apenas com alguns panfletos, eu me elegi como o quinto vereador mais votado de uma bancada de 12 que o PDT elegeu naquele ano. Tive tr\u00eas mandatos sucessivos, depois fui secret\u00e1rio, fiz uma trajet\u00f3ria no Executivo e agora retornei para o Legislativo, novamente pelo PDT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tinha se afastado da pol\u00edtica por alguns anos antes da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. O que o fez mudar de ideia e decidir voltar?<\/strong><\/p>\n<p>Estava meio cansado dessa situa\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds vinha vivendo, achava que n\u00e3o tinha muita contribui\u00e7\u00e3o a dar. At\u00e9 que uma coisa me chamou muita aten\u00e7\u00e3o: o impeachment da presidente Dilma. Foi um evento em rede nacional e vimos ali um n\u00edvel extremamente baixo do Poder Legislativo, degradante. Quem assistiu aquilo, viu a pantonima que \u00e9 o Congresso Nacional, em sua grande maioria. Claro que tem muita gente boa, mas a grande maioria n\u00e3o tinha o que dizer. Uma deputada disse \u201cvoto em nome da moralidade\u201d e no dia seguinte o marido dela, prefeito, foi preso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pensei que valia a pena voltar pra tentar dar uma contribui\u00e7\u00e3o para o Legislativo, porque sem o Legislativo a gente n\u00e3o tem democracia. A democracia \u00e9 uma conquista civilizat\u00f3ria, a gente tem que lutar muito por ela. Eu tenho visto alguns falando em interven\u00e7\u00e3o militar, mas eu pergunto: qual pa\u00eds desenvolvido do mundo que teve uma interven\u00e7\u00e3o militar duradoura? Digo desenvolvido n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista econ\u00f4mico, mas desenvolvido do ponto de vista humano. Democracia \u00e9 fundamental. Tenho uma vis\u00e3o de que a gente tem que caminhar pra uma sociedade onde todos tenham as mesmas oportunidades e os mesmos direitos. Isso \u00e9 o socialismo. Mas acredito que isso tem que ser constru\u00eddo com o debate, a persuas\u00e3o, o convencimento, com a demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de que o capitalismo \u00e9 um regime de acumula\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Poucos t\u00eam muito, mas muito mesmo, que n\u00e3o sabem nem o que fazer com todo o dinheiro que t\u00eam. Enquanto isso, existe um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o vivendo em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, abaixo da linha da pobreza, passando fome. N\u00f3s chegamos \u00e0 fase mais avan\u00e7ada do capitalismo, que \u00e9 a fase do dom\u00ednio do capital financeiro, que manipula os mercados e manipulam a pol\u00edtica, conduzem a pol\u00edtica. A gente precisa ter coragem de enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um grande descr\u00e9dito dos jovens com a pol\u00edtica atualmente. Como voc\u00ea, que teve uma hist\u00f3ria na milit\u00e2ncia estudantil, acha poss\u00edvel reverter esse quadro e aproximar a juventudade da pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>No tempo em que fui l\u00edder estudantil, n\u00f3s viviamos uma ditadura e havia uma parcela significativa dos jovens cujos pais diziam: &#8220;olha, n\u00e3o se mete em pol\u00edtica, isso \u00e9 perigoso&#8221;. E de certa forma era mesmo. Mas tinha uma parcela grande dos jovens que n\u00e3o admitia viver sob a tutela de um Estado repressor, que limitava a liberdade individual e a liberdade coletiva, que impunha censura \u00e0 cultura e \u00e0 imprensa. Enfrentamos um per\u00edodo muito duro porque, como todo regime autorit\u00e1rio, ele teve um per\u00edodo em que promoveu desenvolvimento econ\u00f4mico. Mas, no fim, a gente viu no que deu a ditadura: um regime de infla\u00e7\u00e3o extremamente elevado, um endividamento interno e externo brutal.<\/p>\n<p>Muita gente acha que as &#8220;Diretas&#8221; conquistaram a democracia. Elas foram de fundamental import\u00e2ncia, inclusive participei, mas estou absolutamente convencido de que os militares tinham for\u00e7a militar pra continuar mandando no pa\u00eds por mais algum tempo. Eles sa\u00edram porque viram a lamban\u00e7a que fizeram no pa\u00eds. O pa\u00eds n\u00e3o tinha reservas cambiais para dar conta do b\u00e1sico. O FMI mandava na nossa economia, literalmente. V\u00e1rias obras foram paralisadas, o pa\u00eds entrando num buraco sem fundo que n\u00e3o tinha tamanho e a juventude, naquele momento, tinha uma participa\u00e7\u00e3o mais intensa.<\/p>\n<p>Hoje, o que a gente observa, por uma s\u00e9rie de fatores, influ\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e da pr\u00f3pria m\u00eddia virtual, que h\u00e1 uma confus\u00e3o enorme na cabe\u00e7a da juventude. Acho que o jovem est\u00e1 lendo muito pouco tamb\u00e9m. Eu, por exemplo, li toda a obra marxista, li toda a obra de Rosa Luxemburgo, li Adam Smith tamb\u00e9m. Naquela \u00e9poca a gente tinha o prazer de ter conhecimento pra participar do debate, com alto n\u00edvel,\u00a0 compreender o que tava se passando, a conjuntura. Hoje \u00e9 raro. O jovem \u00e9 a favor disso ou daquilo, \u00e0s vezes tem at\u00e9 opini\u00f5es contundentes, mas se voc\u00ea perguntar o que ele leu a respeito daquilo que ele defende, na maioria das vezes, n\u00e3o consegue explicar.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo isso com rela\u00e7\u00e3o apenas aos que se colocam como jovens de esquerda, mesmo os de direita. Eu, por exemplo, lia e achava muito interessante Roberto Campos. Porque era um cara muito bem preparado, um liberal cheio de argumentos, voc\u00ea aprendia. \u00c9 estimulante debater com algu\u00e9m que pensa contra voce mas que tem conhecimento dos fatos, da realidade, sabe aquilo que t\u00e1 defendendo. Hoje, voc\u00ea fica com uma enorme dificuldade de conversar.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea enxerga a candidatura do Ciro \u00e0 Presid\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre admirei o Ciro, pela sua intelig\u00eancia, pela sua capacidade de formula\u00e7\u00e3o. Acho que o Ciro melhorou muito at\u00e9, na minha opini\u00e3o. Se a gente tivesse uma popula\u00e7\u00e3o menos fragmentada e mais esclarecida politicamente, o Ciro era o cara prop\u00edcio para o momento que n\u00f3s estamos vivendo. \u00c9 um camarada muito bem preparado, que entende como poucos a quest\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds e no mundo, que oferece alternativas muito claras e concretas nessa l\u00f3gica de termos uma identidade nacional, uma economia pr\u00f3pria, influenciarmos outros pa\u00edses do mundo a partir do di\u00e1logo e do entendimento. Me surpreendo cada vez mais pela sua clareza da realidade brasileira e sobre aquilo que n\u00f3s devemos objetivamente fazer. Eu n\u00e3o vejo nenhum candidato dizer com tanta clareza o que precisa ser feito para que o Brasil saia do atoleiro em que se meteu. Nossa chance real de mudan\u00e7a no Brasil, hoje, \u00e9 o Ciro.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vereador da cidade do Rio de Janeiro em seu quarto mandato, Fernando William \u00e9 um dos quadros que est\u00e1 no partido praticamente desde a sua funda\u00e7\u00e3o. M\u00e9dico, Fernando j\u00e1 foi deputado federal e ocupou secretarias importantes na Prefeitura e no Governo do Rio. 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