{"id":57904,"date":"2017-11-21T15:45:18","date_gmt":"2017-11-21T17:45:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=57904"},"modified":"2017-11-21T15:54:34","modified_gmt":"2017-11-21T17:54:34","slug":"o-fracasso-da-globalizacao-e-o-retorno-do-estado-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-fracasso-da-globalizacao-e-o-retorno-do-estado-nacao\/","title":{"rendered":"O fracasso da globaliza\u00e7\u00e3o e o retorno do Estado-na\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O artigo de Robert Muggah, publicado na Folha de S. Paulo, em 16\/11, intitulado &#8220;Decl\u00ednio devido \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa o fim dos Estados-na\u00e7\u00e3o&#8221;, produz uma certa escurid\u00e3o \u00e0 frente da sociologia e da filosofia, que precisam responder ou sucumbir ao fato de que vamos sentir saudade do passado ou aceitar que o futuro esteja condenado a repetir o passado para melhor ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>A leitura desse artigo produz uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita e, ao mesmo tempo, uma constata\u00e7\u00e3o cognitiva pavorosa.<br \/>\nSobretudo se pensado a partir de uma perspectiva do que ser\u00e1 o futuro, se nada for feito hoje, aqui e agora.<br \/>\nNo que se refere ao Brasil, considerando a pobreza das discuss\u00f5es dos concretos candidatos presidenciais, o Estado e a sociedade brasileira estar\u00e3o dentro de um colapso anunciado.<\/p>\n<p>N\u00e3o se discute a essencialidade da realidade. Discute-se apenas cosm\u00e9ticos culturais, costumes, tradi\u00e7\u00f5es e g\u00eaneros que asfixia e cega o que vem por a\u00ed, a partir do que est\u00e1 formulado pelos &#8220;mitos&#8221; e &#8221; trag\u00e9dias&#8221; que se anunciam.<\/p>\n<p>Nos anos 90, li muito David Held e Anthony Giddens, mas tamb\u00e9m Habermas e suas cr\u00edticas \u00e0 <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Escola_de_Frankfurt\">Escola de Frankfurt<\/a>, sobre a modernidade e a globaliza\u00e7\u00e3o. Eram os anos de Bill Clinton, Tony Blair e Fhc. O mundo estava otimista. Conflitos e guerras diminu\u00edram sua intensidade.<\/p>\n<p>A perspectiva era outra de estabiliza\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o de blocos econ\u00f4micos entre pa\u00edses como o inusitado mercado comum europeu e outros blocos como o Mercosul.\u00a0Esse modelo, por ego\u00edsmo dos grupos econ\u00f4micos poderosos, gente milion\u00e1ria, industriais e banqueiros et caterva elevaram a desigualdade e as injusti\u00e7as a n\u00edveis insurrecionais.<\/p>\n<p>Aumentaram a trag\u00e9dia e o fracasso da globaliza\u00e7\u00e3o, atraindo a barb\u00e1rie do segregacionismo de toda ordem.<br \/>\nCriaram um ambiente favor\u00e1vel para o crime organizado e a fal\u00eancia dos Estados na\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim tem sido a p\u00f3lvora da barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Diante desse quadro atual volta a quest\u00e3o do estado nacional. Aquele estado que alavancou o Brasil de uma realidade agr\u00e1ria para uma sociedade industrial. Estado-na\u00e7\u00e3o que surge nos anos 1930, 1932, 1937, 1945, 1954, 1961, 1964 que perdurou at\u00e9 os anos 80, vindo do esfor\u00e7o nacionalista de Get\u00falio Vargas. Um per\u00edodo em que se lutava com as armas do sentimento p\u00e1trio e da soberania do estado nacional.<\/p>\n<p>O fato \u00e9: ou muda esse modelo de globaliza\u00e7\u00e3o em que no Brasil apenas 6 pessoas det\u00e9m a renda do 100 milh\u00f5es de brasileiros ou a marcha da insensatez caminha para a fal\u00eancia estrutural, moral e institucional.<\/p>\n<p>A julgar pelos olhos de Hegel vivemos a fase da ant\u00edtese da hist\u00f3ria. A tese esgotou-se. A s\u00edntese a ser vislumbrada n\u00e3o sabemos, ainda. O momento \u00e9 de intervalo.<\/p>\n<p>Por Isso, muita coisa vai acontecer no pr\u00f3ximos passos rumo ao futuro. E n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. O contrato social precavido por Rousseau precisa ser recuperado para o bem de todos. Ou ent\u00e3o se pagar\u00e1 com a espada do Leviat\u00e3 previsto por Hobbes que se erguer\u00e1 como uma solu\u00e7\u00e3o para estancar a sangria da viol\u00eancia insuport\u00e1vel para as fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p>O medo \u00e9 o primeiro passo dessa hist\u00f3ria. E todos n\u00f3s estamos com medo.<\/p>\n<p>Talvez surgir\u00e1 algum pr\u00edncipe que encarnar\u00e1 os h\u00e1beis caminhos da ast\u00facia necess\u00e1ria de Maquiavel para liderar o estado-na\u00e7\u00e3o que unificar\u00e1 o povo hoje fracionado? Pois tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia da na\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnfim, n\u00e3o existe uma panac\u00e9ia nem salvador da p\u00e1tria. Existe o di\u00e1logo, de um lado, e a for\u00e7a legal de outro. A cultura ou a natureza. A cultura racional ou a natureza do desejo animal. Burgueses, aristocratas, trabalhadores e a classe m\u00e9dia dependem de um pacto social para sobreviver.<\/p>\n<p>O resto \u00e9 esperar para ver o que sobra desse desencanto com a racionalidade t\u00e9cnica anunciado por Weber e Heidegger que mais ilude do que resolve os desafios que devem ser mostrados, debatidos e resolvidos.<br \/>\nAl\u00e9m dessa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer da hist\u00f3ria uma repeti\u00e7\u00e3o secular da trag\u00e9dia humana.<\/p>\n<p>E <em>la nave<\/em> v\u00e1!<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo de Robert Muggah, publicado na Folha de S. 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