{"id":55679,"date":"2017-10-18T12:18:11","date_gmt":"2017-10-18T14:18:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?p=55679"},"modified":"2017-10-23T21:01:35","modified_gmt":"2017-10-23T23:01:35","slug":"brizola-uma-planta-do-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/brizola-uma-planta-do-deserto\/","title":{"rendered":"Brizola, uma planta do deserto"},"content":{"rendered":"<p>Com uma personalidade muito forte, forjada desde sua pobre e combativa inf\u00e2ncia, Leonel Brizola aprendeu, desde os seus primeiros anos de vida, a ver na vida uma luta constante. Porque \u00e9 prefer\u00edvel morrer lutando \u2013 como heran\u00e7a da ancestralidade de seu pai, que morreu lutando \u2013 do que morrer sem raz\u00e3o para viver.<\/p>\n<p>Com apenas um ano e meio foi no colo de sua m\u00e3e reconhecer o corpo de seu pai assassinado.<\/p>\n<p>Como adulto, rejeitou qualquer forma de vingan\u00e7a que aprendeu com a educa\u00e7\u00e3o recebida de sua m\u00e3e. Quando se tornou deputado estadual ou governador do Rio Grande do Sul, nunca passou pela sua cabe\u00e7a a vingan\u00e7a pelo assassinato de seu pai, que morreu na luta de um l\u00edder maragato. Apenas buscou encontrar o mandante da morte de seu pai para recuperar a arma que seu pai portava quando foi assassinado. Gesto sublime para um homem que reconhecia na consci\u00eancia do conhecimento a ferramenta principal da sensatez humana.<\/p>\n<p>Desde essa \u00e9poca, Brizola descobre Julio de Castilho, um intelectual de forma\u00e7\u00e3o positivista com quem Brizola descobriu o valor essencial do conhecimento cient\u00edfico como meio para atingir a verdade.<\/p>\n<p>Por causa de sua vida Brizola, se considerava uma planta do deserto. Podia renascer apenas com uma gota de orvalho. Poderia vir uma avalanche de lama que n\u00e3o o levava porque considerava que tinha ra\u00edzes fincadas na profundeza da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Aos 23 anos, Brizola entra na Faculdade de Engenharia do Rio Grande do Sul. Neste momento, come\u00e7a seu envolvimento pol\u00edtico prontamente identificado por Get\u00falio Vargas, que estava presente num dos eventos pol\u00edticos da \u00e9poca e logo viu naquele jovem uma lideran\u00e7a promissora.<\/p>\n<p>Em 1946, Brizola se elegeu deputado estadual com o apoio de Get\u00falio Vargas. De 1958 a 1962, se torna governador do estado do Rio Grande do Sul e realiza a grande raz\u00e3o e sentido de sua vida: educa\u00e7\u00e3o. Assim, com este pensamento fixo de estadista, constr\u00f3i 5.958 escolas prim\u00e1rias acabando, ao fim de seu governo, com o analfabetismo no estado.<\/p>\n<p>Por causa dessa sua vis\u00e3o antecipadora de sua gest\u00e3o p\u00fablica na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o hoje o estado ga\u00facho, junto com Bras\u00edlia, exibe os melhores \u00edndices de leitores do Brasil. Bras\u00edlia, claro, por outras raz\u00f5es que n\u00e3o cabe aqui.<\/p>\n<p>Diga-se que Brizola foi o \u00fanico brasileiro a renascer, mesmo depois de mais de uma d\u00e9cada de ex\u00edlio, a governar dois estados da Federa\u00e7\u00e3o. Em 1959 o estado do Rio Grande do Sul e em 1982 e 1990 o estado do Rio de Janeiro. Sendo que no Rio de Janeiro continuou sua saga em construir escolas para n\u00e3o desperdi\u00e7ar recursos p\u00fablicos em pris\u00f5es. Brizola costumava dizer que n\u00e3o haveria limites de or\u00e7amento para a educa\u00e7\u00e3o. Como governador gastava mais de 50 por cento do or\u00e7amento em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como governador carioca construiu 500 CIEPs. E o primeiro inaugurado recebeu o nome de Tancredo Neves, em homenagem \u00e0 sua hist\u00f3ria ao lado de Get\u00falio Vargas. Um simbolismo mais que merecido por ter sido Tancredo ministro trabalhista leal do presidente Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Brizola, como uma planta do deserto, se tornou uma personalidade pol\u00edtica longeva na hist\u00f3ria brasileira. Sempre se renovando e renascendo usando a palavra como recurso para dizer suas profecias humanas com sentido pol\u00edtico de l\u00edderes com vis\u00e3o de estadista como ele.<\/p>\n<p>Como uma das fun\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, \u00e9 tamb\u00e9m refletir sobre as possibilidades de como seria a hist\u00f3ria caso determinadas lutas pol\u00edticas resultasse em \u00eaxito, podemos fazer um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o da filosofia da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de pensar em tr\u00eas momentos hist\u00f3ricos em que Brizola protagonizou.<\/p>\n<p>Em 1961 com sua campanha pela legalidade que garantiu a Jo\u00e3o Goulart, seu cunhado, assumir a presid\u00eancia da Rep\u00fablica resultado da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros. Neste caso, mudou a configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a favor da hist\u00f3ria constitucional mas cercado de hienas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em 1964, tentou resistir ao movimento militar , que n\u00e3o tinha o apoio de Jo\u00e3o Goulart, preocupado em evitar o que considerava sacrif\u00edcio de vidas. Naquele ambiente hostil da guerra fria um confronto poderia levar \u00e0 irracionalidade do \u00f3dio de interesses internacionais surdos ao di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Fato que levou ao rompimento dos dois pol\u00edticos que ficaram sem se falar por 10 anos. S\u00f3 depois desse tempo Jango, irm\u00e3o querido de dona Neuza, esposa de Brizola e sua grande companheira, o procurou no ex\u00edlio uruguaio num encontro emocionante e memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>O ano de 1989 \u00e9 outra data que devemos reconhecer como o ano que poderia ter realizado aquilo que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Hegel chama do &#8220;esp\u00edrito da \u00e9poca&#8221;. Brizola era o esp\u00edrito daquela \u00e9poca. O momento adequado para o ep\u00edlogo de seu destino.<\/p>\n<p>Quando Brizola se tornou governador pela primeira vez do Estado do Rio de Janeiro ele organizou o maior com\u00edcio das Diretas J\u00e1. O governador Brizola mobilizou mais de um milh\u00e3o de pessoas no ic\u00f4nico com\u00edcio da Candel\u00e1ria. Cinco anos depois, em 1989, concorre na primeira elei\u00e7\u00e3o direta para presid\u00eancia da Rep\u00fablica, depois de 21 anos de regime militar autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta seria a hora e a vez de Brizola. O tempo da hist\u00f3ria o amadureceu para ser a combina\u00e7\u00e3o de seu destino. Parecia que todos os grandes pensadores que produziram o conhecimento da educa\u00e7\u00e3o como emancipa\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia que obstrui a liberdade do ser humano como Rousseau, Kant, Hegel e o seu pensador predileto, o positivista\u00a0 J\u00falio de Castilho e Alberto Paqualini o aplaudiam.<\/p>\n<p>\u00c9 chegado o tempo de Brizola. O tempo adequado da planta do deserto completar o seu desabrochar.<\/p>\n<p>Brizola, como um sempre constante trabalhista, seguiu sendo um alvo dos preconceitos da esquerda e da direita, que se juntaram numa conspira\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e de manipula\u00e7\u00e3o eleitoral sat\u00e2nica para impedi-lo de chegar \u00e0 presid\u00eancia e cumprir com o seu destino. E colocar a educa\u00e7\u00e3o de qualidade em tempo integral, que faria o Brasil de hoje ser o que poderia ter sido e n\u00e3o foi bem diferente do que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que Brizola n\u00e3o gostava de cultuar sua imagem ou seu passado, porque queria mesmo era transformar as condi\u00e7\u00f5es atuais do presente, \u00e9 preciso lembrar os bons exemplos para que n\u00e3o percamos a dignidade em alimentar a esperan\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<p>Plantas assim fazem muita falta hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma personalidade muito forte, forjada desde sua pobre e combativa inf\u00e2ncia, Leonel Brizola aprendeu, desde os seus primeiros anos de vida, a ver na vida uma luta constante. 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