{"id":51887,"date":"2016-05-17T11:52:54","date_gmt":"2016-05-17T14:52:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?post_type=artigo&#038;p=42557"},"modified":"2017-01-16T09:50:26","modified_gmt":"2017-01-16T11:50:26","slug":"a-conexao-internacional-do-golpe-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/a-conexao-internacional-do-golpe-no-brasil\/","title":{"rendered":"A conex\u00e3o internacional do golpe no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Audit\u00f3rios cheios, carros de som, escrit\u00f3rios. Organiza\u00e7\u00f5es como Instituto Millenium, Movimento Brasil Livre (MBL), Instituto Liberal, Instituto\u00a0Ludwig Von Mises e Estudantes Pela Liberdade, como num passe de m\u00e1gica, emergiram no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, publicando livros e realizando manifesta\u00e7\u00f5es com enormes estruturas, treinamentos e palestras \u2013 um processo que encontrou terreno f\u00e9rtil no pa\u00eds, devido \u00e0 crise mundial e \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Apesar das tentativas de seus fundadores e por parte da imprensa em pintar os projetos que defendem como algo \u201cpara o bem do Brasil\u201d, oriundo \u201cdo <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-42559 alignleft\" src=\"http:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/boabricks-300x169.jpg\" alt=\"boabricks\" width=\"595\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/boabricks-300x169.jpg 300w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/boabricks-100x56.jpg 100w, https:\/\/pdt-rj.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/boabricks.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/>povo brasileiro\u201d e \u201cespont\u00e2neo\u201d, todas estas organiza\u00e7\u00f5es contam com financiamento e articula\u00e7\u00e3o estrangeira, conforme detalhou a reportagem de Marina Amaral na Ag\u00eancia P\u00fablica, mostrando como uma rede de ONGs promove treinamento de lideran\u00e7as, patrocina \u201cintelectuais\u201d para aglutinar consensos nas redes e movimentos para incendiar as ruas. Entre as organiza\u00e7\u00f5es presentes na Am\u00e9rica Latina e leste europeu chama aten\u00e7\u00e3o, em especial, a Atlas Network.<\/p>\n<p>Fundada em 1981 com objetivo de \u201cpromover pol\u00edticas econ\u00f4micas do livre mercado pelo mundo\u201d, a Atlas \u00e9 um think-tank que financia declaradamente as atividades da direita em mais de 90 pa\u00edses. Com um or\u00e7amento anual de US$ 11,5 milh\u00f5es, ela atua patrocinando a forma\u00e7\u00e3o de quadros neoliberais. Como a legisla\u00e7\u00e3o dos EUA impede que essas entidades financiem agita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mundo afora, cada movimento \u00e9 amparado por \u201cinstitutos de forma\u00e7\u00e3o\u201d, que est\u00e3o liberados para receber os recursos.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso da rela\u00e7\u00e3o do centro de forma\u00e7\u00e3o Estudantes pela Liberdade (EPL) com a milit\u00e2ncia profissional do MBL, por exemplo. O or\u00e7amento do EPL deste ano saltou para R$ 300 mil. \u201cNo primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organiza\u00e7\u00f5es externas tamb\u00e9m, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, s\u00e3o nossos principais doadores. No Brasil, as principais organiza\u00e7\u00f5es doadoras s\u00e3o a Friederich Naumann, que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o alem\u00e3, que n\u00e3o s\u00e3o autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente\u201d, declarou Juliano Torres diretor executivo do EPL.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia \u2013 onde em 2014 houve um golpe contra o Presidente eleito Viktor Yanukovich -, a Atlas financiou, por exemplo, o Centro de Liberdade Econ\u00f4mica Bendukidzke e o Centro Para Pesquisa Econ\u00f4mica e Social. O primeiro tem como membros o ex-Presidente da Georgia e atual governador de Odessa, Mikheil Saakashvili, al\u00e9m do vice-chefe da administra\u00e7\u00e3o (p\u00f3s-golpe) do Presidente Petro Poroshenko, Alexander Danyluk. O segundo \u00e9 tamb\u00e9m financiado pela Open Society Foundation, do famoso especulador e homem das revolu\u00e7\u00f5es coloridas, George Soros, e tem como parceiros ag\u00eancias governamentais ucranianas, canadenses e inglesas, al\u00e9m da USAID (EUA) e o Banco Mundial.<\/p>\n<p>Em 2014, a Atlas despejou US$ 4,5 milh\u00f5es mundo afora em uma s\u00e9rie de organiza\u00e7\u00f5es mais ou menos similares, segundo o formul\u00e1rio 990, que as organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas t\u00eam de entregar a Receita Federal nos EUA. Somente na Am\u00e9rica Latina, foram alocados US$ 984 mil equivalente a R$ 3,9 milh\u00f5es a organiza\u00e7\u00f5es que seguem o pensamento de liberais como Milton Friedman, Hayek e Mises, e fazem oposi\u00e7\u00e3o aos governos progressistas da regi\u00e3o. \u00c9 o caso de Cedice Libertad, da Venezuela, e de organiza\u00e7\u00f5es como a norte-americana Human Rights Foundation, criada pelo venezuelano Thor Halvorssen, primo de Leopoldo L\u00f3pez e filho de embaixador durante o governo de Andr\u00e9s P\u00e9rez, que mira em especial os pa\u00edses com governos n\u00e3o-alinhados a Washington (Venezuela, Cuba, R\u00fassia) e que se tornou conhecida em 2015 por criar uma campanha para lan\u00e7ar propaganda em territ\u00f3rio norte-coreano por meio de bal\u00f5es de g\u00e1s.<\/p>\n<p>A Atlas por sua vez tamb\u00e9m \u00e9 financiada por uma s\u00e9rie de grandes corpora\u00e7\u00f5es e outras funda\u00e7\u00f5es. Empresas como Google, a gigante do petr\u00f3leo Exxon Mobil e organiza\u00e7\u00f5es como a DonorsTrust [1], State Policy Network, criada pelo empres\u00e1rio e conselheiro de Ronald Reagan Tom Roe, e a Charles G. Koch Foundation [3], ligada \u00e0s famigeradas Ind\u00fastrias Koch, s\u00e3o alguns dos nomes que colaboraram para que a Atlas, no ano de 2014, doasse mais de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares pelo mundo.<\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o colorida para o Brasil?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que \u00e9 motivo para fazer soar os alarmes: a direita liberal cresce exponencialmente e combate num pa\u00eds com 31 anos de tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, de abismos sociais no campo e nas cidades, onde um partido governou nos \u00faltimos 12 anos com apoio maci\u00e7o e manteve alian\u00e7as com governos populares da regi\u00e3o. At\u00e9 a rua, historicamente monopolizada pela esquerda, foi tomada.<\/p>\n<p>A isso se somam outras estranh\u00edssimas casualidades: o juiz S\u00e9rgio Moro, h\u00e1 pouco respons\u00e1vel pelas fagulhas que incendiaram o pa\u00eds, fez em 2009 um \u201ccurso para potenciais l\u00edderes\u201d nos EUA, patrocinado pelo Departamento de Estado. \u00c9 tamb\u00e9m not\u00e1vel o fato de que no processo da Lava-Jato, somente empresas brasileiras tenham sido atingidas, ainda que diferentes den\u00fancias contra companhias estrangeiras tenham sido feitas. Um dia ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do impeachment na C\u00e2mara dos Deputados o Senador Aloysio \u201cquero ver ela sangrar\u201d Nunes viajou para o quartel-general do poder global: Washington.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, conforme revelou o colunista Mark Weisbrot, no Huffington Post, encontrou-se com o ex-embaixador dos EUA no Brasil e atual \u201cn\u00famero tr\u00eas\u201d no escal\u00e3o do Departamento de Estado, Thomas Shannon: \u201cA disposi\u00e7\u00e3o por parte de Shannon em encontrar-se com Nunes alguns dias depois da vota\u00e7\u00e3o do impeachment envia um poderoso sinal de que Washington est\u00e1 com a oposi\u00e7\u00e3o nesse empreendimento. Como sabemos disso? Muito simples, Shannon n\u00e3o precisava ter comparecido a esse encontro. Se ele quisesse mostrar que Washington estava neutro em rela\u00e7\u00e3o a esse feroz e altamente polarizador conflito, ele n\u00e3o teria se encontrado com protagonistas not\u00e1veis de nenhum dos lados, especialmente nesse momento.\u201d<\/p>\n<p>Por fim, para o ansiedade dos desconfiados e o choque dos distra\u00eddos, \u00e9 importante notar os la\u00e7os que o Sr. Michel \u201cquero jantar com Biden\u201d Temer manteve com seus parceiros do norte. Em 19 de Junho de 2006, por exemplo, Temer \u2013 \u00e0 \u00e9poca presidente do PMDB \u2013 encontrou-se com o c\u00f4nsul-geral dos EUA no Brasil, em S\u00e3o Paulo, e respondeu a perguntas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, os candidatos, e seu partido. Diz o c\u00f4nsul para Washington, em mensagem vazada pelo Wikileaks em 2011: \u201cTratando do destino de seu pr\u00f3prio partido, Temer confirmou que o PMDB n\u00e3o ter\u00e1 um candidato para a Presid\u00eancia, e n\u00e3o entrar\u00e1 em nenhuma alian\u00e7a formal com o PSDB ou o PT. [\u2026] O PMDB continua rachado quase ao meio entre grupos pr\u00f3 e contra Lula. O \u00faltimo busca alian\u00e7as com o PT e busca diversos minist\u00e9rios na segunda administra\u00e7\u00e3o de Lula. Temer, que \u00e9 anti-Lula, foi altamente cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fac\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Lula e falou com ironia em rela\u00e7\u00e3o a algumas das divis\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es internas do partido.\u201d<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico e historiador Moniz Bandeira, os alarmes dispararam h\u00e1 muito tempo. \u201cEssas manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram no ano passado e antes da Copa n\u00e3o foram espont\u00e2neas. Foram preparadas antecipadamente, com elementos treinados, agitadores treinados\u201d, diz ele, que em \u201cA Segunda Guerra Fria\u201d (Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2013), descreve em detalhes o papel de certas ONGs e think-tanks nas chamadas revolu\u00e7\u00f5es coloridas pelo mundo. \u201cO que \u00e9 necess\u00e1rio no Brasil \u00e9 que o governo fa\u00e7a como Putin: obrigue o registro de todas as ONGs, o registro do dinheiro que recebem, de onde recebem e como e onde aplicam.\u201d<\/p>\n<p>Moniz aponta como interesses norte-americanos a preval\u00eancia do d\u00f3lar como moeda global \u2013 segundo ele, amea\u00e7ada pelo BRICS \u2013 e a inexist\u00eancia de pot\u00eancias no continente. \u201c\u00c9 isto que os Estados Unidos n\u00e3o querem: que o Brasil tenha submarino nuclear, eles n\u00e3o querem uma pot\u00eancia na Am\u00e9rica do Sul \u2013 ainda mais ligada \u00e0 China e \u00e0 R\u00fassia. E h\u00e1 um detalhe que o brasileiro n\u00e3o sabe: h\u00e1 uma luta pela moeda de reserva internacional. Porque o fato de que os EUA det\u00e9m o direito de emitir o d\u00f3lar o quanto queiram e ser o d\u00f3lar a moeda internacional; \u00e9 a\u00ed que repousa a hegemonia dos EUA. E o que a China e Putin querem acabar \u00e9 com isso \u2013 da\u00ed a cria\u00e7\u00e3o do modelo dos BRICS.\u201d<\/p>\n<p>\u2014<\/p>\n<p><em>[1] Organiza\u00e7\u00e3o que possibilita doa\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas para a \u201ccausa da liberdade\u201d, criada pela Donors Capital Fund, considerada no relat\u00f3rio Fear, Inc uma das 10 maiores organiza\u00e7\u00f5es contribuintes para o \u00f3dio contra isl\u00e2micos nos EUA)<\/em><\/p>\n<p><em>[2] Em 2014 a funda\u00e7\u00e3o doou 25 mil d\u00f3lares (cerca de 90,5 mil reais) \u00e0 Atlas.<\/em><\/p>\n<p><em>[3] A Koch Industries \u00e9 uma empresa ligada ao setor do petr\u00f3leo. Como Soros, os irm\u00e3os Koch s\u00e3o famosos por financiar institui\u00e7\u00f5es e revolu\u00e7\u00f5es coloridas pelo mundo.<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audit\u00f3rios cheios, carros de som, escrit\u00f3rios. 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