{"id":51865,"date":"2016-04-09T21:07:44","date_gmt":"2016-04-10T00:07:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/?post_type=artigo&#038;p=39708"},"modified":"2017-01-16T09:50:26","modified_gmt":"2017-01-16T11:50:26","slug":"um-notorio-criminoso-cunha-decide-os-destinos-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/um-notorio-criminoso-cunha-decide-os-destinos-do-brasil\/","title":{"rendered":"&#8220;Um not\u00f3rio criminoso decide os destinos do Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O bestial\u00f3gico galopa enquanto um criminoso decide o destino do Brasil. Mas h\u00e1 um problema mundial&#8230;<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo chamado \u2018Panama Papers\u2019 cabe com encaixe perfeito entre os resultados da sujei\u00e7\u00e3o do mundo ao deus mercado que o papa Francisco mais propriamente definiria como dem\u00f4nio do dinheiro.<\/p>\n<p>Antes de cogitarmos de uma reforma pol\u00edtica brasileira, de resto, por ora t\u00e3o improv\u00e1vel quanto duvidosa, seria altamente recomend\u00e1vel uma reforma do globo terr\u00e1queo. De sorte a reverter o processo destinado a enriquecer cada vez mais uns poucos para empobrecer e imbecilizar os demais. Aludo a bilh\u00f5es de seres ditos humanos.<\/p>\n<p>Um jurista italiano em recente visita ao Brasil, ex-integrante da for\u00e7a-tarefa da Operazione Mani Pulite, Gherardo Colombo, convidado com o transparente prop\u00f3sito de constatar convenientes similitudes entre aquela a\u00e7\u00e3o justiceira e a Lava Jato, cuidou de desencantar os anfitri\u00f5es, de sorte a n\u00e3o merecer maior repercuss\u00e3o na m\u00eddia nativa, a do pensamento \u00fanico a favor do golpe.<\/p>\n<p>A tese central de Colombo, exposta no debate promovido para favorecer Sergio Moro e os promotores curitibanos, \u00e9 a seguinte: em situa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o desenfreada, a magistratura ter\u00e1 de agir para prender e incriminar quem quer que seja, mas n\u00e3o extirpar\u00e1 o mal se este for da cultura do pa\u00eds. O pecado s\u00f3 ser\u00e1 remido pela educa\u00e7\u00e3o dos gra\u00fados e dos mi\u00fados. Dura li\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se coaduna com as pretens\u00f5es da Lava Jato.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 global, como, por exemplo, os Panama Papers comprovam. Nem por isso Moro e sua opera\u00e7\u00e3o deixam de ser representativos de um pa\u00eds a seu modo \u00fanico. A Lava Jato presta-se a fornecer muni\u00e7\u00e3o a uma tentativa de golpe, vale-se de uma pol\u00edcia disposta a desservir ao Estado para favorecer a manobra em sintonia com a m\u00eddia compactamente envolvida no processo.<\/p>\n<p>Atenta contra a lei impavidamente e tanto esquece a origem da corrup\u00e7\u00e3o e seus mais atilados praticantes, bem como liquida em um piscar de olhos a possibilidade de qualquer envolvimento da Mossack.<\/p>\n<p>Desponta a urg\u00eancia de interrogar os bot\u00f5es: por que ser\u00e1 que Moro e cia. enterraram o assunto? Respondem: talvez o peso de nomes gra\u00fados detentores das offshore \u00e0 margem do canal, nomes retumbantes, tenha aconselhado o s\u00fabito recuo, mesmo depois da pris\u00e3o de cinco suspeitos da Mossack, logo postos em liberdade.<\/p>\n<p>Uma pergunta chama outra: e por quais cargas-d\u2019\u00e1gua as atividades do empres\u00e1rio Fernando Henrique Cardoso e do seu endiabrado herdeiro Paulo Henrique n\u00e3o mereceram eco da m\u00eddia nativa? Ora, ora, respondem os bot\u00f5es, FHC \u00e9 ainda mais invulner\u00e1vel do que Aquiles, o her\u00f3i grego de calcanhar indefeso. Nem mesmo P\u00e1ris, de excelente pontaria, conseguiria abater o ex-presidente sem pontos fracos.<\/p>\n<p>A incerteza do momento precipita mais perguntas. Por que ressurge a proposta da ren\u00fancia da presidenta Dilma, formulada tempos atr\u00e1s pelo acima citado FHC? A Folha de S.Paulo ressuscita a ideia como portadora da bandeira a abrir o desfile ol\u00edmpico. Marcha imponente, a convocar muitos dos titulares da casa-grande, seus aspirantes e f\u00e2mulos.<\/p>\n<p>E por que Dilma haveria de renunciar? Nada empurra a tanto o vencedor de uma elei\u00e7\u00e3o, menos ainda a lei. H\u00e1 quem diga: antecipemos as elei\u00e7\u00f5es, outubro pr\u00f3ximo seria uma boa data. A presidenta reage com louv\u00e1vel ironia: pois ent\u00e3o, renunciemos todos em bloco, governo, governadores e congressistas.<\/p>\n<p>A quem aproveita a proposta? Panorama confuso, de n\u00e9voa do Mar do Norte, na madrugada invernal. Em meio \u00e0 cerra\u00e7\u00e3o, aparecem desentendimentos na tripula\u00e7\u00e3o do barco golpista. N\u00e3o vale a pena perder tempo em rela\u00e7\u00e3o ao pat\u00e9tico comportamento de Marina Silva, crente ferrenha das pesquisas, incapaz de perceber que a coisa pega somente nas cercanias do pleito.<\/p>\n<p>Permito-me outros exemplos: elei\u00e7\u00f5es em outubro n\u00e3o comovem, por motivos diversos, Michel Temer e A\u00e9cio Neves. Encantam, por\u00e9m, por raz\u00f5es insond\u00e1veis, Paulo Skaf, aquele que estimula imensa saudade de Antonio Erm\u00edrio de Moraes e Olavo Setubal, dois empres\u00e1rios que praticaram a pol\u00edtica com outros m\u00e9ritos e v\u00e1lidos atributos. Tampouco est\u00e1 claro se Skaf \u00e9 empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Algo \u00e9 certo, soletram os bot\u00f5es: a proposta da ren\u00fancia nasce de uma forte d\u00favida a respeito do desfecho da manobra golpista do impeachment. A tigrada deu para temer, de uns dias para c\u00e1, que o compl\u00f4 so\u00e7obre no fracasso final.<\/p>\n<p>Retomada a normalidade democr\u00e1tica, e diante de uma crise iniciada no exterior que n\u00e3o tende a arrefecer, a possibilidade de antecipar elei\u00e7\u00f5es gerais poderia ser levada em conta, ao cabo de um amplo debate e de uma adequada emenda constitucional, operada pelos poderes previstos em lei.<\/p>\n<p>Antecipa\u00e7\u00e3o de um ano, para outubro de 2017, quem sabe. N\u00e3o \u00e9 por acaso, de todo modo, que a Folha assuma o papel de portador da proposta da ren\u00fancia, inequivocamente golpista nas circunst\u00e2ncias. Diz um caro amigo que o jornal\u00e3o da fam\u00edlia Frias \u00e9 o mais hip\u00f3crita da categoria.<\/p>\n<p>Abriga textos que contradizem a linha do jornal, sem contar a pretens\u00e3o do ombudsman faccioso, para alardear uma isen\u00e7\u00e3o desmentida na totalidade dos demais espa\u00e7os. O Estad\u00e3o \u00e9 um vetusto fazendeiro que n\u00e3o consegue enxergar al\u00e9m da cancela das suas terras. O Globo \u00e9 homem de neg\u00f3cios suspeitos, sem escr\u00fapulos, entregue ao dem\u00f4nio do dinheiro.<\/p>\n<p>Os jornal\u00f5es, os revist\u00f5es e os program\u00f5es abrigam o bestial\u00f3gico mais grandioso da hist\u00f3ria do Pa\u00eds. No confronto, o Febeap\u00e1 da Stanislaw Ponte Preta empalidece. O que se l\u00ea e se ouve, imediatamente repetido por uma fatia consp\u00edcua da sociedade, \u00e9 algo que n\u00e3o tem similar mundo afora. Trata-se de um besteirol clangoroso que exibe o est\u00e1gio cultural primitivo de uma na\u00e7\u00e3o carente de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>N\u00e3o falta quem escape ao desastre, mas o conjunto da obra \u00e9 apavorante. F\u00f4ssemos diferentes, nos rir\u00edamos dos equ\u00edvocos, dos mal-entendidos, das acusa\u00e7\u00f5es pueris, e das pretens\u00f5es descabidas, das ambi\u00e7\u00f5es idem, dos exibicionismos provincianos, da pompa rid\u00edcula, da ostenta\u00e7\u00e3o grosseira, da vulgaridade geral. O fen\u00f4meno apresenta, contudo, uma impon\u00eancia t\u00e3o avassaladora a ponto de provocar por parte de quem disp\u00f5e de bons olhos, vergonha e desalento.<\/p>\n<p>Perguntam agora meus envergonhados bot\u00f5es: quem haver\u00e1, neste Brasil em apuros, capaz de entender que o impeachment n\u00e3o resolve a crise, pelo contr\u00e1rio, a complicaria? E quem se d\u00e1 conta de que os Panama Papers desvendam o ninho do ovo da serpente da crise que, sem isentar o Pa\u00eds, transcende a economia?<\/p>\n<p>H\u00e1 outra discrep\u00e2ncia, ainda mais espantosa, a denunciar aus\u00eancia de sa\u00fade mental, bem como pol\u00edtica: enquanto se discute se Dilma cometeu um crime inexistente, decide os destinos do Brasil um not\u00f3rio criminoso chamado Eduardo Cunha.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bestial\u00f3gico galopa enquanto um criminoso decide o destino do Brasil. Mas h\u00e1 um problema mundial&#8230; O esc\u00e2ndalo chamado \u2018Panama Papers\u2019 cabe com encaixe perfeito entre os resultados da sujei\u00e7\u00e3o do mundo ao deus mercado que o papa Francisco mais propriamente definiria como dem\u00f4nio do dinheiro. 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