{"id":51809,"date":"2010-04-15T21:20:51","date_gmt":"2010-04-15T21:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/os-negocios-e-a-soberania\/"},"modified":"2017-01-16T09:51:02","modified_gmt":"2017-01-16T11:51:02","slug":"os-negocios-e-a-soberania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/os-negocios-e-a-soberania\/","title":{"rendered":"?Os neg\u00f3cios e a soberania"},"content":{"rendered":"<div>O ministro Nelson Jobim, sem que o Congresso e o povo fossem ouvidos, assinou, em Washington, tratado militar com os Estados Unidos. O objetivo &eacute; restaurar o acordo que existia antes e que o general Geisel rompeu em 1977. O governo cometeu erro pol&iacute;tico de que se dar&aacute; conta no futuro. O Tratado, dizem seus defensores, &eacute; igual ao que temos com outros pa&iacute;ses do mundo. N&atilde;o &eacute;: desafia-se o ministro Jobim a firmar um equivalente, em todas as suas cl&aacute;usulas, com a R&uacute;ssia de Putin ou a China Continental. Como todos os tratados, ele favorece o signat&aacute;rio mais forte. Benjamin Franklin aconselhava tratar bem o vizinho, mas manter o port&atilde;o bem trancado. Jobim abre a porta do quarto. O tratado prev&ecirc; o treinamento de militares brasileiros nos Estados Unidos. Quem treina, adestra, e quem adestra, busca obter certos resultados, entre eles, o da fidelidade.<\/div>\n<div>&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>Os conv&ecirc;nios militares s&atilde;o necess&aacute;rios quando um inimigo comum aos contratantes amea&ccedil;a atac&aacute;-los em conjunto, ou em separado. &Eacute; natural que juntem seus recursos, humanos, militares e econ&ocirc;micos, para a defesa. A que necessidade corresponde a submiss&atilde;o do Ministro Nelson Jobim? Estamos em paz com nossos vizinhos e com pa&iacute;ses distantes. N&atilde;o temos contencioso algum que n&atilde;o possa ser resolvido com a diplomacia. Ao contr&aacute;rio: a grande amea&ccedil;a que sofremos, a da perda de soberania sobre o territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico, vem, desde o s&eacute;culo 19, exatamente dos Estados Unidos. O &uacute;nico acordo de defesa que a realpolitik nos aconselha &eacute; o tratado da Unasul, que re&uacute;na todos os recursos dos pa&iacute;ses do continente, a fim de enfrentar as amea&ccedil;as externas &agrave; regi&atilde;o. Argumenta-se que o governo do presidente Obama busca construir bom entendimento com o Brasil e os outros pa&iacute;ses. Mas os tratados, sobretudo os militares, n&atilde;o vinculam pessoas ou governos: vinculam estados. O Obama de hoje pode ser substitu&iacute;do por um Bush, um Reagan ou um Ted Roosevelt, amanh&atilde;. N&atilde;o podemos abrir a guarda.<\/div>\n<div>Outro argumento, e este, imoral, &eacute; que sua assinatura &eacute; necess&aacute;ria para que a Embraer venda cem avi&otilde;es supertucanos &agrave; For&ccedil;a A&eacute;rea Norte-Americana. Se os avi&otilde;es s&atilde;o bons, o pre&ccedil;o conveniente, e os Estados Unidos deles precisam, n&atilde;o h&aacute; que subordinar uma coisa &agrave; outra. Seria natural que, em troca de comprar os avi&otilde;es, os norte-americanos nos propusessem que lhes compr&aacute;ssemos ve&iacute;culos ou navios. Seriam moedas equivalentes de interc&acirc;mbio. N&atilde;o podemos vender avi&otilde;es, oferecendo, como vantagem extra, um s&oacute; palmo de soberania. O presidente Lula sabe, de suas visitas ao Exterior, que o nacionalismo continua a ser a for&ccedil;a das elites e do povo. S&oacute; no Brasil os grupos dirigentes desprezam a na&ccedil;&atilde;o com a mesma desenvoltura que defendem os neg&oacute;cios. A firmeza na defesa da nacionalidade &eacute; tanto maior, quanto mais discreta. H&aacute; momentos em que se torna imposs&iacute;vel conter a indigna&ccedil;&atilde;o, como ocorreu aos policiais federais, obrigados, pelo brio, a prender e a expulsar do pa&iacute;s turistas ianques que nos ofenderam com seus gestos indecentes, como ocorreu no Mato Grosso. A soberania se exerce como a exerceu o presidente Geisel, em 1977, revogando, unilateralmente, como era de nosso direito, o Acordo Militar de 1952.<\/div>\n<div>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<p>O ministro Jobim desconhece como o povo acompanha seus atos, a come&ccedil;ar pelo uso indevido de uniformes militares, proibido aos civis, pela lei 1803, de 14 de agosto de 1958, em seu artigo 40. &Eacute; dif&iacute;cil aceitar, que ele tenha inserido &ndash; como declarou publicamente &ndash; dispositivo ileg&iacute;timo &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. N&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o pol&iacute;tica para que ele se mantenha nos mais altos cargos da Rep&uacute;blica, com tal comportamento. Quem assim age, n&atilde;o defende a p&aacute;tria: agride-a. A cidadania est&aacute; reagindo com indigna&ccedil;&atilde;o ao acordo, como os internautas averiguam, ao visitar os coment&aacute;rios dos leitores dos blogs dos grandes jornais. Essa &eacute; tamb&eacute;m uma forma de o Congresso aferir a vontade popular. Todos os candidatos &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de outubro devem dizer, de forma clara, o que pensam do documento. N&atilde;o podemos votar naqueles dispostos a alienar a soberania por um prato de lentilhas &ndash; perd&atilde;o, por um mero neg&oacute;cio, como a venda de avi&otilde;es.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro Nelson Jobim, sem que o Congresso e o povo fossem ouvidos, assinou, em Washington, tratado militar com os Estados Unidos. O objetivo &eacute; restaurar o acordo que existia antes e que o general Geisel rompeu em 1977. O governo cometeu erro pol&iacute;tico de que se dar&aacute; conta no futuro. 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