{"id":51805,"date":"2009-12-16T20:20:51","date_gmt":"2009-12-16T20:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/licitacoes-no-processo-eleitoral\/"},"modified":"2017-01-16T09:51:02","modified_gmt":"2017-01-16T11:51:02","slug":"licitacoes-no-processo-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/licitacoes-no-processo-eleitoral\/","title":{"rendered":"Licita\u00e7\u00f5es no processo eleitoral"},"content":{"rendered":"<div><strong>APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA LEI DE LICITA&Ccedil;&Otilde;ES NO PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO<\/strong><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A compra atrav&eacute;s de licita&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica, vem merecendo constantes aprimoramentos legislativos, ante a necessidade de regras espec&iacute;ficas para respaldar a atividade da administra&ccedil;&atilde;o. Nesse &nbsp;escopo est&atilde;o inclu&iacute;das as licita&ccedil;&otilde;es da Justi&ccedil;a Eleitoral.<br \/>&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>Al&eacute;m da Lei n&ordm; 8.666\/93, Estatuto da Licita&ccedil;&atilde;o e de Contratos P&uacute;blicos outras normas de tratamento peculiar s&atilde;o aplic&aacute;veis &agrave;s compras pelo administrador eleitoral, principalmente a Lei n&ordm; 8.248\/91, regulamentada pelo Decreto 1.070\/94, a &nbsp;Lei n&ordm; 10.176\/01 sem preju&iacute;zo de an&aacute;lise sob a &eacute;gide da &nbsp;Emenda Constitucional n&ordm; 6\/95 e ainda da Lei 10.520\/2002.<\/div>\n<div>Regra especifica est&aacute; contida no artigo 45, &sect; 4&ordm;, da Lei 8.666\/93, &nbsp;donde a licita&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica somente pode ser realizada com ado&ccedil;&atilde;o do tipo&nbsp; &#8220;t&eacute;cnica e pre&ccedil;o&#8221;. A Lei 11.077\/04, com a reda&ccedil;&atilde;o do &sect; 3&ordm; incorporado ao art. 3&ordm; da Lei 8.248\/91, permitiu a compra de bens e servi&ccedil;os &#8220;comuns&#8221; de inform&aacute;tica e automa&ccedil;&atilde;o sob o tipo de licita&ccedil;&atilde;o &#8220;menor pre&ccedil;o&#8221;, atrav&eacute;s da modalidade Preg&atilde;o.<\/p>\n<\/div>\n<div>Comum encontrar na seara eletr&ocirc;nica eleitoral, em um &uacute;nico edital, &nbsp;v&aacute;rias modalidades licitat&oacute;rias dentre &agrave;s previstas no artigo 22 da Lei 8666\/93 conjugada num tipo espec&iacute;fico que em geral &eacute; de &ldquo;t&eacute;cnica e pre&ccedil;o&rdquo;. &nbsp;Essa op&ccedil;&atilde;o dificulta muito &agrave; an&aacute;lise do processo e demanda minuciosa separa&ccedil;&atilde;o de cada figura para delimitar a regularidade ou n&atilde;o da licita&ccedil;&atilde;o.<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>A licita&ccedil;&atilde;o 076\/2009,em curso no TSE aclara bem a situa&ccedil;&atilde;o. O seu Edital prev&ecirc; a modalidade <em>concorr&ecirc;ncia <\/em>para <em>registrar pre&ccedil;os<\/em> &nbsp;para eventual compra de 250 mil urnas no tipo &ldquo;<em>t&eacute;cnica e pre&ccedil;o<\/em>&rdquo;, atrav&eacute;s de <em>preg&atilde;o presencial<\/em> com fase de <em>testes t&eacute;cnicos dos produtos<\/em> e adjudica&ccedil;&atilde;o do contrato ao final do certame.<br \/>&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>Sem embargo, &nbsp;o administrador eleitoral simplesmente ignora que para os fins do disposto no &sect; 3&ordm;, do art. 3&ordm;, da Lei 8.248\/91, o Preg&atilde;o para compra de bens e servi&ccedil;os comuns de inform&aacute;tica impede a participa&ccedil;&atilde;o de empresas que n&atilde;o demonstrem possuir o conjunto m&iacute;nimo de opera&ccedil;&otilde;es no estabelecimento fabril que caracteriza a efetiva industrializa&ccedil;&atilde;o do produto.<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>No certame 076\/09 se encontra a evid&ecirc;ncia dessa ilegalidade, pois nele &nbsp;restam duas empresas que h&aacute; anos,&nbsp; reiteradamente, &nbsp;prestam servi&ccedil;os &agrave; Justi&ccedil;a Eleitoral, mesmo n&atilde;o possuindo&nbsp; parque fabril ou postos fixos em&nbsp; Estados da Federa&ccedil;&atilde;o, o que as faz subcontratar os servi&ccedil;os de outras empresas quando vitoriosas na licita&ccedil;&atilde;o.<br \/>&nbsp;<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>Direcionando o foco para capacidade t&eacute;cnica, temos que uma das empresas, conhecida fabricante de m&aacute;quinas de votar, foi duramente afetada por problemas s&eacute;rios em seu pais sede.. Seu produto foi rejeitado e at&eacute; proibido em alguns pa&iacute;ses e como avolumavam-se preju&iacute;zos, se desfez desta &aacute;rea para &nbsp;dedicar-se a outros ramos do mercado tecnol&oacute;gico.<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>Mesmo sem capacidade industrial no Brasil &nbsp;e sem capacidade t&eacute;cnica no seu pais de origem essa empresa continua apta a prestar servi&ccedil;os e continua participando de concorr&ecirc;ncias p&uacute;blicas junto a Justi&ccedil;a Eleitoral para fabrica&ccedil;&atilde;o de urnas eletr&ocirc;nicas.<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>A segunda empresa participante da licita&ccedil;&atilde;o 76\/09, iniciou a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os para fornecer m&atilde;o- de -obra terceirizada para o TSE em 2002. Sua constitui&ccedil;&atilde;o advinda de uma empresa americana deu-se em 05\/2001, mas para melhor explicitar sua situa&ccedil;&atilde;o dentro do TSE ser&aacute; oportuno voltar &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es presidenciais do Equador no ano de 2006.<\/p>\n<\/div>\n<div>Como cedi&ccedil;o, o TSE Equatoriano contratou essa mesma empresa para apura&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida dos votos das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais no ano de 2006, naquele pa&iacute;s. Para fazer frente ao trabalho ela consorciou com uma outra de telecomunica&ccedil;&atilde;o, cujos s&oacute;cios e endere&ccedil;o s&atilde;o comuns a ambas.<br \/>&nbsp;<\/div>\n<div>Interessa frisar &nbsp;que o contrato com o TSE do Equador foi assinado por um servidor&nbsp; de alto escal&atilde;o, cedido, at&eacute; ent&atilde;o, h&aacute; mais de 10 anos ao TSE brasileiro e mais, fez parte do grupo o ex &#8211; Secretario de inform&aacute;tica do nosso Tribunal.&nbsp;<\/div>\n<div>Inobstante o <em>status<\/em> t&eacute;cnico do grupo no Brasil, o consorcio brasileiro n&atilde;o conseguiu cumprir o contrato no Equador, que ao final revelou-se irregular, posto que nenhum dos executivos que l&aacute; estavam possu&iacute;a capacidade ou v&iacute;nculo oficial com a &nbsp;empresa contratada e &nbsp;o cons&oacute;rcio sequer existia. As informa&ccedil;&otilde;es encontram-se em:<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.eluniverso.com\/2006\/11\/02\/0001\/8\/D0DEA59CD95741BB928CE6E54E14972C.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eluniverso.com\/2006\/11\/02\/0001\/8\/D0DEA59CD95741BB928CE6E54E14972C.html<\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.hoy.com.ec\/noticias-ecuador\/anne-dolida-por-mentiras-contra-su-esposo-rafael-249811-249811.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.hoy.com.ec\/noticias-ecuador\/anne-dolida-por-mentiras-contra-su-esposo-rafael-249811-249811.html<\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.eluniverso.com\/2006\/10\/27\/0001\/8\/A893156F3D7B4E88A5F3ACB8F517F3EB.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eluniverso.com\/2006\/10\/27\/0001\/8\/A893156F3D7B4E88A5F3ACB8F517F3EB.html<\/a><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Preocupa sob maneira, &nbsp;as notas divulgadas pela <em>Comisi&oacute;n de Contr&oacute;l C&iacute;vico contra La Corrupci&oacute;n &nbsp;(CCCC<\/em>) equatoriano indicativas de que os observadores enviados pela OEA para acompanhar as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais no Equador, estavam em perfeita sintonia com o &ldquo;cons&oacute;rcio brasileiro&rdquo;, pois n&atilde;o fosse a imunidade diplom&aacute;tica teriam sofrido das mesmas san&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Sob todos os &acirc;ngulos que se avalie, as duas empresas que restam no certame 076\/2009, n&atilde;o lograram &ecirc;xito em tarefas similares, mas mesmo assim continuam aptas para o processo eleitoral nacional o que toma relev&acirc;ncia ante os termos do disposto no &sect; 3&ordm;, do art. 3&ordm;, da Lei 8.248\/91, bem como no artigo 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&atilde;o deve ser esquecido que em 2005, a segunda empresa citada, foi &nbsp;beneficiada com mais 5 anos de contrato com a Justi&ccedil;a Eleitoral, para fornecimento de m&atilde;o-de-obra, &nbsp;quanto ainda era Secret&aacute;rio de Inform&aacute;tica um dos &ldquo;executivos extra oficiais&rdquo; levado ao Equador.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Noutro benef&iacute;cio extra-legal, foi-lhe disponibilizada uma sala no andar t&eacute;rreo do pr&eacute;dio do TSE com direito &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de uma placa de identifica&ccedil;&atilde;o exclusiva como se l&aacute; fosse seu escrit&oacute;rio particular, inobstante dentro de um pr&eacute;dio da Uni&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Exacerbado pragmatismo conjugado com os fatos declinados, levaria a questionar &nbsp;se a mesma chave que abriu as portas do Equador poderia aplicar e se coadunar com o princ&iacute;pio da impessoalidade, obrigat&oacute;rio em qualquer licita&ccedil;&atilde;o. A resposta vir&aacute; com o resultado que ser&aacute; divulgado. &nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Enquanto isso, &nbsp;para aprimorar as convic&ccedil;&otilde;es pessoais fa&ccedil;amos uma reflex&atilde;o utilizando o norte do artigo 37 da carta magna brasileira com o privil&eacute;gio da idoneidade administrativa para avaliar as situa&ccedil;&otilde;es postas com as licita&ccedil;&otilde;es em andamento na Justi&ccedil;a Eleitoral.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Como exemplo, &nbsp;tomemos a licita&ccedil;&atilde;o 76\/09 aberta para compra de 250 mil novas urnas biom&eacute;tricas quando h&aacute; &nbsp;necessidade de apenas 15 mil e o TSE j&aacute; possui seis vezes mais ou seja 83 mil.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ou ainda: o TSE em maio de 2009 ter descartado quase 1 milh&atilde;o de disquetes e atrav&eacute;s da licita&ccedil;&atilde;o 118\/09 estar comprando em dezembro 1,16 milh&atilde;o deles. Comprar 1,1 milh&atilde;o de disquetes amarelos se apenas 200 mil urnas os utilizar&atilde;o (um por urna) em 2010. Contratar a manuten&ccedil;&atilde;o de 340 mil urnas pela licita&ccedil;&atilde;o 105\/09 se 200 mil delas n&atilde;o ser&atilde;o mais utilizadas em elei&ccedil;&otilde;es oficiais.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Por certo a especificidade das licita&ccedil;&otilde;es feitas pelo TSE para&nbsp; compras e servi&ccedil;os, deve guardar coer&ecirc;ncia e limites principiologicamente previstos nas v&aacute;rias figuras do artigo 37 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal perfeitamente compat&iacute;vel com a seguran&ccedil;a, lisura e import&acirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o que exerce nos des&iacute;gnios da nossa democracia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>MARIA APARECIDA CORTIZ<\/div>\n<div>ADVOGADA ESPECIALISTA EM<\/div>\n<div>AUDITORIA DO PROCESSO ELEITORAL<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APLICA&Ccedil;&Atilde;O DA LEI DE LICITA&Ccedil;&Otilde;ES NO PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO &nbsp; A compra atrav&eacute;s de licita&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os de inform&aacute;tica, vem merecendo constantes aprimoramentos legislativos, ante a necessidade de regras espec&iacute;ficas para respaldar a atividade da administra&ccedil;&atilde;o. Nesse &nbsp;escopo est&atilde;o inclu&iacute;das as licita&ccedil;&otilde;es da Justi&ccedil;a Eleitoral.&nbsp;&nbsp; Al&eacute;m da Lei n&ordm; 8.666\/93, Estatuto da Licita&ccedil;&atilde;o&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1584],"tags":[],"class_list":["post-51805","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51805"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51805\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52036,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51805\/revisions\/52036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}