{"id":51802,"date":"2009-11-16T20:20:51","date_gmt":"2009-11-16T20:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/spreads-de-quem-e-a-acomodacao\/"},"modified":"2017-01-16T09:50:26","modified_gmt":"2017-01-16T11:50:26","slug":"spreads-de-quem-e-a-acomodacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/spreads-de-quem-e-a-acomodacao\/","title":{"rendered":"&#8220;Spreads&#8221;: de quem \u00e9 a acomoda\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Cremos que a acomoda&ccedil;&atilde;o &agrave; qual eles se referem n&atilde;o &eacute; dos bancos, mas dos gestores das pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas vigentes <\/p>\n<p>ESTA FOLHA publicou, no dia 4\/ 11, artigo intitulado &#8220;Uma d&iacute;vida do sistema banc&aacute;rio com o Brasil&#8221;, de autoria dos deputados federais do PT Cl&aacute;udio Vignatti (SC), Pedro Eug&ecirc;nio (PE) e Ricardo Berzoini (SP). <br \/>No artigo, eles afirmam que &#8220;os &#8220;spreads&#8221; banc&aacute;rios cobrados pelos bancos t&ecirc;m sido um dos fatores limitantes do crescimento do nosso pa&iacute;s&#8221;. <br \/>Citam estudo do Ipea sobre as transforma&ccedil;&otilde;es recentes na ind&uacute;stria banc&aacute;ria e relacionam as medidas adotadas pelo governo para viabilizar a amplia&ccedil;&atilde;o da oferta de cr&eacute;dito. Por fim, revelam a tramita&ccedil;&atilde;o do projeto de lei n&ordm; 5.258\/09, que estabelece um sistema de metas para a margem banc&aacute;ria. <br \/>O que faltou ser esclarecido pelos parlamentares foram os motivos pelos quais os bancos atuaram nos &uacute;ltimos 15 anos com tanta desenvoltura sem ter, dos bancos p&uacute;blicos, do Banco Central ou do Minist&eacute;rio da Fazenda, nenhum tipo de contrapeso nos &#8220;spreads&#8221; que esses bancos cobram e na aplica&ccedil;&atilde;o dos compuls&oacute;rios que receberam do Banco Central na crise. <br \/>Cremos que a acomoda&ccedil;&atilde;o &agrave; qual se referem os autores n&atilde;o &eacute; dos bancos, mas dos gestores das pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas vigentes. <br \/>O impacto dos &#8220;spreads&#8221; banc&aacute;rios como fator limitante do desenvolvimento, convenhamos, &eacute; brando se comparado com o comprometimento que se imp&otilde;e ao Tesouro Nacional com os servi&ccedil;os e as amortiza&ccedil;&otilde;es da d&iacute;vida p&uacute;blica, sem nenhum discernimento sobre a natureza dessa d&iacute;vida. <br \/>Vale registrar outro estudo do Ipea, de 12\/11\/08, que revela a desigualdade na parti&ccedil;&atilde;o da riqueza nacional entre os ganhos com o trabalho e os com a propriedade. Segundo o estudo, o pa&iacute;s pagou R$ 1,267 trilh&atilde;o de juros da d&iacute;vida p&uacute;blica e apenas gastos federais de R$ 98 bilh&otilde;es em investimentos, desembolsando ainda R$ 315 bilh&otilde;es em sa&uacute;de e R$ 149 bilh&otilde;es em educa&ccedil;&atilde;o (comunicado 14 do Ipea). <br \/>Por esses n&uacute;meros, vale tudo para arrancar do Tesouro -ali&aacute;s, da sociedade- a multiplica&ccedil;&atilde;o de ativos aplicados em t&iacute;tulos da d&iacute;vida mobili&aacute;ria, assunto que continua coberto por um manto dogm&aacute;tico, barreira intranspon&iacute;vel para que se possa tratar da d&iacute;vida e do endividamento de maneira soberana. <br \/>Ora, como faz&ecirc;-lo se as autoridades fazend&aacute;rias e monet&aacute;rias n&atilde;o exercem suas responsabilidades? O Banco Central vem praticando pol&iacute;ticas monet&aacute;rias e cambiais que se contentam com a estabilidade da moeda, dando as costas ao emprego e ao crescimento econ&ocirc;mico. <br \/>Os autores do artigo citado se esqueceram de explicar as raz&otilde;es pelas quais o governo liberou compuls&oacute;rios sem vincular sua aplica&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito. <br \/>Sem esse &#8220;por&eacute;m&#8221;, os bancos aplicaram essas disponibilidades em t&iacute;tulos da d&iacute;vida mobili&aacute;ria, num aut&ecirc;ntico drible &agrave;s boas inten&ccedil;&otilde;es do BC. <br \/>Quanto &agrave; indexa&ccedil;&atilde;o da Selic aos t&iacute;tulos, n&atilde;o s&atilde;o os bancos que estabelecem esse atrelamento. &Eacute; o Tesouro Nacional que mant&eacute;m essa indexa&ccedil;&atilde;o. Por que eles n&atilde;o explicam isso? <br \/>Bancos nacionais, alguns deles p&uacute;blicos, mant&ecirc;m R$ 380 bilh&otilde;es aplicados em t&iacute;tulos da d&iacute;vida mobili&aacute;ria, parte de suas pr&oacute;prias carteiras, e n&atilde;o de terceiros, segundo exposto pelo secret&aacute;rio nacional do Tesouro, Arno Augustin, na CPI da D&iacute;vida P&uacute;blica. <br \/>Essa liberalidade, concedida pelas autoridades do Tesouro, estimula o neg&oacute;cio com a d&iacute;vida mobili&aacute;ria &#8220;selicada&#8221; e afronta os objetivos previstos para o sistema financeiro nacional no artigo 192 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, segundo a qual ele deve estar &#8220;estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do pa&iacute;s e a servir aos interesses da coletividade&#8221;. <br \/>Quem estabelece taxas atraentes? Quem sustenta a rela&ccedil;&atilde;o trinomial entre pol&iacute;tica fiscal, monet&aacute;ria e cambial, sen&atilde;o a dupla Tesouro Nacional e Banco Central? De qual governo? <br \/>Nem parece que um dos autores do artigo &eacute; presidente nacional do PT, opositor de muitas dessas medidas na era FHC. <br \/>Bancos n&atilde;o s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es autonomizadas. Devem seguir diretrizes gerais que associem o cr&eacute;dito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e ao investimento, indo na dire&ccedil;&atilde;o do pleno emprego. <br \/>Onde est&aacute; a autoridade fazend&aacute;ria que n&atilde;o submete os Bancos do Brasil e Caixa a uma agressiva pol&iacute;tica de competi&ccedil;&atilde;o em torno dos &#8220;spreads&#8221;? <br \/>Com sua capacidade de alavancar cr&eacute;dito, duvidamos que essa atitude n&atilde;o for&ccedil;aria os bancos privados a mudar de estrat&eacute;gia. <br \/>A sociedade espera que as autoridades econ&ocirc;micas e monet&aacute;rias assumam suas tarefas constitucionais e decidam pela converg&ecirc;ncia entre pol&iacute;ticas de cr&eacute;dito e desenvolvimento. <\/p>\n<p>PAULO RUBEM SANTIAGO , deputado federal pelo PDT-PE, &eacute; vice-l&iacute;der do seu partido e titular da CPI da D&iacute;vida P&uacute;blica.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cremos que a acomoda&ccedil;&atilde;o &agrave; qual eles se referem n&atilde;o &eacute; dos bancos, mas dos gestores das pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas vigentes ESTA FOLHA publicou, no dia 4\/ 11, artigo intitulado &#8220;Uma d&iacute;vida do sistema banc&aacute;rio com o Brasil&#8221;, de autoria dos deputados federais do PT Cl&aacute;udio Vignatti (SC), Pedro Eug&ecirc;nio (PE) e Ricardo Berzoini (SP). No&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1584],"tags":[],"class_list":["post-51802","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51802"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52039,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51802\/revisions\/52039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}