{"id":51800,"date":"2010-11-15T20:20:51","date_gmt":"2010-11-15T20:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/blecaute\/"},"modified":"2017-01-16T09:51:03","modified_gmt":"2017-01-16T11:51:03","slug":"blecaute","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/blecaute\/","title":{"rendered":"Blecaute"},"content":{"rendered":"<p><span><\/p>\n<p><strong><em>&#8220;N&atilde;o h&aacute; sistema tecnol&oacute;gico sem falhas. Mas o sistema interligado &eacute; inteligente, pois otimiza o uso da gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica &#8220;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>AINDA PAIRAM algumas d&uacute;vidas sobre o blecaute que atingiu v&aacute;rios Estados brasileiros, mais drasticamente S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; preciso esclarecer, por&eacute;m, que o ocorrido na ter&ccedil;a-feira foi totalmente diferente do chamado apag&atilde;o de 2001, quando o governo decretou um racionamento obrigat&oacute;rio de energia el&eacute;trica para toda a popula&ccedil;&atilde;o, sob pena de desligamento de resid&ecirc;ncia ou empresa por alguns dias caso n&atilde;o fosse cumprido o corte no consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela ocasi&atilde;o, havia falta de energia para atender a demanda, pois esta vinha crescendo mais rapidamente do que a capacidade instalada no pa&iacute;s. Enquanto houve chuvas suficientes para a gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica, o sistema funcionou e o problema foi adiado. Quando as chuvas se reduziram, os reservat&oacute;rios estavam vazios e faltou energia no sistema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alertei o ent&atilde;o presidente Fernando Henrique Cardoso por uma carta, como coordenador do Instituto Virtual da Coppe\/UFRJ, e cheguei a conversar com Jos&eacute; Jorge, &agrave; &eacute;poca ministro de Minas e Energia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele caso, houve falta de investimento. As estatais el&eacute;tricas, a come&ccedil;ar pela Eletrobr&aacute;s, reduziram seus investimentos, pois aguardavam a privatiza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; as empresas privatizadas, a maioria delas distribuidoras nos Estados, pouco investiram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema da &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira tem mais semelhan&ccedil;a com o blecaute de 1999, que tamb&eacute;m desligou S&atilde;o Paulo e muitas outras cidades, algumas por muito mais horas do que o recente incidente. Aquele problema se originou em uma subesta&ccedil;&atilde;o de transformadores em Bauru (SP), causado por uma sobretens&atilde;o el&eacute;trica supostamente devida a um raio que atingiu a linha de transmiss&atilde;o a muitos quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia e se propagou at&eacute; a subesta&ccedil;&atilde;o -que deveria estar protegida. Como n&atilde;o estava, o sistema falhou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que ocorreu nesta semana foi a interrup&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s linhas que trazem a energia de Itaipu ao Sudeste, acarretando o desligamento de todas as turbinas da usina e causando o desligamento de v&aacute;rias outras linhas em cascata. Da&iacute; a propaga&ccedil;&atilde;o do blecaute ter atingido tantas cidades. O efeito &eacute; como uma s&eacute;rie de pedras de domin&oacute; que caem uma por cima da outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desligamento das linhas em sobretens&atilde;o &eacute; correto, pois as protege e evita danos a equipamentos e perdas de transformadores por sobrecarga. Portanto, o desligamento autom&aacute;tico das linhas de transmiss&atilde;o &eacute; inevit&aacute;vel em certos casos cr&iacute;ticos como o de agora. Os efeitos seriam muito piores se o desligamento n&atilde;o ocorresse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, algumas quest&otilde;es ainda precisam ser respondias. A primeira delas &eacute; o que causou a sobrecarga. Uma hip&oacute;tese aventada &eacute; que raios tenham causado tudo isso. Tr&ecirc;s linhas sofreram colapso, embora todas sejam protegidas por para-raios, que s&atilde;o fios paralelos ao longo das linhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Talvez uma delas tenha sido atingida, a sobretens&atilde;o tenha se propagado indevidamente para dentro da subesta&ccedil;&atilde;o em que as outras tamb&eacute;m tenham sido afetadas. &Eacute; uma hip&oacute;tese.<\/p>\n<p>Como evitar a repeti&ccedil;&atilde;o de blecautes? N&atilde;o h&aacute; sistema tecnol&oacute;gico com 0% de falhas. O que pode ser feito &eacute; minimiz&aacute;-las, tanto na frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncias desse tipo como na gravidade delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eliminar o uso da transmiss&atilde;o de longa dist&acirc;ncia seria uma bobagem, pois o Brasil &eacute; uma Ar&aacute;bia Saudita hidrel&eacute;trica. Integrando em um longo tempo a energia que se pode obter do potencial hidrel&eacute;trico brasileiro, o resultado &eacute; maior que a energia do petr&oacute;leo do pr&eacute;-sal. O sistema interligado &eacute; inteligente, pois otimiza o uso da gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica, complementada por outras fontes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma proposta que tem sido recentemente estudada em todo o mundo &eacute; o de redes el&eacute;tricas inteligentes, ou seja, fazer uma gest&atilde;o melhor das redes para diminuir incertezas, evitar problemas de pico de tens&atilde;o e falhas, com um sistema de controle ponto a ponto ao longo das redes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, Nova York sofreu um blecaute em 2003 que, sob certos aspectos, foi mais grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; poucos meses, o professor Pravin Varaiya, da Universidade da Calif&oacute;rnia, em Berkeley, esteve no Programa de Planejamento Energ&eacute;tico da Coppe para participar de um semin&aacute;rio sobre essas redes inteligentes de energia el&eacute;trica. Mas os estudos ainda precisam avan&ccedil;ar, inclusive para prevenir vulnerabilidades como o acesso indevido &agrave; rede por hackers.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se mostrou vulner&aacute;vel aqui no nosso caso foi a enorme extens&atilde;o da &aacute;rea atingida e a grande popula&ccedil;&atilde;o que sofreu as consequ&ecirc;ncias, pois n&atilde;o se conseguiu ilhar a propaga&ccedil;&atilde;o do efeito para circunscrever suas consequ&ecirc;ncias a uma regi&atilde;o menor. &Eacute; necess&aacute;rio apurar os fatos para corrigir as falhas e aperfei&ccedil;oar o sistema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>LUIZ PINGUELLI ROSA , 67, f&iacute;sico, &eacute; diretor da Coppe-UFRJ (Coordena&ccedil;&atilde;o dos Programas de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e secret&aacute;rio do F&oacute;rum Brasileiro de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas. Foi presidente da Eletrobr&aacute;s (2003-04).<\/em><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N&atilde;o h&aacute; sistema tecnol&oacute;gico sem falhas. 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