{"id":51795,"date":"2009-09-16T21:20:51","date_gmt":"2009-09-16T21:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/a-crise-do-capitalismo\/"},"modified":"2017-01-16T09:53:01","modified_gmt":"2017-01-16T11:53:01","slug":"a-crise-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/a-crise-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"A Crise do Capitalismo"},"content":{"rendered":"<p>O capitalismo tem crises c&iacute;clicas curtas, m&eacute;dias e longas, cada uma com conflitos profundos e descontroles violentos, resultado das suas contradi&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Nicolai Kondratieff, economista russo, ensina que os ciclos longos s&atilde;o catastr&oacute;ficos, pois as estruturas do modelo econ&ocirc;mico s&atilde;o atingidas por fatores de perturba&ccedil;&atilde;o total. A crise de 1929 &ndash; Depress&atilde;o Econ&ocirc;mica &ndash; marcou o fim de um ciclo de terr&iacute;veis consequ&ecirc;ncias, n&atilde;o apenas nos setores financeiros, mas, principalmente, no produtivo. <\/p>\n<p>A crise que estourou com a explos&atilde;o da bolha financeira, em setembro de 2008 ,em Wall Street, &eacute; maior, em extens&atilde;o e profundidade do que a Depress&atilde;o Econ&ocirc;mica de 1929, pois, se configura uma crise globalizada, provocada por Bancos Americanos. <\/p>\n<p>Na verdade, a moeda, criada para substituir o escambo, deveria guardar, mais ou menos, o valor do produto. As deforma&ccedil;&otilde;es impostas pelo sistema financeiro nacional e internacional, especulativo e vol&aacute;til, transformaram o dinheiro numa mercadoria, que no mundo dos neg&oacute;cios, do cr&eacute;dito, dos bancos e das bolsas de valores, geram rentabilidade mil vezes superior aos investimentos feitos na economia real &#8211; a &aacute;rea produtiva, pecu&aacute;ria, agricultura, industria, comercio,e servi&ccedil;os. <\/p>\n<p>S&oacute; para se ter uma id&eacute;ia, em 1980, os ativos financeiros do mundo eram de 12 trilh&otilde;es de d&oacute;lares; em 2006, chegaram a 170 trilh&otilde;es de d&oacute;lares, com uma lucratividade de 1300% . <\/p>\n<p>Em 1980, o PIB,do setor produtivo, da economia real do mundo, era de 10 trilh&otilde;es de d&oacute;lares, em 2006. Passou para 48 trilh&otilde;es de d&oacute;lares, com crescimento de 348%. &ldquo;Houve um formid&aacute;vel desenvolvimento financeiro, em que o sistema banc&aacute;rio recebia UR$ 1.000 e, a partir da especula&ccedil;&atilde;o com derivativos, empr&eacute;stimos e refinanciamentos, punha em circula&ccedil;&atilde;o para o consumo UR$ 6.000- &#8211; isso sem nenhuma materialidade.. Tudo repousa sobre um sistema de papeis sem lastro, que pode levar a quebradeira&rdquo;, relata Alain Touraine soci&oacute;logo e escritor franc&ecirc;s. <\/p>\n<p>A Bolha furou &#8211; As causas dessa crise econ&ocirc;mico-financeira vem do monetarismo neoliberal, de Milton Friedman, principal te&oacute;rico da Escola Monetarista, para o qual a provis&atilde;o de dinheiro &eacute; o fator central de controle do desenvolvimento econ&ocirc;mico da escola de Chicago. <\/p>\n<p>Friedrich Hayek, economista austr&iacute;aco, da corrente neoliberal contr&aacute;ria a qualquer interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia, &eacute; outro que, como Milton Friedman, Roberto Campos, Mario Henrique Simonsen (estes dois &uacute;ltimos brasileiros) defenderam a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica do neoliberalismo, do &ldquo;deixa fazer, deixa passar&rdquo; ou laissez faire, laissez passer. <\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia de Bretton Woods aprovou o programa monet&aacute;rio e financeiro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em 1944, em New Hampshire &ndash; EUA, para planejar a estabiliza&ccedil;&atilde;o da economia internacional e das moedas nacionais prejudicadas pela Segunda Guerra Mundial. Resultou dela a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstru&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento [ BIRD ], programa para a defesa das na&ccedil;&otilde;es ricas. O ingl&ecirc;s John Maynard Keynes, que assessorou o Presidente Franklin Roosevelt, no grande programa que enfrentou a Depress&atilde;o de 29, o New Deal, ou Grande Pacto, n&atilde;o concordou com as decis&otilde;es de Bretton Woods. <\/p>\n<p>Ronald Reagan e Margareth Teacher , a partir de 1980 assumem o monetarismo, Consenso de Washington, e o neoliberalismo. Era o novo modelo econ&ocirc;mico que, com liberdade absoluta de mercado, panac&eacute;ia para todos os males, prometia resolver todos os problemas econ&ocirc;micos e financeiros do planeta. A determina&ccedil;&atilde;o neoliberal era promover, em todos os pa&iacute;ses, as privatiza&ccedil;&otilde;es, a abertura do mercado interno, a flexibiliza&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o livres, protecionismo, tarifas alfandeg&aacute;rias exorbitantes &Eacute; globaliza&ccedil;&atilde;o total. <\/p>\n<p>O mercado virou o senhor todo-poderoso capaz de resolver todos os problemas da humanidade, com aquisi&ccedil;&atilde;o de empresas, fus&otilde;es de grandes corpora&ccedil;&otilde;es, multinacionais e transnacionais, mas acabaram fragilizando as economias nacionais. <\/p>\n<p>As promessas de gera&ccedil;&atilde;o de emprego, de renda, de riqueza, a paz social, como martelava o pensamento &uacute;nico do capitalismo neoliberal, foram todas para o espa&ccedil;o. <\/p>\n<p>Francis Fukuiama, cientista pol&iacute;tico, corrobora o assalto do neoliberalismo, com o livro &lsquo;Fim da Historia&rsquo;. <\/p>\n<p>E tudo terminou mal. O neoliberalismo naufragou, assim como ru&iacute;ram o muro de Berlim e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &#8211; um mundo novo para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa. E isto porque parte da sua ideologia era fic&ccedil;&atilde;o, ilusionismo puro que comoveu a humanidade e convenceu parte da juventude. O neoliberalismo, a livre economia de mercado, o pensamento &uacute;nico, o fim da historia e o consenso de Washington derreteram diante da amarga realidade dos povos, criada pela gan&acirc;ncia dos ricos, respons&aacute;veis pela crise do sistema financeiro. <\/p>\n<p>Os dirigentes dos pa&iacute;ses tentam estancar os efeitos da cat&aacute;strofe, distribuindo trilh&otilde;es de d&oacute;lares para todos, inclusive para, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, a aquisi&ccedil;&atilde;o de papeis podres- ativos t&oacute;xicos, sem valor nenhum. <\/p>\n<p>&Eacute; inacredit&aacute;vel que o governo americano e as institui&ccedil;&otilde;es de controle do sistema financeiro, como o Banco Central &#8211; Federal Reserve, &agrave; frente seu atual presidente Ben Bernanke e o ex-presidente Alan Greenspan, tenham convivido, mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas,com um processo de degenera&ccedil;&atilde;o, fundado na especula&ccedil;&atilde;o, corrup&ccedil;&atilde;o e sonega&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro de Wall Street. <\/p>\n<p>Um dia quando lhe mostraram os fabulosos &iacute;ndices do NASDAQ, a Bolsa Americana para a Inform&aacute;tica, refletidos na exorbit&acirc;ncia dos lucros do setor, Alan Greenspan confessou: &ldquo;&Eacute; uma exuber&acirc;ncia irracional.&rdquo; Foi uma monumental farra com o dinheiro dos povos. <\/p>\n<p>Dessemprego &#8211; Para evitar a derrocada total do sistema, as autoridades utilizam-se de trilh&otilde;es de d&oacute;lares dos contribuintes, para salvar os bancos, corretoras, seguradoras e fundos de pens&atilde;o, com a compra de papeis podres, resultado dos crimes praticados contra a humanidade. A bolha rebentou, a jogatina terminou. Las Vegas apagou, mas, impregnou de medo a alma coletiva da humanidade que n&atilde;o sabe o que vem pela frente. O cr&eacute;dito &eacute; o motor do capitalismo, o estouro da bolha financeira provocou o engessamento desse meio de pagamento. <\/p>\n<p>Agentes sociais, sindicatos, associa&ccedil;&otilde;es, ONGs Universidades, trabalhadores do campo e da cidade que foram dramaticamente atingidos pelo desemprego &#8211; trag&eacute;dia do s&eacute;culo &ndash; demonstram sua indigna&ccedil;&atilde;o e protesto contra aqueles que cometeram o crime no sistema financeiro, beneficiando os ricos, os apostadores, os investidores na desonesta especula&ccedil;&atilde;o financeira nacional e internacional, especulativa e vol&aacute;til. <\/p>\n<p>Houve, na verdade, a socializa&ccedil;&atilde;o das perdas e a privatiza&ccedil;&atilde;o dos ganhos. <\/p>\n<p>&ldquo;O Capital, de Marx era, com freq&uuml;&ecirc;ncia, chamado, no continente europeu, de a B&iacute;blia da Classe Operaria. As conclus&otilde;es extra&iacute;das dessa obra se tornam os princ&iacute;pios fundamentais do grande movimento da classe trabalhadora&#8230; Enquanto isso, cada novo inverno volta a suscitar a grande quest&atilde;o: O que fazer com os desempregados,? N&atilde;o existe ningu&eacute;m para responder a essa pergunta e quase podemos calcular o instante em que os desempregados, perdendo a paci&ecirc;ncia, tomar&atilde;o seu destino nas pr&oacute;prias m&atilde;os&rdquo;, disse Frederick Engels, em1886. Ainda hoje, quando o desemprego atinge o trabalhador, pergunta-se o que fazer com o desempregado? Ningu&eacute;m responde a essa pergunta. <\/p>\n<p>E o que pode o desempregado fazer para manter sua sobreviv&ecirc;ncia, com alguma dignidade? <\/p>\n<p>No capitalismo, o desemprego &eacute; estrutural ou conjuntural, O primeiro ocorre na substitui&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra qualificada ou n&atilde;o, pelo trator, pela colheitadeira, no campo, pela robotiza&ccedil;&atilde;o, na industria; e o segundo, pelas crises de produ&ccedil;&atilde;o na economia. A retomada do desenvolvimento econ&ocirc;mico pode resolver o desemprego conjuntural, mas, o desemprego estrutural n&atilde;o tem solu&ccedil;&atilde;o. O sonho do pleno emprego desapareceu. <\/p>\n<p>&Agrave; medida que a revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica avan&ccedil;a, elimina o emprego, cresce o desemprego estrutural. O desempregado bate de porta em porta, no mercado de trabalho, pedindo emprego e ouve a terr&iacute;vel resposta: n&atilde;o h&aacute; vagas, n&atilde;o h&aacute; vagas. &Eacute; jogado na informalidade, vai para o biscate e, muitas vezes, para o desespero. <\/p>\n<p>A renda m&iacute;nima, garantida pelo Estado, pode ser a &uacute;nica medida para amenizar a mis&eacute;ria de milh&otilde;es de trabalhadores sem emprego. Para impedir que passem fome, morem em casebres ou na rua e aumentem o exercito de exclu&iacute;dos. <\/p>\n<p>O capitalismo neoliberal morreu. o mercado livre derreteu. &Eacute; evidente, por muito tempo, as na&ccedil;&otilde;es v&atilde;o sofrer as conseqe&ecirc;ncias dessa d&eacute;b&acirc;cle. O dif&iacute;cil &eacute; tirar da cabe&ccedil;a de alguns segmentos o pensamento neoliberal, o pensamento &uacute;nico. S&atilde;o apaixonados pela trapa&ccedil;a do maior lucro, no menor tempo, com o menor risco. <\/p>\n<p>Mudan&ccedil;a radical &#8211; Uma radical mudan&ccedil;a pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, social, cientifica, tecnol&oacute;gica e ambiental tem que, com urg&ecirc;ncia, ser implantada, no mundo, sob pena de diante de tudo o que esta acontecendo de estarrecedor sobrar apenas os escombros da destrui&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A economia global &eacute; dirigida pelas multinacionais e transnacionais. Estas disp&otilde;em de um sistema informativo e de lobby poderosos, com os quais conseguem aprimorar sua pol&iacute;tica. Al&eacute;m disso, a trama de seus neg&oacute;cios &eacute; t&atilde;o emaranhada, que pouca gente &eacute; capaz de descobrir o fio da meada, pois det&eacute;m um poder econ&ocirc;mico sem precedentes. De acordo com a publica&ccedil;&atilde;o alem&atilde; Der Spiegel, as vinte maiores empresas mundiais, das quais fazem parte a Mitsubishi, Royal Dutch\/Shell e a Daimler Benz, tem uma receita superior a soma das economias dos oitenta pa&iacute;ses mais pobres. <\/p>\n<p>Para definir uma tend&ecirc;ncia da economia atual, Edward Lutwak, famoso especialista de estrat&eacute;gia pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, cunhou o termo &lsquo;turbo capitalismo&rsquo;, ou mercado financeiro. <\/p>\n<p>Repetem 29 &#8211; N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel conviver num clima de permanente espolia&ccedil;&atilde;o da humanidade, em que alguns poucos podem tudo e as maiorias muito pouco ou quase nada. As medidas tomadas pelos dirigentes do mundo, pa&iacute;ses ricos e emergentes, para resolver os graves problemas da crise financeira, despejando trilh&otilde;es de d&oacute;lares para socorrer as institui&ccedil;&otilde;es afetadas pela cat&aacute;strofe, n&atilde;o passam de meros paliativos. Querem estancar a f&uacute;ria da sangria derramada, como um vagalh&atilde;o, esvaziando as veias do modelo econ&ocirc;mico neoliberal. Essas medidas repetem tudo o que foi feito em 1929; os mesmos m&eacute;todos, comiss&otilde;es, institui&ccedil;&otilde;es, t&eacute;cnicos, analistas,especialistas e executivos que provocaram a crise, recebendo b&ocirc;nus de milh&otilde;es de d&oacute;lares, s&atilde;o nomeados para a miss&atilde;o de recuperar e restaurar o sistema financeiro nacional e internacional, especulativo e vol&aacute;til. <\/p>\n<p>O F&oacute;rum Econ&ocirc;mico de Davos, na Su&iacute;&ccedil;a e o F&oacute;rum Social Mundial, em, Bel&eacute;m, do Par&aacute; realizaram encontros, em plena crise de Wall Street. O conservadorismo e a direita de um lado, e, de outro, a esquerda e progressistas, n&atilde;o examinaram as verdadeiras causas da crise . N&atilde;o apontaram um modelo econ&ocirc;mico capitalista para substituir o neoliberalismo. A reuni&atilde;o do Grupo dos Vinte, do qual o Brasil faz parte, no dia 2\/4\/2009, em Londres, produziu, algumas medidas necess&aacute;rias para estancar os efeitos da crise, mas revelaram-se depois apenas paliativos financeiros para revitalizar o velho modelo econ&ocirc;mico. <\/p>\n<p>N&atilde;o v&atilde;o criar uma nova arquitetura econ&ocirc;mica e financeira capitalista, onde houvesse algum equil&iacute;brio entre os diversos fatores que entram no custo da produ&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; admiss&iacute;vel que o sistema financeiro, isolado ou associado a multinacionais ou transnacionais e as na&ccedil;&otilde;es desenvolvidas, continuem a exercer o total dom&iacute;nio sobre as na&ccedil;&otilde;es emergentes, subdesenvolvidas, sobre setores produtivos da pecu&aacute;ria,da agricultura, da ind&uacute;stria, do com&eacute;rcio e servi&ccedil;os. <\/p>\n<p>O protecionismo &eacute; o instrumento usado pelas na&ccedil;&otilde;es ricas para o exerc&iacute;cio desse poder. <\/p>\n<p>O Sistema Financeiro nacional e internacional, especulativo e vol&aacute;til est&aacute; nas bolsas de valores, nos bancos comerciais e de investimentos, nas seguradoras e corretoras e nos bancos centrais. E os bancos centrais. Al&eacute;m da emiss&atilde;o de moeda sem lastro e de letras do tesouro, qual &eacute; o seu papel no monetarismo neoliberal globalizado? Quais os fundamentos institucionais que lhe asseguram o direito &agrave; autonomia total, &agrave; independ&ecirc;ncia plena dentro dos estados nacionais? <\/p>\n<p>Os partidos vencem elei&ccedil;&otilde;es, conquistam a legitimidade para implantar uma plataforma de governo, proposta no plano pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e social, inclusive a taxa de juros, mas, n&atilde;o t&ecirc;m poder para modificar o sistema monet&aacute;rio, n&atilde;o podem baixar os juros. A compet&ecirc;ncia &eacute; exclusiva do Banco Central. Se quiser, pode aumentar ou reduzir a taxa de juros, em virtude da autonomia, na verdade, independ&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica a teoria &eacute; outra, em todo mundo os bancos centrais s&atilde;o aut&ocirc;nomos, inclusive, no Brasil. Em toda parte, a taxa de juros aproximam-se de zero, aqui, estamos ainda com um dos maiores juros do mundo: 8,75%. O juro &eacute; o pre&ccedil;o do dinheiro. Se o Pa&iacute;s tem a moeda mais cara do planeta, &eacute; evidente que todos os setores da economia e do consumo est&atilde;o sendo castigados. <\/p>\n<p>Os bancos centrais s&atilde;o gigantescas bombas de suc&ccedil;&atilde;o, instaladas nos estados nacionais para sugar as finan&ccedil;as, alimentar e realimentar o sistema financeiro nacional e internacional especulativo e vol&aacute;til, &Eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o transnacional, colocada acima da soberania das na&ccedil;&otilde;es. Cada BC &eacute; integrante de uma entidade banc&aacute;ria internacional, o BIS , Bank for International Settlements, que se re&uacute;ne na Basil&eacute;ia (Su&iacute;&ccedil;a). L&aacute; s&atilde;o definidos planos e programas objetivando a lucratividade do sistema financeiro universal, desvinculado da economia real. Ningu&eacute;m est&aacute; inventando historias, ao longo do tempo, foi assim: escravatura, feudalismo, capitalismo mercantil, capitalismo industrial, capitalismo financeiro. S&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es transnacionais, vinculadas ao BIS &ndash; Banco Central dos bancos centrais. <\/p>\n<p>Marco Regulat&oacute;rio &#8211; Agora mesmo, o presidente norte-americano Barack Obama escolheu, com alguma exce&ccedil;&atilde;o, ministros que integraram governos anteriores. Respons&aacute;veis pela crise do sistema financeiro s&atilde;o indicados para resolver a crise. Esse filme &eacute; antigo demais, &eacute; uma reforma para deixar tudo como est&aacute;. Foi assim em 1930. O Grupo dos Vinte n&atilde;o apresentou nada de novo, poucas medidas, apenas paliativos. A novidade &eacute; que todos concordaram em estatizar os preju&iacute;zos, fazendo interven&ccedil;&atilde;o com o dinheiro do povo, para evitar a decad&ecirc;ncia do sistema. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso m marco regulat&oacute;rio, fixando limites para os neg&oacute;cios das bolsas de valores, para o mercado financeiro, uma moderna estrutura econ&ocirc;mico-financeira para controlar os bancos. O Banco Central tem que ser submetido &aacute; soberania nacional. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso reprimir a especula&ccedil;&atilde;o imoral, o lucro il&iacute;cito e o juro extorsivo. Eliminar a corrup&ccedil;&atilde;o e combater a sonega&ccedil;&atilde;o. Se reduzir esses crimes pela metade, o Estado tem recursos para terminar com a mis&eacute;ria que est&aacute; destruindo, no m&iacute;nimo, 20% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p>Exagero, catastrofismo? &Eacute; s&oacute; verificar nas periferias, ir nas favelas, mocambos, casebres, malocas, e aldeias ind&iacute;genas. Sem saneamento b&aacute;sico, &aacute;gua, luz, esgoto e quase sempre sem alimenta&ccedil;&atilde;o adequada. Trago no corpo e na alma os sulcos profundos gerados nos confins da pobreza. <\/p>\n<p>Enquanto isto, Bernard Madoff, investidor de confian&ccedil;a do sistema, construiu uma pir&acirc;mide de fraude de 50 bilh&otilde;es de d&oacute;lares J&aacute; mencionamos os trilh&otilde;es de d&oacute;lares, do povo, despejados para salvar as institui&ccedil;&otilde;es deles. Com essa loucura, sacanagem diab&oacute;lica armada, conscientemente, pelos donos do poder, ficou marcado o fim de uma era de total e criminosa espolia&ccedil;&atilde;o da financeiriza&ccedil;&atilde;o do neoliberalismo. <\/p>\n<p>Como v&atilde;o ficar as dividas p&uacute;blicas das na&ccedil;&otilde;es? <\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o estatal &eacute; duramente questionada, mas os bancos centrais s&atilde;o p&uacute;blicos. A corrida armamentista, a conquista do espa&ccedil;o, ind&uacute;stria b&eacute;lica e as despesas com as for&ccedil;as armadas e com as guerras s&atilde;o defendidas pelo neoliberalismo liberalismo. Apesar das contundentes criticas sobre a volta do Estado &agrave; economia, ele nunca se retirou e os EUA s&atilde;o o maior exemplo disso. <\/p>\n<p>Os fundamentos doutrin&aacute;rios e ideol&oacute;gicos do Trabalhismo Brasileiro &ndash; do PDT &ndash; forjados pelo pensamento, vida e obra de Getulio Vargas, Jo&atilde;o Goulart, Alberto Pasqualini Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, comprovam que o trabalho, o capital e o Estado, juntos, em perfeito equil&iacute;brio, podem construir o desenvolvimento econ&ocirc;mico sustentado de um Pais. <\/p>\n<p>Na teoria e na pr&aacute;tica, o Trabalhismo- PDT &#8211; &eacute; uma concep&ccedil;&atilde;o sempre atual e moderna. de esquerda, progressista, que defende as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e sociais para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa. <\/p>\n<p>O desenvolvimento econ&ocirc;mico e social do Brasil, antes de 1964, em grande parte, foi realizado pelo Trabalhismo &ndash; PDT. &Eacute; uma velharia, dir&atilde;o os advers&aacute;rios, porem, s&oacute; para citar exemplos recentes, ningu&eacute;m pode desconhecer as realiza&ccedil;&otilde;es dos governos Brizola, 1982\/1995 e 1991\/1994, no Rio de Janeiro e do Collares,1991\/1995, no Rio Grande do Sul. Administra&ccedil;&otilde;es atuais, &eacute;ticas, competentes e modernas do mundo de hoje. <\/p>\n<p>O Trabalhismo &ndash; PDT &ndash; &eacute; um pensamento pol&iacute;tico em permanente evolu&ccedil;&atilde;o e mostrou que a interven&ccedil;&atilde;o estatal adequada foi utilizada para concretizar o crescimento econ&ocirc;mico com conquistas sociais dos trabalhadores. J&aacute; os pa&iacute;ses atingidos pela crise do sistema financeiro usam o Estado para impedir a fal&ecirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es neoliberais, com recursos p&uacute;blicos, dinheiro do povo, para tapar o rombo causado pela crise financeira. <\/p>\n<p>O Trabalhismo brasileiro &eacute; a &uacute;nica alternativa pol&iacute;tica para a substitui&ccedil;&atilde;o do modelo econ&ocirc;mico neoliberal. <\/p>\n<p>H&aacute; institui&ccedil;&otilde;es radicais que ainda n&atilde;o arquivaram o dilema Reforma ou Revolu&ccedil;&atilde;o e nutrem a convic&ccedil;&atilde;o de que podem chegar ao poder pela for&ccedil;a. Historicamente, est&aacute; mais do que provado, esse caminho n&atilde;o deu certo. <\/p>\n<p>Quem chega ao poder pela for&ccedil;a, nele somente permanece pela for&ccedil;a e dele sai pela for&ccedil;a. <\/p>\n<p>Nem o Estado m&iacute;nimo da economia de mercado pura, do pensamento &uacute;nico, do neoliberalismo, nem o Estado m&aacute;ximo do planejamento econ&ocirc;mico absoluto da ex-URSS, mas, sim o Estado forte da democracia, que existe quando h&aacute; mais de um partido e altern&acirc;ncia no poder. <\/p>\n<p>O mercado n&atilde;o pode substituir o Estado, nem o Estado pode substituir o mercado, no capitalismo, um n&atilde;o sobrevive sem o outro. Sem o Estado, a economia de mercado n&atilde;o existe . Enfim, a propriedade e o mercado geram assimetrias econ&ocirc;micas que cabe ao Estado compensar por meio de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de bem-estar-social, al&eacute;m de proibir o monop&oacute;lio, o oligop&oacute;lio, a carteliza&ccedil;&atilde;o e o dumping. <\/p>\n<p>Consciente ou inconscientemente, as massas, gra&ccedil;as &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e pol&iacute;tica, tomaram consci&ecirc;ncia dos seus direitos fundamentais: moradia, comida, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, seguran&ccedil;a, emprego. Se &eacute; verdade que o fim do ciclo neoliberal acabou, &eacute; tamb&eacute;m verdade que, essas massas fizeram uma revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e verde. ao eleger lideran&ccedil;as do povo na Argentina,no Uruguai, no Paraguai, no Chile, na Bol&iacute;via, na Venezuela, LULA, no Brasil e Barack Obama, nos EUA. <\/p>\n<p>As classes dominantes, elites e oligarquias, que na col&ocirc;nia, imp&eacute;rio e rep&uacute;blica tinham o poder absoluto, foram, democraticamente, afastadas do poder, pela primeira vez no continente americano. Diante de fatos hist&oacute;ricos que v&atilde;o exigir modifica&ccedil;&otilde;es amplas e profundas. <\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o vai exigir uma infra-estrutura e estruturas modernas e progressistas, organismos internacionais como a ONU, FMI, BIRD, OTAN e bancos comerciais e de investimentos e Bancos Centrais. Outros tamb&eacute;m v&atilde;o ser restruturados, como o grupo do Grupo dos Sete Pa&iacute;ses mais Ricos, o G-7, que agora evolui para o Grupo dos 20 (integrando na&ccedil;&otilde;es ricas e emergentes. <\/p>\n<p>&ldquo;Trata-se da domina&ccedil;&atilde;o ocidental. Os pa&iacute;ses, como os EUA &agrave; frente est&atilde;o perdendo o poder e a capacidade de decis&atilde;o, que est&aacute; se deslocando para as m&atilde;os da &Aacute;sia, em primeiro lugar, da China, do Jap&atilde;o e da Coreia. N&atilde;o &eacute; s&oacute; uma crise econ&ocirc;mica. Ela &eacute; uma crise geoecon&ocirc;mica e geopol&iacute;tica. A era Bush marcou o esgotamento do modelo hegem&ocirc;nico dos EUA, que j&aacute; tinha ficado evidente, na compra de enormes quantidades, de b&ocirc;nus do Tesouro americanos pelos chineses.&rdquo; Alain Touraine &ndash; Soci&oacute;logo e Escritor franc&ecirc;s. <\/p>\n<p>Alceu Collares &eacute; ex-governador do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, deputado federal e vereador. Atualmente, integra o Conselho Pol&iacute;tico do PDT. <\/p>\n<p>Alceu Collares &#8211; ex-deputado e ex-governador do Rio Grande do Sul<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O capitalismo tem crises c&iacute;clicas curtas, m&eacute;dias e longas, cada uma com conflitos profundos e descontroles violentos, resultado das suas contradi&ccedil;&otilde;es. Nicolai Kondratieff, economista russo, ensina que os ciclos longos s&atilde;o catastr&oacute;ficos, pois as estruturas do modelo econ&ocirc;mico s&atilde;o atingidas por fatores de perturba&ccedil;&atilde;o total. A crise de 1929 &ndash; Depress&atilde;o Econ&ocirc;mica &ndash; marcou o&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1584],"tags":[],"class_list":["post-51795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52045,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51795\/revisions\/52045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}