{"id":51693,"date":"2008-09-11T21:20:51","date_gmt":"2008-09-11T21:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/mercado-de-mentiras-e-sequestros\/"},"modified":"2017-01-16T09:50:25","modified_gmt":"2017-01-16T11:50:25","slug":"mercado-de-mentiras-e-sequestros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/mercado-de-mentiras-e-sequestros\/","title":{"rendered":"Mercado de mentiras e sequestros"},"content":{"rendered":"<p><span><\/p>\n<p><strong>Atendendo a pedidos do mercado, EUA estatizam quase metade do mercado de financiamento imobili&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O GOVERNO dos EUA estatizou quase metade do mercado de financiamento imobili&aacute;rio. N&atilde;o foi estatiza&ccedil;&atilde;o? Hum. O governo americano tem agora 80% das a&ccedil;&otilde;es preferenciais das duas maiores empresas do ramo, botou para fora seus diretores, nomeou os novos, cancelou os dividendos dos acionistas e, divertid&iacute;ssimo, as proibiu de fazer lobby no Congresso. Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatiza&ccedil;&atilde;o, certo? Antes de alguns detalhes, por&eacute;m, algumas conclus&otilde;es: 1. O governo Bush, &#8220;antiestatista&#8221;, termina com a maior interven&ccedil;&atilde;o do Estado na economia americana desde a Grande Depress&atilde;o dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lamban&ccedil;a financeira;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O governo procura evitar mais quebradeiras. Sim, este &eacute; um caso de &#8220;risco sist&ecirc;mico&#8221; -o risco de a quebra de institui&ccedil;&atilde;o financeira importante provocar um domin&oacute; de fal&ecirc;ncias que prejudica at&eacute; quem nada tem a ver com o pato. Mas o &#8220;racional&#8221; e &#8220;eficiente&#8221; mercado financeiro oligopolizado (&#8220;muito grande para quebrar&#8221;) tem o monop&oacute;lio da desculpa esfarrapada &#8220;t&eacute;cnica&#8221;. Merece o privil&eacute;gio sist&ecirc;mico de ser socorrido quando amea&ccedil;a todo o resto da economia, mas n&atilde;o paga por isso nos tempos de bonan&ccedil;a. O outro nome dessa desculpa, &#8220;risco sist&ecirc;mico&#8221;, &eacute; seq&uuml;estro: se voc&ecirc; n&atilde;o pagar o resgate, eu mato todo mundo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O mercadismo critica de boca cheia &#8220;institui&ccedil;&otilde;es capturadas por grupos de interesse&#8221;, os quais &#8220;politizam a gest&atilde;o econ&ocirc;mica em busca de rendas&#8221;. Vivem a dizer que &#8220;institui&ccedil;&otilde;es como bancos centrais e ag&ecirc;ncias&#8221; t&ecirc;m de ser &#8220;independentes&#8221; e &#8220;t&eacute;cnicas&#8221;, que o Estado n&atilde;o deve subsidiar empresas etc. Divertido &eacute; que, para essa gente, os &#8220;rent seekers&#8221;, os seq&uuml;estradores das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e devoradores de subs&iacute;dios e impostos, s&atilde;o sempre os outros -nunca a finan&ccedil;a. E agora? Ah, ah, ah. Mostrem-me um liberal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobili&aacute;rias do pa&iacute;s a fim de evitar que elas &#8220;desmoronassem&#8221;, como dizia ontem um ex-diretor do Banco Central americano. Freddie Mac e Fannie Mae, como s&atilde;o apelidadas, t&ecirc;m ou garantem US$ 5,6 trilh&otilde;es do mercado de d&iacute;vida imobili&aacute;ria americano, de US$ 12 trilh&otilde;es. Se quebrassem, poderia ocorrer um &#8220;tsunami financeiro&#8221;, como dizia na quinta Bill Gross, diretor do maior gestor de fundos de renda fixa do planeta, o Pimco (US$ 850 bilh&otilde;es). Gross pedia ainda que o governo dos EUA comprasse pap&eacute;is imobili&aacute;rios podres no mercado. Ontem, al&eacute;m de estatizar Freddie &#8220;Fraudy&#8221; Mac e Fannie &#8220;Phony&#8221; Mae, como eram reapelidadas as empresas, o governo anunciou que vai comprar pap&eacute;is imobili&aacute;rios. Gross, que tem muitos desses t&iacute;tulos, se dizia ontem &#8220;sorridente&#8221;. O que fazem Freddie e Fannie? Grosso modo, concedem, compram e revendem financiamentos imobili&aacute;rios. Isto &eacute;, negociam t&iacute;tulos de<\/p>\n<p>investimento que t&ecirc;m como fonte de renda a presta&ccedil;&atilde;o da casa pr&oacute;pria (t&iacute;tulos lastreados em hipotecas, &#8220;mortgage backed securities&#8221;, ou MBS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os calotes na presta&ccedil;&atilde;o da casa pr&oacute;pria e a perda de valor de tais t&iacute;tulos est&atilde;o na origem da crise financeira e banc&aacute;ria que jogou areia nas rodas da economia mundial. Se Freddie e Fannie fossem &agrave; breca, a economia iria ao brejo. O que pode acontecer? Quem entende muito disso dizia ontem que pode tanto haver festa no mercado como mais medo. Bancos, fundos, hedge funds, BCs pelo planeta e outros detentores e\/ou inventores da complexa d&iacute;vida imobili&aacute;ria americana podem respirar um pouco. Por ora, ao menos, o c&iacute;rculo vicioso de desvaloriza&ccedil;&atilde;o pode ser atenuado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato de o governo ter ordenado que as empresas financiem mais hipotecas pode ajudar a derrubar os juros da presta&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o ca&iacute;ram com a crise e os cortes do Fed. Mas muita ente acha que a crise n&atilde;o vai parar enquanto os compradores de casas endividados n&atilde;o receberem ajuda direta. Outros lembram que muito banco tinha a&ccedil;&otilde;es de Freddie e Fannie, que nesta segunda devem valer menos do que p&oacute;-de-traque queimado. Mas o mais importante de tudo &eacute;: o governo americano diz e repete que n&atilde;o vai deixar a peteca cair.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atendendo a pedidos do mercado, EUA estatizam quase metade do mercado de financiamento imobili&aacute;rio &nbsp; O GOVERNO dos EUA estatizou quase metade do mercado de financiamento imobili&aacute;rio. N&atilde;o foi estatiza&ccedil;&atilde;o? Hum. 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