{"id":42532,"date":"2016-05-16T15:16:23","date_gmt":"2016-05-16T18:16:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/desenv\/?p=42532"},"modified":"2016-05-16T15:16:23","modified_gmt":"2016-05-16T18:16:23","slug":"the-new-york-times-critica-afastamento-de-dilma-da-presidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/the-new-york-times-critica-afastamento-de-dilma-da-presidencia\/","title":{"rendered":"&#8216;The New York Times&#8217; critica afastamento de Dilma da presid\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Em editorial publicado na \u00faltima quinta-feira (12\/5), o jornal \u00a0&#8220;The New York Times&#8221; analisa o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff e chama a aten\u00e7\u00e3o para o &#8220;pre\u00e7o desproporcionalmente grande por irregularidades administrativas&#8221; que ela deve pagar, j\u00e1 que as pedaladas fiscais foram cometidas por outros governantes sem que nunca fossem consideradas crime.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, que no texto defende novas elei\u00e7\u00f5es caso o impeachment se concretize, questiona as reais motiva\u00e7\u00f5es para o processo uma vez que &#8220;muitos dos pol\u00edticos que est\u00e3o orquestrando sua deposi\u00e7\u00e3o foram atrelados a um grande esquema de propina e outros esc\u00e2ndalos&#8221;.<\/p>\n<p>Citando nominalmente o presidente interino Michel Temer e o presidente afastado da C\u00e2mara dos Deputados, Eduardo Cunha, o &#8216;NYT&#8217; sublinha as acusa\u00e7\u00f5es que pesam contra os dois. O artigo lembra ainda que o companheiro de chapa de Dilma pode vir a se tornar ineleg\u00edvel por oito anos caso o Tribunal Superior Eleitoral ateste que houve financiamento irregular de sua campanha, e que Cunha, um dos parlamentares mais empenhados na deposi\u00e7\u00e3o de Dilma, \u00e9 r\u00e9u em processo de corrup\u00e7\u00e3o, motivo que levou o Supremo Tribunal Federal a afast\u00e1-lo de seu mandato no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>\u00a0Com isso, levanta a ideia de que &#8220;os l\u00edderes brasileiros podem achar mais f\u00e1cil remov\u00ea-la para retomar a pol\u00edtica de pagamento de propinas. Isso seria indefens\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Por tais argumentos, afirma que &#8220;esta crise pol\u00edtica est\u00e1 a minar a f\u00e9 na sa\u00fade na jovem democracia&#8221; do Brasil e que o surto de Zika \u00e0s v\u00e9speras da realiza\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos piora o quadro de incertezas. Assim, as novas elei\u00e7\u00f5es seriam a melhor solu\u00e7\u00e3o, sugerindo que Congresso Nacional poderia garantir tal desfecho. &#8220;Eles (os detratores de Dilma) podem se dar conta em breve que grande parte da ira da popula\u00e7\u00e3o focada na presidente ser\u00e1 redirecionada a eles&#8221;, finaliza o texto assinado pelo conselho editorial do jornal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra do Editorial:<\/p>\n<p>&#8220;Horas ap\u00f3s os senadores terem votado esmagadoramente a admissibilidade do impeachment, a presidente Dilma Rousseff denunciou o processo em curso como uma tentativa de um golpe.<\/p>\n<p>&#8220;Eu posso ter cometido erros, mas eu nunca cometi crimes&#8221;, disse Dilma.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 discut\u00edvel, mas Dilma tem todo o direito de questionar os motivos e autoridade moral dos pol\u00edticos que buscam derrub\u00e1-la. A presidente brasileira, que foi reeleita em 2014 para um mandato de quatro anos, tem sido uma pol\u00edtica ruim e uma l\u00edder decepcionante. Mas n\u00e3o existe nenhuma evid\u00eancia de que ela abusou de seu poder para obter ganhos pessoais, enquanto que muitos dos pol\u00edticos que est\u00e3o orquestrando sua deposi\u00e7\u00e3o foram atrelados a um grande esquema de propina e outros esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal determinou na semana passada que Eduardo Cunha, o parlamentar veterano que empenhou esfor\u00e7os para remover Rousseff do poder, deixe o cargo para ser julgado pelas acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o que lhe pesam. O vice-presidente Michel Temer, que assumiu o comando do pa\u00eds na quinta-feira, pode se tornar ineleg\u00edvel para concorrer a um cargo eletivo por oito anos j\u00e1 que as autoridades eleitorais disciplinares o investigam por violar os limites de financiamento de campanhas.<\/p>\n<p>Dilma \u00e9 acusada de usar dinheiro dos bancos nacionais para encobrir d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios, uma t\u00e1tica que outros l\u00edderes brasileiros utilizaram no passado, sem que eles tenham sofrido o mesmo escrut\u00ednio. Muitos suspeitam, no entanto, que o esfor\u00e7o para remover Dilma tem mais a ver com sua decis\u00e3o de permitir que procuradores sigam adiante na investiga\u00e7\u00e3o do esquema de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras. O esc\u00e2ndalo manchou mais de 40 pol\u00edticos, inclusive altos l\u00edderes do Partido dos Trabalhadores de Dilma.<\/p>\n<p>Se o Senado sentenciar Dilma por m\u00e1 conduta financeira &#8211; o que \u00e9 prov\u00e1vel, j\u00e1 que 55 dos 81 senadores votaram para seguir com o seu julgamento &#8211; os l\u00edderes brasileiros podem achar mais f\u00e1cil remov\u00ea-la para retomar a pol\u00edtica de pagamento de propinas. Isso seria indefens\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 se recuperando da sua pior recess\u00e3o econ\u00f4mica desde 1930, e agora esta crise pol\u00edtica est\u00e1 a minar a f\u00e9 na sa\u00fade na sua jovem democracia. Para piorar esses problemas, o governo est\u00e1 envolto no surto do v\u00edrus Zika pouco antes do in\u00edcio dos Jogos Ol\u00edmpicos no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>As recentes investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, que expuseram a elite governante podre do pa\u00eds, acendeu a indigna\u00e7\u00e3o dos brasileiros. Se o mandato de Dilma for interrompido, os brasileiros devem ser autorizados a eleger um novo l\u00edder prontamente. Uma nova elei\u00e7\u00e3o poderia ser realizada em breve, se um tribunal eleitoral, que vem investigando as acusa\u00e7\u00f5es de que o dinheiro do esc\u00e2ndalo Petrobras financiou a campanha de Dilma em 2014, invalidar sua vit\u00f3ria nas urnas. Outra alternativa seria o Congresso aprovar a chamada de uma elei\u00e7\u00e3o antecipada.<\/p>\n<p>Ainda que Dilma n\u00e3o tenha conseguido conduzir o pa\u00eds de forma eficaz, os senadores que hoje saboreiam a sua sa\u00edda devem se lembrar de que a presidente foi eleita duas vezes pelo povo. O Partido dos Trabalhadores ainda tem apoio consider\u00e1vel, particularmente entre as milh\u00f5es de pessoas que foram puxadas para fora da pobreza ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a em Dilma e no seu partido pode ter ca\u00eddo consideravelmente nos \u00faltimos meses. Mas Dilma est\u00e1 a pagar um pre\u00e7o desproporcionalmente grande por irregularidades administrativas enquanto v\u00e1rios de seus detratores mais ardentes s\u00e3o acusados de crimes mais escandalosos. Eles podem se dar conta em breve que grande parte da ira da popula\u00e7\u00e3o focada na presidente ser\u00e1 redirecionada a eles&#8221;.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em editorial publicado na \u00faltima quinta-feira (12\/5), o jornal \u00a0&#8220;The New York Times&#8221; analisa o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff e chama a aten\u00e7\u00e3o para o &#8220;pre\u00e7o desproporcionalmente grande por irregularidades administrativas&#8221; que ela deve pagar, j\u00e1 que as pedaladas fiscais foram cometidas por outros governantes sem que nunca fossem consideradas crime. 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