{"id":38386,"date":"2012-08-20T13:52:44","date_gmt":"2012-08-20T13:52:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/58-anos-sem-getulio-vargas-por-leonel-brizola-palestra-em-2000\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:09","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:09","slug":"58-anos-sem-getulio-vargas-por-leonel-brizola-palestra-em-2000-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/58-anos-sem-getulio-vargas-por-leonel-brizola-palestra-em-2000-2\/","title":{"rendered":"58 anos sem Get\u00falio Vargas, por Leonel Brizola (palestra em 2000)"},"content":{"rendered":"<p>Get&uacute;lio Vargas, segundo Leonel Brizola<\/p>\n<p><strong><em>por Osvaldo Maneschy<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Get&uacute;lio Vargas sempre foi o principal Norte pol&iacute;tico de Leonel Brizola. Admirador das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, do nacionalismo e da retid&atilde;o pessoal do Presidente da Rep&uacute;blica que preferiu dar um tiro no cora&ccedil;&atilde;o a viver com desonra, Brizola, al&eacute;m de fiel disc&iacute;pulo, foi um multiplicador do ide&aacute;rio Trabalhista, um continuador da obra de Vargas a sua vida inteira. A Carta Testamento de agosto de 1954, na opini&atilde;o de Brizola e de seu amigo Darcy Ribeiro, &eacute; o maior documento pol&iacute;tico da Hist&oacute;ria do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>T&atilde;o importante que a tinha escrita em bronze, sobre madeira, presente de trabalhadores do Rio Grande do Sul, na parede da sala de seu apartamento em Copacabana &ndash; lugar onde passou a viver ap&oacute;s 15 anos de ex&iacute;lio e s&oacute; recebia quem era seu convidado at&eacute; junho de 2004, quando faleceu.Neste ano de 2012, 58&deg; anivers&aacute;rio da morte de Get&uacute;lio Vargas, trago para reflex&atilde;o dos companheiros do PDT duas das muitas falas de Leonel Brizola sobre Get&uacute;lio Vargas, gravadas por mim em diferentes oportunidades no ano de 2.000, ambas in&eacute;ditas na forma escrita, transcritas pelo companheiro &Aacute;pio Gomes, que &eacute; &nbsp;co-autor comigo do livro &ldquo;Leonel Brizola, a Legalidade e Outros Pensamentos Conclusivos&rdquo;, da Editora Nitpress, lan&ccedil;ado no Rio de Janeiro em fevereiro deste ano.<\/em><\/p>\n<p><em>O primeiro dos discursos foi&nbsp; feito no dia 19 de setembro de 2000, durante jantar com evang&eacute;licos na Churrascaria Estrela do Sul, no Maracan&atilde;, quando Brizola disputava a elei&ccedil;&atilde;o para Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro &ndash; preocupado em manter o PDT unido em torno de sua lideran&ccedil;a, &agrave; &eacute;poca disputada pelo governador Garotinho. Nele Brizola fala da Monarquia, da Rep&uacute;blica Velha, do surgimento da Alian&ccedil;a Liberal, da Revolu&ccedil;&atilde;o de 30, da Guerra na Europa, no Queremismo, da elei&ccedil;&atilde;o de Dutra e do auto-ex&iacute;lio de Get&uacute;lio, em S&atilde;o Borja (RS).<\/em><\/p>\n<p><em>No segundo, mais longo, feito no dia 24 de maio de 2000, nas celebra&ccedil;&otilde;es dos 20 anos de funda&ccedil;&atilde;o do PDT,&nbsp; Brizola fala em detalhes na sede da Funda&ccedil;&atilde;o Pasqualini, tamb&eacute;m no Rio, da forma&ccedil;&atilde;o do PTB e de sua participa&ccedil;&atilde;o pessoal nessa tarefa, onde contesta a vers&atilde;o de que Vargas criou o PSD e o PTB para manobr&aacute;-los &ndash; &ldquo;Isto &eacute; uma inverdade&rdquo;; ele enumera as diferen&ccedil;as b&aacute;sicas entre o PSD e o PTB;&nbsp; ele fala dos inimigos de Vargas reunidos na UDN;&nbsp; lembra a surpresa &#8211; at&eacute; dos pr&oacute;prios comunistas &ndash; quando Luis Carlos Prestes, rec&eacute;m libertado da pris&atilde;o, aderiu &agrave; tese da Constituinte com Get&uacute;lio;&nbsp; detalha a sa&iacute;da de Vargas do poder em 1945, &ldquo;n&atilde;o foi uma deposi&ccedil;&atilde;o, foi uma ren&uacute;ncia!&rdquo;;&nbsp; e relata o nascimento do PTB pelas m&atilde;os do ex-Ministro do Trabalho Marcondes Filho e o seu trabalho e suas andan&ccedil;as, ao lado do sindicalista Jos&eacute; Vecchio, para a funda&ccedil;&atilde;o do PTB ga&uacute;cho. <\/em><\/p>\n<p><em>Brizola tamb&eacute;m fala detalhadamente das elei&ccedil;&otilde;es de 46, e da trai&ccedil;&atilde;o a Vargas, t&atilde;o logo Dutra se elege Presidente da Rep&uacute;blica.&nbsp; Fala da volta de Vargas ao Poder e do tiro que ele desferiu no peito, mudando o rumo da Hist&oacute;ria do Brasil. Dois textos para ler e guardar.(Parte 1 &#8211; 19 de setembro de 2000, jantar com Evang&eacute;licos)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto gravado por Osvaldo Maneschy e transcrito por &Aacute;pio Gomes<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline\">&nbsp;(Parte 1 &#8211; 19 de setembro de 2000, jantar com Evang&eacute;licos)<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Voc&ecirc;s sabem que, depois da queda da monarquia, n&oacute;s tivemos um per&iacute;odo republica no chamado de Rep&uacute;blica Velha. N&oacute;s t&iacute;nhamos uma meia democracia. Quem sabe, at&eacute; menos do que seria uma meia democracia. O voto era aberto. N&atilde;o havia voto secreto; por conseguinte,os poderosos da &eacute;poca vigiavam as pessoas, especialmente os mais fracos para ver como votavam. Os votos eram listas que cada um escrevia e apoiava.<\/p>\n<p>Foi um per&iacute;odo muito dif&iacute;cil, porque da monarquia &ndash; daquela nobreza &ndash; houve uma esp&eacute;cie de amplia&ccedil;&atilde;o da classe dirigente, com a inclus&atilde;o dos chamados integrantes da Guarda Nacional,dos coron&eacute;is do interior. Ent&atilde;o, a democracia da Rep&uacute;blica Velha era uma amplia&ccedil;&atilde;o. Era t&atilde;o deficiente, que a mulher era considerada menor de idade: n&atilde;o tinha direito algum; n&atilde;o votava.<\/p>\n<p>Os trabalhadores n&atilde;o tinham rigorosamente nada. Eles n&atilde;o tinham hor&aacute;rio de trabalho. Os menores tamb&eacute;m n&atilde;o tinham qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o; muito menos f&eacute;rias, muito menos qualquer tipo de garantia. E os trabalhadores eram verdadeiras ilhas pelo pa&iacute;s:eram os trabalhadores da borracha, das salinas, dos canaviais, dos portos, dos cafezais, das charqueadas. Eles n&atilde;o tinham liga&ccedil;&otilde;es uns com outros, porque n&atilde;o havia organiza&ccedil;&atilde;o sindical.<\/p>\n<p>Enfim: era uma vida civil-militar; uma democracia muito limitada. S&oacute; quem tinha direitos &eacute;ramos &nbsp;poderosos. Em geral, as pessoas simples eram envolvidas por aqueles chefes pol&iacute;ticos:muitas vezes, entregando as suas vidas. Depois, o que funcionavam eram os acordos em cima&ndash; passando por cima de milhares e milhares que deram suas vidas, as suas exist&ecirc;ncias em fun&ccedil;&atilde;o do movimento pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, a Revolu&ccedil;&atilde;o de 30 que surgiu foi uma rea&ccedil;&atilde;o contra aquele estado de coisas. Get&uacute;lio Vargas era um homem da aristocracia rural. Ele estudou: fez a faculdade de direito. Ele fez uma carreira pol&iacute;tica elegendo-se deputado estadual, deputado federal; e foi Ministro da Fazenda do &uacute;ltimo governo daquele per&iacute;odo. Depois voltou e foi eleito governador do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A&iacute;, houve uma campanha pol&iacute;tica, em 1929, chamada &lsquo;Campanha da Alian&ccedil;a Liberal&rsquo;. Eles uniram alguns setores da vida nacional e fizeram uma campanha com a plataforma onde estavam esses direitos: do negro, da mulher; e o reconhecimento de certos direitos dotrabalho.<\/p>\n<p>Fizeram uma prega&ccedil;&atilde;o pelo Brasil. Mas as elei&ccedil;&otilde;es eram daquele jeito, n&atilde;o &eacute;? N&atilde;o eram secretas. E a estrutura existente pelo pa&iacute;s praticamente assumiu as elei&ccedil;&otilde;es. Ent&atilde;o, perderam oficialmente. Mas levantaram a quest&atilde;o da fraude. Denunciaram a fraude. E, a partir da&iacute;,come&ccedil;ou todo um movimento visando a mudar aquela situa&ccedil;&atilde;o. E a&iacute; surgiu a Revolu&ccedil;&atilde;o de1930.<\/p>\n<p>Havia uma plataforma, mas n&atilde;o eram muito claras as id&eacute;ias. Get&uacute;lio Vargas chegou ao Rio de Janeiro e, a partir dali, come&ccedil;ou uma nova situa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, um tanto confusa; depois se levantou uma reclama&ccedil;&atilde;o por parte de S&atilde;o Paulo muito forte &ndash; a Revolu&ccedil;&atilde;o de 32 &ndash;reclamando o estado de direito.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que naquele per&iacute;odo ali foi que, no Rio de Janeiro, as coisas se cristalizaram, e come&ccedil;ou a surgir todo esse conjunto de leis, tanto em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos (aos trabalhadores), quanto &agrave; mulher; e quanto tamb&eacute;m &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao desenvolvimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>O pa&iacute;s come&ccedil;ou a se sentir a si pr&oacute;prio, a partir daquele per&iacute;odo.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que houve um per&iacute;odo de discricionalidade, que acusam muito Vargas por isso.Eu conhe&ccedil;o por dentro o assunto: aquele per&iacute;odo sairia com Vargas, sem Vargas ou contra Vargas.<\/p>\n<p>O problema mais era de seguran&ccedil;a nacional e militar, porque crescia o Hitler, na Alemanha; Mussolini, na It&aacute;lia; e os japoneses: formava-se o quadro da guerra. E os militares achavam que o pa&iacute;s precisava ter um regime forte para poder enfrentar as amea&ccedil;as dos per&iacute;odos da guerra. E eles acharam que Get&uacute;lio Vargas podia ser o civil que fosse uma esp&eacute;cie de mediador daquela situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Bem, o fato &eacute; que o pa&iacute;s teve grandes avan&ccedil;os.<\/p>\n<p>Vencida a guerra, criou-se um movimento de redemocratiza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; havia desconfian&ccedil;a sobre como redemocratizar. Uma corrente &ndash; da UDN, inimiga de Vargas (liberais) &ndash; achava que devia haver elei&ccedil;&otilde;es simplesmente; depois acharam que devia ter elei&ccedil;&otilde;es sem Vargas. Os militares entenderam tamb&eacute;m. Havia um movimento popular nas ruas que queria a constituinte com Get&uacute;lio Vargas.<\/p>\n<p>Foi um per&iacute;odo confuso, e Vargas caiu. Ele, ali&aacute;s, renunciou (eu ouvi dele pr&oacute;prio). Podia resistir, mas para n&atilde;o haver derramamento de sangue ele preferiu ir embora. Foi.<\/p>\n<p>Dali a um m&ecirc;s e meio, dois meses, elei&ccedil;&otilde;es. Ele indicou o general Dutra como candidato, que competiu com o candidato da UDN, que era contra ele, e venceu.<\/p>\n<p>Mas Dutra era conservador. Havia muita&hellip; Falava-se, naquele tempo, em rejei&ccedil;&atilde;o a Vargas.Quer dizer: os empres&aacute;rios ricos ficaram contra Vargas; os militares, contra Vargas; os grandes imp&eacute;rios estrangeiros, contra Vargas; os grandes fazendeiros, contra Vargas. Todos eram contra Vargas. Todos os que ele patrocinou no governo dele (eram governadores, eram prefeitos, eram&hellip;) ficaram contra Vargas.<\/p>\n<p>Ele s&oacute; ficou com os sindicatos dos trabalhadores e os trabalhadores.<\/p>\n<p>Bom, nesta confus&atilde;o, organizaram um partido chamado Partido Social Democr&aacute;tico (que de social e democr&aacute;tico n&atilde;o tinha nada: era s&oacute; o nome&hellip; Eram conservadores), que era a m&aacute;quinado governo dele, Vargas.<\/p>\n<p>Vargas era um homem interessante: era baixinho, risonho; ele falava mais por met&aacute;forasalegres. Quando perguntavam &lsquo;como &eacute; que o senhor tem essa quantidade de gente conservadora?&rsquo;, ele dizia: &ndash; &lsquo;Ah, eu gosto de fazer pol&iacute;tica de esquerda com gente de direita&rsquo;. &nbsp;<\/p>\n<p>O fato &eacute; que, quando ele caiu, toda aquela m&aacute;quina que formava o Partido Social Democr&aacute;tico ficou contra ele; inclusive o genro dele, o irm&atilde;o dele. Ele ficou sozinho. S&oacute; com ele ficaram os trabalhadores com seus sindicatos.<\/p>\n<p>N&atilde;o havia divis&atilde;o entre os sindicatos. Havia sindicatos &ndash; muitos sindicatos &ndash; filiados ao Partido Comunista. N&atilde;o ficaram contra Vargas (n&atilde;o ficaram com ele, mas contra n&atilde;o ficaram). O grosso dos sindicatos ficou com Vargas.<\/p>\n<p>Ele ficou l&aacute; no Rio Grande do Sul, em S&atilde;o Borja. Eu costumo dizer: na casa dele&hellip; cresceu o pasto sob a porta da casa dele. N&atilde;o ia ningu&eacute;m l&aacute;. Os pol&iacute;ticos deixaram completamente Vargas. Ele ficou l&aacute;. E foi crescendo, pelo pa&iacute;s, um movimento &ndash; ia ao muro e escrevia: ele voltar&aacute;!<\/p>\n<p>Ele voltar&aacute;! Ele voltar&aacute;! Ele voltar&aacute;! Pelo Brasil inteiro.<\/p>\n<p>E foi crescendo um movimento que, nesta &eacute;poca&hellip;<\/p>\n<p>Faltou este detalhe: no meio daquela confus&atilde;o ali que se formava o Partido Social Democr&aacute;tico; eles reservaram para os sindicatos um departamento trabalhista deste partido.<\/p>\n<p>O Ministro do Trabalho, que era um advogado paulista de sindicato &ndash; Marcondes Filho. Ele foi autor da Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis&hellip; da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista. Ele n&atilde;o gostou daquilo: &ndash; &lsquo;Isso &eacute; humilhante; n&atilde;o nos botam em dire&ccedil;&atilde;o nenhuma; n&oacute;s temos um departamento aqui? Muito bem. N&oacute;s, ent&atilde;o, vamos criar um partido&rsquo;.<\/p>\n<p>E lan&ccedil;ou dez pontos &ndash; o Partido Trabalhista Brasileiro &ndash;, mais ou menos imitando o Partido Trabalhista Ingl&ecirc;s, que, nesta &eacute;poca, era vitorioso sobre o Churchill, que era her&oacute;i da guerra.<\/p>\n<p>Algumas comiss&otilde;es provis&oacute;rias pelos estados. Nada mais! Elegeram, acho que 16 deputados para a Constituinte. Marcondes Filho foi eleito senador por S&atilde;o Paulo; e Get&uacute;lio eleito senador pelo Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Foi se passando o tempo. E a reclamat&oacute;ria pela volta do Get&uacute;lio por toda parte.<\/p>\n<p>Quando chegou em 50, ele se candidatou pelo PTB, pelo Trabalhismo, que, nesta altura,j&aacute; contava com uma estrutura nacional (pequena); mas, ele praticamente sozinho. &nbsp;Ent&atilde;o, diziam &lsquo;l&aacute; vem o Get&uacute;lio com seu jardim de inf&acirc;ncia&rsquo;: era o Jo&atilde;o Goulart, era eu, era o Francisco Brochado da Rocha &ndash; &eacute;ramos uns garotos. &Eacute;ramos uns guris, jovens, adolescentes. Agente encontrava um amigo aqui, outro ali&hellip;<\/p>\n<p>N&oacute;s nos dedic&aacute;vamos &agrave;s organiza&ccedil;&atilde;o do partido, da maneira mais interessante, l&aacute; no Rio Grande do Sul. Voc&ecirc;s vejam: n&oacute;s sa&iacute;amos numa camionete velha para uma cidade; de segunda classe, no trem.<\/p>\n<p>Tinha um l&iacute;der sindical l&aacute;, chamado Jos&eacute; Vecchio, que era o nosso chefe. E and&aacute;vamos com ele na maior humildade. N&atilde;o t&iacute;nhamos nada.<\/p>\n<p>Um dia, n&oacute;s fomos &agrave; cidade de Caxias &ndash; uma cidade industrial. Ficamos todo o dia caminhando e n&atilde;o encontramos ningu&eacute;m que quisesse assumir a organiza&ccedil;&atilde;o do partido. E est&aacute;vamos,<\/p>\n<p>finalmente, tomando um caf&eacute; com leite (um dia de inverno) para ir embora. No caf&eacute;, eu chamei &lsquo;Jos&eacute; Vecchio, olha atr&aacute;s daquela caixa ali; v&ecirc; aquele sujeito que atende a caixa e vem com a bandeja, servir tamb&eacute;m aqui? Ele tem um retrato do Getulio atr&aacute;s. Quem sabe a gente conversando com esse camarada para organizar?&rsquo;.<\/p>\n<p>Depois, ele veio servir ali, n&oacute;s conversamos com ele, sentou um pouquinho, e ele: &lsquo;T&aacute;, eu aceito; eu aceito organizar&rsquo;. Ali come&ccedil;ou o partido em Caxias. Este homem foi vereador duas vezes; foi deputado estadual; foi prefeito de Caxias; foi deputado federal; e foi secret&aacute;rio de estado por v&aacute;rias vezes.<\/p>\n<p>E assim foi a hist&oacute;ria do partido em toda a parte do Rio Grande do Sul, organizando, com humildade. E se foi projetando.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, na primeira elei&ccedil;&atilde;o que tivemos l&aacute; para governador, que foi a candidatura do Pasqualini, o partido deu um salto: elegemos 23 deputados. Gente humilde. Eu quero dizer o seguinte: tinham dois pastores da Assembl&eacute;ia de Deus. Bom foram 23.<\/p>\n<p>O n&iacute;vel nosso era muito baixo; e a&iacute; eu me elegi deputado. Eu era estudante de engenharia,ajudando a fundar o partido, presente l&aacute; no movimento jovem&hellip;<\/p>\n<p>E o Get&uacute;lio se candidatou sozinho. Percorreu o pa&iacute;s. Tenho o roteiro das cidades onde ele andou. E, de repente, veio o resultado da elei&ccedil;&atilde;o, com a for&ccedil;a, e ele ganhou. N&atilde;o havia &ndash; claro&ndash; computadores; n&atilde;o havia urnas eletr&ocirc;nicas; n&atilde;o havia nem televis&atilde;o: era r&aacute;dio. Ele falava l&aacute; em Campina Grande, e gente ouvia, porque sempre tinha um r&aacute;dio importante que&hellip;<\/p>\n<p>Ganhou em S&atilde;o Paulo! No Rio, aqui, foi uma avalanche. Se elegeu por maioria absoluta; e o Partido Trabalhista fez bastante deputados. Os outros aderiram, e n&oacute;s fomos evoluindo.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, houve aquela trag&eacute;dia do 24 de agosto: ele se suicidou. Porque havia um ambiente j&aacute; de golpe de estado, por causa da Petrobras, dos conflitos, tudo isso a&iacute;. Ele sentiu. E n&atilde;o quis ser humilhado. Ele ia ser humilhado. Ia ser derrubado. Press&atilde;o americana muito grande; cresce no estrangeiro, em outros pa&iacute;ses. E ele se suicidou e deixou aquela carta.<\/p>\n<p>A Carta-testamento &eacute; um documento digno de ser lido, porque ele &eacute; generoso; ele &eacute; um texto humano; muito forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline\">&nbsp;(Parte 2 &#8211; 24 de maio de 2000 &ndash; Palestra na Funda&ccedil;&atilde;o Pasqualini)<\/span><\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; havia uma decis&atilde;o em torno de uma reconstru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Os partidos se organizavam.<\/p>\n<p>O partido que se organizou no governo foi o Partido Social Democr&aacute;tico, o PSD. Praticamente<\/p>\n<p>foi a m&aacute;quina do governo: os ministros eram da comiss&atilde;o executiva nacional; os governadores<\/p>\n<p>(os interventores estaduais), presidentes, dirigentes, com seu secretariado, do PSD &nbsp;&nbsp;nos<\/p>\n<p>estados; e os interventores municipais, os presidentes e dirigentes do partido oficial nos<\/p>\n<p>munic&iacute;pios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E os sindicatos, que surgiram nos tempos de Vargas, com toda for&ccedil;a? E as lideran&ccedil;as<\/p>\n<p>populares? Ent&atilde;o, reservaram um departamento neste partido: era o Departamento<\/p>\n<p>Trabalhista. O Ministro do Trabalho era um jovem advogado trabalhista de S&atilde;o Paulo,<\/p>\n<p>Marcondes Filho. Ent&atilde;o, convidaram Marcondes Filho para dirigir o departamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vargas, praticamente, j&aacute; vivia um momento de conflito com aquele quadro, porque o partido,<\/p>\n<p>embora se chamasse Partido Social Democr&aacute;tico, era de ess&ecirc;ncia conservadora: ess&ecirc;ncia<\/p>\n<p>conservadora! Ele n&atilde;o estava satisfeito, mas era de seu temperamento n&atilde;o estar criando<\/p>\n<p>problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E as massas populares come&ccedil;aram a reagir contra tudo aquilo. Criou-se um movimento<\/p>\n<p>chamado &lsquo;Queremismo&rsquo; &ndash; queremos Get&uacute;lio: queremos uma constituinte com Get&uacute;lio.<\/p>\n<p>Prestes estava preso. Os inimigos de Vargas, que formavam a UDN, faziam grande com&iacute;cios.<\/p>\n<p>Claro: l&aacute; estava a esquerda; estava o Partido Comunista junto com a UDN. Quanto Prestes foi<\/p>\n<p>solto, os jornalistas perguntaram para ele: &lsquo;Qual &eacute; a sua posi&ccedil;&atilde;o? O senhor que est&aacute; saindo<\/p>\n<p>da pris&atilde;o&rsquo;. &ndash; &lsquo;Eu sou a favor da Constituinte com Get&uacute;lio&rsquo;. Foi chocante at&eacute; para as massas<\/p>\n<p>comunistas que estavam naqueles com&iacute;cios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prestes entendeu que os comunistas estavam engrossando justamente aquela corrente de<\/p>\n<p>gente que combatia o seu nacionalismo, que queria isto que foi implantado agora, que queria<\/p>\n<p>a entrega do pa&iacute;s; e n&atilde;o o seu desenvolvimento aut&ocirc;nomo, nacional, soberano para o povo<\/p>\n<p>brasileiro, como vinha construindo Vargas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A&iacute;, surgiram intrigas militares. E Vargas se viu diante de uma crise. As elei&ccedil;&otilde;es marcadas para o<\/p>\n<p>dia 29 de outubro de 1945. 29 de outubro foi o golpe. As elei&ccedil;&otilde;es eram em 15 de novembro de<\/p>\n<p>45. Foi em 45 (Jos&eacute; Augusto deve estar a&iacute; e ele sabe disso). Ent&atilde;o o que acontece? O fato &eacute; que<\/p>\n<p>se criou um ambiente de intriga, de grande instabilidade para Vargas, e se estabeleceu a id&eacute;ia<\/p>\n<p>de que ele foi deposto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o! Vargas renunciou. Porque ele tinha condi&ccedil;&otilde;es de reagir e n&atilde;o quis derramamento de<\/p>\n<p>sangue. Ele renunciou. Ele condicionou a sua sa&iacute;da do governo a que n&atilde;o houvesse nenhuma<\/p>\n<p>persegui&ccedil;&atilde;o. E se retirou. E foi embora para seu munic&iacute;pio natal de S&atilde;o Borja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Houve um governo provis&oacute;rio, e, no dia 2 de dezembro&hellip; 29 de outubro foi o golpe, no dia 2 de<\/p>\n<p>dezembro foram as elei&ccedil;&otilde;es (l&aacute; est&aacute; Jos&eacute; Augusto; ele est&aacute; confirmando: dia 2 de dezembro).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eram dois candidatos: Dutra, que era o Ministro da Guerra, candidato do governo; mas que<\/p>\n<p>Vargas, friamente, atendendo aos apelos gerais pediu para o povo brasileiro votar nele.<\/p>\n<p>Venceu ao chamado Brigadeiro Eduardo Gomes, que era o candidato de oposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Havia um outro candidato, levantado pelo senador Prestes (que se elegeu senador), que se<\/p>\n<p>chamava Yedo Fi&uacute;za. Era elei&ccedil;&atilde;o para a Presid&ecirc;ncia e de uma Constituinte.<\/p>\n<p>Pouco antes das elei&ccedil;&otilde;es, naquele ambiente, os sindicatos, que organizaram associa&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>com finalidade de eleger um ou outro deputado, manifestaram ao Ministro do Trabalho<\/p>\n<p>o seu inconformismo com aquele quadro &ndash; que era uma disputa entre conservadores. Os<\/p>\n<p>trabalhadores praticamente estavam aprisionados, com aquela situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ouve uma reuni&atilde;o no Minist&eacute;rio do Trabalho, com os c&iacute;rculos sindicais, e decidiram lan&ccedil;ar<\/p>\n<p>um partido. E foi lan&ccedil;ado pelo Ministro do Trabalho, Marcondes Filho, em discord&acirc;ncia da<\/p>\n<p>posi&ccedil;&atilde;o do governo. Vejam bem: em discord&acirc;ncia da posi&ccedil;&atilde;o do governo. Vargas consultado,<\/p>\n<p>disse &lsquo;bem, voc&ecirc;s sigam a inspira&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s&rsquo;. E foi lan&ccedil;ado, ent&atilde;o, a&iacute; o Partido Trabalhista<\/p>\n<p>Brasileiro. Creio que 30 dias antes das elei&ccedil;&otilde;es (ou 60 dias).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o haviam diret&oacute;rios organizados, somente algumas comiss&otilde;es provis&oacute;rias. Ele praticamente<\/p>\n<p>n&atilde;o p&ocirc;de competir. L&aacute; no Rio Grande do Sul, por exemplo, elegeu um deputado federal.<\/p>\n<p>Porque podia candidatar Vargas para deputado, onde fosse. Onde o partido tinha comiss&atilde;o<\/p>\n<p>provis&oacute;ria, candidatou Vargas e outros &ndash; l&iacute;deres sindicais que n&atilde;o eram conhecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, como Vargas fazia voto como candidato a deputado, elegeu o partido creio que 16<\/p>\n<p>deputados; uma bancada de 16, 17&hellip; Jos&eacute; Augusto&hellip; [Jos&eacute; Augusto Ribeiro responde: 22<\/p>\n<p>deputados]. Ele tem tudo na cabe&ccedil;a. Est&aacute; escrevendo uma hist&oacute;ria espetacular do nosso<\/p>\n<p>Partido, do Trabalhismo. Aqui est&aacute; um novo cap&iacute;tulo, que ele acabou de entregar ao Neiva.<\/p>\n<p>Quinto ou sexto, n&atilde;o &eacute;?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que acontece? Marcondes Filho foi eleito com o Presidente Vargas senadores por S&atilde;o<\/p>\n<p>Paulo. E foi eleito foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul tamb&eacute;m o Presidente Vargas.<\/p>\n<p>Claro que os benefici&aacute;rios, em nome de Vargas, daquela legenda, daquele prest&iacute;gio foram os<\/p>\n<p>conservadores do PSD. L&aacute; no Rio Grande do Sul, por exemplo, eram 26 deputados federais no<\/p>\n<p>total. O PSD elegeu 22. Um do Partido Comunista, um do PL, outro da UDN e esse nosso, do<\/p>\n<p>PTB. Foram os grandes beneficiados. O PSD tinha maioria absoluta no Congresso. O resultado<\/p>\n<p>foi este.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E a&iacute;, ocorreu o primeiro epis&oacute;dio de trai&ccedil;&atilde;o que a hist&oacute;ria recente do nosso pa&iacute;s registra; e<\/p>\n<p>que, depois, fomos assistindo a tantos outros &ndash; menores e maiores &ndash; ao longo deste tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dutra, que foi eleito por Vargas. Era o Ministro do Ex&eacute;rcito dele (Ministro da Guerra, naquele<\/p>\n<p>tempo). Ele n&atilde;o teria 100 votos se fosse candidato. Al&eacute;m de antip&aacute;tico era, sei l&aacute;&hellip; Ele foi<\/p>\n<p>eleito porque o Presidente Vargas disse&hellip; Recomendou que votasse no candidato Dutra. E o<\/p>\n<p>povo brasileiro lhe de uma grande maioria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que acontece? Dutra assumiu, nem sequer respondeu o telegrama de felicita&ccedil;&otilde;es do<\/p>\n<p>Presidente Vargas. Voltou-lhe as costas. Anos e anos. Vargas o retirou da mediocridade, e ele<\/p>\n<p>voltou as costas ao Presidente Vargas. E o que &eacute; interessante: todo aquele partido gigantesco,<\/p>\n<p>pelo Brasil, tamb&eacute;m voltou as costas para o Presidente Vargas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pasto, as ervas daninhas cresciam sob a porta do Presidente Vargas, l&aacute; em S&atilde;o Borja. E eles &ndash;<\/p>\n<p>todos &ndash; no poleiro. Quer dizer: ele l&aacute; ficou, numa esp&eacute;cie de retirado; numa esp&eacute;cie de ex&iacute;lio.<\/p>\n<p>Tudo era contra ele. A imprensa geral contra ele: r&aacute;dio, jornal. N&atilde;o havia televis&atilde;o naquele<\/p>\n<p>tempo; estava por sair&hellip; J&aacute; havia algo de televis&atilde;o&hellip; Chateaubriand andava por a&iacute;&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imensa campanha contra ele: o &ldquo;ex-ditador&rdquo;, para todos os defeitos. E ele, quieto l&aacute;. N&atilde;o<\/p>\n<p>respondia nada. For&ccedil;as Armadas contra ele; os empres&aacute;rios contra ele; a intelectualidade<\/p>\n<p>contra ele (nas universidades n&atilde;o se podia nem se falar em Vargas); capital estrangeiro contra<\/p>\n<p>ele. Ele s&oacute; tinha ao lado dele os trabalhadores, e mais ningu&eacute;m: a gente humilde, por toda<\/p>\n<p>parte. Isto sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; come&ccedil;avam a escrever nos muros, nas pedras, por toda parte, nos tapumes: ele voltar&aacute;! E<\/p>\n<p>assim por diante, compreendeu?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, o que acontece? Tudo&hellip; o nosso Partido nasceu ali, e ficou. Teve uma atua&ccedil;&atilde;o na<\/p>\n<p>Constituinte mais ou menos. N&atilde;o demorou muito, morre Marcondes Filho. E fomos andando,<\/p>\n<p>naquele ambiente de restri&ccedil;&atilde;o. Mas contando com o povo. A&iacute;, come&ccedil;amos por toda parte.<\/p>\n<p>Eu, nessa &eacute;poca, eu era estudante. Aquele ambiente nos orientava de uma forma muito<\/p>\n<p>prec&aacute;ria. Porque n&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos informa&ccedil;&atilde;o. Eu me lembro: a universidade, por exemplo, e<\/p>\n<p>o Col&eacute;gio J&uacute;lio de Castilho, que eu freq&uuml;entava (onde estava a Yara Vargas), n&oacute;s v&iacute;amos aquele<\/p>\n<p>panorama de jovens divididos em duas grandes correntes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma delas era dos filhos das fam&iacute;lias ricas: fazendeiros, industriais, empres&aacute;rios. Esse<\/p>\n<p>movimento era um movimento &ldquo;bonito&hellip;&rdquo;, &ldquo;democr&aacute;tico&hellip;&rdquo;, a favor da UDN, e tal&hellip;,<\/p>\n<p>candidatura Eduardo Gomes&hellip;, contra o ditador, contra isso&hellip; Tudo bom. Era aquela juventude<\/p>\n<p>punho-de-renda. Sabem quem era o l&iacute;der desse movimento, nessa &eacute;poca ali? &ndash; Esse tal<\/p>\n<p>Brossard, que voc&ecirc;s conhecem a&iacute;; que est&aacute; se aposentando agora. Ele era o l&iacute;der.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A outra metade era o Partido Comunista. Fechados nas suas c&eacute;lulas; tudo organizado,<\/p>\n<p>controlado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&oacute;s faz&iacute;amos parte de um grupo ali de, de uns doze, quinze; que trabalh&aacute;vamos duramente<\/p>\n<p>para estudar. Viv&iacute;amos aquela inquieta&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o sab&iacute;amos muito o que pensar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guard&aacute;vamos uma simpatia pelo Presidente Vargas, mas uma coisa intuitiva &ndash; porque ele<\/p>\n<p>falava nos interesses dos trabalhadores; e toda aquela gente importante contra ele &ndash; nos<\/p>\n<p>colocava neste lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o pod&iacute;amos fazer causa comum (embora tiv&eacute;ssemos at&eacute; simpatia pelo Prestes) com<\/p>\n<p>aquela estrutura do Partido Comunista. Porque eles sabiam tudo. E n&oacute;s n&atilde;o sab&iacute;amos nada.<\/p>\n<p>N&oacute;s trabalh&aacute;vamos. Era dura nossa vida para poder estudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chegavam, iam no muro ali e&hellip; Reforma Agr&aacute;ria! Eles j&aacute; escreviam: reforma agr&aacute;ria. Ent&atilde;o,<\/p>\n<p>a gente perguntava para eles: o que &eacute; isso, reforma agr&aacute;ria? Eles vinham: &lsquo;P&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;,<\/p>\n<p>p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;, p&aacute;&rsquo;&hellip; Sabiam tudo. A gente ficava olhando&hellip; Porque<\/p>\n<p>eles recebiam os pol&iacute;grafos, que iam daqui, que vinham de outros lugares, e coisa e tal. N&atilde;o<\/p>\n<p>t&iacute;nhamos di&aacute;logo com eles. E eles eram muito fechados. Ent&atilde;o, fomos ficando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dia n&oacute;s sa&iacute;mos daquela &aacute;rea ali, onde estud&aacute;vamos, e vinha uma passeata. At&eacute; nos<\/p>\n<p>assustamos com aquilo. Trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil, que vinham com peda&ccedil;os de<\/p>\n<p>cart&otilde;es. Ali estava escrito: &lsquo;Em defesa da legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho. Queremos Get&uacute;lio. Viva<\/p>\n<p>Get&uacute;lio. Estamos com Get&uacute;lio&rsquo;. Aquilo ali nos envolveu. Dali a pouco, n&oacute;s est&aacute;vamos juntos<\/p>\n<p>com eles. E aquilo n&atilde;o dizia nada, mas era tudo tamb&eacute;m. Compreendeu? Como &eacute; que &eacute; isso?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu n&atilde;o sei!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato &eacute; que daquele movimento ali n&oacute;s acabamos, depois, l&aacute; num escrit&oacute;rio improvisado,<\/p>\n<p>aonde se encontravam os l&iacute;deres sindicais e os professores &ndash; professores de curso prim&aacute;rio,<\/p>\n<p>secund&aacute;rio; um grupo de uma vinte pessoas. E n&oacute;s acabamos l&aacute; com eles, no final daquela<\/p>\n<p>passeata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E eles estavam organizando. Era justamente a comiss&atilde;o do Partido Trabalhista Brasileiro. Ali<\/p>\n<p>nos identificamos, e ali ficamos com eles. Havia um l&iacute;der sindical chamado Jos&eacute; Vecchio, pai de<\/p>\n<p>uma companheira militante do Movimento de Mulheres &ndash; companheira Miguelina. Miguelina<\/p>\n<p>que est&aacute; atuando l&aacute; no Rio Grande do Sul, no Partido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E n&oacute;s nos ligamos a eles; e ali come&ccedil;ou a surgir o partido no Rio Grande do Sul. Recordo-<\/p>\n<p>me: fomos incumbidos de organizar a juventude, que se chamava Ala Mo&ccedil;a. Dali a pouco<\/p>\n<p>apareceram umas companheiras, que foram incumbidas de organizar a ala feminina &ndash;<\/p>\n<p>chamava-se Ala Feminina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E o fato &eacute; que a&iacute; come&ccedil;ou o desenvolvimento do nosso partido no Rio Grande do Sul. Foi<\/p>\n<p>organizado com Vargas retirado, isolado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vargas n&atilde;o organizou dois partidos, para manobrar com um e com outro. N&atilde;o tem nada disso.<\/p>\n<p>Rigorosamente n&atilde;o! Isso &eacute; uma inverdade. Isso &eacute; uma interpreta&ccedil;&atilde;o inver&iacute;dica da hist&oacute;ria. O<\/p>\n<p>Partido Trabalhista Brasileiro se organizou fora de governo; se organizou vivendo dificuldades<\/p>\n<p>e insufici&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu fiz parte daqueles vinte ou trinta que sa&iacute;ram e organizaram o partido, l&aacute; no nosso Estado;<\/p>\n<p>como, aqui, outros grupos; em outros estados, outros grupos tamb&eacute;m. Mas l&aacute; n&oacute;s viv&iacute;amos<\/p>\n<p>grandes dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por exemplo, n&oacute;s fomos &agrave; cidade do Rio Grande, que &eacute; uma cidade portu&aacute;ria. Fomos l&aacute;, numa<\/p>\n<p>camionete velha &ndash; uma jabureca, compreendeu? &ndash; na estrada. Chegamos, fomos l&aacute; para uma<\/p>\n<p>pens&atilde;o. Lev&aacute;vamos o nome de um pol&iacute;tico que era&hellip; que batia no peito l&aacute; como era um grande<\/p>\n<p>getulista (mas estava nesse partido que se organizou &agrave; sombra de Get&uacute;lio; mas ele j&aacute; tinha se<\/p>\n<p>ligado ao Dutra).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, fomos falar com ele. Eu me lembro como hoje. Eu e aqueles l&iacute;deres sindicais e mais<\/p>\n<p>alguns companheiros da classe m&eacute;dia. Ele disse &ndash; &lsquo;Olha, mas voc&ecirc;s&hellip; cuidado, n&atilde;o dividam<\/p>\n<p>(assim como fez o MDB, depois); n&atilde;o dividam; &eacute; melhor que fique tudo junto. Eu n&atilde;o posso<\/p>\n<p>fazer nada, porque o Get&uacute;lio n&atilde;o mandou me dizer nada. Ent&atilde;o, eu s&oacute; aconselho a voc&ecirc;s que<\/p>\n<p>n&atilde;o dividam&rsquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o conseguimos nada. Sa&iacute;mos de l&aacute;, e o Vecchio diz: &lsquo;&Eacute;, com esse n&atilde;o resolvemos nada&rsquo;.<\/p>\n<p>Fomos para a pens&atilde;o, almo&ccedil;amos, conversamos; e diz o Vecchio: &lsquo;Olha, sabe de uma coisa?<\/p>\n<p>Vamos convidar esse pessoal todo por a&iacute; para fazer uma reuni&atilde;o, de noite, l&aacute; na pra&ccedil;a; e<\/p>\n<p>vamos organizar o partido l&aacute;; vamos ver quem &eacute; que vem, e quem n&atilde;o vem&rsquo;. E disse: &lsquo;Olha,<\/p>\n<p>Leopoldo Machado, tu pegas o Brizola a&iacute; e vai l&aacute; para o porto; fulano de tal, pega o Vilson<\/p>\n<p>Vargas e vai l&aacute; para tal vila; outro vai para c&aacute;, vai para l&aacute;&hellip;&rsquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fizemos uns cinco ou seis grupos e sa&iacute;mos. Sem alto-falante, sem nada; sem condu&ccedil;&atilde;o: n&oacute;s<\/p>\n<p>pegamos um bondezinho e fomos para o porto. Chegamos l&aacute;, o pessoal estava ali por entrar<\/p>\n<p>para o trabalho. Era um dia frio de inverno. Tinham uns grupos comendo tangerina aqui,<\/p>\n<p>tangerina ali; tomando sol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E o Leopoldo Machado disse: &lsquo;Leonel, sobe ali naquele muro e manda brasa a&iacute;. E eu vou<\/p>\n<p>levando um, levando outro para ali&rsquo;. Eu n&atilde;o tive d&uacute;vida. Subi, me agarrei naquelas grades, e<\/p>\n<p>comecei: &ndash; Trabalhadores do Rio Grande, est&atilde;o traindo o Presidente Vargas; esse governo que<\/p>\n<p>est&aacute; a&iacute; &eacute; um governo de trai&ccedil;&atilde;o ao Presidente Vargas. Essa gente do PSD&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E aquele pessoal olhando&hellip; Na cabe&ccedil;a deles&hellip; veio vindo, veio vindo. Dali a um pouco, tinham<\/p>\n<p>uns quarenta ali me ouvindo, compreendeu? &ndash; E n&oacute;s vamos realizar um com&iacute;cio hoje, l&aacute; na<\/p>\n<p>pra&ccedil;a tal, assim, assim para organizar o Partido Trabalhista, que vai ser o partido que vai dar<\/p>\n<p>respaldo &agrave; volta do Presidente Vargas ao governo. Dali a pouco j&aacute; veio mais gente.<\/p>\n<p>Dali a pouco, Leopoldo Machado disse: &lsquo;Desce, Leonel. Subo eu, agora&rsquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falava com um palito na boca. Ele falava&hellip; Era um velho gordo, baixo, e falava com um palito<\/p>\n<p>na boca. Era padeiro. Ele era padeiro. Sindicato dos Padeiros. Olha, seguiu&hellip; Ent&atilde;o, quando<\/p>\n<p>chegou na pra&ccedil;a, voc&ecirc;s n&atilde;o t&ecirc;m id&eacute;ia: n&oacute;s t&iacute;nhamos um com&iacute;cio com cerca de dez mil pessoas.<\/p>\n<p>Era o ambiente. Dez mil pessoas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, fomos para aquele coreto, que dava serenata, retreta, bandinha. Fomos para ali. N&atilde;o<\/p>\n<p>tinha microfone, n&atilde;o tinha nada. No peito! Ent&atilde;o, o Vecchio disse: &lsquo;Vamos organizar, aqui, o<\/p>\n<p>diret&oacute;rio do partido&rsquo;. Na pra&ccedil;a!&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, diziam: &lsquo;p&otilde;e seu fulano, presidente do Sindicato dos Alfaiates; p&otilde;e dona fulana, que<\/p>\n<p>&eacute; uma l&iacute;der das costureiras l&aacute; do bairro tal, assim, assim; p&otilde;e fulanos, dos pescadores; p&otilde;e<\/p>\n<p>fulano, que &eacute; banc&aacute;rio&rsquo;, n&atilde;o sei o que que tem. Bem assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E gritaram um l&aacute;: &lsquo;fulano; esse &eacute; o homem l&aacute; que lida com cavalo, l&aacute; n&atilde;o sei o que tem, e coisa<\/p>\n<p>e tal&rsquo;. A&iacute;, um gritou: &ldquo;Vecchio, n&atilde;o ponha esse. Esse &eacute; sem-vergonha&hellip;&rsquo;. A&iacute;, o Vecchio: &lsquo;Bota;<\/p>\n<p>bota o homem a&iacute;. Em quem &eacute; que os sem-vergonhas v&atilde;o votar?&hellip;&rsquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E assim, foi uma maravilha&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olha, a hist&oacute;ria do partido foi esta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois, fomos crescendo. Atra&iacute;mos o Pasqualini. E fizemos as elei&ccedil;&otilde;es para a constituinte<\/p>\n<p>estadual, dali a um ano, e a elei&ccedil;&atilde;o para governador. Candidatamos o Pasqualini e o partido<\/p>\n<p>cresceu! N&oacute;s, que t&iacute;nhamos um deputado federal, fizemos 23 deputados estaduais, numa<\/p>\n<p>Assembl&eacute;ia de 55. E perdemos as elei&ccedil;&otilde;es, com o Pasqualini, por uma pequen&iacute;ssima diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Mas o partido estava organizado, surgia no Rio Grande do Sul. Como surgia por toda parte do<\/p>\n<p>Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim surgiu o nosso partido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando, dali a quatro anos, vieram as elei&ccedil;&otilde;es federais. E era tal o clamor nacional pela volta<\/p>\n<p>do Get&uacute;lio &ndash; compreendeu? &ndash;, que n&atilde;o puderam evitar a candidatura&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E ele veio. E o Get&uacute;lio veio, n&atilde;o com aquela gente toda que era do governo dele. Ele veio,<\/p>\n<p>como dizia um baiano ilustre, que, naquela &eacute;poca dizia: &lsquo;O Get&uacute;lio veio com o seu jardim de<\/p>\n<p>inf&acirc;ncia&rsquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Era o Jango que estava ali com ele. Porque ele viveu uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, com o Presidente<\/p>\n<p>Vargas l&aacute;, porque a pr&oacute;pria fam&iacute;lia ficou no PSD (a maioria). Ele ficou com o filho e foi<\/p>\n<p>amparado, cercado ali pelo Jo&atilde;o Goulart, que era jovem, um jovem advogado, fazendeiro na<\/p>\n<p>regi&atilde;o. Organizou at&eacute; a vida para o velho Get&uacute;lio ali. E o velho Get&uacute;lio viu nele uma voca&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Viu um homem capaz de fazer negocia&ccedil;&otilde;es, conversar: um mediador, um articulador. E<\/p>\n<p>come&ccedil;ou a se basear nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, ele surgiu para a campanha de 1950, com o chamado jardim de inf&acirc;ncia. Jo&atilde;o Goulart<\/p>\n<p>devia ter trinta anos no m&aacute;ximo. Mas quem fazia essas articula&ccedil;&otilde;es todas &ndash; pra c&aacute; e pra l&aacute;,<\/p>\n<p>quem ia, quem vinha &ndash; era o Jo&atilde;o Goulart. E ele l&aacute; do interior&hellip; Porque ele se elegeu deputado<\/p>\n<p>estadual na mesma camada que eu me elegi. E como a gente era muito restrito&hellip; Eu at&eacute; fui<\/p>\n<p>conhecer o Jango na hora quase de assumir. Foi quando tamb&eacute;m conheci a Neusa, nesta<\/p>\n<p>oportunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quer dizer: o nosso partido teve grandes fases, que foi com o retorno de Vargas. Volta<\/p>\n<p>Redonda j&aacute; nascida. Todos os direitos dos trabalhadores, todas as leis de amparo aos<\/p>\n<p>trabalhadores, aos menores, &agrave;s mulheres. Enfim: as grandes&hellip; a linha de desenvolvimento que<\/p>\n<p>o pa&iacute;s assumiu, tudo isto j&aacute; tinha acontecido. E com a volta de Vargas n&oacute;s tivemos um outro<\/p>\n<p>surto de desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, as estat&iacute;sticas mostram que foram os anos que o Brasil mais progrediu, mais avan&ccedil;ou; e<\/p>\n<p>que o produto econ&ocirc;mico mais cresceu foram naqueles anos do Presidente Vargas. A&iacute; nasceu a<\/p>\n<p>Petrobras. A&iacute; come&ccedil;aram os primeiros passos de outras grandes iniciativas. Morre o Presidente<\/p>\n<p>Vargas, em 54, e o pa&iacute;s viveu um momento dif&iacute;cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O dia 24 de agosto foi um dia que voc&ecirc;s n&atilde;o t&ecirc;m uma id&eacute;ia do que foi. O povo, chocado com<\/p>\n<p>a morte do Presidente, porque aquilo vinha de uma campanha, de uma press&atilde;o de campanha<\/p>\n<p>terr&iacute;vel, que ele, naquela manh&atilde; deu fim &agrave; sua vida. E aquilo veio&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc&ecirc;s sabem que o Presidente Vargas chamou o Jango, de noite ainda, e entregou a ele um<\/p>\n<p>papel, e disse: &lsquo;te mandas daqui. V&aacute; para o Rio Grande do Sul&rsquo;. Era tarde, j&aacute; de madrugada,<\/p>\n<p>foi em casa, j&aacute; com a inten&ccedil;&atilde;o de sair daqui de manh&atilde;. Ele disse que estava fazendo a barba,<\/p>\n<p>quando ouviu a not&iacute;cia da morte dele: era a Carta-testamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele entregou a Carta-Testamento para Jo&atilde;o Goulart e mandou que ele sa&iacute;sse daqui, porque ele<\/p>\n<p>achava que eles iam destruir a Carta-testamento. Mas houve a&ccedil;&atilde;o de muitos companheiros<\/p>\n<p>naquela hora, e fizeram a R&aacute;dio Nacional ler a Carta-testamento. Bom, foi um estouro.<\/p>\n<p>Voc&ecirc;s sabem que o povo saiu em f&uacute;ria pelas ruas, por toda a parte, quebrando tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Compreendeu? Quebrando tudo. Quebraram os jornais inimigos, os jornais de Chateaubriand;<\/p>\n<p>queimaram consulados americanos; o que era firma americana, quebraram tudo, incendiaram.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio Ex&eacute;rcito s&oacute; depois, mais tarde (quando amainou um pouco a situa&ccedil;&atilde;o) &eacute; que saiu nas<\/p>\n<p>ruas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A f&uacute;ria&hellip; E n&atilde;o foi s&oacute; aqui: foi em S&atilde;o Paulo, foi em Porto Alegre, foi em Belo Horizonte, foi no<\/p>\n<p>Recife, foi em toda parte do Brasil. O povo n&atilde;o sabia o que fazer. Porto Alegre era um inc&ecirc;ndio<\/p>\n<p>s&oacute;. Era a f&uacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o, inconformada com aquilo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bom. Aquela campanha, que estava no auge, virou. A partir daquele momento, houve uma<\/p>\n<p>virada ao contr&aacute;rio, de tudo. Os inimigos desapareceram. Foram se esconder, amedrontados<\/p>\n<p>com aquele quadro de f&uacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o. Claro &ndash; desorganizada &ndash; acabou n&atilde;o dando em<\/p>\n<p>nada. Porque, depois, o pr&oacute;prio Ex&eacute;rcito foi tomando, assumindo o controle da situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Get&uacute;lio Vargas, segundo Leonel Brizola por Osvaldo Maneschy Get&uacute;lio Vargas sempre foi o principal Norte pol&iacute;tico de Leonel Brizola. 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