{"id":38375,"date":"2012-02-03T19:13:31","date_gmt":"2012-02-03T19:13:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/pre-sal-e-a-importancia-do-poder-militar\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:11","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:11","slug":"pre-sal-e-a-importancia-do-poder-militar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/pre-sal-e-a-importancia-do-poder-militar-2\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal e a import\u00e2ncia do poder militar"},"content":{"rendered":"<p>Como o Brasil est&aacute;, h&aacute; mais de 140 anos, sem guerra no seu territ&oacute;rio, n&atilde;o est&aacute; consciente dos riscos que corre e, por isso, n&atilde;o est&aacute; clamando por ajuda das nossas For&ccedil;as Armadas. As diversas riquezas do Brasil, que incluem a diversidade biol&oacute;gica, os recursos minerais, o territ&oacute;rio, as quedas e as vaz&otilde;es de &aacute;gua, a insola&ccedil;&atilde;o, o mercado, o parque industrial, al&eacute;m de outras, s&atilde;o alvo da cobi&ccedil;a internacional. A apropria&ccedil;&atilde;o de nossas riquezas por outros pa&iacute;ses tem requerido o uso de diversos estratagemas, come&ccedil;ando com ofertas mentirosas, como a de que &ldquo;nossas empresas ir&atilde;o contribuir para a produ&ccedil;&atilde;o de seus recursos naturais por terem maior disponibilidade financeira e por terem a tecnologia&rdquo;.<\/p>\n<p>Entretanto, a busca pela subtra&ccedil;&atilde;o das nossas riquezas pode passar tamb&eacute;m por coopta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos e cria&ccedil;&atilde;o, com apoio dos cooptados, de leis que a permitam. O controle da informa&ccedil;&atilde;o que chega ao grande p&uacute;blico, atrav&eacute;s da m&iacute;dia do capital, &eacute; primordial para o processo de usurpa&ccedil;&atilde;o. Contudo, se as press&otilde;es econ&ocirc;micas e diplom&aacute;ticas e o est&iacute;mulo corruptor n&atilde;o tiverem sido eficazes para dobrar aqueles que lideram o povo, dificultando a apropria&ccedil;&atilde;o, e se o bem for de extremo valor, pode ocorrer a tomada pela for&ccedil;a militar.<\/p>\n<p>Vamos nos ater &agrave; quest&atilde;o do petr&oacute;leo para tornar a discuss&atilde;o mais concreta. Hoje, a poss&iacute;vel escassez mundial futura ocorre basicamente devido &agrave; taxa de descobertas ser menor que a do consumo, &agrave; impossibilidade de se aumentar a produ&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel desejado, &agrave; falta de fontes energ&eacute;ticas substitutivas, &agrave; dificuldade da substitui&ccedil;&atilde;o de seus equipamentos de consumo &ndash; carro a explos&atilde;o por carro el&eacute;trico, por exemplo &ndash; ou de mudan&ccedil;a de costumes de consumo.<\/p>\n<p>A International Energy Agency da OCDE e a Energy Information Administration do Departamento de Energia americano t&ecirc;m proje&ccedil;&otilde;es semelhantes dizendo que a diferen&ccedil;a entre o consumo e a produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo no mundo, em 2030, ser&aacute; em torno de 75 milh&otilde;es de barris por dia, ou seja, uma escassez de magnitude gigantesca. Em outras palavras, os excedentes de produ&ccedil;&atilde;o do Oriente M&eacute;dio, da R&uacute;ssia e &Aacute;sia Central, do Norte e Oeste da &Aacute;frica, da Venezuela, do Canad&aacute; e de mais algumas regi&otilde;es n&atilde;o ser&atilde;o suficientes para satisfazer a demanda dos importadores. Neste quadro, surge a descoberta do Pr&eacute;-Sal com uma estimativa de reserva que pode chegar a 7% da reserva mundial atual.<\/p>\n<p>A seguir, as hip&oacute;teses de a&ccedil;&otilde;es ou agress&otilde;es que os pa&iacute;ses centrais podem tomar com rela&ccedil;&atilde;o ao petr&oacute;leo do Pr&eacute;-Sal s&atilde;o analisadas. Para garantir o suprimento de petr&oacute;leo e a lucratividade das empresas, na primeira fase, os pa&iacute;ses centrais usam press&atilde;o diplom&aacute;tica e econ&ocirc;mica, de toda esp&eacute;cie, para que suas empresas petrol&iacute;feras sejam aceitas para extrair nosso petr&oacute;leo sem o destinar para mercado nacional. Felizmente, nosso pa&iacute;s ser&aacute; abastecido por sua estatal. Neste caso, as empresas estrangeiras s&oacute; precisam deixar no pa&iacute;s valores m&iacute;nimos de tributa&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;as &agrave; lei do petr&oacute;leo, lei 9.478 de 1997, aprovada durante o governo FHC.<\/p>\n<p>Se o pa&iacute;s possuidor da reserva mostrar um m&iacute;nimo de soberania, os pa&iacute;ses centrais aceitam a perda de uma parcela do petr&oacute;leo produzido e o aumento da tributa&ccedil;&atilde;o imposta pelo pa&iacute;s. Foi isto que aconteceu com a aprova&ccedil;&atilde;o recente do novo marco regulat&oacute;rio do Pr&eacute;-Sal (lei 12.351), nos &uacute;ltimos dias do governo Lula. Infelizmente, aprovado tardiamente, pois 28% da &aacute;rea do Pr&eacute;-Sal j&aacute; foram leiloados e concedidos pela lei 9.478.<\/p>\n<p>Trabalhando no terreno das hip&oacute;teses e sem nos ater &agrave; probabilidade de ocorr&ecirc;ncia, se o Brasil decidisse recriar o monop&oacute;lio estatal do petr&oacute;leo, para as &aacute;reas ainda n&atilde;o leiloadas, com a Petrobras sendo o executor, as empresas dos pa&iacute;ses desenvolvidos iriam protestar enfaticamente, mas, dependendo de outros pontos, poderiam acatar a decis&atilde;o. Os pa&iacute;ses iriam querer o compromisso de a Petrobras produzir al&eacute;m da necessidade do Brasil para poder exportar o excedente. Ao agirem assim, eles est&atilde;o garantindo petr&oacute;leo para suas demandas. Adicionalmente, as empresas estrangeiras iriam ser contratadas pela Petrobras para aumentar a quantidade produzida, mesmo sem ser donas do petr&oacute;leo produzido, o que melhoraria a rentabilidade delas.<\/p>\n<p>No entanto, se o Brasil resolvesse ter o setor monopolizado e produzir basicamente o que consome, n&atilde;o existindo exporta&ccedil;&atilde;o, certamente o Pr&eacute;-Sal sofreria s&eacute;rio risco. S&oacute; o petr&oacute;leo no trecho do mar na faixa de 12 milhas distante da costa est&aacute; extremamente garantido, porque, para este trecho, h&aacute; acordo internacional reconhecido por todos os pa&iacute;ses do mundo. Mas, infelizmente, s&oacute; uma parcela pequena da &aacute;rea do Pr&eacute;-Sal est&aacute; nesta faixa.<\/p>\n<p>A maior parte da &aacute;rea do Pr&eacute;-Sal est&aacute; entre 12 milhas e 200 milhas da costa, trecho cujo dom&iacute;nio econ&ocirc;mico exclusivo do Brasil &eacute; reconhecido por cerca de 150 na&ccedil;&otilde;es do mundo e n&atilde;o reconhecido por outras 40 na&ccedil;&otilde;es, incluindo-se nestas os Estados Unidos. O trecho al&eacute;m das 200 milhas da costa poderia passar a ser explorado por empresas estrangeiras, prescindindo da obten&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es ou contratos com o governo brasileiro, por pertencer ao Mar Internacional, n&atilde;o se configurando, portanto, como uma transgress&atilde;o ao Direito Mar&iacute;timo. Contudo, s&oacute; uma pequena parcela do Pr&eacute;-Sal est&aacute; al&eacute;m das 200 milhas, neste caso, para nossa sorte.<\/p>\n<p>Felizmente, a explora&ccedil;&atilde;o na zona econ&ocirc;mica exclusiva do Brasil por estrangeiros, &agrave; nossa revelia, ser&aacute; dific&iacute;lima, porque as bases de apoio mais pr&oacute;ximas, fora do Brasil, estar&atilde;o na &Aacute;frica a cerca de 4.600 km. N&atilde;o &eacute; o caso de n&atilde;o haver log&iacute;stica poss&iacute;vel, mas qualquer uma, sem base de apoio no Brasil, ser&aacute; extremamente cara. No entanto, como j&aacute; foi dito, h&aacute; sempre a possibilidade de invas&atilde;o do nosso territ&oacute;rio. Em uma situa&ccedil;&atilde;o de grande desespero, pode ser criada alguma tese como &ldquo;o Brasil financia o terrorismo internacional&rdquo; para levar a comunidade das na&ccedil;&otilde;es a aceitar uma &ldquo;invas&atilde;o corretiva humanit&aacute;ria&rdquo; de grupo de pa&iacute;ses ou da OTAN ao nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&Eacute; sabido que, entre pa&iacute;ses, n&atilde;o h&aacute; amizades, s&oacute; interesses. Ent&atilde;o, neste sentido, Obama veio ao Brasil para dar pessoalmente alguns recados do seu governo ao brasileiro e um desses provavelmente foi: &ldquo;Nossas empresas petrol&iacute;feras est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Brasil para ajudar na explora&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo do Pr&eacute;-Sal&rdquo;. Para bom entendedor, este recado est&aacute; perfeito, ou seja, &ldquo;este petr&oacute;leo n&atilde;o &eacute; vosso, &eacute; nosso tamb&eacute;m&rdquo;. Assim, a reativa&ccedil;&atilde;o da Quarta Frota da Marinha americana pode ser explicada como instrumento de intimida&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Resta-nos, unicamente, a possibilidade de dotar nossas For&ccedil;as Armadas de Defesa com capacidade para dissuadir poss&iacute;veis invasores. O inimigo tem que ter receio de que nossas For&ccedil;as ir&atilde;o promover baixas indesej&aacute;veis. &Eacute; muita ingenuidade nossa pensar que um pa&iacute;s rico em recursos naturais consegue existir soberanamente, sem possuir um m&iacute;nimo de poder militar. Como disse o Bar&atilde;o do Rio Branco, &ldquo;n&atilde;o se pode ser pac&iacute;fico sem ser forte&rdquo;.<\/p>\n<p>Diplomacia somente com argumenta&ccedil;&otilde;es morais e l&oacute;gicas, e sem For&ccedil;as Armadas na retaguarda, n&atilde;o &eacute; respeitada. O Brasil, ao conquistar posi&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio internacional, n&atilde;o s&oacute; no campo diplom&aacute;tico, mas tamb&eacute;m no militar, passa a ser respeitado e considerado como um potencial inimigo.<\/p>\n<p>Para enfrentar a eventual invas&atilde;o, &eacute; preciso ter For&ccedil;as Armadas bem equipadas e treinadas, sem cortes or&ccedil;ament&aacute;rios. Mas, mais que isso, &eacute; preciso ter For&ccedil;as Armadas compreendidas e apoiadas pela sociedade, o que traz, em contrapartida, o compromisso de elas nunca se voltarem contra o povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Paulo Metri &eacute; conselheiro da Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Associa&ccedil;&otilde;es de Engenheiros e do Clube de Engenharia<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o Brasil est&aacute;, h&aacute; mais de 140 anos, sem guerra no seu territ&oacute;rio, n&atilde;o est&aacute; consciente dos riscos que corre e, por isso, n&atilde;o est&aacute; clamando por ajuda das nossas For&ccedil;as Armadas. 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