{"id":38372,"date":"2012-01-19T08:08:49","date_gmt":"2012-01-19T08:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/o-ira-e-um-povo-de-paz\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:12","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:12","slug":"o-ira-e-um-povo-de-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-ira-e-um-povo-de-paz-2\/","title":{"rendered":"O Ir\u00e3 \u00e9 um povo de paz"},"content":{"rendered":"<p>O filme iraniano &#8216;A Separa&ccedil;&atilde;o&#8217;, de Asghar Farhadi, ganhou, no domingo , dia 14 de janeiro (2012)&nbsp;&nbsp; o Globo de Ouro de melhor filme de fala n&atilde;o inglesa. O Diretor, muito celebrado nos Estados Unidos, onde se realizou&nbsp; a escolha , cauteloso, em todas as suas entrevistas, tem apenas reiterado : O Ir&atilde; &eacute; um povo de paz.<\/p>\n<p>Tem raz&atilde;o Farhadi em insistir neste ponto real&ccedil;ando que o Ir&atilde; tem um povo e que este povo quer a paz. Seu pa&iacute;s tem sido visto no Ocidente apenas como o pa&iacute;s dos Ayatol&aacute;s radicais que impuseram, em 1979, a Lei Isl&acirc;mica e que, supostamente, agora, estariam tentando construir a bomba at&ocirc;mica. Os Estados Unidos, umbilicalmente aliados de Israel, arqui-inimigo dos mu&ccedil;ulmanos, por causa da quest&atilde;o com os palestinos, n&atilde;o aceitam a rebeldia iraniana e amea&ccedil;am atacar militarmente o Ir&atilde;. A situa&ccedil;&atilde;o vem se deteriorando h&aacute; tempo e j&aacute; h&aacute; quem diga que a guerra &eacute; inevit&aacute;vel.<\/p>\n<p>&ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o no Oriente M&eacute;dio aproxima-se rapidamente do ponto cr&iacute;tico e o in&iacute;cio do conflito j&aacute; aparece nas cartas. Isso, em resumo, foi o que disse Nikolai Patrushev, secret&aacute;rio do Conselho de Seguran&ccedil;a Nacional da R&uacute;ssia (e ex-diretor do FSB, a organiza&ccedil;&atilde;o que sucedeu a KGB) em entrevista &agrave; imprensa russa.&rdquo;<\/p>\n<p>(http:\/\/blogs.rediff.com\/mkbhadrakumar\/2012\/01\/13\/russia-sees-middle-east-drifting-to-war\/)<\/p>\n<p>&nbsp;Para a autoridade russa, &eacute; Israel que est&aacute; empurrando os Estados Unidos para a guerra, embora ressalte que este pa&iacute;s n&atilde;o tolera perder o controle sobre o mundo inteiro , destacando as manobras na tentativa de aumentar seu controle na &Aacute;sia. O ataque dever&aacute; come&ccedil;ar pela S&iacute;ria, atrav&eacute;s do turcos. Uma das raz&otilde;es, ali&aacute;s, da ofensiva atual contra o Presidente da S&iacute;ria &eacute; o fato de ele recusar-se a acompanhar o Ocidente contra o Ir&atilde;. Tal como ocorreu na L&iacute;bia, a OTAN ser&aacute; acionada para assegurar uma &aacute;rea de exclus&atilde;o militar na S&iacute;ria e da&iacute; atingir o Ir&atilde;.<\/p>\n<p>Do ponto de vista militar, o estopim da crise poderia ser a alegada ocupa&ccedil;&atilde;o pelo Ir&aacute; do estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petr&oacute;leo destinado ao Ocidente. O Ir&atilde; poderia, at&eacute;, pela dificuldade de manobras de grandes porta-avi&otilde;es americanos na &aacute;rea, principais proje&ccedil;&otilde;es do poder b&eacute;lico deste pa&iacute;s no planeta, controlar o Estreito por algum tempo, impondo algumas derrotas &agrave; marinha americana.&nbsp; A opini&atilde;o &eacute; de Mahdi Darius Nazemroaya, Global Research, no recente artigo &ldquo;Geopol&iacute;tica do Estreito de Ormuz :Marinha dos EUA pode ser derrotada pelo Ir&atilde; no Golfo Persa?&rdquo; :<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; qualquer d&uacute;vida entre os especialistas de que o formid&aacute;vel poder naval dos EUA resulta muito reduzido, pela geografia e pelas capacidades militares nos iranianos, no caso de combate no Golfo Persa e, de fato, em grandes partes tamb&eacute;m do Golfo de Om&atilde;. Longe de &aacute;guas abertas, como no Oceano &Iacute;ndico ou no Oceano Pac&iacute;fico, os EUA teriam de combater sob condi&ccedil;&otilde;es extremas, sem a garantia de suficiente tempo de resposta e, mais importante, ficar&atilde;o impedidos de combater de dist&acirc;ncia (considerada militarmente) segura. Setores inteiros das defesas navais dos EUA, concebidos para combates navais em &aacute;guas abertas e grandes dist&acirc;ncias entre os combatentes, s&atilde;o absolutamente imprest&aacute;veis, nas condi&ccedil;&otilde;es de combate no Golfo Persa.<\/p>\n<p>(http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com\/2012\/01\/geopolitica-do-estreito-de-ormuz.html[NTs]. )<\/p>\n<p>Algu&eacute;m j&aacute; disse que a guerra &eacute; como a fama, ou um grande acidente. Nunca vem de uma hora para outra, por uma &uacute;nica causa.&nbsp; No Ir&atilde;, h&aacute; tempos as palavras j&aacute; foram gastas no esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico e , pelo menos, desde 2002, j&aacute; desbordaram para as preliminares b&eacute;licas. Mas os americanos sabem, desde esta data, quando deflagraram a &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Millenium&rdquo;,&nbsp; que n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil dominar o Ir&atilde;:<\/p>\n<p>Depois de terminada a opera&ccedil;&atilde;o Millennium Challenge 2002, a opera&ccedil;&atilde;o foi oficialmente apresentada como simula&ccedil;&atilde;o de guerra contra o Iraque de Saddam Hussein. De fato, sempre se tratou do Ir&atilde;. [5] Os EUA j&aacute; tinham as avalia&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a invas&atilde;o do Iraque, por EUA e Gr&atilde;-Bretanha, que aconteceria pouco depois. E, detalhe importante, o Iraque jamais teve for&ccedil;a naval que exigisse empenho total da Marinha dos EUA.<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;A Opera&ccedil;&atilde;o Millennium Challenge 2002 foi, sim, simula&ccedil;&atilde;o de guerra contra o Ir&atilde; (na simula&ccedil;&atilde;o chamado de &ldquo;Red&rdquo; [Vermelho] e apresentado como estado &ldquo;bandido&rdquo; [orig. rogue] do Oriente M&eacute;dio no Golfo Persa). S&oacute; o Ir&atilde; tem todas as caracter&iacute;sticas de territ&oacute;rio e for&ccedil;as militares apresentadas como de &ldquo;Red&rdquo; &ndash; dos botes-patrulha armados com m&iacute;sseis at&eacute; as unidades de motociclistas. Aquela simula&ccedil;&atilde;o monstro foi feita porque Washington planejava atacar o Ir&atilde; imediatamente depois de invadir o Iraque em 2003.&rdquo;<\/p>\n<p>(cit.acima)<\/p>\n<p>Mas se o discreto apelo &agrave; paz de Asghar Farhadi faz sentido, ele deve ser lido tamb&eacute;m nas entrelinhas. JorgeLuis Borges sempre nos ensinou que as entrelinhas falam mais do que o texto escrito. E Robert Kennedy, em sua not&aacute;vel interpreta&ccedil;&atilde;o do irado telegrama de Kruschev, na Crise dos M&iacute;sseis, em 1961, tamb&eacute;m interpretou nas suas entrelinhas&nbsp; um paradoxal apelo &agrave; paz. Disse ele, na Casa Branca, ao lado do irm&atilde;o Presidente,&nbsp; quase nos &uacute;ltimos minutos da iminente declara&ccedil;&atilde;o da Guerra Nuclear que poderia nos ter reduzido a p&oacute;: &ldquo;Mas ele n&atilde;o falou em guerra. Este telegrama &eacute; para o p&uacute;blico interno dele, n&atilde;o para n&oacute;s&#8230;&rdquo; . Fez-se a paz&#8230; O Diretor de &ldquo;Separa&ccedil;&atilde;o&rdquo; n&atilde;o fala nas autoridades de seu pa&iacute;s. Nem que elas s&atilde;o pac&iacute;ficas.&nbsp; Fala que o povo iraniano &eacute; de paz. Brilhante!<\/p>\n<p>Os governos s&atilde;o passageiros, uma na&ccedil;&atilde;o &eacute; eterna. Jamais devemos confundir o Governo com os seus respectivos povos.&nbsp;<\/p>\n<p>Os ocidentais confundem muito o Ir&atilde; com os &aacute;rabes, em raz&atilde;o da confiss&atilde;o mu&ccedil;ulmana na regi&atilde;o. Historicamente, por&eacute;m, os iranianos se constituem como um povo de tradi&ccedil;&otilde;es muito mais profundas na Hist&oacute;ria. Descendem eles dos persas que constru&iacute;ram na Antiguidade um dos imp&eacute;rios mais duradouros na regi&atilde;o. Importante lembrar que quando Alexandre, o Grande desatou de s&oacute; um golpe de espada o famoso N&oacute; G&oacute;rdio, que miticamente representava uma&nbsp; barreira &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o da P&eacute;rsia, ele promoveu, por v&aacute;rios meios, inclusive pelo seu casamento com a filha de um chefe tribal, a heleniza&ccedil;&atilde;o&nbsp; daquele imp&eacute;rio. Depois de Alexandre, a P&eacute;rsia nunca mais foi a mesma&#8230; Em contraposi&ccedil;&atilde;o, s&eacute;culos mais tarde, os herdeiros dos gregos no Mediterr&acirc;neo, os romanos, jamais conseguiram helenizar o povo hebreu, do qual descendem os &aacute;rabes. A resist&ecirc;ncia hebr&eacute;ia talvez tenha pesado na pr&oacute;pria condena&ccedil;&atilde;o de Cristo, no ano 33. E, pouco tempo depois, na rebeli&atilde;o dos anos 60, os romanos desataram a mais cruel repress&atilde;o aos hebreus, chegando a destruir seu famoso templo, cujo &uacute;nica parede ainda est&aacute; l&aacute; de p&eacute;, testemunhando o &ldquo;Choque de Civiliza&ccedil;&otilde;es&rdquo;daquela &eacute;poca.<\/p>\n<p>A P&eacute;rsia, o Ir&atilde;, &eacute; outra coisa. N&atilde;o &eacute; o mundo &aacute;rabe, igualmente respeit&aacute;vel. Ali&aacute;s, s&oacute; em 1935 tomou o nome Ir&atilde;, sendo, at&eacute; aquela data denominado P&eacute;rsia.<\/p>\n<p>Um insuspeito jornalista americano, Stephen Kinzer, vem tentando explicar isto h&aacute; muito tempo em v&aacute;rias reportagens, entrevistas e um livro : &ldquo;Os Homens do X&aacute; &ndash; O Golpe no Ir&atilde; e as Origens do Terrorismo no Oriente M&eacute;dio&rdquo;:<\/p>\n<p>&ldquo;A hist&oacute;ria iraniana foi sendo constru&iacute;da &nbsp; em torno de um conjunto de caracter&iacute;sticas muito pr&oacute;prias, de import&acirc;ncia fundamental para assegurar a individualidade do Ir&atilde;o na regi&atilde;o em que se insere. A sua evolu&ccedil;&atilde;o tem sido marcada pela tentativa de assimilar o Isl&atilde;o, introduzido no pa&iacute;s pelos conquistadores &aacute;rabes, com a heran&ccedil;a e a grandeza da antiga P&eacute;rsia, no que Kinzer considera um &laquo;esfor&ccedil;o continuado e frequentemente frustrante&raquo;. Fortemente influenciados pela tradi&ccedil;&atilde;o xiita, os iranianos interiorizaram um sentimento de mart&iacute;rio colectivo, acompanhado pela busca de uma lideran&ccedil;a justa, factores que desempenharam um papel fundamental na sua evolu&ccedil;&atilde;o, em especial em momentos de crise&rdquo;<\/p>\n<p>O moderno estado do&nbsp; Ir&atilde; teve suas preliminares no ano de 1905, quando separou a Igreja do Estado e deu os primeiros passos para sua delimita&ccedil;&atilde;o de fronteiras. As duas Grandes Guerras, retardaram, por&eacute;m, este processo mergulhando-o em incont&aacute;veis desencontros com os ingleses, &ldquo;protetores&rdquo;da regi&atilde;o e os sovi&eacute;ticos, cobi&ccedil;osos de abocanhar o norte do pa&iacute;s, rico em mineiras.&nbsp; No p&oacute;s-guerra, com o desabrochar do nacionalismo que levaria aos princ&iacute;pios de auto-determina&ccedil;&atilde;o dos povos e intangibilidade das fronteiras herdadas do per&iacute;odo colonial, ambos sustentados pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o Ir&atilde; acabou consolidando-se como um Estado secular moderno e rico, e teve no l&iacute;der Mussadegh,&nbsp;&nbsp; um dos principais expoentes mundiais. Desde 1943, no Acordo de Teer&atilde;, o pa&iacute;s j&aacute; havia sido reconhecido como independente e teve suas fronteiras definidas, embora a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica se tenha retirado das mesmas s&oacute; tr&ecirc;s anos depois, n&atilde;o sem promessas dos iranianos quanto ao fornecimento de petr&oacute;leo. Mas, em 1951, come&ccedil;aram as querelas com a Inglaterra em decorr&ecirc;ncia da nacionaliza&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo, pelo Primeiro Ministro Mussadegh, que acabou deposto por um golpe arquitetado por brit&acirc;nicos e a CIA americana, que colocou em seu lugar, em 1953, um sucessor da dinastia Pahlevi, o famoso X&aacute; da P&eacute;rsia, Rehza Pahlevi.<\/p>\n<p>&acute;Defendendo que &laquo;o Ir&atilde;o &eacute; a melhor pessoa para governar a sua casa&raquo;, Mohamed Mossadegh liderou , grande parte desse processo, transformando-se num actor fundamental para a express&atilde;o das correntes nacionalistas. Como primeiro- ministro, Mossadegh manteve a inflexibilidade, continuando a enfrentar os interesses da Gr&atilde;-Bretanha, consumando um choque que conduziu &agrave; total paralisa&ccedil;&atilde;o da exporta&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo iraniano.&rdquo; &nbsp;(Kinzer, Stephen, cit)<\/p>\n<p>Pahlevi, n&atilde;o obstante&nbsp; &agrave; testa de um regime tirano e b&aacute;rbaro , famoso pela repress&atilde;o e torturas infligidas aos opositores, prosseguiu os esfor&ccedil;os de moderniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento do pa&iacute;s, sempre&nbsp; aliado incondicional dos americanos na regi&atilde;o e carregando sobre seu Governo a sombra de ter sido imposto por um golpe. Tal incidente, com reflexos no trauma de uma popula&ccedil;&atilde;o sucessivamente colonizada durante s&eacute;culos, primeiro pelos &aacute;rabes, depois pelos turcos, depois sob &ldquo;Protetorado&rdquo; da bandeira inglesa, deixou marcas profundas nos cora&ccedil;&otilde;es iranianos, que jamais perdoariam os Estados Unidos pelo feito contra Mussadegh. &Eacute; este ambiente que cria as condi&ccedil;&otilde;es para a Revolta dos Ayatol&aacute;s, em 1979, que n&atilde;o tem, curiosamente, nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com o processo de autodetermina&ccedil;&atilde;o do povo iraniano desde 1909, nem com a seculariza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento em curso no pa&iacute;s durante tr&ecirc;s quartas partes do S&eacute;culo XX. Como assinala Kinzer, em seu livro:<\/p>\n<p>Na verdade, ao alterar por&nbsp;completo a evolu&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos&nbsp;em Teer&atilde;o, a interven&ccedil;&atilde;o de 1953 condicionou&nbsp;o equil&iacute;brio de for&ccedil;as na regi&atilde;o e&nbsp;a forma&ccedil;&atilde;o das alian&ccedil;as durante a Guerra&nbsp;Fria. A sua influ&ecirc;ncia na hist&oacute;ria recente&nbsp;do Ir&atilde;o, quando conjugada com a import&acirc;ncia&nbsp;geoestrat&eacute;gica do pa&iacute;s, evidencia&nbsp;uma s&eacute;rie de liga&ccedil;&otilde;es entre algumas situa&ccedil;&otilde;es&nbsp;marcantes para a evolu&ccedil;&atilde;o da cena&nbsp;internacional at&eacute; aos nossos dias. O golpe,&nbsp;pondo fim a uma democracia em constru&ccedil;&atilde;o,&nbsp;possibilitou a instaura&ccedil;&atilde;o de um&nbsp;regime desp&oacute;tico, que s&oacute; seria derrubado&nbsp;pela for&ccedil;a, ajudando a criar condi&ccedil;&otilde;es para&nbsp;o florescimento da Revolu&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Por estas e outras raz&otilde;es Kinzer e v&aacute;rios outros analistas consideram o Ir&atilde; um pa&iacute;s relativamente ocidentalizado, embora sob um regime arbitr&aacute;rio do Islam, mas com uma cultura, institui&ccedil;&otilde;es&nbsp; e uma sociedade , desde muito tempo, muito pr&oacute;ximas da cultura europ&eacute;ia. Para todos estes autores &eacute; um erro brutal (outro!) dos Estados Unidos atacar militarmente o Ir&atilde;, a&iacute; envolvendo outro pa&iacute;s mu&ccedil;ulmano, a Turquia, igualmente&nbsp; secularizado, com riscos de uma revert&eacute;rio interno a favor de radicais religiosos, sepultando de vez com a &uacute;ltima alternativa de se construir pontes com o mundo mu&ccedil;ulmano. Ressalte-se, ademais, que apesar do car&aacute;ter ditatorial do regime dos Ayatol&aacute;s, repudiado hoje por grande parte da popula&ccedil;&atilde;o iraniana, especialmente a letrada e ampla&nbsp; classe m&eacute;dia daquele pa&iacute;s, tal regime n&atilde;o se assemelha em nada com outros regime arbitr&aacute;rios da regi&atilde;o, como o Ar&aacute;bia Saudita e do Iemem, aliados dos Estados Unidos. N&atilde;o se tem not&iacute;cia de que o regime iraniano seja um regime corrupto e economicamente retr&oacute;grado, nem que esteja apenas militarizando o pa&iacute;s, como faz a Cor&eacute;ia do Norte, na tentativa de se eternizar pelas armas na regi&atilde;o. O pa&iacute;s vem se modernizando econ&ocirc;mica e socialmente,&nbsp; ostentando indicadores de renda e desenvolvimento semelhantes aos do Brasil, mas com alto n&iacute;vel de escolaridade e alfabetiza&ccedil;&atilde;o (82%) de seus 70 milh&otilde;es de habitantes, que t&ecirc;m no farsi a l&iacute;ngua materna , dos quais 4\/5 persas, dois milh&otilde;es de refugiados e o restantes de outras nacionalidades e idiomas -azerbaijano&nbsp; de 12 milh&otilde;es), curdo (5,6 milh&otilde;es), gilaki e mazandarani (3 milh&otilde;es cada), luri (2,3 milh&otilde;es), &aacute;rabe khuzistani (2,2) turcomeno (2 milh&otilde;es) e baktiari (1 milh&atilde;o).<\/p>\n<p>&ldquo;O farsi &eacute; um idioma muito conhecido no Afeganist&atilde;o (86%), no Azerbaij&atilde;o (20%), no Paquist&atilde;o (15%), no Iraque (5%) e em outras na&ccedil;&otilde;es vizinhas, e teve um grande prest&iacute;gio no passado, quando n&atilde;o havia sequer um &uacute;nico grande poeta, comerciante ou pessoa viajada do Oriente M&eacute;dio e da Turquia que n&atilde;o sabia se expressar em farsi. Tamb&eacute;m foi o principal ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o entre os povos do Sul da &Aacute;sia (&Iacute;ndia, Paquist&atilde;o e Bangladesh) antes do Imp&eacute;rio Brit&acirc;nico anexar aquela regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Quase toda pessoa que vive no Ir&atilde;o &eacute; bil&iacute;ngue ou poliglota, desde pequena. Fala-se muito (al&eacute;m do persa, para os que n&atilde;o s&atilde;o persas) o &aacute;rabe cl&aacute;ssico, por ser a l&iacute;ngua do Alcor&atilde;o e a linguagem oficial nos pa&iacute;ses vizinhos a sul e leste do Ir&atilde;o. Tamb&eacute;m h&aacute; quem conhe&ccedil;a o turco, comummente ouvido no noroeste. No passado, o russo e o franc&ecirc;s tiveram grande penetra&ccedil;&atilde;o na elite urbana, ainda o franc&ecirc;s sendo conhecido por intelectuais, e actualmente n&atilde;o &eacute; pequeno o n&uacute;mero de iranianos que dominam o ingl&ecirc;s, l&iacute;ngua que desperta enorme interesse nos jovens estudantes e nos homens de neg&oacute;cio. O ingl&ecirc;s &eacute; o idioma da Internet, da ind&uacute;stria cultural de massa, do turismo, do mundo das finan&ccedil;as, das publica&ccedil;&otilde;es proibidas e livres de censura que chegam de pa&iacute;ses do estrangeiro&#8230; &eacute; natural que seja cada vez mais estudado em escolas e faculdades de todo o globo, e no Ir&atilde;o n&atilde;o &eacute; diferente&rdquo;<\/p>\n<p>Rep&uacute;blica Isl&acirc;mica do Ir&atilde;o \/ Ir&atilde; &#8211;&nbsp;&nbsp;Lema: Esteql?l, ?z?d?, jomh?r?-ye esl?m? -(Persa: &#8220;Independ&ecirc;ncia, Liberdade, (a) Rep&uacute;blica Isl&acirc;mica&#8221;); &Aacute;rea total &#8211; 1 648 195 km&sup2; (18.&ordm;); Popula&ccedil;&atilde;o&nbsp;Estimativa de 2005 &#8211; 68 467 413 habitantes;&nbsp;Densidade &#8211;&nbsp;42 hab.\/km&sup2; (158.&ordm;);&nbsp;PIB (base PPC)&nbsp;Estimativa de 2009&nbsp;&#8211; Total&nbsp;&nbsp; US$ 830 058 mil milh&otilde;es;&nbsp;Per capita &#8211;&nbsp;US$ 11 202;&nbsp;IDH (2010) &#8211;&nbsp;0,710 elevado;&nbsp;Esper. de vida &#8211;&nbsp;71,0 anos;&nbsp;Mort. infantil &#8211;&nbsp;30,6\/mil nasc.; e&nbsp;Alfabetiza&ccedil;&atilde;o &#8211;&nbsp;82,4%.&nbsp;<\/p>\n<p>A premia&ccedil;&atilde;o, enfim, de um filme iranaiano pelo&nbsp; Globo de Ouro, apenas demonstra o alto n&iacute;vel cultural de um povo milenar que jamais deveria ter sido molestado, quer pelos brit&acirc;nicos e americanos, em seu processo de auto-determina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, quer pelos russos, da antiga URSS, em suas fronteiras. O ataque ao Ir&atilde; ser&aacute; mais um crime contra a humanidade perpetrado em nome da seguran&ccedil;a ocidental cujos resultados acarretar&atilde;o, ao final, mais inseguran&ccedil;a ao mundo inteiro.<\/p>\n<p>Os fatos apontados n&atilde;o implicam de nenhuma forma defesa do regime vigente no Ir&atilde;. E aqui, a cautela do Diretor do filme premiado n&atilde;o deixa d&uacute;vidas, nem exige interpreta&ccedil;&otilde;es. Ele &eacute; cauteloso. Porque sabe que o regime de seu pa&iacute;s &eacute; arbitr&aacute;rio e pode penaliz&aacute;-lo duramente por qualquer deslize. Uma nota do Governo do Ir&atilde; j&aacute; deixou claro que este est&aacute; insatisfeito com a repercuss&atilde;o do filme no exterior. Considera que o tema do filme &eacute; dom&eacute;stico . Outro Diretor Premiado Jafar Panahi, tamb&eacute;m premiado, por &ldquo;Bal&atilde;o Branco&rdquo;, est&aacute; condenado a n&atilde;o fazer filme no Ir&atilde; por 20 anos e Farhadi sabe dos riscos que corre. N&atilde;o deseja, como sugeriu Jafar recentemente, ao se deixar filmar por um terceiro cineasta, ficar na situa&ccedil;&atilde;o daquelas duas cabeleireiras desocupadas que, sem ter o que fazer, cortam uma o cabelo da outra&#8230;<\/p>\n<p>Lembremo-nos, pois, das palavras de Farhadi: O POVO IRANIANO &Eacute; UM POVO DE PAZ. E quando dobrarem os sinos daquela long&iacute;nqua regi&atilde;o do mundo em pesar pelos mortos pelas bombas ocidentais, n&atilde;o perguntem, como nos falava o grande poeta J. Dohne, citado por Hemingway num romance imortal que lhe tomou o nome, por quem eles dobram. Eles dobrar&atilde;o pelo pac&iacute;fico povo&nbsp; iraniano.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme iraniano &#8216;A Separa&ccedil;&atilde;o&#8217;, de Asghar Farhadi, ganhou, no domingo , dia 14 de janeiro (2012)&nbsp;&nbsp; o Globo de Ouro de melhor filme de fala n&atilde;o inglesa. 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