{"id":38367,"date":"2011-11-10T10:03:41","date_gmt":"2011-11-10T10:03:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/fatos-que-a-midia-ignora-mais-um-ataque-ao-trabalhismo\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:12","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:12","slug":"fatos-que-a-midia-ignora-mais-um-ataque-ao-trabalhismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/fatos-que-a-midia-ignora-mais-um-ataque-ao-trabalhismo-2\/","title":{"rendered":"Fatos que a m\u00eddia ignora, mais um ataque ao Trabalhismo"},"content":{"rendered":"<p>A onda de den&uacute;ncias envolvendo repasses de recursos do governo federal para ONGs chega agora ao Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, onde os propalados &ldquo;mal feitos&rdquo; aconteceram muito mais por conta da impot&ecirc;ncia da m&aacute;quina estatal de fiscaliza&ccedil;&atilde;o em fazer frente aos in&uacute;meros conv&ecirc;nios firmados com o terceiro setor, do que por inconsistentes ind&iacute;cios de corrup&ccedil;&atilde;o, esta supostamente restrita a um servidor do minist&eacute;rio. Tais den&uacute;ncias buscam ainda, macular a imagem do PDT ao fomentar uma divis&atilde;o interna que serviria de combust&iacute;vel para o afastamento do Ministro Carlos Lupi.<\/p>\n<p>Esquece a imprensa golpista, no entanto, de mencionar que durante a administra&ccedil;&atilde;o pedetista no Minist&eacute;rio do Trabalho foram implantadas as chamadas p&uacute;blicas para conv&ecirc;nios com o terceiro setor, o que impediu a pr&aacute;tica antiga de indica&ccedil;&atilde;o direta de entidades por parte dos administradores p&uacute;blicos. Foi tamb&eacute;m a administra&ccedil;&atilde;o pedetista que cancelou, desde 2008, a execu&ccedil;&atilde;o do ProJovem Trabalhador por interm&eacute;dio de ONGs, e que desde 2010 n&atilde;o firma mais conv&ecirc;nios para qualifica&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o de obra com institui&ccedil;&otilde;es privadas sem fins lucrativos.<\/p>\n<p>Ou seja, a administra&ccedil;&atilde;o pedetista no Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego vem, ao longo do tempo, adotando medidas concretas que combatem a utiliza&ccedil;&atilde;o exacerbada de ONGs como meio para execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o profissional, algo que n&atilde;o ocorre em outros minist&eacute;rios. Ao contr&aacute;rio, aqueles &oacute;rg&atilde;os ampliaram sua atua&ccedil;&atilde;o com o terceiro setor. Estas, portanto, s&atilde;o medidas concretas de combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o por meio de ONGs,&nbsp; que a m&iacute;dia parece n&atilde;o querer reconhecer.<\/p>\n<p><strong><em>&ldquo;<\/em><\/strong><strong><em>Os que hoje criticam o envolvimento do governo<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>com o 3&deg; setor s&atilde;o os mesmos que destru&iacute;ram a m&aacute;quina<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>do Estado e dilapidaram patrim&ocirc;nio com as privatiza&ccedil;&otilde;es&rdquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Cabe ressaltar que a utiliza&ccedil;&atilde;o do terceiro setor como instrumento de execu&ccedil;&atilde;o de programas e projetos governamentais se acelerou muito durante a d&eacute;cada de 90, quando o neoliberalismo foi implantado definitivamente em nosso pa&iacute;s. Naquele momento, a l&oacute;gica do &ldquo;Estado M&iacute;nimo&rdquo; passou a restringir cada vez mais a atua&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos no desempenho de suas fun&ccedil;&otilde;es com a aprova&ccedil;&atilde;o de leis, tais como a de responsabilidade fiscal, que limitam, entre outras a&ccedil;&otilde;es, a contrata&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos pelo Estado. A terceiriza&ccedil;&atilde;o passou a ser a regra de uma gest&atilde;o dita &ldquo;eficiente&rdquo;, ainda que agredisse alguns dos mais b&aacute;sicos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>As ONGs, antes restritas a trabalhos volunt&aacute;rios ou execu&ccedil;&atilde;o de projetos com financiamento estrangeiro, passaram a ser o caminho natural para que os recursos p&uacute;blicos chegassem &agrave; ponta sem o controle da m&aacute;quina estatal, com a execu&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e programas que, pela l&oacute;gica deveriam ser prestados e executados pelo poder p&uacute;blico. Aqueles que hoje criticam a a&ccedil;&atilde;o dos ministros e o envolvimento do governo com o terceiro setor, foram os mesmos que destru&iacute;ram a m&aacute;quina do Estado, dilapidaram o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico com as privatiza&ccedil;&otilde;es e entregaram &agrave;s ONGs os recursos que deveriam ser utilizados pela estrutura dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos. Foi no ninho tucano que estas estruturas foram gestadas e se desenvolveram.<\/p>\n<p>No Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, essa l&oacute;gica imperava at&eacute; a chegada do Ministro Carlos Lupi. No Programa Primeiro Emprego, posteriormente transformado no ProJovem Trabalhador, por exemplo, quase todos os conv&ecirc;nios eram firmados com entidades privadas sem fins lucrativos, atrav&eacute;s da modalidade chamada de Cons&oacute;rcio Social da Juventude. As ONGs eram o principal canal entre o minist&eacute;rio e os jovens das mais diversas localidades do pa&iacute;s. Os estados e munic&iacute;pios funcionavam apenas como observadores da pol&iacute;tica implantada pelo governo federal por meio de tais entidades.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego possu&iacute;a um contingente enorme de funcion&aacute;rios terceirizados, exercendo as mais diversas fun&ccedil;&otilde;es, desde recep&ccedil;&atilde;o at&eacute; an&aacute;lise de presta&ccedil;&otilde;es de contas de conv&ecirc;nios, o que era absolutamente ilegal. As pilhas de processos com presta&ccedil;&otilde;es de contas de conv&ecirc;nios com ONGs se acumulavam nas prateleiras do minist&eacute;rio h&aacute; anos, como ocorre com todos os &oacute;rg&atilde;os dos tr&ecirc;s poderes, inclusive com os &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos demais. Havia d&eacute;cadas que n&atilde;o se promovia um concurso p&uacute;blico no MTE.<\/p>\n<p>Pois a administra&ccedil;&atilde;o pedetista, n&atilde;o s&oacute; promoveu em fins de 2008 um concurso p&uacute;blico para diversas fun&ccedil;&otilde;es, como reduziu drasticamente o n&uacute;mero de terceirizados no minist&eacute;rio. Desta feita, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o de contratos e conv&ecirc;nios por pessoal terceirizado passou ser paulatinamente substitu&iacute;da pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o realizada por funcion&aacute;rios de carreira, comprometidos com o &oacute;rg&atilde;o e que n&atilde;o arriscariam suas carreiras em pr&aacute;ticas que beneficiassem as ONGs.<\/p>\n<p><strong><em>&ldquo;A gota d&rsquo;&aacute;gua veio quando o Minist&eacute;rio do Trabalho<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>e Emprego passou a exigir que empresas <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>de grande porte adotassem o ponto eletr&ocirc;nico&rdquo;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Ministro Carlos Lupi, no entanto, desde quando assumiu o minist&eacute;rio vem sofrendo campanhas difamat&oacute;rias e covardes por parte de setores que representam o grande capital, no qual inclui-se grande parcela dos ve&iacute;culos de m&iacute;dia do pa&iacute;s. De in&iacute;cio foi perseguido pelo banqueiro e dubl&ecirc; de homem p&uacute;blico, Marc&iacute;lio Marques Moreira, que fez de tudo para derrub&aacute;-lo por conta de sua posi&ccedil;&atilde;o de presidente do PDT enquanto ministro. Depois foi a vez dos representantes dos ruralistas e do agroneg&oacute;cio, personificados na senadora K&aacute;tia Abreu, que tentaram assumir o controle do CODEFAT, com a inten&ccedil;&atilde;o de restringir as a&ccedil;&otilde;es do minist&eacute;rio e impedir que, de forma democr&aacute;tica, outras confedera&ccedil;&otilde;es e centrais sindicais participassem das decis&otilde;es e tivessem acesso aos recursos do fundo, que antes era dominado por um pequeno grupo de comensais ligados aos setores mais nefastos da elite empresarial.<\/p>\n<p>Com habilidade, o ministro impediu que estes arautos do atraso tivessem assento no conselho que gere os recursos dos trabalhadores. Nesse meio tempo, in&uacute;meras tentativas de desqualificar o ministro aconteceram, inclusive com den&uacute;ncias sobre conv&ecirc;nios firmados com entidades fantasmas ou que supostamente teriam liga&ccedil;&otilde;es com membros do PDT, sempre sem nenhuma consist&ecirc;ncia e jamais comprovadas.<\/p>\n<p>A gota d&rsquo;&aacute;gua veio recentemente, quando o Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego passou a exigir que empresas de grande porte passassem a adotar o ponto eletr&ocirc;nico. A rea&ccedil;&atilde;o foi imediata no meio empresarial, com cr&iacute;ticas pesadas ao MTE e insinua&ccedil;&otilde;es de que haveria interesses n&atilde;o republicanos por tr&aacute;s da medida. Por &oacute;bvio, o grande capital jamais admitiria que trabalhadores pudessem ter acesso &agrave;s suas horas trabalhadas de forma aberta e com comprova&ccedil;&atilde;o documental. Os &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o teriam maiores possibilidades de verificar poss&iacute;veis fraudes por parte das empresas na contagem de horas extras de seus funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p>O Ministro, ao adotar uma medida claramente voltada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, declarou guerra ao poder econ&ocirc;mico e &agrave;s elites empresariais, e em consequ&ecirc;ncia, passou a ser alvo da m&iacute;dia financiada pelos grandes grupos econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de hoje que ministros do trabalho sofrem den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o ao contrariarem determinados interesses de setores que representam o poder econ&ocirc;mico, em defesa do interesse do trabalhador. O ex-presidente Jo&atilde;o Goulart, durante sua gest&atilde;o no Minist&eacute;rio do Trabalho, no governo de Get&uacute;lio Vargas, ao abrir as portas do &oacute;rg&atilde;o aos sindicatos e atuar nas negocia&ccedil;&otilde;es entre sindicatos e empres&aacute;rios defendendo com &ecirc;nfase o interesse dos trabalhadores, foi acusado de aparelhar politicamente o minist&eacute;rio e financiar sindicatos. Den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o por parte de seus assessores pipocavam na m&iacute;dia &agrave; &eacute;poca. Ve&iacute;culos como &ldquo;O Globo&rdquo;, entre outros, j&aacute; naquela &eacute;poca atacavam o trabalhismo de forma t&atilde;o covarde quanto o fazem agora.<\/p>\n<p>Devemos, portanto, estar atentos para a atua&ccedil;&atilde;o desta m&iacute;dia comercialmente comprometida, pois sua inten&ccedil;&atilde;o &eacute; encurralar n&atilde;o s&oacute; o Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, mas todo o governo Dilma, com o intuito de impedir o avan&ccedil;o das reais medidas nacionalistas e de desenvolvimento da na&ccedil;&atilde;o que v&ecirc;m colocando o pa&iacute;s em um patamar nunca antes obtido frente &agrave;s principais na&ccedil;&otilde;es do mundo e dando ao seu povo e aos seus trabalhadores, ganhos reais no que se refere &agrave; qualidade de vida e sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>A continuar essa onda de denuncismo vazio, e a continuar o governo a se pautar por tais den&uacute;ncias, veremos em breve a retomada de um processo perverso que resultou na morte do presidente Get&uacute;lio Vargas e na deposi&ccedil;&atilde;o do presidente Jo&atilde;o Goulart, coincidentemente os dois presidentes trabalhistas de nossa hist&oacute;ria, e na persegui&ccedil;&atilde;o fortuita e cruel sofrida pelo governador Leonel Brizola durante as d&eacute;cadas passadas.<\/p>\n<p>A sa&iacute;da do Ministro Carlos Lupi como resultado de press&otilde;es da imprensa marrom seria a consolida&ccedil;&atilde;o de novo golpe contra os interesses da Na&ccedil;&atilde;o e de seus trabalhadores, e a certeza de que, mais uma vez, o Trabalhismo brasileiro, caminho para nossa soberania, seria ferido.<\/p>\n<p><strong>(*) Augusto Ribeiro &eacute; Secret&aacute;rio Municipal de Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A onda de den&uacute;ncias envolvendo repasses de recursos do governo federal para ONGs chega agora ao Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, onde os propalados &ldquo;mal feitos&rdquo; aconteceram muito mais por conta da impot&ecirc;ncia da m&aacute;quina estatal de fiscaliza&ccedil;&atilde;o em fazer frente aos in&uacute;meros conv&ecirc;nios firmados com o terceiro setor, do que por inconsistentes ind&iacute;cios de&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-38367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38367"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56417,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38367\/revisions\/56417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}