{"id":38362,"date":"2010-12-21T19:44:50","date_gmt":"2010-12-21T19:44:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/educacao-no-brasil-e-na-china\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:13","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:13","slug":"educacao-no-brasil-e-na-china-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/educacao-no-brasil-e-na-china-2\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o no Brasil e na China"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p>Foram divulgados na semana passada os resultados do Programme for   International Student Assessment (Pisa) 2009, da responsabilidade da OCDE,   com o desempenho dos alunos de v&aacute;rios pa&iacute;ses nos exames de profici&ecirc;ncia em   leitura, matem&aacute;tica e ci&ecirc;ncias. Esses resultados s&atilde;o muito aguardados pelos   pa&iacute;ses participantes pois revelam como est&aacute; o aprendizado dos alunos com 15   anos de idade, fazem um ranking de pa&iacute;ses e mostram sua evolu&ccedil;&atilde;o ao longo do   tempo. O que mostram esses resultados?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A grande surpresa deste ano foi o   desempenho dos estudantes da prov&iacute;ncia chinesa de Xangai, que participaram   pela primeira vez do exame e obtiveram um desempenho espetacular. Os   estudantes chineses ficaram em primeiro lugar em leitura, matem&aacute;tica e   ci&ecirc;ncias, superando todos os pa&iacute;ses da OCDE e os demais pa&iacute;ses participantes.   Em matem&aacute;tica, os chineses obtiveram 600 pontos, quase 38 pontos acima do   segundo colocado (Cingapura), 113 pontos acima do Estados Unidos e 214 pontos   acima da m&eacute;dia dos alunos brasileiros. Se compararmos os alunos de Xangai com   os do Distrito Federal (a unidade brasileira com melhor desempenho), a   diferen&ccedil;a &eacute; de 175 pontos. Algu&eacute;m ainda tem d&uacute;vidas de que os chineses ir&atilde;o   dominar o mundo?<\/p>\n<p>O desempenho dos alunos brasileiros   continua muito ruim, mas vem crescendo ao longo dos anos. Entre os 65 pa&iacute;ses   que participaram do exame, o Brasil ficou em 57&ordm; lugar em matem&aacute;tica. Para   termos uma ideia de qu&atilde;o cr&iacute;tica &eacute; a nossa situa&ccedil;&atilde;o, 70% dos alunos   brasileiros est&atilde;o no n&iacute;vel mais baixo de desempenho em matem&aacute;tica, em compara&ccedil;&atilde;o   com apenas 4,8% dos alunos de Xangai e 8,1% dos coreanos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos   nossos vizinhos sul-americanos, os alunos brasileiros obtiveram um desempenho   em leitura parecido com os colombianos, acima dos argentinos e peruanos, mas   abaixo dos chilenos e uruguaios. E pensar que os argentinos estavam entre os   povos mais educados da Am&eacute;rica Latina no in&iacute;cio do s&eacute;culo passado.<\/p>\n<p><strong>Enquanto   os chineses tratavam de fazer sua educa&ccedil;&atilde;o competitiva, os brasileiros   discutiam a taxa de c&acirc;mbio<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2000 e 2009 o desempenho dos   alunos brasileiros aumentou 16 pontos em leitura, 52 pontos em matem&aacute;tica e   30 pontos em ci&ecirc;ncias. Assim, o maior avan&ccedil;o foi em matem&aacute;tica, disciplina em   que os alunos brasileiros tinham o pior desempenho. Mas, &eacute; preciso aumentar o   ritmo desse avan&ccedil;o, caso contr&aacute;rio levaremos 40 anos para alcan&ccedil;ar o   desempenho atual dos chineses. Outro ponto importante &eacute; que o nosso aumento   da profici&ecirc;ncia em leitura ocorreu &agrave;s custas de uma maior desigualdade.   Enquanto o desempenho dos nossos melhores alunos aumentou cerca de 30 pontos,   entre os piores praticamente n&atilde;o houve melhora.<\/p>\n<p>Assim, a desigualdade na qualidade   da educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; aumentando. Vale notar tamb&eacute;m que grande parte do avan&ccedil;o   obtido em leitura ocorreu entre as meninas, sendo que o crescimento da nota   entre os meninos foi insignificante.<\/p>\n<p>Vale a pena contrapor a nossa   evolu&ccedil;&atilde;o educacional com a ocorrida no Chile. Em leitura, por exemplo, o   desempenho dos alunos chilenos aumentou 40 pontos, mais do que o dobro dos   brasileiros. Entretanto, no caso do Chile o desempenho aumentou mais entre os   piores alunos do que entre os melhores. Assim, a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o no   Chile melhorou com queda na desigualdade, o melhor dos mundos. Por fim, a   melhora ocorreu tanto entre os meninos como entre as meninas. Mas, que   pol&iacute;ticas educacionais tiveram efeito t&atilde;o positivo no Chile?<\/p>\n<p>Segundo o relat&oacute;rio do pr&oacute;prio   Pisa, as principais pol&iacute;ticas parecem ter sido o foco nas escolas com pior   desempenho, o aumento do n&uacute;mero de horas-aula, mudan&ccedil;as no curr&iacute;culo   nacional, aumento dos gastos com educa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o completa do desempenho   dos professores das escolas p&uacute;blicas, incluindo observa&ccedil;&atilde;o do seu desempenho   em classe. Os professores que forem reprovados tr&ecirc;s vezes nessa avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o   demitidos. Al&eacute;m disso, as escolas e os professores com melhor desempenho   recebem mais recursos e maiores sal&aacute;rios. Aumento de gastos com mais   horas-aula, acompanhado de medidas que introduzam a meritocracia na vida   escolar parece ser a receita para o sucesso.<\/p>\n<p>Em suma, o desempenho dos alunos   brasileiros vem melhorando na &uacute;ltima d&eacute;cada, gra&ccedil;as a uma s&eacute;rie de pol&iacute;ticas   educacionais corretas que foram sendo introduzidas por diferentes ministros,   no sentido de descentralizar a gest&atilde;o, criar sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o, divulgar   os resultados das avalia&ccedil;&otilde;es por escola e estabelecer metas para cada uma   delas. Al&eacute;m disso, inova&ccedil;&otilde;es nas redes estaduais e municipais de educa&ccedil;&atilde;o,   principalmente aquelas com &ecirc;nfase na meritocracia, tiveram um papel   importante.<\/p>\n<p>Entretanto, esse avan&ccedil;o tem   ocorrido de forma lenta e puxado pelo desempenho dos melhores alunos e das   meninas. Assim, enquanto a desigualdade no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; declinando   e puxando para baixo a desigualdade de renda, a desigualdade na qualidade da   educa&ccedil;&atilde;o caminha no sentido contr&aacute;rio, o que retardar&aacute; a queda na   desigualdade de oportunidades.<\/p>\n<p>Por fim, os resultados do Pisa   mostram claramente que os chineses est&atilde;o fazendo a sua li&ccedil;&atilde;o de casa, obtendo   avan&ccedil;os significativos nas quest&otilde;es mais fundamentais da sua sociedade, para   torn&aacute;-la mais competitiva. Enquanto isso, os brasileiros passaram o ano   inteiro discutindo a taxa de c&acirc;mbio!<\/p>\n<p><strong>Naercio Menezes Filho &eacute; professor   Titular &#8211; C&aacute;tedra IFB e coordenador do Centro de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas do Insper   e professor associado da FEA-USP<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte: Torres TV Digital<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram divulgados na semana passada os resultados do Programme for International Student Assessment (Pisa) 2009, da responsabilidade da OCDE, com o desempenho dos alunos de v&aacute;rios pa&iacute;ses nos exames de profici&ecirc;ncia em leitura, matem&aacute;tica e ci&ecirc;ncias. 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