{"id":38357,"date":"2010-12-13T17:05:22","date_gmt":"2010-12-13T17:05:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/o-brasil-e-os-juros\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:14","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:14","slug":"o-brasil-e-os-juros-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-brasil-e-os-juros-2\/","title":{"rendered":"O Brasil e os juros"},"content":{"rendered":"<p>Por Pedro do Coutto\/Tribuna da Imprensa<\/p>\n<p>&nbsp;Na edi&ccedil;&atilde;o de 9 de dezembro, quinta-feira, a &ldquo;Folha de S&atilde;o Paulo&rdquo; publicou importante reportagem de Eduardo Cucolo comparando os juros que o governo Fernando Henrique pagava para rolar a d&iacute;vida mobili&aacute;ria interna junto aos bancos e aqueles que o governo Lula paga, ap&oacute;s reduzir substancialmente as taxas durante o percurso. Perfeito. A mat&eacute;ria &eacute; muito boa, por&eacute;m incompleta.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, porque n&atilde;o focaliza com o devido destaque os juros deixados por FHC em dezembro de 2002, no montante de 25% ao ano. Lula os foi reduzindo gradativamente e eles hoje encontram-se na escala de 10,75%. Entretanto, o estoque da d&iacute;vida (t&iacute;tulos federais em poder da rede banc&aacute;ria) atingia em torno de 750 bilh&otilde;es de reais.<\/p>\n<p>Hoje, oito anos depois, de acordo com o que o Secret&aacute;rio do Tesouro, Hugo Arno Augustin, publicou no Di&aacute;rio Oficial de 30 de setembro, o endividamento alcan&ccedil;ou&nbsp; mais de 2,2 trilh&otilde;es. Praticamente 60% do PIB. Como a taxa anual &eacute; de 10,75%, verifica-se que o disp&ecirc;ndio por doze meses eleva-se a algo em torno de 230 bilh&otilde;es de reais.<\/p>\n<p>Para se dimensionar bem o que tal desembolso sem volta representa, basta acentuar que a despesa total com o funcionalismo civil e militar &eacute; de 169,4 bilh&otilde;es (est&aacute; no mesmo Di&aacute;rio Oficial), a da Previd&ecirc;ncia, para pagar os 25 milh&otilde;es de aposentados e pensionistas do INSS, soma 257,8 bilh&otilde;es, a verba da Sa&uacute;de fica em 65,4 bilh&otilde;es, a destinada &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; de apenas 54,8 bilh&otilde;es. Adicionando-se a Sa&uacute;de &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o, constatamos que, juntas, absorvem 120,2 bilh&otilde;es de reais. Setores essenciais &agrave; vida humana e &agrave; do pa&iacute;s. Muito bem. Notaram?<\/p>\n<p>&nbsp;Significa em n&uacute;meros redondos apenas a metade das despesas pouco produtivas com o pagamento de juros. Como o total da d&iacute;vida &eacute; de 2,2 trilh&otilde;es, cada ponto na escala da Selic representa 22 bilh&otilde;es de reais. Cada ponto. O or&ccedil;amento federal para este ano que se aproxima do final &eacute; de 1 trilh&atilde;o e 766 bilh&otilde;es. Assim, o endividamento &eacute; maior do que o valor da pr&oacute;pria lei or&ccedil;ament&aacute;ria.<\/p>\n<p>O ministro Guido Mantega fala em cortes nas obras do PAC para enxugar 32 bilh&otilde;es nas despesas p&uacute;blicas. Bastaria que os juros recuassem de 10,75 para 9,2%. Porque n&atilde;o se faz isso? Para n&atilde;o contrariar os bancos que cobram dos clientes juros, em m&eacute;dia de 4% ao m&ecirc;s, enquanto a infla&ccedil;&atilde;o fica nos 5,3% ao ano. Uma desigualdade flagrante. Os juros pagos &agrave; rede banc&aacute;ria promovem, sem cessar, forte concentra&ccedil;&atilde;o de renda no pa&iacute;s. Exatamente a meta oposta &agrave;quela a que a presidente eleita Dilma Rousseff sustenta que deseja atingir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O crescimento da d&iacute;vida segue um ritmo impressionante. Itamar Franco a passou no montante de 62 bilh&otilde;es a FHC. Confesso que me faltam n&uacute;meros sobre quanto ele a recebeu de Sarney e Collor. Mas Fernando Henrique, aceitando a pol&iacute;tica de Gustavo Franco de paridade entre o real e o d&oacute;lar, paridade imposs&iacute;vel, j&aacute; que a infla&ccedil;&atilde;o anual americana era &ndash; e &eacute; &ndash; muito mais baixa que a nossa, a entregou a Lula da Silva no patamar de 750 bilh&otilde;es. Ganhou velocidade acumulada, foi crescendo sem parar e hoje chega, como disse h&aacute; pouco, a 2,2 trilh&otilde;es de reais.<\/p>\n<p>&nbsp;Imposs&iacute;vel de resgatar aos juros de 10,75% ao ano. Mas o problema n&atilde;o &eacute; s&oacute; esse. Ao longo dos &uacute;ltimos 16 anos, quanto o Brasil pagou de juros? Um volume enorme de recursos, um Oceano Atl&acirc;ntico de dinheiro. E o drama n&atilde;o se limita s&oacute; ao dinheiro. O que deixou de ser feito nesse espa&ccedil;o de tempo por falta dele nos cofres p&uacute;blicos? O que est&aacute; por ser feito no pa&iacute;s, e n&atilde;o se fez, n&atilde;o tem pre&ccedil;o. De outro lado, a popula&ccedil;&atilde;o cresce 1,2% ao ano. A press&atilde;o por servi&ccedil;os aumenta.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro do Coutto\/Tribuna da Imprensa &nbsp;Na edi&ccedil;&atilde;o de 9 de dezembro, quinta-feira, a &ldquo;Folha de S&atilde;o Paulo&rdquo; publicou importante reportagem de Eduardo Cucolo comparando os juros que o governo Fernando Henrique pagava para rolar a d&iacute;vida mobili&aacute;ria interna junto aos bancos e aqueles que o governo Lula paga, ap&oacute;s reduzir substancialmente as taxas durante&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-38357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38357"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56434,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38357\/revisions\/56434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}