{"id":38348,"date":"2010-11-26T07:08:19","date_gmt":"2010-11-26T07:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/pre-sal-e-hora-de-retomar-a-discussao\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:14","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:14","slug":"pre-sal-e-hora-de-retomar-a-discussao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/pre-sal-e-hora-de-retomar-a-discussao-2\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal: \u00e9 hora de retomar a discuss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Passada a turbul&ecirc;ncia das elei&ccedil;&otilde;es e refor&ccedil;ada a democracia, &eacute; hora de retomarmos a discuss&atilde;o sobre o pr&eacute;-sal. Lembrando que a press&atilde;o contra a mudan&ccedil;a da Lei 9578\/97, p&eacute;ssima para o Pa&iacute;s, adiou a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto de partilha para depois das elei&ccedil;&otilde;es. Que press&atilde;o &eacute; esta e de onde vem? Ela vem dos pa&iacute;ses desenvolvidos que n&atilde;o t&ecirc;m petr&oacute;leo e calcaram as suas economias nesse produto, cada vez mais escasso e mais estrat&eacute;gico. Assim EUA, Europa e &Aacute;sia est&atilde;o numa enorme inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica. O cartel internacional est&aacute; na mesma situa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; dominou 90% das reservas mundiais e hoje tem menos de 5%. O pr&eacute;-sal &eacute; uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia para todos eles.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outro fato importante &eacute; que os analistas s&eacute;rios e independentes afirmam que estamos vivenciando o terceiro e irrevers&iacute;vel choque mundial do petr&oacute;leo: atingimos o pico de produ&ccedil;&atilde;o mundial e daqui para frente a oferta ir&aacute; cair de forma dr&aacute;stica e irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais voc&ecirc; repete exaustivamente nesta carta aberta.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isto significa o recrudescimento da luta por petr&oacute;leo, gerando preocupante aumento do pre&ccedil;o do barril. H&aacute; possibilidade, inclusive, de mais um conflito mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O pr&eacute;-sal d&aacute; ao Brasil a possibilidade de ficar numa posi&ccedil;&atilde;o confort&aacute;vel. Ele pode durar mais de 40 anos proporcionando a auto-sufici&ecirc;ncia. Mas &eacute; preciso mudar a Lei 9478\/97, heran&ccedil;a de FHC, que entrega 100% do petr&oacute;leo a quem produzir e esse produtor paga alguma coisa &agrave; Uni&atilde;o somente a partir da produ&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria de 90.000 barris por dia, mas paga, no m&aacute;ximo, 20% da produ&ccedil;&atilde;o, em dinheiro, ficando com todo o petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Governo Lula, quando soube pelos diretores da Petrobr&aacute;s da magnitude da descoberta do pr&eacute;-sal, corretamente retirou 41 blocos do 9&ordm; leil&atilde;o e criou Grupo de Trabalho para reestudar a legisla&ccedil;&atilde;o. Esse grupo, durante um ano e meio estudou v&aacute;rias alternativas e apresentou quatro propostas de Projeto de Lei para a quest&atilde;o petr&oacute;leo: 1) Fundo Social; 2) Capitaliza&ccedil;&atilde;o da Petrobr&aacute;s; 3) Cria&ccedil;&atilde;o da estatal Pr&eacute;-sal Petr&oacute;leo e 4) Mudan&ccedil;a do contrato de Concess&atilde;o para contrato de Partilha de Produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O mais importante deles &eacute; o 4&ordm; PL, porque muda o contrato de Concess&atilde;o previsto na Lei 9478\/97, artigo 26, para Partilha de produ&ccedil;&atilde;o. No primeiro, 100% da produ&ccedil;&atilde;o fica com o produtor. Na partilha, proposta do Governo Lula, o petr&oacute;leo &eacute; da Uni&atilde;o e ela remunera os custos de produ&ccedil;&atilde;o em petr&oacute;leo. Fizemos algumas simula&ccedil;&otilde;es, partindo de algumas premissas como o custo de produ&ccedil;&atilde;o estimado em US$ 30 por barril e o pre&ccedil;o do petr&oacute;leo a US$ 70\/barril. Sob estas premissas conclu&iacute;mos: na legisla&ccedil;&atilde;o vigente o Cons&oacute;rcio fica com 100% do petr&oacute;leo e paga, em dinheiro, &agrave; Uni&atilde;o, no m&aacute;ximo 18,8% da produ&ccedil;&atilde;o total (o percentual varia com o volume produzido. At&eacute; 90.000 nada &eacute; pago); com o PL 5938, proposto pelo Governo, cabem &agrave; Uni&atilde;o cerca de 60% da produ&ccedil;&atilde;o, em petr&oacute;leo. Outro avan&ccedil;o do PL do Governo &eacute; que a Petrobr&aacute;s ser&aacute; a produtora de todos os campos, o que garante a compra de equipamentos, servi&ccedil;os e gera&ccedil;&atilde;o de empregos de qualidade, al&eacute;m de desenvolver tecnologia de ponta no Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O andamento das discuss&otilde;es transcorria com relativa tranq&uuml;ilidade. Desconfiamos do fato do lobista cartel internacional, incrustado no IBP, ter feito oito audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas no Congresso: seis no Senado e duas na C&acirc;mara. Cada audi&ecirc;ncia p&uacute;blica continha cinco mesas de debate; cada mesa, dois lobistas de peso. Onde estaria o resultado disto? N&atilde;o foi preciso procurar muito. Examinando o substitutivo do relator Henrique Alves, vimos o resultado: ele introduziu uma emenda que eleva os royalties para 15% e os devolve ao cons&oacute;rcio produtor. Ela transformaria o Brasil num imenso para&iacute;so fiscal tornando o nosso contrato de partilha o pior do mundo. Mais grave: a participa&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o cai de 60% para 29%. Ou seja, o relator estuprou o projeto do Governo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando o projeto chegou ao Senado, alertamos os senadores Pedro Simon e Renan Calheiros dessa anomalia. O senador Simon fez um discurso inflamado de revolta no Senado. E, com o senador Renan, a nosso pedido, levou a informa&ccedil;&atilde;o ao presidente Lula. O senador Renan prometeu derrubar essa maldita emenda Henrique Alves.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No dia da vota&ccedil;&atilde;o no Senado, falamos com Renan e ele disse que n&atilde;o estava mais no controle da quest&atilde;o e que a decis&atilde;o estava com o senador Romero Juc&aacute;. Falamos ent&atilde;o com o senador: &ldquo;Fique tranq&uuml;ilo, disse Juc&aacute;; a emenda Ibsen e a emenda Henrique Alves est&atilde;o suspensas. Elas ser&atilde;o votadas depois das elei&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Com certo alivio, mas desconfiado, fomos ver o substitutivo do senador. A devolu&ccedil;&atilde;o dos royalties estava l&aacute;, Camuflada em 4 artigos. Portanto, o esp&iacute;rito da emenda Henrique Alves continuava.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Falamos com a assessoria do senador Simon, e, com a ajuda do deputado Ibsen eles redigiram uma emenda para neutralizar os contrabandos de Juc&aacute;. Assim, o artigo 64 do substitutivo do senador Juc&aacute;, introduzido pelo senado Simon, procura neutralizar o produto do lobby do cartel do IBP, proibindo qualquer devolu&ccedil;&atilde;o de royalty. E faz um acr&eacute;scimo para neutralizar os efeitos da emenda Ibsen contra o Rio de Janeiro: j&aacute; que a emenda Simon evita que a Uni&atilde;o d&ecirc; de presente R$ 54 bilh&otilde;es por ano para o cons&oacute;rcio (fruto da emenda Henrique Alves\/Juc&aacute;), a Uni&atilde;o pode ressarcir o Rio e demais estados produtores dos R$ 6 bilh&otilde;es que eles perdem devido &agrave; emenda Ibsen.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Finalmente, fizemos mais uma proposta para os parlamentares: mudar a Lei Kandir que isenta o petr&oacute;leo do imposto de exporta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o tem o menor sentido esse incentivo, pois o petr&oacute;leo &eacute; um produto que o mundo inteiro quer e dele necessita. Logo, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio incentivar sua exporta&ccedil;&atilde;o. Propusemos a extin&ccedil;&atilde;o desse incentivo atrav&eacute;s de um projeto de Lei. Com isto, o Rio de Janeiro ganhar&aacute; cerca de US$ 7 bilh&otilde;es a mais.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&Eacute; hora de mobiliza&ccedil;&atilde;o. Quando o petr&oacute;leo era apenas um sonho, foi feito o movimento &ldquo;o petr&oacute;leo &eacute; nosso&rdquo;, o maior movimento c&iacute;vico da hist&oacute;ria do nosso Pa&iacute;s. Agora que o petr&oacute;leo &eacute; uma realidade que supera todas as expectativas, &eacute; hora de retomar essa mobiliza&ccedil;&atilde;o, pois est&atilde;o em jogo reservas superiores a 100 bilh&otilde;es de barris, um Iraque na Am&eacute;rica Latina. &Eacute; a maior chance que o Brasil j&aacute; teve para deixar de ser o eterno pa&iacute;s do futuro e se tornar o pa&iacute;s do agora. Com sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, empregos de qualidade, seguran&ccedil;a, eliminando a triste condi&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s mais rico e vi&aacute;vel do planeta e ter um vergonhoso contingente de 50 milh&otilde;es de miser&aacute;veis, al&eacute;m do terceiro pior &iacute;ndice de desigualdade do mundo. O pr&eacute;-sal tem que ser nosso para a reden&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e social do Brasil.<\/p>\n<p><em>(*) Presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Engenheiros da Petrobr&aacute;s (Aepet) e vice-presidente do Clube de Engenharia.&nbsp;<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp;Passada a turbul&ecirc;ncia das elei&ccedil;&otilde;es e refor&ccedil;ada a democracia, &eacute; hora de retomarmos a discuss&atilde;o sobre o pr&eacute;-sal. 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