{"id":38342,"date":"2009-03-14T21:20:51","date_gmt":"2016-03-14T21:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/o-mundo-em-davos-e-em-belem-do-para\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:58","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:58","slug":"o-mundo-em-davos-e-em-belem-do-para-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-mundo-em-davos-e-em-belem-do-para-2\/","title":{"rendered":"O mundo em Davos e em Bel\u00e9m do Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<div><strong><em>&#8221; O F&oacute;rum de Davos &eacute; o invent&aacute;rio de um mundo que se dissolve. (&#8230;) O F&oacute;rum de Bel&eacute;m, ao reunir os exclu&iacute;dos do planeta e alguns poucos intelectuais solid&aacute;rios, pode ser a promessa de um mundo mais justo, o &uacute;nico poss&iacute;vel.&rdquo;<\/em><\/strong><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>OS RICOS VOLTAM A DAVOS, mas n&atilde;o carregam a arrog&acirc;ncia de antes. O mundo que nos prometiam estava alicer&ccedil;ado na lama da privatiza&ccedil;&atilde;o, das subprimes, dos derivativos. At&eacute; o ano passado, as vicissitudes financeiras eram atribu&iacute;das a operadores menores do mercado. Prevalecia a id&eacute;ia de que os grandes rombos eram acidentais, resultado de descuido dos controladores das institui&ccedil;&otilde;es financeiras, ou de fen&ocirc;menos inesperados e incontrol&aacute;veis. Agora, os grandes respons&aacute;veis se encontram nus. Livres do controle dos Estados nacionais e protegidos pelos governos, muitos dos grandes banqueiros do mundo se haviam tornado meliantes comuns.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Logo que a crise estourou, registramos, neste mesmo espa&ccedil;o, que o jogo dos derivativos lembrava, entre outras, a famosa crise do encilhamento, no Brasil, no fim do s&eacute;culo 19. Uma febre de falsa industrializa&ccedil;&atilde;o tomou conta do pa&iacute;s, com o surgimento de dezenas de grandes empreendimentos, que s&oacute; existiam na f&eacute;rtil e desonesta imagina&ccedil;&atilde;o de alguns. Da venda de a&ccedil;&otilde;es sem lastro em qualquer tipo de bens, passou-se &agrave;s &#8220;correntes&#8221;, muitas delas operadas em bancas de camel&ocirc;s nas ruas, nas quais se pagava ao apostador antigo com dinheiro do apostador novo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>S&oacute; o fundo gerido por Bernard Madoff, o criador do &iacute;ndice Nasdaq, lesou os investidores em mais de 50 bilh&otilde;es de d&oacute;lares no mesmo processo criminoso. A diferen&ccedil;a &eacute; que a sua banca estava montada em Wall Street, e a sua a&ccedil;&atilde;o envolvia o mundo inteiro. Ele e outros, de seu mesmo clube, n&atilde;o estar&atilde;o em Davos. Alguns, como &eacute; o seu caso, por se encontrarem impedidos de viajar, sob investiga&ccedil;&atilde;o criminal, com pulseiras eletr&ocirc;nicas de vigil&acirc;ncia e pris&atilde;o domiciliar. Outros, por n&atilde;o terem explica&ccedil;&otilde;es a dar sobre os truques empregados para surrupiar trilh&otilde;es de d&oacute;lares e afund&aacute;-los nas profundidades do Tri&acirc;ngulo das Bermudas, entre os sarga&ccedil;os e os para&iacute;sos fiscais.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em Bel&eacute;m se inicia mais uma reuni&atilde;o do F&oacute;rum Social Mundial, que, desde 2001, em Porto Alegre, vem sendo o contraponto ao encontro de Davos. Visto com desd&eacute;m, no in&iacute;cio, o F&oacute;rum dos pobres, ao reunir-se este ano no Par&aacute;, mostra como suas teses s&atilde;o v&aacute;lidas diante da experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica. Como podiam prever os organizadores do encontro, em que se destacavam os jornalistas Ign&aacute;cio Ramonet e Bernard Cassen, de Le Monde Diplomatique, o neoliberalismo se confirmou como mero expediente de lar&aacute;pios.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&atilde;o foram apenas ladr&otilde;es do dinheiro de investidores e dos acionistas que lhes foi confiado. Eles come&ccedil;am a ser respons&aacute;veis tamb&eacute;m pela morte direta de algumas pessoas. Na antev&eacute;spera de Natal, o aristocrata franc&ecirc;s Ren&eacute;-Thierry Magon de Villehuchet suicidou-se em seu escrit&oacute;rio de Nova York: fora intermedi&aacute;rio da aplica&ccedil;&atilde;o de 1,4 bilh&atilde;o de d&oacute;lares de seus clientes nos fundos administrados por Madoff. No campo dos pobres, a sega de vidas &eacute; bem maior.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em Los Angeles, sede da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica que disseminou o american dream para o mundo inteiro, o trabalhador hospitalar Erwin Lupoe, 40 anos, matou ter&ccedil;a-feira suas tr&ecirc;s filhas e seus dois filhos e a mulher, depois de o casal ter sido despedido da cl&iacute;nica em que trabalhava. Erwin, em seu bilhete dirigido a whom it may concern, explica que n&atilde;o podiam deixar os cinco filhos &shy; tr&ecirc;s meninas e dois meninos, a mais velha de 8 anos &shy; nas m&atilde;os de outras pessoas. N&atilde;o deixar os filhos com os outros foi tamb&eacute;m a preocupa&ccedil;&atilde;o de muitas m&atilde;es de fam&iacute;lia de Gaza, diante do massacre executado pelo Ex&eacute;rcito de Israel. Uma delas confessou que dormiam todos &shy; ela, o marido e os numerosos filhos &shy; em um s&oacute; quarto, para que morressem juntos, se fossem atingidos. A morte de toda a fam&iacute;lia era, para essas m&atilde;es, o &uacute;ltimo ref&uacute;gio, a &uacute;ltima esperan&ccedil;a. As autoridades californianas est&atilde;o preocupadas: o caso de Lupoe (assassinato de fam&iacute;lia inteira seguido de suic&iacute;dio) &eacute; o quinto, em um ano, naquele estado &shy; o mais rico da Am&eacute;rica do Norte.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<p>O F&oacute;rum de Davos &eacute; o invent&aacute;rio de um mundo que se dissolve. Ele nada tem a dizer, e melhor seria que n&atilde;o voltasse a reunir-se. O luxo e a ostenta&ccedil;&atilde;o daquele convescote nos Alpes &eacute; ofensa tamb&eacute;m aos milhares que morrem, hoje, na &Aacute;frica, massacrados pelos conflitos tribais provocados pela mis&eacute;ria e pelos dizimados pelas epidemias, como o c&oacute;lera. O F&oacute;rum de Bel&eacute;m, ao reunir os exclu&iacute;dos do planeta e alguns poucos intelectuais solid&aacute;rios, pode ser a promessa de um mundo mais justo, o &uacute;nico poss&iacute;vel.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8221; O F&oacute;rum de Davos &eacute; o invent&aacute;rio de um mundo que se dissolve. 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