{"id":38246,"date":"2009-03-14T21:20:51","date_gmt":"2016-03-14T21:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/amazonia-saques-e-perda-de-direitos\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:49","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:49","slug":"amazonia-saques-e-perda-de-direitos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/amazonia-saques-e-perda-de-direitos-2\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia &#8211; saques e perda de direitos"},"content":{"rendered":"<div>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Amaz&ocirc;nia e min&eacute;rios<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Civis e militares conhecedores da Amaz&ocirc;nia preocupam-se com o fato de estar ela indefesa diante da ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o por entidades e agentes a servi&ccedil;o de pot&ecirc;ncias estrangeiras. Isso &eacute; demonstrado por, entre outros, o general Andrade Nery, no estudo &#8220;Soberania Amea&ccedil;ada&rdquo;. Talvez um eufemismo, pois a soberania nacional est&aacute; esfrangalhada. Somente unindo-se para restaur&aacute;-la, os brasileiros t&ecirc;m chance de deixar de ser triturados pelo sistema mundial de poder.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A Amaz&ocirc;nia &eacute; a regi&atilde;o que sofre o maior saqueio mineral. N&atilde;o se controlam as pr&oacute;prias exporta&ccedil;&otilde;es documentadas. Diz Jo&atilde;o A. Medeiros, Professor do Instituto de Qu&iacute;mica da UFRJ:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;&Eacute; preciso controlar as exporta&ccedil;&otilde;es, fiscalizar com laborat&oacute;rios nos portos e aeroportos internacionais e valorizar nossos produtos! H&aacute; que industrializar as mat&eacute;rias primas, agregando valor. Um basta &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios brutos &#8230; Investiga&ccedil;&atilde;o sobre a columbita-tantalita, berilo, torianita, metais preciosos e pedras preciosas!&#8230; &ldquo;Quem distingue um diamante bruto de outros cristais transparentes, sen&atilde;o garimpeiro ou ourives?&rdquo;&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>Computando o descaminho, o subfaturamento, a inexist&ecirc;ncia de controle da quantidade e da identidade das mercadorias, bem como o fato de que a transforma&ccedil;&atilde;o industrial faz multiplicar por at&eacute; 80 o valor da mat&eacute;ria-prima, n&atilde;o h&aacute; exagero em estimar entre R$ 500 bilh&otilde;es e R$ 1 trilh&atilde;o, por ano, o saqueio dos min&eacute;rios. Sem falar no subs&iacute;dio no pre&ccedil;o da energia el&eacute;trica para grandes mineradoras, nem nos benef&iacute;cios fiscais &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>2. Capital estrangeiro e autodetermina&ccedil;&atilde;o<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O que precisa ser entendido &eacute; a estreita rela&ccedil;&atilde;o entre a ocupa&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia e a apropria&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s pelo capital estrangeiro, atrav&eacute;s dos &ldquo;investimentos diretos&rdquo;. Ela come&ccedil;ou com a ind&uacute;stria e estendeu-se a todos os setores da economia. Antes de ocupar a Amaz&ocirc;nia e de impedir o acesso de brasileiros a &aacute;reas &ldquo;ind&iacute;genas e de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental&rdquo;, os concentradores mundiais dominaram o espa&ccedil;o econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico em S&atilde;o Paulo, Rio, Minas, Bras&iacute;lia etc.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Tendo os potentados que controlam as transnacionais se tornado a classe dominante no Pa&iacute;s, a perda da autodetermina&ccedil;&atilde;o seguiu-se como conseq&uuml;&ecirc;ncia. Ademais, os d&eacute;ficits externos e a d&iacute;vida foram originados pelas transfer&ecirc;ncias para o exterior dos ganhos das transnacionais nos mercados interno e externo. O grosso dessas transfer&ecirc;ncias &eacute; feito, de maneira disfar&ccedil;ada, atrav&eacute;s do subfaturamento de exporta&ccedil;&otilde;es e superfaturamento de importa&ccedil;&otilde;es, e atrav&eacute;s de despesas, at&eacute; fict&iacute;cias, a t&iacute;tulo de servi&ccedil;os.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>3. D&iacute;vida e extors&atilde;o<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A d&iacute;vida foi potenciada por taxas de juros abusivas, comiss&otilde;es e outras extors&otilde;es, criando-se, adrede, a vulnerabilidade, para acelerar a perda da soberania. Instrumento para isso foi a fraude por meio da qual foi inserido na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 o dispositivo que privilegia as despesas do &ldquo;servi&ccedil;o da d&iacute;vida&rdquo; (juros e amortiza&ccedil;&otilde;es)&nbsp; , engordada desde 1980 pelas taxas de juros mais elevadas do Planeta.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Assim, o servi&ccedil;o da d&iacute;vida juntou-se &agrave;s transfer&ecirc;ncias das transnacionais para causar a n&atilde;o-acumula&ccedil;&atilde;o no Pa&iacute;s dos recursos nele gerados. Dessa combina&ccedil;&atilde;o resultou a queda dos investimentos desde os anos 80.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Essa &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o &ndash; que ignoram os distra&iacute;dos pela m&iacute;dia e por outras divers&otilde;es &ndash; da baixa renda e do alto desemprego numa na&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de superar o n&iacute;vel de desenvolvimento dos pa&iacute;ses &ldquo;ricos&rdquo;, desde que por eles seja deixado em paz.<\/div>\n<div>Como o Banco Central do Brasil (!) determina as taxas de juros mais altas do Mundo, os capitais especulativos fazem a festa, ajudados tamb&eacute;m pela isen&ccedil;&atilde;o de imposto de renda e da CPMF, obtendo lucros incr&iacute;veis com t&iacute;tulos p&uacute;blicos e arbitragem cambial.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Tal &eacute; a atra&ccedil;&atilde;o para capitais especulativos que as reservas do BACEN se elevaram agora para US$ 160 bilh&otilde;es. Mais preju&iacute;zo para o Brasil, pois o d&oacute;lar &eacute; uma moeda acossada pelos enormes d&eacute;ficits e d&iacute;vida externa dos EUA, al&eacute;m do colapso imobili&aacute;rio nesse pa&iacute;s.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>4. Sem capital nem tecnologia: subdesenvolvimento<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ademais da pen&uacute;ria de recursos para investimentos p&uacute;blicos, &eacute; estarrecedor o desperd&iacute;cio no que se gasta. Perdem-se 90%, ou mais, dos disp&ecirc;ndios em ci&ecirc;ncia e pesquisa, uma vez que n&atilde;o h&aacute; onde gerar inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Pois as empresas brasileiras t&ecirc;m sido massacradas pela press&atilde;o das transnacionais e da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica, que subsidia as estrangeiras e submete as nacionais a juros e a impostos extorsivos. Que soberania existe onde os nacionais n&atilde;o t&ecirc;m como desenvolver tecnologia? Isso s&oacute; se faz com empresas pr&oacute;prias e em concorr&ecirc;ncia, duas condi&ccedil;&otilde;es eliminadas pela transnacionaliza&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Esta, al&eacute;m dos danos j&aacute; apontados, leva &agrave; primariza&ccedil;&atilde;o da economia. Enquanto crescem o agroneg&oacute;cio e a minera&ccedil;&atilde;o, declina em percentual do PIB a produ&ccedil;&atilde;o de maior valor agregado. Pior: esta se realiza em transnacionais, sob depend&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica das matrizes. Tecnologia desenvolvida por brasileiros &eacute; abandonada ou apropriada pelas transnacionais.<\/div>\n<div>Essas s&atilde;o caracter&iacute;sticas de pa&iacute;ses em vias de subdesenvolvimento, fen&ocirc;meno muito repetido na hist&oacute;ria mundial: quanto maior a inser&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio exterior (hoje, globaliza&ccedil;&atilde;o) subordinada aos centros financeiros mundiais, maior &eacute; o subdesenvolvimento, como mostrou Andr&eacute; Gunder Frank.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>5. Mercado e soberania<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em suma, a entrega do mercado implica a entrega da soberania. A ascend&ecirc;ncia de empresas e bancos transnacionais sobre as decis&otilde;es governamentais tornou-se cada vez mais escandalosa. Seu poder estende-se &agrave; m&iacute;dia, &agrave;s universidades e a outros formadores de opini&atilde;o. As elei&ccedil;&otilde;es dependem em, no m&iacute;nimo, 80% de dinheiro e 20% de m&iacute;dia. Que sobra?<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Os danos n&atilde;o se medem apenas pelas colossais cifras do saqueio. Eles derivam de cada medida governamental, de cada lei aprovada. Por exemplo, a libera&ccedil;&atilde;o de sementes transg&ecirc;nicas, suscet&iacute;vel de causar desastres ecol&oacute;gicos, extorquir os brasileiros por meio do monop&oacute;lio, e acarretar fome generalizada com o fim das abelhas e da poliniza&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>6. Contas do saqueio<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Estimativa de perdas anuais: 1) descaminho e perdas na exporta&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios (R$ 800 bilh&otilde;es); 2) transfer&ecirc;ncias das transnacionais para o exterior, exclu&iacute;das as compreendidas no item 1, (R$ 400 bilh&otilde;es)&nbsp; ; 3) sua capitaliza&ccedil;&atilde;o real interna (R$ 100 bilh&otilde;es); 4) fugas de capital (R$ 100 bilh&otilde;es); 4) &ldquo;servi&ccedil;o da d&iacute;vida&rdquo; p&uacute;blica (R$ 200 bilh&otilde;es)&nbsp; ; 5) lucros cessantes com a entrega graciosa das estatais (R$ 150 bilh&otilde;es) e a desnacionaliza&ccedil;&atilde;o de bancos e empresas privadas (R$ 150 bilh&otilde;es). Total: R$ 1,9 trilh&atilde;o por ano.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Acrescentando R$ 300 bilh&otilde;es por ano dos juros, pagos e capitalizados, que pesam sobre pessoas f&iacute;sicas e jur&iacute;dicas privadas, a sangria sobe para R$ 2,2 trilh&otilde;es por ano. Essa quantia corresponde a: 5 vezes o total de investimentos anuais no Pa&iacute;s; 6 vezes a receita corrente l&iacute;quida da Uni&atilde;o; 100 vezes os investimentos da Uni&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>E ainda h&aacute; desinformados que cr&ecirc;em na lenda perversa, segundo a qual temos necessidade de capital estrangeiro, o agente sugador por excel&ecirc;ncia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>As privatiza&ccedil;&otilde;es e a desnacionaliza&ccedil;&atilde;o de empresas e bancos privados: 1) custaram centenas de bilh&otilde;es de reais ao Tesouro Nacional, como aconteceu com o dinheiro derramado no PROES e no PROES, programas para doar bancos; 2) n&atilde;o lhe renderam um centavo l&iacute;quido; 3) fizeram-lhe perder lucros de R$ 150 bilh&otilde;es por ano;&nbsp; 4) acarretaram a perda para o Pa&iacute;s de patrim&ocirc;nio incomensur&aacute;vel, em rela&ccedil;&atilde;o ao qual falar em muitas dezenas de trilh&otilde;es de d&oacute;lares proporciona uma id&eacute;ia extremamente limitada em seu horizonte temporal.&nbsp; Al&eacute;m disso, os valores monet&aacute;rios ter&atilde;o de ser revistos em breve, diante da d&eacute;b&acirc;cle das moedas internacionais hiperinflacionadas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Deve ser notado que os derivativos em d&oacute;lares e em euros, somados, passam de 300 trilh&otilde;es de d&oacute;lares. Esse valor nominal &eacute; 7 vezes o PIB mundial, que foi US$ 48,2 trilh&otilde;es em 2006.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&atilde;o h&aacute; nem como contar esses t&iacute;tulos sen&atilde;o por meio dos impulsos eletr&ocirc;nicos da inform&aacute;tica, de resto, sujeitos a manipula&ccedil;&atilde;o. Grande parte dos derivativos refere-se a &iacute;ndices de taxas de juros ou de c&acirc;mbio, sem qualquer base real. Outra parte substancial est&aacute; vinculada direta ou indiretamente a contratos hipotec&aacute;rios ou a t&iacute;tulos emitidos para financiar fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es alavancadas.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Urge, portanto, entender e ter presente que as principais moedas internacionais valem muito menos do que se pensa, e que o contr&aacute;rio se d&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o a patrim&ocirc;nios reais fabulosos, como o da Vale do Rio Doce. Essa, como outras estatais, foi fraudulentamente &ldquo;privatizada&rdquo;, na maior negociata da hist&oacute;ria mundial.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>7. O que se desenha<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O fato de se vir tolerando abusos de inimagin&aacute;vel magnitude, como os acima apontados, deixa claro que, sem mobiliza&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia, ser&atilde;o implantadas novas viola&ccedil;&otilde;es aos direitos dos brasileiros.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Essas se anunciam: na legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista; nos tributos; na previd&ecirc;ncia; no aumento das extors&otilde;es financeiras previs&iacute;vel com a aquisi&ccedil;&atilde;o da SERASA por um grupo brit&acirc;nico; na espionagem das pessoas; na repress&atilde;o judici&aacute;ria e policial; e no mais que seja requerido pelos concentradores do poder mundial.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><em>* benayon@terra.com.br. Doutor em Economia. Autor de &ldquo;Globaliza&ccedil;&atilde;o versus Desenvolvimento&rdquo;. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br<\/em><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Amaz&ocirc;nia e min&eacute;rios &nbsp; Civis e militares conhecedores da Amaz&ocirc;nia preocupam-se com o fato de estar ela indefesa diante da ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o por entidades e agentes a servi&ccedil;o de pot&ecirc;ncias estrangeiras. Isso &eacute; demonstrado por, entre outros, o general Andrade Nery, no estudo &#8220;Soberania Amea&ccedil;ada&rdquo;. 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