{"id":38230,"date":"2009-03-14T21:20:51","date_gmt":"2016-03-14T21:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/sair-da-depressao\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:48","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:48","slug":"sair-da-depressao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/sair-da-depressao-2\/","title":{"rendered":"Sair da Depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>As emiss&otilde;es do FED, o banco central privado e independente dos EUA, v&ecirc;m crescendo com incr&iacute;vel acelera&ccedil;&atilde;o. S&oacute; nos &uacute;ltimos seis meses, as novas emiss&otilde;es chegaram a US$ 8 trilh&otilde;es. Entretanto, qualquer economista dotado de alguma compet&ecirc;ncia, e n&atilde;o condicionado pelas palavras de ordem do sistema, est&aacute; vendo que mesmo emiss&otilde;es dessa grandeza fant&aacute;stica s&atilde;o, de longe, insuficientes para deter o colapso financeiro nos EUA. A situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; diferente no Reino Unido, nos pa&iacute;ses do euro e na Su&iacute;&ccedil;a.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Nos EUA passam de US$ 165 trilh&otilde;es os derivativos dos quatro bancos com maior exposi&ccedil;&atilde;o. &nbsp;Em todo o Mundo, segundo o Banco de Liquida&ccedil;&otilde;es Internacionais (BIS na sigla em ingl&ecirc;s), o estoque, em valor nominal, dos derivativos &eacute; da ordem de US$ 600 trilh&otilde;es. Ningu&eacute;m conhece o valor real, ou de mercado, desse Himalaia de lan&ccedil;amentos eletr&ocirc;nicos, mas quem acompanha a seq&uuml;&ecirc;ncia do colapso financeiro e examina suas causas, sabe que ele &eacute; pequena fra&ccedil;&atilde;o do valor nominal deles.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Sabe tamb&eacute;m que essa fra&ccedil;&atilde;o decresce &agrave; medida que a depress&atilde;o da economia real entra em cena. Com esta, perdem cada vez mais valor os ativos finais sobre os quais os manipuladores do mercado fizeram assentar (?) a montanha de t&iacute;tulos derivados.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>En passant, a oligarquia financeira mundial, cuja lideran&ccedil;a tem no ingl&ecirc;s sua l&iacute;ngua materna (Reino Unido e EUA), n&atilde;o permite que os &acirc;ncoras de televis&atilde;o e demais comunicadores das redes jornal&iacute;sticas usem palavras descritivas da realidade.&nbsp; O <em>colapso<\/em> do sistema financeiro e o das moedas mundiais de reserva &#8211; &nbsp;como d&oacute;lar, euro,&nbsp; libra &ldquo;esterlina&rdquo; e franco su&iacute;&ccedil;o &ndash; deve ser mais que claro para todos, pelo menos desde 2007.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Isso podia ser percebido, h&aacute; muito mais tempo, por quem acompanhasse a expans&atilde;o dos ativos financeiros nos &uacute;ltimos anos e o crescimento explosivo dos derivativos.&nbsp; Mas os comunicadores s&oacute; falam em <em>crise<\/em>, como se se tratasse de algo passageiro.<em> <\/em><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><em>Depress&atilde;o<\/em> &eacute; outra palavra banida. &Eacute; evidente, desde 2008, a derrocada econ&ocirc;mica e social, in&iacute;cio da depress&atilde;o, que ser&aacute; provavelmente mais longa e profunda que a de 1930 a 1943.&nbsp; Mas os papagaios do sistema continuam falando s&oacute; em<em> recess&atilde;o<\/em> e dizendo que ela poder&aacute; terminar este ano ou no pr&oacute;ximo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Para dar exemplo gritante, o principal banco exposto em derivativos nos EUA, o J.P. Morgan\/Chase, os tem em valor nominal de 87,7 trilh&otilde;es. Seus ativos financeiros somam US$ 1,77 trilh&atilde;o (quase 50 vezes menos que o valor nominal dos derivativos), e a base de capital &eacute; 400 vezes menor.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Como assinalou Andrew Hughes, em artigo de 27 de janeiro, dados como esse s&atilde;o oficiais e dispon&iacute;veis nas estat&iacute;sticas do Controlador da Moeda dos EUA. Entretanto, como o analista previu, eles n&atilde;o est&atilde;o sendo discutidos no debate do Congresso dos EUA ao votar novos socorros com dinheiro p&uacute;blico em favor dos bancos enrascados com os derivativos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O que o FED e o Tesouro dos EUA fazem &eacute; jogar mais gasolina na fogueira da futura hiperinfla&ccedil;&atilde;o, a qual s&oacute; ainda n&atilde;o est&aacute; presente por haver a demanda por consumo e por investimento despencado em decorr&ecirc;ncia da depress&atilde;o em marcha. Esta, por sua vez, adv&eacute;m do colapso do cr&eacute;dito em face dos rombos nos balan&ccedil;os dos bancos, por causa de derivativos apoiados, como castelos de cartas, em ativos cada vez mais fr&aacute;geis.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O d&oacute;lar vinha caindo at&eacute; o colapso ter levado investidores n&atilde;o-norte-americanos a se voltar de novo para os t&iacute;tulos do Tesouro americano. A &nbsp;sobrevida do d&oacute;lar prov&eacute;m do fato de os europeus se terem metido ainda mais fundo nos derivativos. Mas, em fun&ccedil;&atilde;o da hiperinfla&ccedil;&atilde;o em d&oacute;lares e do endividamento astron&ocirc;mico do Tesouro dos EUA, n&atilde;o vai demorar a ir para o espa&ccedil;o a id&eacute;ia de que seus t&iacute;tulos possam ser porto seguro.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Isso n&atilde;o significa, como cr&ecirc;em alguns observadores, o fim do poder da oligarquia anglo-norte-americana, cujas dinastias comandam os governos dos EUA e do Reino Unido, sem falar nos dos quase-sat&eacute;lites europeus e outros, al&eacute;m dos das periferias. Essa oligarquia comanda as mentes, Mundo afora, atrav&eacute;s das universidades e controla o poder militar atrav&eacute;s daquelas pot&ecirc;ncias e de suas associadas subalternas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>De qualquer modo, para evitar afundar-se no caos financeiro e na depress&atilde;o, o &uacute;nico caminho para o Brasil seria desatrelar-se, o mais poss&iacute;vel, da &ldquo;<em>comunidade internacional&rdquo;<\/em>, um enorme eufemismo para mascarar rela&ccedil;&otilde;es imperiais que fazem perpetuar o subdesenvolvimento do Pa&iacute;s em condi&ccedil;&otilde;es sociais, culturais e pol&iacute;ticas crescentemente lastim&aacute;veis.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><strong>* &#8211; Adriano Benayon &eacute; Doutor em Economia. Autor de <em>&ldquo;Globaliza&ccedil;&atilde;o versus Desenvolvimento&rdquo;, <\/em>editora Escrituras. <\/strong><a href=\"mailto:benayon@terra.com.br\"><strong>benayon@terra.com.br<\/strong><\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As emiss&otilde;es do FED, o banco central privado e independente dos EUA, v&ecirc;m crescendo com incr&iacute;vel acelera&ccedil;&atilde;o. S&oacute; nos &uacute;ltimos seis meses, as novas emiss&otilde;es chegaram a US$ 8 trilh&otilde;es. 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