{"id":38220,"date":"2009-03-14T21:20:51","date_gmt":"2016-03-14T21:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/artigo\/o-lucro-dos-bancos-e-o-desemprego\/"},"modified":"2017-10-26T09:08:46","modified_gmt":"2017-10-26T11:08:46","slug":"o-lucro-dos-bancos-e-o-desemprego-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/o-lucro-dos-bancos-e-o-desemprego-2\/","title":{"rendered":"O lucro dos bancos e o desemprego"},"content":{"rendered":"<p><span><\/p>\n<p><em><strong>Bancos lucram em cima da produ&ccedil;&atilde;o e provocam aumento do desemprego<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Com um dos maiores spreads do mundo, setor banc&aacute;rio brasileiro corrobora para que a crise econ&ocirc;mica cres&ccedil;a no pa&iacute;s<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os bancos no Brasil parecem n&atilde;o estar sendo afetados pela crise econ&ocirc;mica mundial. Seus lucros, obtidos em grande medida por meio do spread (diferen&ccedil;a entre os juros que pagam para obter empr&eacute;stimos e a taxa que cobram quando oferecem cr&eacute;dito), criam obst&aacute;culos internos ao desenvolvimento produtivo do pa&iacute;s, refletindo, ao final, no desemprego. A pol&iacute;tica monet&aacute;ria brasileira beneficia sobretudo os banqueiros que, ao seu bel-prazer, tra&ccedil;am seus pr&oacute;prios crit&eacute;rios operacionais para estruturar o spread.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Banco Santander &eacute; um exemplo de como o Brasil fez com que a tempestade da crise se transforme numa refrescante chuva de ver&atilde;o para os bancos. A empresa registrou em 2008 uma redu&ccedil;&atilde;o de 2% de seu lucro em rela&ccedil;&atilde;o a 2007, atingindo 8,8 bilh&otilde;es de euros. No Brasil, por&eacute;m, seu lucro foi 22% maior, alcan&ccedil;ando 1,1 bilh&atilde;o de euros, que em reais representa R$ 3,2 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Santander &eacute; o terceiro banco que cobram mais caro pelo cheque especial, contabilizando 9,9% de taxa de juros ao m&ecirc;s. Se voc&ecirc; tiver d&iacute;vidas com essa institui&ccedil;&atilde;o, talvez j&aacute; tenha se convencido de que o Brasil &eacute; o melhor cen&aacute;rio para o lucro banc&aacute;rio e o pior cen&aacute;rio para o cr&eacute;dito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucro embutido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; no &iacute;ndice do spread banc&aacute;rio que est&aacute; embutido boa parte do lucro dessas empresas financeiras. Grosso modo, &eacute; a soma do spread com a taxa de capta&ccedil;&atilde;o (o custo de obten&ccedil;&atilde;o dos recursos financeiros pelos bancos comerciais) que formam os juros cobrados sobre os empr&eacute;stimos a pessoas f&iacute;sicas ou jur&iacute;dicas. J&aacute; o spread &eacute; composto por impostos, dep&oacute;sitos compuls&oacute;rios, despesas administrativas, risco de inadimpl&ecirc;ncia e, claro, a margem de lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo de 2008, os brasileiros pagaram um spread m&eacute;dio de 26,6 pontos percentuais. Em dezembro, o &iacute;ndice chegou a 30,6%. A m&eacute;dia praticada em outros 42 pa&iacute;ses pesquisados pela Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de S&atilde;o Paulo (Fiesp), que representam mais de 90% do PIB mundial, &eacute; de tr&ecirc;s pontos percentuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo trimestre de 2008, conforme a Fiesp, o setor industrial brasileiro despendeu R$ 5,5 bilh&otilde;es, em m&eacute;dia, por m&ecirc;s, s&oacute; para pagar juros, ante uma m&eacute;dia mensal de R$ 4,4 bilh&otilde;es entre janeiro e setembro. No custo para capta&ccedil;&atilde;o de recursos dos bancos, entretanto, a m&eacute;dia passou de R$ 3,72 bilh&otilde;es para R$ 4 bilh&otilde;es. Quer dizer, os juros tiveram um aumento de 25% enquanto a taxa de capta&ccedil;&atilde;o contou com uma varia&ccedil;&atilde;o de 7,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Spread contra emprego<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o h&aacute; a menor d&uacute;vida de que o spread banc&aacute;rio &eacute; um gigantesco entrave ao desenvolvimento, inclusive ao gerenciamento da crise que est&aacute; se aprofundando&rdquo;, lembra Reinaldo Gon&ccedil;alves, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; preciso compreender que, n&atilde;o somente no momento de crise, &eacute; esse lucro dos bancos, embutido no spread, que resulta nos juros altos. Estes, por conseguinte, dificultam o investimento produtivo de empresas e ret&ecirc;m o cr&eacute;dito a pessoas f&iacute;sicas. Toda essa onda vai na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao desenvolvimento econ&ocirc;mico. Quando ela quebra, &eacute; o trabalhador que paga o pre&ccedil;o, perdendo seu emprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A desacelera&ccedil;&atilde;o na expans&atilde;o da oferta de cr&eacute;dito teve um impacto direto nas empresas. Somado aos demais efeitos da crise (como a dificuldade de captar recursos no exterior e a queda das exporta&ccedil;&otilde;es), a alta do custo financeiro contribuiu para a redu&ccedil;&atilde;o da atividade econ&ocirc;mica. Tanto que a produ&ccedil;&atilde;o industrial caiu 7,5%, de setembro para novembro. E a situa&ccedil;&atilde;o ficou ainda pior. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) mostram que houve recuo de 1,8% no n&iacute;vel de emprego na ind&uacute;stria em dezembro, quando comparado a novembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais um dado revela como o capital financeiro se sobressai ao capital produtivo no Brasil. Segundo a Fiesp, na m&eacute;dia, entre outubro e dezembro, os desembolsos para pagamentos de juros foram 11% superiores aos gastos com sal&aacute;rios. De janeiro a setembro, a m&eacute;dia das despesas financeiras correspondia a 95% dos gastos mensais com sal&aacute;rios. Para Denise Gentil, diretora adjunta de Estudos Macroecon&ocirc;micos do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), esses juros altos, que comprimem os investimentos, tamb&eacute;m desestimulam o consumo. &ldquo;No todo, haver&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o de demanda agregada e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, o aumento do estoque das ind&uacute;strias. E a&iacute; as ind&uacute;strias se veem diante de trabalhadores que elas n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de sustentar nas fileiras de trabalho&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Disfuncional<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo cobra dos bancos que liberou o Imposto sobre Opera&ccedil;&otilde;es Financeiras (IOF), reduziu a taxa do dep&oacute;sito compuls&oacute;rio e a Selic em janeiro e, mesmo assim, os juros finais n&atilde;o ca&iacute;ram. Os bancos, por sua vez, culpam o fator inadimpl&ecirc;ncia pela eleva&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista Jos&eacute; Carlos de Assis, presidente do Instituto Desemprego Zero, desconsidera o argumento e acusa justamente o alto spread cobrado pelos bancos como o principal culpado da inadimpl&ecirc;ncia dos clientes, pelo simples fato de n&atilde;o conseguirem pagar as altas taxas. De acordo com ele, &eacute; por essas e outras que o sistema banc&aacute;rio nacional se tornou disfuncional e criou um c&iacute;rculo vicioso quanto &agrave; falta de acesso ao capital produtivo. &Eacute;, sobretudo, por causa desse c&iacute;rculo vicioso, provocado pelo sistema banc&aacute;rio nacional, que, segundo Assis, a crise atingiu o Brasil, &ldquo;ao lado da queda de exporta&ccedil;&otilde;es, que &eacute; um fator externo&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancos lucram em cima da produ&ccedil;&atilde;o e provocam aumento do desemprego Com um dos maiores spreads do mundo, setor banc&aacute;rio brasileiro corrobora para que a crise econ&ocirc;mica cres&ccedil;a no pa&iacute;s &nbsp; &nbsp; Os bancos no Brasil parecem n&atilde;o estar sendo afetados pela crise econ&ocirc;mica mundial. 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