{"id":35157,"date":"2013-11-16T08:43:47","date_gmt":"2013-11-16T10:43:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/lupi-em-entrevista-a-folha-fala-do-passado-presente-e-futuro\/"},"modified":"2013-11-16T08:43:47","modified_gmt":"2013-11-16T10:43:47","slug":"lupi-em-entrevista-a-folha-fala-do-passado-presente-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/lupi-em-entrevista-a-folha-fala-do-passado-presente-e-futuro\/","title":{"rendered":"Lupi, em entrevista \u00e0 &#8216;Folha&#8217;, fala do passado, presente e futuro"},"content":{"rendered":"<p><em>O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, acordou ced&iacute;ssimo na &uacute;ltima quarta (14\/11) para dar esta entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da &ldquo;Folha de S&atilde;o Paulo&rdquo; e do portal da UOL, porque ainda de manh&atilde;, bem cedo, teria que estar na Base A&eacute;rea de Bras&iacute;lia para receber os restos mortais do presidente Jo&atilde;o Goulart, procedentes de S&atilde;o Borja (RS), junto com a fam&iacute;lia do &uacute;ltimo presidente Trabalhista do Brasil. Ele deu conta dos dois compromissos. E fala, nesta que talvez seja a maior e mais detalhada entrevista que j&aacute; deu nos &uacute;ltimos tempos, sobre tudo e todos. N&atilde;o deixe de ler. (OM)<\/em><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Narra&ccedil;&atilde;o de abertura:<\/strong>&nbsp;Carlos Lupi tem 56 anos. Jornaleiro, &eacute; formado em administra&ccedil;&atilde;o pela Faculdade do Centro Educacional de Niter&oacute;i.<\/p>\n<p>Aos 22 anos, Carlos Lupi trabalhava em uma banca de jornal em frente ao hotel onde Brizola se hospedou no Rio ap&oacute;s voltar do ex&iacute;lio, em 1979.<\/p>\n<p>Lupi sempre arrumava jornais do Rio Grande do Sul para o ga&uacute;cho Brizola. Por isso, ganhou a confian&ccedil;a do ent&atilde;o presidente do PDT.<\/p>\n<p>Em 1983, Carlos Lupi assumiu um cargo administrativo na prefeitura do Rio de Janeiro. Sete anos depois, tornou-se secret&aacute;rio de Transportes do ent&atilde;o prefeito Marcelo Alencar.<br \/> Carlos Lupi tamb&eacute;m se elegeu deputado federal e suplente de senador.<\/p>\n<p>Em 2007, Carlos Lupi foi nomeado ministro do Trabalho pelo ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. Ele deixou a pasta em 2011, no governo de Dilma Rousseff, em meio a suspeitas de desvio de dinheiro p&uacute;blico no seu minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Carlos Lupi assumiu a presid&ecirc;ncia do PDT em 2004, ap&oacute;s a morte de Leonel Brizola, e comanda o partido at&eacute; hoje.<\/p>\n<p><strong>Folha\/UOL:<\/strong>&nbsp;Ol&aacute; internauta. Bem vindo a mais um Poder e Pol&iacute;tica Entrevista. Este programa &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o do jornal&nbsp;<strong>Folha de S. Paulo<\/strong>&nbsp;e do portal UOL. A grava&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada aqui no est&uacute;dio do grupo Folha, em Bras&iacute;lia. Hoje, o entrevistado do Poder e Pol&iacute;tica &eacute; o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fernando Rodrigues: &nbsp;&#8212; Ol&aacute;, como vai o senhor, tudo bem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><strong>Carlos Lupi: &nbsp;<\/strong><strong>&#8212; <\/strong>Bom dia. Tudo bem, tudo &oacute;timo.<\/p>\n<p><strong>O PDT foi a legenda, talvez, mais prejudicada pela migra&ccedil;&atilde;o recente de deputados para outros partidos que acabaram de ser criados. Por que isso aconteceu?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que isso &eacute; um pouco, infelizmente, um processo do retrato da pol&iacute;tica brasileira. A fidelidade n&atilde;o &eacute; uma regra. Infelizmente a infidelidade &eacute; que &eacute; a regra na pol&iacute;tica nacional. Eu estou dentro da funda&ccedil;&atilde;o, dentro do PDT, desde 26 de maio de 1980. Nunca tive outro partido e eu quero te dizer que at&eacute; hoje eu me impacto com a facilidade de como as pessoas entram e saem de um partido pol&iacute;tico. E acabamos sendo mais prejudicados porque, de dentro do partido, as pessoas estavam fundando um outro partido. E de uma maneira muito desleal. Porque, por exemplo, o Paulinho, o Paulinho chamado Paulinho da For&ccedil;a, era presidente do partido em S&atilde;o Paulo. Durante 10 anos membro da dire&ccedil;&atilde;o nacional do partido, e negava de p&eacute;s juntos, pela m&atilde;e e pelo pai, que estivesse fazendo outro partido. E, de repente, no dia da homologa&ccedil;&atilde;o pelo Tribunal Superior Eleitoral ele era um que publicamente mais comemorava por ser o fundador e depois se tornou o presidente nacional do partido. Mas a gente tem que olhar pra frente. Isso &eacute; do processo, infelizmente, da pol&iacute;tica brasileira que tem muita trai&ccedil;&atilde;o e pouca lealdade.<\/p>\n<p><strong>Um deputado que estava j&aacute; h&aacute; muitos anos no PDT, Miro Teixeira, do Rio de Janeiro, diz que saiu do partido e foi se filiar ao Pros, novo partido. Miro Teixeira diz que o PDT perdeu a refer&ecirc;ncia. O que ele quis dizer com isso?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que demorou para reparar isso, n&eacute;? Porque as pessoas demoram tantos anos para saber o que &eacute; refer&ecirc;ncia, o que n&atilde;o &eacute; refer&ecirc;ncia. Virou um amigo pessoal, mas ele j&aacute; tinha, quando o Brizola era vivo ainda, ele era ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, ele j&aacute; tinha sa&iacute;do do partido. Tinha ido para o PT. Depois foi para o PPS. E depois, como a gente &eacute; como cora&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e, recebe bem o filho que volta &agrave; casa, n&oacute;s o recebemos de volta. Acho que demorou para reparar isso.<\/p>\n<p><strong>O efeito que isso ter&aacute; sobre o PDT n&atilde;o pode impedir que o partido repita o n&uacute;mero de deputados eleitos na elei&ccedil;&atilde;o do ano que vem?<\/strong><br \/> &#8212; Ao contr&aacute;rio, porque em alguns casos, especificamente o de S&atilde;o Paulo, voc&ecirc; est&aacute; abrindo partido. N&oacute;s, desde o acontecido das deser&ccedil;&otilde;es, n&oacute;s estamos dedicando muito da dire&ccedil;&atilde;o nacional &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o do partido em S&atilde;o Paulo. E n&oacute;s estamos com um partido muito vivo. Trabalhismo &eacute; uma sigla que tem muita hist&oacute;ria. Trabalhismo tem muita refer&ecirc;ncia e por isso &eacute; muito combatido. Foi assim com Get&uacute;lio [Vargas], foi assim com Jango [Jo&atilde;o Goulart], foi assim com [Leonel] Brizola. A hist&oacute;ria do trabalhismo &eacute; uma hist&oacute;ria de um partido que tem um lado. E um lado das grandes maiorias silenciosas, das grandes maiores discriminadas. E isso faz da gente tamb&eacute;m v&iacute;tima de muita descrimina&ccedil;&atilde;o. E &eacute; o que Brizola falava: n&oacute;s somos um f&ocirc;lego de sete gatos. N&oacute;s vamos sobrevivendo a todas as intemp&eacute;ries que acontecem no processo eleitoral.<\/p>\n<p><strong>O senhor mencionou Leonel Brizola, que &eacute; um dos pais fundadores do PDT, mas tem outro correligion&aacute;rio do PDT, atual, que n&atilde;o poupa ataques &agrave; legenda. &Eacute; o vereador do Rio de Janeiro, Brizola Neto, que j&aacute; disse, publicamente, que a c&uacute;pula do PDT, abrem aspas, &#8220;camarilha de bandidos&#8221;, e afirmou isso, que essa &#8220;quadrilha&#8221;, tamb&eacute;m entre aspas, teria se instalado no Minist&eacute;rio do Trabalho. Por que Brizola Neto diz isso?<\/strong><br \/> &#8212; Vai ter que perguntar a ele e &agrave; Justi&ccedil;a, porque j&aacute; est&aacute; com alguns processos para ser responsabilizado sobre aquilo que ele fala. N&atilde;o podemos ter na pol&iacute;tica uma leviandade de, com muita tranquilidade, acusar, ter o destaque da acusa&ccedil;&atilde;o. Inclusive isso tem muito na m&iacute;dia nacional. A acusa&ccedil;&atilde;o, a desgra&ccedil;a, a morte, a tortura tem primeira p&aacute;gina. A defesa, a inoc&ecirc;ncia, &eacute; rabo de folha. Eu fui jornaleiro, por isso que eu sei que &eacute; o rodap&eacute; da p&aacute;gina. Esse cidad&atilde;o est&aacute; sendo processado e vamos esperar a Justi&ccedil;a agir. Eu n&atilde;o respondo a leviandade. Eu respondo com processo.<\/p>\n<p><strong>A impress&atilde;o geral que se tem, quem acompanha a pol&iacute;tica h&aacute; alguns anos, &eacute; que depois da morte de Leonel Brizola houve uma dificuldade para o PDT encontrar uma nova &acirc;ncora que o sustentasse. Essa impress&atilde;o &eacute; correta?<\/strong><br \/> &#8212; Claro que &eacute;. Brizola n&atilde;o &eacute; s&oacute; a &acirc;ncora. Brizola era o pr&oacute;prio navio. Ele era o condutor, ele era a hist&oacute;ria, ele era a pr&oacute;pria o Brizola sempre foi maior que o PDT. Agora, muitos diziam que quando a gente enterrava o Brizola fisicamente, o corpo f&iacute;sico dele, l&aacute; em S&atilde;o Borja, no dia 21.jun.2004, acabava o trabalhismo do PDT. J&aacute; se passaram dez anos e a nossa bancada, mesmo com as deser&ccedil;&otilde;es de &uacute;ltima hora, que sempre acontecem pela conveni&ecirc;ncia eleitoral, s&oacute; tem aumentado. N&oacute;s come&ccedil;amos com oito, passou para 21, 23, 27 e a minha proje&ccedil;&atilde;o, para a pr&oacute;xima elei&ccedil;&atilde;o, &eacute; fazer de 30 a 35 deputados federais. Aumentamos o n&uacute;mero de vereadores, temos tr&ecirc;s prefeitos de capitais importantes, prefeito de Porto Alegre, Jos&eacute; Fortunati, prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, prefeito de Natal, Carlos Eduardo. E temos um partido que tem as dificuldades de todos os partidos, mas que tem uma posi&ccedil;&atilde;o clara em defesa do trabalhador, do projeto de na&ccedil;&atilde;o, cuja prioridade absoluta da gente &eacute; educa&ccedil;&atilde;o em tempo integral e da luta por aquilo que n&oacute;s acreditamos que seja o melhor para o nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Hoje, a bancada dos PDT tem quantos deputados? E o senhor espera que ela tenha de 30 a<\/strong><br \/> &#8212; A 35. Temos 19. T&iacute;nhamos 27, com essas deser&ccedil;&otilde;es passamos para 19, 18, porque um &eacute; de suplente ent&atilde;o fica nessa interinidade. E vamos fazer no m&iacute;nimo 30, podemos chegar a 35 deputados.<\/p>\n<p><strong>O que d&aacute; certeza para o senhor que isso vai acontecer?<\/strong><br \/> &#8212; O trabalho que a gente est&aacute; fazendo h&aacute; dois anos. Estou me dedicando desde que sa&iacute; do Minist&eacute;rio do Trabalho a organizar o partido de cada Estado. Minha previs&atilde;o &eacute; de que pelo menos em cada Estado tenhamos uma representa&ccedil;&atilde;o. Se tivermos s&oacute; um em cada Estado, s&atilde;o 27. Em alguns Estados o partido tem mais presen&ccedil;a: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Paran&aacute;, Minas, que n&oacute;s teremos, com certeza, de dois a tr&ecirc;s deputados.<\/p>\n<p><strong>No momento, o PDT tem estado como aliado oficial do governo federal do PT, da presidente Dilma Rousseff, em geral, em Bras&iacute;lia, a gente ouve dos aliados do PT que esse partido &eacute; um pouco fominha. O PT quer ter mais espa&ccedil;o que os outros na elei&ccedil;&atilde;o. Por que eu estou dizendo isso? O senhor disse que vai eleger de 30 a 35 deputados. O senhor acha poss&iacute;vel com a alian&ccedil;a com o PT conseguir ampliar desse jeito?<\/strong><br \/> &#8212; N&atilde;o depende muito da alian&ccedil;a nacional. As bancadas federais, elas t&ecirc;m cada vez mais, no Brasil, a fotografia da realidade local. Cada vez mais um voto est&aacute; sendo distritalizado, regionalizado. O que faz eleger deputados s&atilde;o as fotografias das lideran&ccedil;as de cada Estado. A alian&ccedil;a nacional &eacute; uma esp&eacute;cie de norte que o partido tem. N&oacute;s estamos com a presidente Dilma n&atilde;o &eacute; s&oacute; por ter um espa&ccedil;o dentro do governo, mas principalmente porque ela tem uma linha pol&iacute;tica que tem nossa origem. Dilma foi trabalhista, foi fundadora do PDT. Durante mais de dez anos convivemos. A presidente Dilma tem uma vis&atilde;o estrat&eacute;gica de papel do Estado, do refor&ccedil;o do Estado eficiente, da vis&atilde;o dos direitos trabalhadores, o que n&oacute;s temos. N&oacute;s, inclusive, fomos o primeiro partido na elei&ccedil;&atilde;o em que ela foi lan&ccedil;ada pelo presidente Lula a apoi&aacute;-la. E n&atilde;o temos dificuldade nenhuma de ter uma excelente rela&ccedil;&atilde;o com ela.<\/p>\n<p><strong>O PTD hoje participa do governo com o Minist&eacute;rio do Trabalho. &Eacute; poss&iacute;vel que a presidente fa&ccedil;a uma reforma ministerial, como j&aacute; sugeriu, no final do ano, por conta de ministros que v&atilde;o ser candidatos no ano que vem. O PDT deseja manter a sua vaga no minist&eacute;rio, na Esplanada dos Minist&eacute;rios, deseja ampli&aacute;-la, qual a expectativa do PDT?<\/strong><br \/> &#8212; Cargo de ministro &eacute; um cargo de confian&ccedil;a da presidente. Quem decide quem deve ou n&atilde;o ser um ministro &eacute; a pr&oacute;pria presidente. Nossa expectativa &eacute; de continuar no minist&eacute;rio, &eacute; o que ela tem demonstrado para a gente, e desenvolver o nosso trabalho que sempre desenvolvemos na defesa dos direitos trabalhistas.<\/p>\n<p><strong>O PDT est&aacute; bem representado, na Esplanada, com um Minist&eacute;rio?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212; Eu acho que sim, porque n&atilde;o &eacute; qualquer um minist&eacute;rio. &Eacute; um minist&eacute;rio que tem a ver com a nossa hist&oacute;ria. Um minist&eacute;rio que tem a ver com as leis trabalhistas, a hist&oacute;ria do refor&ccedil;o do mundo sindical, a hist&oacute;ria das defesas dos direitos dos trabalhadores, tem tudo a ver com a nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><strong>O partido pretende, no ano que vem, definir quando a sua alian&ccedil;a em n&iacute;vel nacional para a disputa de 2014?<\/strong><br \/> &#8212; Todos os partidos s&oacute; definem isso em suas conven&ccedil;&otilde;es, &eacute; claro que n&oacute;s j&aacute; estamos no governo, n&atilde;o &eacute; de ontem, j&aacute; estamos desde 2007. V&atilde;o fazer sete anos agora, no final do ano. &Eacute; claro que essa &eacute; a tend&ecirc;ncia nacional, de ter esse apoio &agrave; presidente Dilma. Isso &eacute; o que eu acho que acontecer&aacute;. Mas o processo pol&iacute;tico &eacute; um processo muito din&acirc;mico. Ningu&eacute;m at&eacute; &agrave;s v&eacute;speras das manifesta&ccedil;&otilde;es de junho acreditava que poderia ter uma manifesta&ccedil;&atilde;o dessa no pa&iacute;s, que nunca teve. Foi um fato in&eacute;dito, diferenciado, e aconteceu. Ent&atilde;o a pol&iacute;tica &eacute; din&acirc;mica, tem que estar muito atualizado com ela. E a gente &eacute; um partido de car&aacute;ter nacional. Nosso partido existe nas 27 unidades da representa&ccedil;&atilde;o, do Estado da federa&ccedil;&atilde;o. Tem representante nos 27 Estados. &Eacute; um partido que tem 33 anos de hist&oacute;ria, n&atilde;o fomos feitos ontem ou por arranjo de qualquer tribunal, ao contr&aacute;rio, n&oacute;s perdemos a sigla PTB e tivemos que criar uma nova sigla, em 1980, quando nos tiraram a sigla do PTB. &Eacute; um partido que tem hist&oacute;ria. Como eu digo, n&oacute;s temos honra dos nossos mortos.<\/p>\n<p><strong>O PDT tem a tend&ecirc;ncia de ficar apoiando a presidente Dilma, o senhor est&aacute; dizendo. Agora, em que hip&oacute;tese o PDT poderia n&atilde;o apoiar a presidente Dilma?<\/strong><br \/> &#8212; Se tivesse uma candidatura que representasse uma postura mais &agrave; esquerda que a dela, que tivesse avan&ccedil;os sociais, uma pol&iacute;tica de distribui&ccedil;&atilde;o de renda mais forte, para mim a melhor pol&iacute;tica de distribui&ccedil;&atilde;o de renda &eacute; sal&aacute;rio. Maior o sal&aacute;rio, maior a distribui&ccedil;&atilde;o de renda. E eu n&atilde;o estou vendo isso. Eu estou vendo todas as candidaturas a&iacute; colocadas mais &agrave; direita da postura da presidente Dilma.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o hoje h&aacute; tr&ecirc;s candidaturas, basicamente, pr&eacute;-colocadas. A da pr&oacute;pria presidente Dilma, que concorrer&aacute; &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, possivelmente. A candidatura do senador A&eacute;cio Neves, do PSDB, de Minas Gerais, e a pr&eacute;-candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que ter&aacute; de alguma forma o apoio de Marina Silva, que foi senadora. Eduardo Campos junto com Marina Silva, A&eacute;cio Neves, do PSDB, o senhor considera que at&eacute; o momento eles se apresentam &agrave; direita da candidatura de Dilma?<\/strong><br \/> &#8212; Eu n&atilde;o entro na classifica&ccedil;&atilde;o das pessoas, porque eu sou amigo do pessoal, tanto do A&eacute;cio como do Eduardo, h&aacute; muitos anos. Eu classifico a postura pol&iacute;tica, a gente tem que discutir, debater a pol&iacute;tica pelas propostas, pelos projetos apresentados. E para mim, o principal tema a ser discutido &eacute; a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica. N&oacute;s n&atilde;o podemos ter uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que n&atilde;o vislumbre a prioriza&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro, da economia nacional, da valoriza&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio, da gera&ccedil;&atilde;o de emprego. Pouca gente fala isso, mas foram mais de 17 milh&otilde;es de empregos formais criados nos &uacute;ltimos dez anos. Isso significa mais distribui&ccedil;&atilde;o de renda, isso significa mais comida na mesa do trabalhador. Essa pol&iacute;tica eu n&atilde;o estou vendo ningu&eacute;m que apresente mais avan&ccedil;os. Eu estou vendo o contr&aacute;rio. Eu estou vendo muita discuss&atilde;o do equil&iacute;brio fiscal. O que &eacute; o equil&iacute;brio fiscal? Uma pergunta que a gente tem um econom&ecirc;s muito sofisticado que vende para a popula&ccedil;&atilde;o fora do mundo real. O mundo real, da popula&ccedil;&atilde;o, quer saber como est&aacute; infla&ccedil;&atilde;o, como est&aacute; o pre&ccedil;o da comida e como est&aacute; o seu sal&aacute;rio e sua vida. Esse equil&iacute;brio fiscal &eacute; muito das contas de projetos governistas para atenderem ao sistem&atilde;o econ&ocirc;mico, para atender ao establishment de poder. E eu penso que esse n&atilde;o &eacute; o caminho correto.<\/p>\n<p><strong>O senhor est&aacute; dizendo que esse tipo de discuss&atilde;o o senhor tem enxergado mais nas candidaturas ou nas for&ccedil;as que representam as candidaturas de A&eacute;cio Neves e Eduardo Campos?<\/strong><br \/> &#8212; Com certeza, estou afirmando isso.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o o senhor v&ecirc; com dificuldades ou como impossibilidade j&aacute; definitiva apoiar esses dois candidatos?<\/strong><br \/> &#8212; Dificuldades porque eu n&atilde;o digo que &eacute; impossibilidade, porque o ser humano &eacute; o &uacute;nico ser vivo que tem direito &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o. Todo mundo pode evoluir. Todo mundo pode come&ccedil;ar a entender. E eu digo uma coisa com toda a sinceridade. Nenhum protesto que voc&ecirc; assistiu nas ruas, nenhuma manifesta&ccedil;&atilde;o, por mais violenta que seja, disse assim: &#8220;Queremos menos Estado, chega de educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o queremos dinheiro p&uacute;blico que seja investido&#8221;. Todo mundo quer mais presen&ccedil;a do Estado, mais efici&ecirc;ncia, mais compet&ecirc;ncia, mais honestidade. Ent&atilde;o eu acho que a sintonia com essa popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma guinada mais &agrave; esquerda. &Eacute; um governo mais popular, com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas mais eficientes e fortes. E at&eacute; agora, nenhum projeto apresentado est&aacute; mais forte e mais &agrave; esquerda do que o apresentado pela presidente Dilma.<\/p>\n<p> <strong>O senhor n&atilde;o enxerga ent&atilde;o, pelo que eu estou entendendo, possibilidade real de o PDT vir apoiar Eduardo Campos ou A&eacute;cio Neves?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho dif&iacute;cil pelas propostas apresentadas at&eacute; agora.<\/p>\n<p><strong>E se mudarem alguma coisa?<\/strong><br \/> &#8212; Pode mudar. De repente podemos assistir a uma proposta que fale da educa&ccedil;&atilde;o. Que fale que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; pres&iacute;dio, &eacute; escola. Que fale que CIEP [Centros Integrados de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica] n&atilde;o &eacute; caro, caro &eacute; pris&atilde;o. Que fale das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que &eacute; o sonho da hist&oacute;ria do trabalhismo e n&oacute;s pagamos um pre&ccedil;o muito caro por acreditar nisso. N&oacute;s somos &#8220;atrasados&#8221;, chamados de retr&oacute;grados, chamados de atrasados por defender a legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, por defender uma pol&iacute;tica p&uacute;blica mais voltada para quem precisa do Estado brasileiro. Eu repito: imposs&iacute;vel &eacute; s&oacute; Deus pecar. Tudo &eacute; poss&iacute;vel quando se avan&ccedil;a nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>Mas ent&atilde;o para eu entender corretamente. O PDT mant&eacute;m em aberto o card&aacute;pio sobre quem apoiar&aacute; para presidente no ano que vem, com tend&ecirc;ncia de apoiar Dilma, por&eacute;m n&atilde;o descartando nem A&eacute;cio nem Eduardo Campos, &eacute; isso?<\/strong><br \/> &#8212; Repito, o PDT ir&aacute; apoiar propostas de governo que estejam &agrave; esquerda. Se tiver propostas apresentadas &agrave; esquerda do governo Dilma vamos discutir. Hoje eu n&atilde;o vejo essa possibilidade, porque n&atilde;o vejo ningu&eacute;m &agrave; esquerda dela.<\/p>\n<p><strong>Por&eacute;m n&atilde;o acredita que sejam descartados a partir de agora, devam ser descartados a partir de agora, Eduardo Campos e A&eacute;cio? &Eacute; isso? Correto?<\/strong><br \/> &#8212; Acho que n&atilde;o porque o processo pol&iacute;tico &eacute; din&acirc;mico, &eacute; rico e at&eacute; l&aacute; podemos sentar, conversar e ver avan&ccedil;os poss&iacute;veis nas pol&iacute;ticas que eles prop&otilde;em de encontro com o que a gente acredita que &eacute; certo.<\/p>\n<p><strong>O senhor tem sido procurado por ambos. O que eles falam para o senhor?<\/strong><br \/> &#8212; Eu converso permanentemente. Eu costumo dizer que eu converso at&eacute; com quem me odeia porque &agrave;s vezes as pessoas odeiam a gente sem nem conhecer. N&atilde;o d&atilde;o a chance nem de conhecer.<\/p>\n<p><strong>O que eles falam para o senhor?<\/strong><br \/> &#8212; Eles falam exatamente isso. Que ainda est&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o, que ainda est&aacute; em uma fase de sondagem, que n&atilde;o tem uma defini&ccedil;&atilde;o de um programa, que isso vai ser constru&iacute;do no processo. N&atilde;o vejo ningu&eacute;m fechado no di&aacute;logo.<\/p>\n<p><strong>E mant&eacute;m um bom di&aacute;logo com ambos?<\/strong><br \/> &#8212; Claro. Porque a pol&iacute;tica &eacute; o di&aacute;logo permanente. Eu acho que mesmo que a gente n&atilde;o tenha um alinhamento pol&iacute;tico eleitoral, voc&ecirc; tem que ter, por exemplo, Eduardo &eacute; parceiro nosso de luta h&aacute; mais de 30 anos com o PSB. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o muito enraizada. N&atilde;o tem como voc&ecirc; terminar essa rela&ccedil;&atilde;o. Ela pode ter momentos de separa&ccedil;&atilde;o, como j&aacute; aconteceu em alguns momentos, e ela pode ter momentos de aproxima&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Dos dois, PSDB com A&eacute;cio Neves, PSB com Eduardo Campos, qual &eacute; mais ideologicamente pr&oacute;ximo para uma poss&iacute;vel alian&ccedil;a?<\/strong><br \/> &#8212; Com certeza o Eduardo pela linha hist&oacute;rica, pela figura do av&ocirc; [Miguel] Arraes, pela hist&oacute;ria do Partido Socialista Brasileiro com o PDT. N&oacute;s temos alian&ccedil;as em v&aacute;rios Estados h&aacute; v&aacute;rios anos. &Eacute; sempre a mais pr&oacute;xima.<\/p>\n<p><strong>Se ele apresentar um projeto de governo para a campanha presidencial dele, no PSB, que seja considerada mais &agrave; esquerda do que a do PT com a presidente Dilma, da&iacute; o PDT consideraria apoi&aacute;-lo?<\/strong><br \/> &#8212; Por isso que eu digo que n&atilde;o est&aacute; fechado. Eu digo o seguinte, meu l&iacute;der, refer&ecirc;ncia da minha vida, com quem eu convivi mais de 25 anos, Leonel Brizola, dizia que um par&acirc;metro para saber um pol&iacute;tico de esquerda &eacute; educa&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; no discurso, &eacute; no investimento. &Eacute; colocar dinheiro para educar o nosso povo na escola de tempo integral. Eu quero ver essa discuss&atilde;o ser levada para a sociedade. Eu quero ver discuss&atilde;o com profundidade. Menos no econom&ecirc;s e mais na educa&ccedil;&atilde;o das nossas crian&ccedil;as. Porque &eacute; isso que vai formar o cidad&atilde;o de amanh&atilde;. Menos na pol&iacute;tica da seguran&ccedil;a ostensiva, agressiva da pol&iacute;cia, de arma, de mais armamento, de mais pres&iacute;dio e mais na constru&ccedil;&atilde;o de escola, da valoriza&ccedil;&atilde;o de professor, da educa&ccedil;&atilde;o de tempo integral. Para mim a pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o na realidade brasileira &eacute; o que forma o pol&iacute;tico de esquerda.<\/p>\n<p> <strong>Qual &eacute; a sua avalia&ccedil;&atilde;o, hoje, prospectivamente, embora estejamos ainda t&atilde;o longe da elei&ccedil;&atilde;o, de evolu&ccedil;&atilde;o das pesquisas na prefer&ecirc;ncia do eleitorado dos tr&ecirc;s candidatos pr&eacute;-lan&ccedil;ados?<\/strong><br \/> &#8212; Eu falei isso quando come&ccedil;ou a chamada manifesta&ccedil;&atilde;o de junho desse ano. Eu penso que a tend&ecirc;ncia &eacute; a presidente Dilma se consolidar muito fortemente. Ela tende a voltar pr&oacute;ximo ao patamar com que ela come&ccedil;ou com as manifesta&ccedil;&otilde;es a cair. Em torno de 45, 46, 48%. &Eacute; bem prov&aacute;vel a sua elei&ccedil;&atilde;o. E n&atilde;o &eacute; por isso que n&oacute;s<\/p>\n<p><strong>&Eacute; certa ser&aacute;?<\/strong><br \/> &#8212; Certo n&atilde;o vejo na vida nada certo a n&atilde;o ser a morte. Agora, &eacute; bom prov&aacute;vel, &eacute; bem prov&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>O que a impediria de ser reeleita?<\/strong><br \/> &#8212; Um fato da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que afetasse essa principal base eleitoral que &eacute; os assalariados, os trabalhadores. Essa camada social que &eacute; sens&iacute;vel a sua sobrevida. Um fato que diminua a sua renda financeira, a infla&ccedil;&atilde;o. A infla&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre contra assalariado. Rico sempre ganha com infla&ccedil;&atilde;o, quem perde &eacute; assalariado. Esses s&atilde;o fatos que podem mexer.<\/p>\n<p><strong>Os outros dois pr&eacute;-candidatos. Qual dos dois o senhor enxerga com mais possibilidades de evoluir na prefer&ecirc;ncia do eleitorado, A&eacute;cio Neves ou Eduardo Campos?<\/strong><br \/> &#8212; Com certeza o Eduardo. Eduardo &eacute; um governador de sucesso. Um apoio maci&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o. Relativamente jovem, um pouco mais novo que eu, deve estar com 50 [anos] agora. Ousado e tem no DNA o socialismo, uma base muito forte que pode fazer ele crescer.<\/p>\n<p><strong>O senhor o enxerga como um segundo colocado ent&atilde;o nessa linha?<\/strong><br \/> &#8212; Poder&aacute; ser, poder&aacute; ser. Acho que podemos ter uma disputa entre Dilma e Eduardo.<\/p>\n<p><strong>De segundo turno?<\/strong><br \/> &#8212; Poder&aacute;.<\/p>\n<p><strong>A gente sempre ouve que esse &eacute; um grande temor dos estrategistas do PT, do marketing petista, levar a elei&ccedil;&atilde;o para um segundo turno justamente com a presidente Dilma Rousseff e Eduardo Campos, que v&ecirc;m do mesmo campo pol&iacute;tico, ideol&oacute;gico que sustentou at&eacute; hoje o PT e que, nessa hip&oacute;tese, ficaria em risco a reelei&ccedil;&atilde;o da presidente Dilma. O que o senhor acha dessa an&aacute;lise?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que tem procedimento. Tem razoabilidade. Porque &eacute; um campo que esteve sempre junto. Quando voc&ecirc; divide um campo que est&aacute; junto &eacute; mais dif&iacute;cil do eleitorado entender. Quando voc&ecirc; tem opositores claros, not&oacute;rios, p&uacute;blicos, hist&oacute;ricos, a popula&ccedil;&atilde;o se define com mais facilidade. Quando voc&ecirc; tem no mesmo campo &eacute; mais dif&iacute;cil. Eu concordo.<\/p>\n<p><strong>Isso prejudicaria a reelei&ccedil;&atilde;o da presidente?<\/strong><br \/> &#8212; Poder&aacute; prejudicar, mas &eacute; cada momento. Porque eu acho que hoje a popula&ccedil;&atilde;o v&ecirc; em um modelo de governo, que o presidente Lula implantou e que a presidente Dilma continua, um modelo de op&ccedil;&atilde;o do crescimento sustent&aacute;vel do Brasil, do crescimento com controle da infla&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s temos ganho real de renda, n&oacute;s temos gera&ccedil;&atilde;o de emprego muito grande, n&oacute;s temos pol&iacute;ticas sociais muito fortes. &Eacute; muito dif&iacute;cil mudar esse entendimento da maioria da popula&ccedil;&atilde;o, porque isso &eacute; uma continuidade.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o obstante, h&aacute; uma percep&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m, por diversos setores da sociedade, de que alguma coisa parece que mudou depois do governo Lula, com a chegada do governo Dilma. Que as coisas n&atilde;o est&atilde;o indo t&atilde;o bem aparentemente como foram antes. Por qu&ecirc;?<\/strong><br \/> &#8212; S&atilde;o caracter&iacute;sticas diferentes, amigo. O Lula &eacute; um ser carism&aacute;tico, popular, agradabil&iacute;ssimo, carinhoso. A Dilma j&aacute; &eacute; mais gestora, &eacute; uma pessoa mais fechada. E como mulher, em uma sociedade que discrimina muito a mulher, tende a ficar mais distante. Mulher &eacute; muito discriminada. N&oacute;s somos machistas, n&oacute;s discriminamos muito a mulher. Ent&atilde;o normalmente a mulher &eacute; mais arredia, ela &eacute; mais distante. O Lula n&atilde;o, o Lula j&aacute; &eacute; mais pr&oacute;ximo. O Lula j&aacute; tem uma vida p&uacute;blica de candidaturas h&aacute; muitos anos. &Eacute; a primeira elei&ccedil;&atilde;o da presidente. A presidente ainda est&aacute; adaptando o estilo de administra&ccedil;&atilde;o, de coer&ecirc;ncia. &Eacute; uma pessoa ideologicamente muito bem formada. Tirando aqui a falsa mod&eacute;stia, porque ela &eacute; de origem trabalhista do PDT, mas ela tem uma dificuldade ainda no mundo pol&iacute;tico que &eacute; um mundo novo para ela. Ent&atilde;o essas diferen&ccedil;as acabam influenciando.<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que o manejo pol&iacute;tico no governo Dilma foi melhor, pior ou igual ao manejo pol&iacute;tico do Lula?<\/strong><br \/> &#8212; N&atilde;o, foi pior. Foi pior porque manejo pol&iacute;tico com um timoneiro, com um l&iacute;der como o Lula facilita muito a vida. Eu repito, o Lula &eacute; uma pessoa muito agrad&aacute;vel. Para quem conhece como eu tenho a oportunidade de ter uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal muito boa com ele, todo m&ecirc;s a gente se encontra, &eacute; uma pessoa muito agrad&aacute;vel, muito f&aacute;cil de lidar. At&eacute; quem n&atilde;o gosta &eacute; agrad&aacute;vel estar com o Lula, como era com o Brizola. Eu me lembro de ver inimigos hist&oacute;ricos do Brizola escreverem o diabo dele em jornais e artigos e, depois, quando encontrava ele ria e ficava, parece, embevecido com a figura que o Brizola era.<\/p>\n<p><strong>Agora em que medida isso prejudica o governo da presidente Dilma? Essa dificuldade no manejo pol&iacute;tico.<\/strong><br \/> &#8212; Prejudica na rela&ccedil;&atilde;o com o Congresso, prejudica na rela&ccedil;&atilde;o do dia-a-dia com os pol&iacute;ticos. Mas eu acho que at&eacute; nisso j&aacute; evoluiu porque a pol&iacute;tica &eacute; ensaio e erro permanente. Eu acho que isso foi evoluindo, ela hoje j&aacute; est&aacute;, por exemplo, ontem mesmo teve uma reuni&atilde;o que todo mundo que esteve falou que foi excelente, com a base aliada. Ela est&aacute; fazendo uma rotina dessas reuni&otilde;es, est&aacute; ouvindo mais gente. Isso &eacute; do processo, do processo de aprendizado. Acho que j&aacute; evoluiu bem.<\/p>\n<p><strong>Estava pensando aqui nas suas &uacute;ltimas respostas sobre 2014. O senhor falando das perspectivas, senti realmente que h&aacute; uma simpatia maior em rela&ccedil;&atilde;o a Eduardo Campos e n&atilde;o tanto, embora o senhor se de bem, com A&eacute;cio Neves. Estou sentindo que tem, enfim, que tem conversas em andamento a&iacute;. &Eacute; isso mesmo?<\/strong><br \/> &#8212; Conversa tem permanente, amigo. Porque se a pol&iacute;tica n&atilde;o for conversa vai ser o qu&ecirc;? O campo da pol&iacute;tica &eacute; conversa permanente. Voc&ecirc; tem que conversar com o eleitor, voc&ecirc; tem que conversar com o companheiro, voc&ecirc; tem que conversar com quem te odeia, voc&ecirc; tem que conversar com quem te adora. &Eacute; parte do processo da vida.<\/p>\n<p><strong>E o senhor acha que a decis&atilde;o definitiva do PDT sobre apoio a uma candidatura presidencial s&oacute; vai ser realmente na conven&ccedil;&atilde;o em junho, ou pode ser naquela outra marca, mar&ccedil;o, abril?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que &eacute; mais para mar&ccedil;o, abril, porque a gente tamb&eacute;m est&aacute; fazendo consultas. Estou viajando o Brasil todo. Voc&ecirc; tem essas alian&ccedil;as regionais. Tem uma s&eacute;rie de encaixes na pol&iacute;tica que somam para chegar &agrave; na&ccedil;&atilde;o. Mas a tend&ecirc;ncia natural &eacute; o apoio &agrave; presidente Dilma.<\/p>\n<p><strong>E posso dizer que &eacute; mar&ccedil;o, abril, a decis&atilde;o, possivelmente. O vi&eacute;s, ou a tend&ecirc;ncia &eacute; a presidente Dilma e que h&aacute; possibilidade, que &eacute; considerada tamb&eacute;m, n&atilde;o descartada, &eacute; Eduardo Campos, a depender do programa. &Eacute; isso?<\/strong><br \/> &#8212; &Eacute; isso mesmo. Esse &eacute; o caminho.<\/p>\n<p><strong>Alian&ccedil;as regionais. O PDT pretende ter candidatos a governador em quantas unidades da federa&ccedil;&atilde;o aproximadamente?<\/strong><br \/> &#8212; Hoje, n&oacute;s j&aacute; estamos apresentando algumas candidaturas que est&atilde;o colocadas para a sociedade. No Rio Grande do Sul, o companheiro Viera da Cunha, deputado j&aacute; de seu terceiro mandato, ex-presidente da Assembleia, &eacute; candidato a governador no Rio Grande. Vamos ter ainda a nossa conven&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; tendo uma discuss&atilde;o interna muito grande. O partido no Rio Grande &eacute; muito enraizado, muito forte. No Rio Grande essa quest&atilde;o partid&aacute;ria pesa, mas a tend&ecirc;ncia tamb&eacute;m muito forte ele ser candidato a governador. Aqui em Bras&iacute;lia o Reguffe, que &eacute; o deputado federal mais votado. Foi colocado j&aacute; como pr&eacute;-candidato pela conven&ccedil;&atilde;o do partido h&aacute; um m&ecirc;s. Pedro Taques, nosso senador no Mato Grosso. No dia 30, inclusive, estou indo l&aacute; na conven&ccedil;&atilde;o da escolha do nosso novo diret&oacute;rio e &eacute; unanime o lan&ccedil;amento a candidatura dele a governador, no meu ponto de vista irrevers&iacute;vel. O Waldez G&oacute;es, que foi governador do Amap&aacute;, tamb&eacute;m irrevers&iacute;vel, j&aacute; est&aacute; colocado nas ruas a sua pr&eacute;-campanha. E o Marcelo Nilo que &eacute; o nosso presidente da Assembleia Legislativa, l&aacute; na Bahia e tamb&eacute;m &eacute; pr&eacute;-candidato, j&aacute; teve um pr&eacute;-lan&ccedil;amento. E est&aacute; colocado como nosso pr&eacute;-candidato a governador.<\/p>\n<p><strong>Tem cinco a&iacute; por enquanto.<\/strong><br \/> &#8212; S&oacute; esses cinco basicamente.<\/p>\n<p><strong>Que devem ser candidatos a governador?<\/strong><br \/> &#8212; Tem ainda algumas possibilidades. No Rio, onde o prefeito Sandro Matos ainda trabalha na<\/p>\n<p><strong>Prefeito Sandro Matos de&#8230;?<\/strong><br \/> &#8212; S&atilde;o Jo&atilde;o de Meriti. Foi prefeito da baixada reeleito no primeiro turno. Ele est&aacute; colocado tamb&eacute;m, mas vendo a possibilidade de alian&ccedil;a, de tempo de televis&atilde;o. Tem o Major Ol&iacute;mpio, em S&atilde;o Paulo, que<\/p>\n<p><strong>&Eacute; um deputado estadual?<\/strong><br \/> &#8212; &Eacute; um deputado estadual, muito bem votado por sinal. &Eacute; um homem que trabalha muito a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica aqui em S&atilde;o Paulo. &Eacute; algo muito forte na discuss&atilde;o atual, muito fragilizada, e que tamb&eacute;m vai depender dessa possibilidade de alian&ccedil;a, de tempo de televis&atilde;o. Praticamente s&atilde;o esses cinco, mais esses dois que est&atilde;o colocados.<\/p>\n<p><strong>Agora, no Rio de Janeiro posso entender que a tend&ecirc;ncia natural do PDT &eacute; ficar com as for&ccedil;as, hoje, que j&aacute; est&atilde;o no governo lideradas pelo PMDB?<\/strong><br \/> &#8212; Hoje tem tr&ecirc;s hip&oacute;teses que s&atilde;o consideradas l&aacute;.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o?<\/strong><br \/> &#8212; Uma, &eacute; continuar apoiando o Pez&atilde;o, que &eacute; um<\/p>\n<p><strong>Vice-governador.<\/strong><br \/> &#8212; Ex-companheiro do PDT, foi prefeito pelo PDT, hoje est&aacute; no PMDB. O Lindbergh [Farias], que tamb&eacute;m foi candidato a prefeito, a vice do PDT, uma alian&ccedil;a antiga, est&aacute; na mesma base que a gente. Tanto o PMDB quanto o PT s&atilde;o da mesma base nacional. E a candidatura pr&oacute;pria com Sandro Matos. Isso &eacute; a discuss&atilde;o que j&aacute; est&aacute; h&aacute; algum tempo sendo discutida internamente.<\/p>\n<p><strong>E em S&atilde;o Paulo a tend&ecirc;ncia maior seria?<\/strong><br \/> &#8212; Major Ol&iacute;mpio, se conseguirmos avan&ccedil;ar nesse processo.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es para ele ser candidato?<\/strong><br \/> &#8212; Uma alian&ccedil;a, para ele ter tempo de televis&atilde;o e poder divulgar a sua candidatura. E a pontua&ccedil;&atilde;o em pesquisa que ainda n&atilde;o colocaram o nome dele. N&oacute;s acreditamos que quando colocar o nome do Major Ol&iacute;mpio, pela representatividade que ele tem, ele pode pontuar bem e ser uma op&ccedil;&atilde;o para o povo de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Qual seria a pontua&ccedil;&atilde;o que o Major Ol&iacute;mpio teria que chegar?<\/strong><br \/> &#8212; Mais de 7, 8%, isso significa viabilidade de uma candidatura.<\/p>\n<p><strong>At&eacute; mar&ccedil;o, abril?<\/strong><br \/> &#8212; Mais ou menos isso.<\/p>\n<p><strong>E se n&atilde;o tiver candidatura pr&oacute;pria?<\/strong><br \/> &#8212; A&iacute; a tend&ecirc;ncia &eacute; uma alian&ccedil;a e no nosso campo tamb&eacute;m. Dificilmente vamos nos aliar l&aacute; com o PSDB, porque &eacute; o principal Estado da federa&ccedil;&atilde;o e &eacute; o principal advers&aacute;rio da base que estamos. Ent&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil essa alian&ccedil;a com o PSDB, mas &eacute; prov&aacute;vel uma alian&ccedil;a dentro da pr&oacute;pria base aliada. Com o pr&oacute;prio PT ou com outros partidos, PMDB, que tamb&eacute;m tem candidatura pr&oacute;pria l&aacute;, PSD tamb&eacute;m tem candidatura pr&oacute;pria. A gente tem que ter uma linha de coer&ecirc;ncia ou buscar essa linha de coer&ecirc;ncia. &Eacute; claro que em alguns Estados &eacute; dif&iacute;cil pela realidade, pela briga local. &Agrave;s vezes a briga local &eacute; muito enraizada. Mas a tend&ecirc;ncia nossa &eacute; tentar fazer um palanque dentro dessa linha.<\/p>\n<p><strong>J&aacute; em Minas Gerais &eacute; poss&iacute;vel que o PDT fique com as for&ccedil;as do PSDB, n&eacute;?<\/strong><br \/> &#8212; N&oacute;s j&aacute; estamos com o PSDB h&aacute; mais de dez anos dentro do governo. Nos dois governos do A&eacute;cio e um primeiro governo do [Antonio] Anastasia que ainda est&aacute; no governo do Estado. Agora, tem conversa l&aacute; com o pr&oacute;prio PMDB, com o pr&oacute;prio PT, ent&atilde;o ainda n&atilde;o est&aacute; definido.<\/p>\n<p><strong>A presidente Dilma Rousseff ajudou a fundar o PDT l&aacute; atr&aacute;s. Foi uma militante l&aacute; no Rio Grande do Sul e ela da&iacute; com uma leva de insatisfeitos ali no ano 2000 deixou o PDT, foi para o PT, est&aacute; no PT at&eacute; hoje, &eacute; presidente da Rep&uacute;blica. Houve, na &eacute;poca, muita cr&iacute;tica do PDT, o pr&oacute;prio Leonel Brizola fez muitas cr&iacute;ticas a esse grupo que saiu. O senhor. se recorda desse epis&oacute;dio. Que lembran&ccedil;as o senhor tem desse epis&oacute;dio e como que isso foi superado?<\/strong><br \/> &#8212; Eu estava l&aacute;. Como &eacute; que eu n&atilde;o vou recordar, n&atilde;o &eacute;? Eu j&aacute; era tesoureiro nacional do partido e eu lembro muito. Foi muito traum&aacute;tico porque<\/p>\n<p><strong>Brizola ficou muito bravo.<\/strong><br \/> &#8212; Muito. At&eacute; o filho do Brizola saiu do partido, Jos&eacute; Vicente. Eu me lembro como se fosse hoje, ali&aacute;s, foi muito divulgado. Tudo que era contra o Brizola divulgavam. Gozado, n&eacute;? A morte torna a pessoa boa, mas na vida o que combatiam o velho Brizola, Deus que o proteja, porque n&atilde;o era f&aacute;cil a vida dele. Mas naquela &eacute;poca teve muita divis&atilde;o por causa da briga local. N&oacute;s t&iacute;nhamos candidatura a governador e o PT combatia muito o nosso governador Alceu Collares. E na sucess&atilde;o dele houve uma luta muito forte e o PDT de l&aacute; resolveu fazer uma alian&ccedil;a chamada mais conservadora, com Nelson Marchezan. At&eacute; o presidente do partido, meu amigo pessoal, Sereno Chaisel, est&aacute; vivo at&eacute; hoje. &Eacute; presidente da representa&ccedil;&atilde;o da Petrobras l&aacute;. Ele era presidente do partido estadual e acabou saindo junto com esse grupo para apoiar o PT e a gente acabou fazendo uma alian&ccedil;a junto com o Nelson Marchezan e o grupo mais conservador. Ent&atilde;o ali tamb&eacute;m foi um choque ideol&oacute;gico muito forte. E o Rio Grande tem essa caracter&iacute;stica, quando algu&eacute;m sai de um partido fica muito marcado. E o velho Briza ficou muito irado com esse processo. Ele ficou sem falar durante muitos anos com inclusive, ele morreu sem falar com o filho. Brizola morreu sem falar com Jos&eacute; Vicente por causa do come&ccedil;o dessa ruptura de base. Brizola era um homem de vida muito partid&aacute;ria, muito enraizado de convic&ccedil;&otilde;es e aconteceu isso mesmo. Foi muito traum&aacute;tico, foi muito doloroso para todos n&oacute;s, mas eu digo sempre que a pol&iacute;tica &eacute; ferida que se cura com o tempo. E o tempo foi curando, foi cicatrizando.<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que n&atilde;o sobrou nenhuma grande sequela dessa sa&iacute;da desse grupo, no qual estava a presidente Dilma, naquela &eacute;poca?<\/strong><br \/> &#8212; Eu nunca digo que n&atilde;o h&aacute;, porque h&aacute; gente que tem todo o tipo de sentimento. Eu digo o seguinte: quem trabalha com rancor, com &oacute;dio, com m&aacute;goa, cria c&acirc;ncer. Eu acho que a gente n&atilde;o deve olhar para tr&aacute;s, a gente tem deve construir o futuro, deve olhar o que a gente pode fazer para a sociedade, qual o nosso papel. Eu n&atilde;o tenho nada, meu cora&ccedil;&atilde;o &eacute; limpo. Pode ser que tenha algu&eacute;m que tenha, mas cada um responde por si.<\/p>\n<p><strong>O senhor &eacute; presidente do PDT desde 2004, sempre eleito. J&aacute; s&atilde;o 9 anos, vai para dez anos..<\/strong><br \/> &#8212; Eu me afastei durante cinco anos porque estava ocupando o minist&eacute;rio, mas me licenciei, fui eleito e me licenciei.<\/p>\n<p><strong>Mas ainda assim, sempre conhecido como o grande dirigente nacional do PDT.<\/strong><br \/> Alguns reconhecidos, outros acusados.<\/p>\n<p><strong>O senhor imagina que seja bom para o partido ter sempre a repeti&ccedil;&atilde;o dos dirigentes, no caso do presidente eleito, ainda que seja da legenda, ou pretende, no futuro, fazer alguma transi&ccedil;&atilde;o para que outro presidente seja eleito?<\/strong><br \/> &#8212; Eu gosto da intelig&ecirc;ncia das suas perguntas. Eu gosto de gente inteligente. N&atilde;o depende da minha vontade. Quando voc&ecirc; &eacute; eleito, depende de quem te elege. Ningu&eacute;m consegue nossos diret&oacute;rios nacionais<\/p>\n<p><strong>O senhor &eacute; eleito porque se candidata.<\/strong><br \/> &#8212; Eu sei, mas eu sou candidato porque tem eleitor. Ningu&eacute;m consegue se eleger se n&atilde;o tiver eleitor.<\/p>\n<p><strong>Mas &eacute; bom para um partido ter sempre o mesmo presidente sendo reeleito, ainda que eleito?<\/strong><br \/> &#8212; N&atilde;o sei. Isso os companheiros t&ecirc;m que dizer, o pr&oacute;prio tempo tem que dizer. Primeiro, o meu tempo, como eu comecei muito novo, eu tenho 56 anos de idade. Eu estou nesse partido desde a funda&ccedil;&atilde;o, era jornaleiro, vendia jornal. Ajudei voc&ecirc;s a ganhar o dinheiro do dia-a-dia vendendo o jornal o qual voc&ecirc;s faziam. E tudo na minha vida foi muito duro, ningu&eacute;m me deu nada n&atilde;o. Eu n&atilde;o tenho pai na pol&iacute;tica. Sou arrimo de fam&iacute;lia desde garoto. E eu acho que esse &eacute; o processo normal e natural que vai acontecendo com a evolu&ccedil;&atilde;o e o desejo da maioria. S&atilde;o 600 membros de diret&oacute;rios nacional. 600.<\/p>\n<p><strong>Quando &eacute; a pr&oacute;xima elei&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/> &#8212; &Eacute; de dois em dois anos. A cada dois anos tem uma conven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A pr&oacute;xima?<\/strong><br \/> &#8212; A pr&oacute;xima &eacute; em mar&ccedil;o de 2015.<\/p>\n<p><strong>E o senhor em principio pretende continuar<\/strong><br \/> &#8212; N&atilde;o sei, n&atilde;o posso te afirmar. Eu n&atilde;o se no dia de amanh&atilde; eu estarei vivo.<\/p>\n<p><strong>Mas o cen&aacute;rio de hoje se replicando para daqui a dois anos.<\/strong><br \/> &#8212; Se fosse hoje seria, se fosse hoje. Agora daqui a um ano e meio muita coisa pode acontecer. O processo pol&iacute;tico &eacute; muito din&acirc;mico, pode ter manifesta&ccedil;&atilde;o para me tirar, tem de tudo, n&eacute;?<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que vai ter manifesta&ccedil;&otilde;es de rua no ano que vem, ali&aacute;s? V&atilde;o voltar?<\/strong><br \/> &#8212; Tem muita gente querendo ser dono dessas manifesta&ccedil;&otilde;es. Muitos analistas, muitas lideran&ccedil;as. &#8220;Vai acontecer vai acontecer&#8221;. Eu acho que Nostradamus j&aacute; morreu faz tempo, sabe? As pessoas t&ecirc;m que baixar a bolinha, deixar a popula&ccedil;&atilde;o tomar o seu rumo. Eu acho muito positivo a popula&ccedil;&atilde;o na rua. &Eacute; muito positivo para a democracia, para todos n&oacute;s da pol&iacute;tica. D&aacute; uma chacoalhada, as pessoas precisam ser chacoalhadas &agrave;s vezes. &Agrave;s vezes a mudan&ccedil;a que precisa armar na sociedade &eacute; da consci&ecirc;ncia. Eu achei muito positivo. O que &eacute; ruim &eacute; aparelho, &eacute; nego que vai instru&iacute;do para fazer contra A, contra B, para agredir. Mas at&eacute; isso a&iacute; tem que ter compreens&atilde;o porque n&oacute;s j&aacute; fomos jovens um dia e j&aacute; radicalizamos um dia. Eu acho que essa manifesta&ccedil;&atilde;o foi espont&acirc;nea e surgida como ningu&eacute;m esperava. S&oacute; ter&aacute; valor se for da mesma maneira. Se for manipulado para a gente achar &#8220;ah, eu disse&#8221;, &#8220;eu falei&#8221;, &#8220;eu sabia&#8221;. Mentira, ningu&eacute;m sabia nada.<\/p>\n<p><strong>O senhor gostou da rea&ccedil;&atilde;o da presidente Dilma quando aconteceram as manifesta&ccedil;&otilde;es em junho?<\/strong><br \/> &#8212; Eu achei que ela foi r&aacute;pida. Achei que ela foi &aacute;gil. Ela deu resposta. Muitos se esconderam, ela teve coragem e ousadia de se apresentar. Se foi bom ou se n&atilde;o foi bom &eacute; outra discuss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Mas foi bom ou n&atilde;o foi bom?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que foi, tanto &eacute; que ela recuperou o prest&iacute;gio. As pesquisas que o Datafolha faz dizem isso.<\/p>\n<p><strong>Mas ent&atilde;o deixa eu contest&aacute;-lo. Ela antes das manifesta&ccedil;&otilde;es tinha na faixa de 55% de popularidade. Caiu para 30%.<\/strong><br \/> &#8212; E agora?<\/p>\n<p><strong>Voltou para 35 a 38 [%].<\/strong><br \/> &#8212; N&atilde;o, n&atilde;o. A pesquisa Datafolha, n&atilde;o vamos confundir &iacute;ndice de pesquisa como candidato e de &iacute;ndice de aceita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o. Eu estou falando popularidade, estou falando para o senhor popularidade. Tinha 54, caiu para 30 e agora fica entre 35 e 40. J&aacute; h&aacute; dois meses ela est&aacute; parada nessa faixa.<\/strong><br \/> &#8212; Tendo como real essa tua compara&ccedil;&atilde;o, eu acho que n&atilde;o &eacute; bem assim, mas voc&ecirc; aqui trabalha e eu n&atilde;o. Tendo como real h&aacute; um crescimento. Tendo como real quem teve crescimento?<\/p>\n<p><strong>Mas ela cresceu em agosto. Ela estava em cima, caiu, voltou um pouquinho e parou. Da&iacute;, setembro, outubro e agora, novembro ainda n&atilde;o sei, ficou no mesmo lugar.<\/strong><br \/> &#8212; Eu n&atilde;o tenho essa impress&atilde;o. A minha impress&atilde;o n&atilde;o &eacute;. A pesquisa &eacute; mais cient&iacute;fica. Mas a minha impress&atilde;o &eacute; que a popula&ccedil;&atilde;o hoje tende, muito fortemente, a reeleg&ecirc;-la e tende Isso que eu te falei, essa base da sociedade que quer ter sua vida melhor, quer ter infla&ccedil;&atilde;o controlada, quer um governo que tenha vis&atilde;o social, reconhece dela a sua lideran&ccedil;a. &Eacute; a minha vis&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a import&acirc;ncia desse ato, que nesta quinta-feira, 14.nov.2013, est&aacute; sendo realizado de trazer o corpo exumado do ex-presidente Jango a Bras&iacute;lia?<\/strong><br \/> &#8212; &Eacute; o resgate da hist&oacute;ria do pr&oacute;prio Brasil, nosso pr&oacute;prio pa&iacute;s. Jango foi um presidente com muitas qualidades. Ele foi derrubado pelas suas qualidades e n&atilde;o pelos seus defeitos. Jango foi um homem que tinha vis&atilde;o. Ele falou sobre reforma agr&aacute;ria quando poucos tinham coragem de falar. Ele queria distribuir terra, ele deu aumento de 5% do sal&aacute;rio m&iacute;nimo. Jango visitou a China quando era um bloqueio mundial visitar a China. Jango foi ministro do Trabalho. Jango era um homem muito envolvido na causa do sindicalismo. Foi o &uacute;nico presidente brasileiro que voltou morto do ex&iacute;lio. Eu acho que isso que se faz hoje &eacute; o come&ccedil;o do resgate para essa nova gera&ccedil;&atilde;o, dos valores do homem bom, do homem generoso, de um presidente da Rep&uacute;blica que amava profundamente seu povo. N&oacute;s vamos estar l&aacute;, presidente Dilma nos convidou como presidente de partido, e para n&oacute;s &eacute; o come&ccedil;o do resgate da hist&oacute;ria de um presidente que o Brasil vai reconhecer, um dia, como um dos melhores que n&oacute;s j&aacute; tivemos.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o posso deixar de perguntar sobre o epis&oacute;dio rumoroso da sua demiss&atilde;o do Minist&eacute;rio do Trabalho quando o senhor pediu demiss&atilde;o, em dezembro de 2011. O que sobrou desse epis&oacute;dio, como &eacute; que o senhor o descreve hoje, passados j&aacute; quase dois anos?<\/strong><br \/> &#8212; Para mim n&atilde;o sobrou nada. Eu tenho 33 anos de vida p&uacute;blica e n&atilde;o tenho um processo. Tem gente que tem um ano e tem dez. E n&atilde;o &eacute; n&atilde;o ter nenhum processo n&atilde;o sendo nada. Porque &eacute; f&aacute;cil voc&ecirc; n&atilde;o ser nada e n&atilde;o ter processo. Fui secret&aacute;rio de Estado, fui secret&aacute;rio municipal, fui deputado federal e fui ministro de Estado. Para mim o que me convence &eacute; de que isso &eacute; luta pol&iacute;tica. Profundamente luta pol&iacute;tica. Quando a gente tem um lado, tem uma opini&atilde;o, a gente desagrada um outro lado e gente que tem outra opini&atilde;o. Eu briguei muito pelo ponto eletr&ocirc;nico, eu lutei muito para que tivesse o imposto sindical para os trabalhadores, j&aacute; que tem para o patr&atilde;o. Eu sempre falava &#8220;acaba com o imposto patronal&#8221; e a&iacute; acaba com o dos empregados. N&atilde;o pode n&atilde;o ter o dos empregados e ter o do patr&atilde;o. O patr&atilde;o pode construir Sesc, Sesi, e o trabalhador n&atilde;o ter dinheiro nem para pagar um carro de som para se organizar? &#8220;Ah, mas tem erros, tem desvio&#8221; E no patronato n&atilde;o tem? Por que s&oacute; o trabalhador tem que pagar os erros e o patronato tamb&eacute;m n&atilde;o? Ganhei inimigos. Ganhei inimigos da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional de Agricultura, porque comecei a proteger os agricultores sem terra. Ganhei inimigo no combate ao trabalho escravo. Vai l&aacute; no minist&eacute;rio e v&ecirc;, durante cinco anos, se teve um caso em que, como ministro de Estado, eu retirei algu&eacute;m da lista suja. V&ecirc; se n&atilde;o foi refor&ccedil;ado. Combate ao trabalho infantil. L&aacute; na OIT [Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho] fui o primeiro ministro a falar sobre o direito das empregadas dom&eacute;sticas, propor e aprovar na OIT por unanimidade. Eu tenho na minha consci&ecirc;ncia a tranquilidade de ter trabalhado com o m&aacute;ximo que eu pude fazer. Agora, erros e falhas quem n&atilde;o as tem n&atilde;o est&aacute; no planeta Terra.<\/p>\n<p><strong>Na &eacute;poca falava-se sobre o mal uso de conv&ecirc;nios com ONGs. Depois que o senhor saiu ficou o secret&aacute;rio-executivo Paulo Roberto Pinto. Dois anos depois a Pol&iacute;cia Federal acabou fazendo outra opera&ccedil;&atilde;o, chamada opera&ccedil;&atilde;o Esopo, de novo sobre desvio de dinheiro por meio de conv&ecirc;nios ali com a pasta.<\/strong><br \/> &#8212; S&oacute; uma pergunta. Voc&ecirc; viu meu nome nisso? 50 mil horas de grava&ccedil;&atilde;o, alguma vez o nome de Carlos Lupi? Eu j&aacute; fui na Pol&iacute;cia Federal perguntar. Eu nunca fui convidado, eu nunca fui chamado e toda essa opera&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou depois da minha sa&iacute;da do minist&eacute;rio. Por acaso com conv&ecirc;nios feito com quem era o executor? Sete Estados e 27 munic&iacute;pios. Qual a oportunidade que a gente tem de fazer isso que voc&ecirc; est&aacute; falando hoje, de falar ao vivo? Eu gostaria de fazer um debate assim com todo mundo, assim, ao vivo, para todo mundo ver, para todo mundo saber o que &eacute; que &eacute;. 500 milh&otilde;es, quem executava esses 500 milh&otilde;es? Os convenientes. Os Estados e os munic&iacute;pios t&ecirc;m conv&ecirc;nios com todos os minist&eacute;rios. Quem escolhia as institui&ccedil;&otilde;es? Os Estados e os munic&iacute;pios. Quem executava? Os Estados e os munic&iacute;pios. O que restava ao minist&eacute;rio? Fazer a confer&ecirc;ncia da apresenta&ccedil;&atilde;o do resultado. Que pode ter tido falha, n&atilde;o disse que n&atilde;o pode ter tido falha. Agora, quem executou e escolheu a institui&ccedil;&atilde;o foram os Estados e munic&iacute;pios. N&atilde;o tem ningu&eacute;m do PDT indiciado, uma pessoa do PDT indiciado. O Paulo Roberto que era o secret&aacute;rio-executivo, que foi meu amigo pessoal, foi fazer o depoimento, voltou para casa e nunca teve um indiciamento contra ele. Ent&atilde;o o que &eacute; isso? Eu acho que a gente tem que tomar um cuidado danado, em uma democracia moderna, de saber o que &eacute; acusa&ccedil;&atilde;o fundamentada e o direito de defesa, irm&atilde;o. Eu defendo liberdade total de todo mundo falar o que quer. Mas ter responsabilidade naquilo que fala. N&oacute;s temos que dar o direito de defesa. A gente n&atilde;o pode acusar as pessoas sem dar o direito de defesa. Eu quero ter a oportunidade de ter isso que eu estou tento agora, podendo falar que as pessoas julguem. Eu entro de seis em seis meses, eu entro em todos os setores para tirar a minha certid&atilde;o negativa. Meu CPF pego l&aacute; e coloco o n&uacute;mero. Nunca tive um processo, vida limpa, m&atilde;o e cora&ccedil;&atilde;o limpo. Agora, tem gente que aparece como o dono da verdade quando se examina a vida. &#8220;Tem processo aqui, tem processo ali, acusa&ccedil;&otilde;es fundadas&#8221;. Ent&atilde;o eu acho que a democracia exige que sempre se tenha o direito de defesa guardado na mesma propor&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o pode ter capa &#8220;den&uacute;ncias, ind&iacute;cios&#8221;, desse tamanho. A defesa vem l&aacute; &#8220;a palavra do ministro&#8221;. Isso n&atilde;o &eacute; democracia. Eu acho que isso tem que ser discutido, como voc&ecirc; est&aacute; fazendo aqui, para toda a m&iacute;dia. O papel dela &eacute; esse: fiscalizar, denunciar, mas guardar sempre o direito da presun&ccedil;&atilde;o constitucional da inoc&ecirc;ncia, porque sen&atilde;o n&oacute;s vamos voltar &agrave; barb&aacute;rie, a tribunal de inquisi&ccedil;&atilde;o, a condenar inocentes.<\/p>\n<p><strong>Ali&aacute;s, o senhor n&atilde;o tem nada a ver com isso, mas &eacute; um caso rumoroso do Brasil. O Supremo Tribunal Federal decidiu fracionar a execu&ccedil;&atilde;o das penas do processo conhecido como mensal&atilde;o. Foi uma boa provid&ecirc;ncia do Supremo mandar executar as penas j&aacute;?<\/strong><br \/> &#8212; Eu acho que o Supremo &eacute; o &oacute;rg&atilde;o m&aacute;ximo do pa&iacute;s. Eles s&atilde;o ju&iacute;zes preparados, conhecedores da mat&eacute;ria e do direito. Eu n&atilde;o discuto decis&atilde;o do Supremo. Decis&atilde;o do Supremo &eacute; para ser acatada. Agora, a opini&atilde;o da gente &eacute; a opini&atilde;o sem o conhecimento do processo e da causa do direito. Eu n&atilde;o sou advogado, eu n&atilde;o tenho forma&ccedil;&atilde;o para conhec&ecirc;-lo. Agora &eacute; um processo que tem muita discuss&atilde;o, muito debate, levou muitos anos. Eu repito, eu n&atilde;o discuto decis&atilde;o do Supremo, decis&atilde;o do Supremo &eacute; para ser acatada.<\/p>\n<p><strong>Haver&aacute; algum efeito eleitoral dessa decis&atilde;o agora?<\/strong><br \/> &#8212; Acho pouco prov&aacute;vel. Porque h&aacute; quantos anos n&atilde;o se fala de mensal&atilde;o. Sen&atilde;o o Lula n&atilde;o poderia ter sido reeleito, sen&atilde;o o PT n&atilde;o poderia ter a maior bancada. Tem um efeito com quem normalmente j&aacute; n&atilde;o gosta da gente. Quem j&aacute; n&atilde;o gosta vai aproveitar isso para explorar politicamente. Meu irm&atilde;o, cada um de n&oacute;s que cometer erro vai pagar pelos seus erros. Isso &eacute; da vida, &eacute; da pol&iacute;tica, &eacute; do dia-a-dia. Quem comete erros tem que pagar pelo seu erro.<\/p>\n<p><strong>Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho, presidente nacional do PDT, muito obrigado pela sua entrevista &agrave; Folha de S. Paulo e ao UOL.<\/strong><br \/> &#8212; Eu agrade&ccedil;o a generosidade em me dar esse espa&ccedil;o. Muito obrigado a voc&ecirc; e a todos que tiveram a paci&ecirc;ncia de me ouvir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/poderepolitica\/2013\/11\/1372335-leia-a-transcricao-da-entrevista-de-carlos-lupi-a-folha-e-ao-uol.shtml\">Fonte: Folha de S&atilde;o Paulo\/UOL<\/a><\/p>\n<p>OM &#8211; Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, acordou ced&iacute;ssimo na &uacute;ltima quarta (14\/11) para dar esta entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da &ldquo;Folha de S&atilde;o Paulo&rdquo; e do portal da UOL, porque ainda de manh&atilde;, bem cedo, teria que estar na Base A&eacute;rea de Bras&iacute;lia para receber os restos mortais do presidente Jo&atilde;o Goulart, procedentes&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":35158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1401],"tags":[],"class_list":["post-35157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35157\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}