{"id":31241,"date":"2012-05-21T08:17:00","date_gmt":"2012-05-21T11:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/desenv\/index.php\/fiscalizacao-associa-gregory-a-exploracao-de-trabalho-escravo-2\/"},"modified":"2017-10-25T15:04:09","modified_gmt":"2017-10-25T17:04:09","slug":"fiscalizacao-associa-gregory-a-exploracao-de-trabalho-escravo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/fiscalizacao-associa-gregory-a-exploracao-de-trabalho-escravo-2\/","title":{"rendered":"Fiscaliza\u00e7\u00e3o associa Gregory \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>No mesmo dia em que a grife de roupas femininas Gregory lan&ccedil;ava a sua    cole&ccedil;&atilde;o Outono-Inverno 2012 com pompa e circunst&acirc;ncia, uma equipe de    fiscaliza&ccedil;&atilde;o trabalhista flagrava situa&ccedil;&atilde;o de&nbsp;cerceamento de  liberdade,   servid&atilde;o por d&iacute;vida, jornada exaustiva, ambiente degradante  de trabalho   e&nbsp;ind&iacute;cios de tr&aacute;fico de pessoas em uma oficina que  produzia pe&ccedil;as  para a  marca, na Zona Norte da cidade da capital  paulista.<\/p>\n<p>Ao todo,  foram constatadas graves viola&ccedil;&otilde;es de dignidade de   trabalhadoras e  trabalhadores e de desrespeito a direitos fundamentais   em quatro  oficinas diferentes visitadas&nbsp;pelo Grupo de Combate ao   Trabalho Escravo  Urbano da Superintend&ecirc;ncia Regional de Trabalho e   Emprego de S&atilde;o Paulo  (SRTE\/SP). O conjunto de inspe&ccedil;&otilde;es resultou na   liberta&ccedil;&atilde;o de&nbsp;23 pessoas,  todas elas estrangeiras de nacionalidade   boliviana, que estavam sendo  submetidas &agrave; condi&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas &agrave;   escravid&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8220;De  todo o material a que a auditoria teve acesso,  n&atilde;o resta d&uacute;vidas de que  a empresa Gregory &eacute; a respons&aacute;vel pela  produ&ccedil;&atilde;o encontrada nas oficinas  de costura inspecionadas&#8221;, concluiu a  SRTE\/SP, bra&ccedil;o estadual do  Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE).  Segundo os representantes do  &oacute;rg&atilde;o que atuaram no caso, a Gregory  desenvolve a pe&ccedil;a, escolhe e compra  o tecido, corta e entrega os cortes  prontos para os fornecedores. S&atilde;o  dadas ainda instru&ccedil;&otilde;es de como a  pe&ccedil;a final de roupa deve ser feita, sob  pena de n&atilde;o pagamento, caso  algo esteja diferente do exigido pela  grife.&nbsp;<\/p>\n<p>Ao todo foram  lavrados 25 autos de infra&ccedil;&atilde;o contra a  Gregory. Um dos autos refere-se &agrave;  discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica de ind&iacute;genas  Quechua e Aymara. De acordo com  an&aacute;lise feita pelos auditores fiscais do  trabalho, restou claro que o  tratamento dispensado aos ind&iacute;genas era  bem pior que ao dirigido aos  n&atilde;o-ind&iacute;genas que trabalham na sede da  companhia, no bairro de  Pinheiros. A Gregory recebeu os autos de  infra&ccedil;&atilde;o na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira  (15).<\/p>\n<p>A empresa se recusou a  assinar o Termo de Ajustamento de Conduta  (TAC), proposto pela  procuradora do trabalho Andr&eacute;a Tertuliano de  Oliveira, que comp&ocirc;s a  equipe de fiscaliza&ccedil;&atilde;o em um dos flagrantes. A  Gregory&nbsp;poder&aacute; ser  inclu&iacute;da na chamada &#8220;lista suja&#8221; do trabalho  escravo, cadastro mantido  pelo governo federal que re&uacute;ne empregadores  flagrados utilizando  trabalho escravo contempor&acirc;neo, Os respons&aacute;veis  tamb&eacute;m poder&atilde;o responder  em &acirc;mbito criminal pelo crime previsto no art.  149 do C&oacute;digo Penal.&nbsp;<\/p>\n<table style=\"height: 162px\" border=\"0\" width=\"215\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/gregory%2091.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Uma das pe&ccedil;as encontradas pelo MTE (&agrave; esq.) nas oficinas fiscalizadas e pe&ccedil;a piloto na sede da Gregory em Pinheiros<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Primeira oficina<\/strong><br \/>O  primeiro ponto de produ&ccedil;&atilde;o de  pe&ccedil;as da marca foi averiguado em 28 de  fevereiro, justamente no dia da  apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e comercial da nova  cole&ccedil;&atilde;o da Gregory. No local,  a comitiva de fiscaliza&ccedil;&atilde;o &#8211; formada pela  SRTE\/SP, pelo Minist&eacute;rio  P&uacute;blico do Trabalho (MPT), pela Secretaria de  Justi&ccedil;a e Defesa da  Cidadania (SEJDC) do Estado de S&atilde;o Paulo, Defensoria  P&uacute;blica da Uni&atilde;o  (DPU) e Centro de Apoio ao Migrante (Cami), e  acompanhada pela&nbsp;<strong>Rep&oacute;rter Brasil&nbsp;<\/strong>&#8211; encontrou um cen&aacute;rio de condi&ccedil;&otilde;es desumanas.<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s   constata&ccedil;&otilde;es simbolizam a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o: uma&nbsp;jovem  trabalhadora  mantinha o filho rec&eacute;m-nascido no colo amamentando,  enquanto costurava  um vestido de renda; arm&aacute;rios estavam trancados com  cadeado para que as  pessoas n&atilde;o pudessem comer sem autoriza&ccedil;&atilde;o; e os  empregados confirmaram  que precisavam da autoriza&ccedil;&atilde;o do dono da oficina  para deixar o im&oacute;vel  &nbsp;situado no&nbsp;Jardim Peri, que servia ao mesmo  tempo de moradia prec&aacute;ria e  de unidade de produ&ccedil;&atilde;o t&ecirc;xtil improvisada.&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2827%29.JPG\" border=\"0\" width=\"426\" height=\"567\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Jovem libertada trabalhou com jornadas exaustivas durante toda a gravidez&nbsp;<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O  carrinho de beb&ecirc; colocado ao lado da m&aacute;quina de costura era uma  forma  de &#8220;facilitar&#8221; a continuidade do trabalho de uma m&atilde;e que n&atilde;o  parava de  trabalhar sequer para embalar ou amamentar a crian&ccedil;a, assim  como fizera  durante toda a gravidez. Os abusos foram confirmados por  In&ecirc;s**, de 26  anos, uma das colegas da jovem m&atilde;e. Ambas foram  libertadas com mais nove  pessoas da oficina que, conforme a  fiscaliza&ccedil;&atilde;o, produzia roupas para a  Gregory<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%287%29.JPG\" border=\"0\" width=\"191\" height=\"264\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Arm&aacute;rios trancados para evitar que os<br \/>trabalhadores udessem se alimentar<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os  arm&aacute;rios da casa eram trancados com correntes e cadeados para que  os  trabalhadores e as crian&ccedil;as n&atilde;o comessem &#8220;fora de hora&#8221;. Para sair  da  oficina, era preciso pedir autoriza&ccedil;&atilde;o ao dono, que nem sempre   permitia.&nbsp;&#8220;A gente tem que avisar bem antes. E se tiver muito trabalho   ele n&atilde;o deixa n&atilde;o&#8221;, relatou In&ecirc;s &agrave; <strong>Rep&oacute;rter Brasil<\/strong>. Para a fiscaliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; claro cerceamento de liberdade dessas pessoas. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Marido   de In&ecirc;s,&nbsp;Pedro**, de&nbsp;30 anos, contou que trabalhava das 7h &agrave;s 23h, de   segunda a sexta. A jornada era cumprida, segundo ele, &#8220;mesmo com os   olhos fechando&#8221;, o que demonstra a acumulua&ccedil;&atilde;o do cansa&ccedil;o. Aos s&aacute;bados, o   turno seguia at&eacute; &agrave;s 13h.&nbsp;<\/p>\n<p>O casal chegou a trabalhar por tr&ecirc;s   meses, de forma intensiva e sem nenhuma remunera&ccedil;&atilde;o, para quitar a   d&iacute;vida de suas passagens, sinal claro da conex&atilde;o da escravid&atilde;o com o   tr&aacute;fico de pessoas.<\/p>\n<p>H&aacute; um ano na oficina, os dois&nbsp;moravam com  mais duas filhas, que  estudavam em per&iacute;odos diferentes e, assim como as  outras crian&ccedil;as,  ficam brincando no local enquanto os pais e m&atilde;es  trabalham.<\/p>\n<p>O casal recebia, em m&eacute;dia, R$ 3 por pe&ccedil;a costurada. O  dono, por&eacute;m,  n&atilde;o garantia os sal&aacute;rios conforme combinado. &#8220;Ele disse que  ia pagar a  cada dois meses, mas ele nunca acerta direito. Recebemos R$  50 aos  s&aacute;bados&#8221;, disse Pedro.  O dinheiro era usado para a compra de  comida.  Nas noites de&nbsp;s&aacute;bado e domingo, todos costureiros e costureiras   precisavam preparar a pr&oacute;pria comida para consumo durante a semana.   Durante&nbsp;os domingos, o casal se dedicava a lavar roupas e limpar o   quarto em que dormiam.&nbsp;<\/p>\n<p>A jovem costureira chorou ao contar que   pediu aumento de R$ 0,20 ao dono da oficina. O pedido foi recusado. A   situa&ccedil;&atilde;o demonstra a depend&ecirc;ncia e a impossibilidade de abandonar o   local, j&aacute; que n&atilde;o tinham sequer recursos suficientes para isso. Eles n&atilde;o   sa&iacute;am da casa, pois n&atilde;o tinham dinheiro para a passagem do &ocirc;nibus e   &#8220;para comprar o que as crian&ccedil;as pedem&#8221;.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%283%29.JPG\" border=\"0\" width=\"257\" height=\"171\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Vestido Belart encontrado em uma das oficinas<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Responsabiliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><br \/>No  momento da fiscaliza&ccedil;&atilde;o, os  trabalhadores estavam produzindo vestidos  para a marca Belart, da  intermedi&aacute;ria da Gregory, WS Modas Ltda. Por  conta disso, a  intermedi&aacute;ria tamb&eacute;m foi chamada a responder pelo caso.<\/p>\n<p>Contudo,   os auditores fiscais ratificaram a rela&ccedil;&atilde;o entre a oficina flagrada e a   marca Gregory. &#8220;N&oacute;s ouvimos relatos de trabalhadores confirmando que   costuravam para a Gregory, apreendemos cadernos com anota&ccedil;&otilde;es de   encomendas e as notas fiscais da intermedi&aacute;ria WS, que confirmam que   pe&ccedil;as da Gregory foram produzidas por esses trabalhadores, nessas   condi&ccedil;&otilde;es&#8221;, explicou Lu&iacute;s Alexandre Faria, que coordena o Grupo de   Combate ao Trabalho Escravo Urbano.<\/p>\n<p>Os cadernos apreendidos   apontam que exatos 4.634 vestidos da Gregory foram produzidos na oficina   do Jardim Peri durante o per&iacute;odo de agosto de 2011 at&eacute; a data da   fiscaliza&ccedil;&atilde;o, em 28 de fevereiro de 2012. <\/p>\n<p>Entre setembro de 2011   a fevereiro de 2012, o faturamento da WS consistia em 60% para a   Gregory, sendo os restantes 40% correspondentes &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o de sua   marca pr&oacute;pria Belart. A oficina em quest&atilde;o costurava somente pe&ccedil;as da   Belart e da Gregory.  &#8220;Nesta altura, j&aacute; restava demonstrado pela   auditoria que a Gregory vinha sendo abastecida por pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio   confeccionadas naquela oficina de costura, por trabalhadores submetidos a   condi&ccedil;&otilde;es degradantes&#8221;, apontou a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, que interditou   a&nbsp;oficina.<\/p>\n<p>Ao ser informada da situa&ccedil;&atilde;o, representantes da WS   providenciaram cestas b&aacute;sicas e prestaram assist&ecirc;ncias &agrave;s fam&iacute;lias. A   empresa ofereceu emprego para todos os trabalhadores resgatados na   fiscaliza&ccedil;&atilde;o, mas o grupo recusou a oferta. &#8220;Oferecemos o sal&aacute;rio m&iacute;nimo   da categoria, compramos m&aacute;quinas, reformamos parte do im&oacute;vel da  empresa  para acolher esses tralhadores, disponibilizamos uniformes,  refeit&oacute;rio e  equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o. Mas, para nossa surpresa, fato  que  imediatamente comunicamos ao Minist&eacute;rio do Trabalho, dois dias  antes do  in&iacute;cio dos trabalhos, recebemos dois representantes desse  grupo que  disse que preferiam n&atilde;o ser empregados. A n&oacute;s coube apenas  aceitar a  decis&atilde;o&#8221;, disse a empresa em nota, enviada por e-mail, &agrave; <strong>Rep&oacute;rter Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s   o flagrante, a WS iniciou um processo de auditoria interna, revis&atilde;o de   contratos e assinatura de compromisso com fornecedores para evitar que   situa&ccedil;&otilde;es como essas se repitam. &#8220;Vamos visitar todas as oficinas   e&nbsp;checar as efetivas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e coibir qualquer pr&aacute;tica que   possa atentar contra os direitos dos trabalhadores&#8221;. O MTE lavrou, ao   todo, dez autos de infra&ccedil;&atilde;o contra a dona da marca Belart.<\/p>\n<p><strong>Segunda oficina<br \/><\/strong>Outros  dois trabalhadores  bolivianos foram libertados na segunda oficina  inspecionada em 20 de  mar&ccedil;o pela equipe interinstitucional, localizada  na periferia de  Itaquaquecetuba (SP), munic&iacute;pio da grande S&atilde;o Paulo. Os  dois irm&atilde;os  trabalhavam para outra intermedi&aacute;ria da Gregory, a Patr&iacute;cia  Su Hyun Ha  Confec&ccedil;&otilde;es Ltda., que tem o nome fantasia &#8220;Yepe&#8221;. &nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2816%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Vestidos de renda da Gregory em meio ao ambiente prec&aacute;rio onde trabalhavam dois irm&atilde;os<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Caracter&iacute;sticas  verificadas na primeira oficina &#8211; de viola&ccedil;&atilde;o de  direitos b&aacute;sicos dos  trabalhadores, em condi&ccedil;&otilde;es degradantes e jornadas  exaustivas, e a  liga&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o com a Gregory &#8211; tamb&eacute;m foram  encontradas na segunda  oficina. Os irm&atilde;os recebiam os tecidos j&aacute;  cortados em lotes de cerca de  30 pe&ccedil;as para serem produzidas em quatro  ou cinco dias, conforme a  dificuldade. Um deles tem experi&ecirc;ncia de 15  anos com costura. No momento  da fiscaliza&ccedil;&atilde;o, os dois costuravam  vestidos de renda da marca Gregory.    <\/p>\n<p>O local onde funcionava a  oficina era sujo e totalmente  prec&aacute;rio. As instala&ccedil;&otilde;es el&eacute;tricas eram  improvisadas e estavam expostas.  As m&aacute;quinas de costura n&atilde;o tinham as  correias protegidas. As cadeiras  tamb&eacute;m eram improvisadas. Apesar da  desprepara&ccedil;&atilde;o completa, a Prefeitura  de Itaquaquecetuba (SP) concedera  liminar de funcionamento para a  oficina.<\/p>\n<p><strong>Terceira oficina<br \/><\/strong>Mais  duas pessoas  (outro casal de bolivianos) foram libertadas na terceira  oficina  visitada na Zona Leste de S&atilde;o Paulo (SP), tamb&eacute;m mantida   pela&nbsp;intermedi&aacute;ria Patr&iacute;cia Su Hyun Ha Confec&ccedil;&otilde;es Ltda.&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2817%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Oficina na Zona Leste onde cal&ccedil;as da Gregory eram costuradas por um casal de bolivianos<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>H&aacute;  dez anos no Brasil, Joana** trabalhava com o marido para criar os  seis  filhos &#8211; o mais novo, de quatro anos, tem s&iacute;ndrome de down. Com  uma  jornada das 7h &agrave;s 22h, ela diz que sua distra&ccedil;&atilde;o &eacute; &#8220;vender bolo na  feira  da Coimbra&#8221;. &#8220;Fora isso, n&atilde;o temos nada. S&oacute; trabalho&#8221;, contou. O   dinheiro da costura pagava o aluguel de R$ 300; enquanto a verba da   venda de bolos ia para a alimenta&ccedil;&atilde;o. Joana e o marido j&aacute; passaram fome   com os filhos no Brasil. &#8220;A gente s&oacute; tinha mingau para comer, no almo&ccedil;o  e  na janta&#8221;, contou.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2818%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Apesar do ambiente prec&aacute;rio, a pe&ccedil;a segue impec&aacute;vel para as lojas da grife brasileira<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A  oficina tamb&eacute;m n&atilde;o seguia nenhuma norma de sa&uacute;de e seguran&ccedil;a do   trabalho e funcionava em um c&ocirc;modo improvisado.&nbsp;A reportagem mostrou o   &uacute;ltimo cat&aacute;logo da Gregory para o marido de Joana, que possui mais de 20   anos de experi&ecirc;ncia em costura. O trabalhador regstadao reconheceu   algumas pe&ccedil;as. &#8220;Essa eu j&aacute; fiz. Eu fiz um blazer neste tecido, nesta cor   tamb&eacute;m&#8221;, declarou, mostrando as pe&ccedil;as fotografadas pela marca.<\/p>\n<p><strong>Quarta oficina<br \/><\/strong>O   &uacute;ltimo local inspecionado foi na Vila Dion&iacute;sia, na Zona Norte da   capital paulista. O grupo de libertados, que era formado por oito   bolivianos, trabalhava das 7h30 &agrave;s 22h, conforme anotado em um dos   cadernos apreendidos.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2821%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Alojamento dos trabalhadores era feito com tapumes. Alguns dormiam no colch&atilde;o colocado no corredor<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Outras  anota&ccedil;&otilde;es revelaram que as encomendas feitas pela Gregory  desde 2009. O  respons&aacute;vel pela oficina afirmou, por&eacute;m, que vinha  trabalhando com  exclusividade para a Gregory desde julho de 2011. &#8220;Eu  trabalhava para  duas empresas, mas um deles deixou de me passar  encomenda porque achou  ruim eu costurar para mais de um, pois as  entregas atrasavam um pouco&#8221;,  disse Paulo*, que passou a costurar  exclusivamente pe&ccedil;as da grife.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2824%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Caderno com anota&ccedil;&otilde;es de encomendas Gregory datam de 20 de agosto de 2009<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os  trabalhadores recebiam, em m&eacute;dia, R$ 3 por pe&ccedil;a. O lote de  vestido de  renda &#8211; o mesmo encontrado em Itaquaquecetuba (SP) &#8211; que  estavam na  oficina tamb&eacute;m foi apreendido. A fiscaliza&ccedil;&atilde;o localizou, na  sede da  Gregory no bairro de Pinheiros, o pedido de encomenda do  vestido no  valor de R$ 73 (pagos &agrave; intermedi&aacute;ria) e indicava pre&ccedil;o de  R$ 318 para  venda.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2822%29.JPG\" border=\"0\" width=\"242\" height=\"161\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>V&iacute;timas trabalhavam mais de&nbsp;10h por dia<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Paulo  vive no Brasil h&aacute; sete anos, com toda fam&iacute;lia. &#8220;Eu vim depois  de meus  dois irm&atilde;os&#8221;. Em La Paz, ele era motorista de empilhadeira,  cargo que  chegou a ocupar aqui no Brasil por dois anos. Ap&oacute;s o  falecimento de uma  irm&atilde;, que tinha uma oficina de costura, assumiu o  local. &#8220;Nunca me  imaginei na costura&#8221;, disse.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica<br \/><\/strong>As   investiga&ccedil;&otilde;es preliminares realizadas pelo Grupo de Combate ao  Trabalho  Escravo Urbano apontavam que a intermedi&aacute;ria Patr&iacute;cia Su Hyun  Ha n&atilde;o  tinha capacidade produtiva para produzir pe&ccedil;as encomendadas pela   Gregory. A intermedi&aacute;ria mantinha apenas dois costureiros contratados,   cuja fun&ccedil;&atilde;o era a montagem das pe&ccedil;as-piloto da Gregory que seriam   reproduzidas pelas oficinas.&nbsp;<\/p>\n<p>Os auditores fiscais tamb&eacute;m   constataram a depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica da intermedi&aacute;ria Patr&iacute;cia Su Hyun Ha   para com a Gregory por meio do movimento fiscal da empresa: mais de  80%  do faturamento provinha da Gregory, no per&iacute;odo entre janeiro e  mar&ccedil;o de  2012.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, os trabalhadores receberam  as verbas  rescis&oacute;rias, no valor de R$ 55 mil, e as guias para sacar o  Seguro  Desemprego do Trabalhador Resgatado. Eles tiveram as Carteiras  de  Trabalho e da Previd&ecirc;ncia Social (CTPS) provis&oacute;rias emitidas pelo  MTE e  aqueles que n&atilde;o possuem Registro Nacional do Estrangeiro (RNE)  receberam  aux&iacute;lio da DPU para documenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2825%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>M&agrave;quinas lacradas pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s flgrante de trabalho escravo. Lote de vestidos tamb&eacute;m foi apreendido<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A  investiga&ccedil;&atilde;o da cadeia produtiva da Gregory se iniciou em maio do  ano  passado, quando a Ger&ecirc;ncia Regional do Trabalho e Emprego (GRTE) de   Campinas (SP) e a Procuradoria Regional do Trabalho da 15&ordf; Regi&atilde;o   (PRT-15), encontraram fichas t&eacute;cnicas de pedidos da Gregory na oficina   onde&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/exibe.php?id=1925\">52 pessoas foram libertadas<\/a>&nbsp;de trabalho an&aacute;logo ao de escravo, parte do grupo costurava cal&ccedil;as jeans para a grife espanhola Zara. <\/p>\n<p>Al&eacute;m   disso, a Procuradoria Regional do Trabalho da 2&ordf; Regi&atilde;o (PRT-2)  recebeu  uma den&uacute;ncia de um boliviano relatando que estaria costurando  para a  Gregory em condi&ccedil;&otilde;es degradantes e cumprindo jornada exaustiva.<\/p>\n<p>Andrea  Duca, diretora de marketing da Gregory, afirma que a empresa s&oacute;  tem a  agradecer a fiscaliza&ccedil;&atilde;o do MTE e seus respectivos auditores  fiscais por  &#8220;ter alertado a empresa sobre as irregularidades&#8221;. Segundo  ela, os  problemas &#8220;aconteciam sem nosso conhecimento&#8221;. &#8220;O fornecedor  envolvido  nesse assunto j&aacute; est&aacute; regularizado&#8221;, sustentou em mensagem  enviada &agrave; <strong>Rep&oacute;rter Brasil<\/strong> por e-mail.&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar  da fiscaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ter d&uacute;vida quanto &agrave; responsabilidade  da empresa em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&atilde;o encontrada, a diretora  Andrea argumenta  que a grife Gregory n&atilde;o usou trabalho escravo &#8220;porque  n&atilde;o produz  nenhuma pe&ccedil;a&#8221;. &#8220;Ap&oacute;s orienta&ccedil;&atilde;o da equipe de estilo Gregory,  todas as  pe&ccedil;as s&atilde;o compradas prontas de nossos fornecedores&#8221;, alega.<\/p>\n<p><strong>Confira abaixo imagens das fiscaliza&ccedil;&otilde;es:<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2820%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2819%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2814%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2811%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%289%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%285%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%284%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%282%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%281%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.reporterbrasil.org.br\/images\/articles\/Gregory%20%2835%29.JPG\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><em>*A  jornalista acompanhou todas as fiscaliza&ccedil;&otilde;es realizadas por  conta do  compromisso assumido no Pacto a Precariza&ccedil;&atilde;o e Pelo Emprego e  Trabalho  Decentes em S&atilde;o Paulo &#8211; Cadeia Produtiva das Confec&ccedil;&otilde;es.<\/em><\/p>\n<p><em>**Os nomes s&atilde;o fict&iacute;cios para proteger as v&iacute;timas.<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.reporterbrasil.org.br &#8211; Bianca Pyl*<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo dia em que a grife de roupas femininas Gregory lan&ccedil;ava a sua cole&ccedil;&atilde;o Outono-Inverno 2012 com pompa e circunst&acirc;ncia, uma equipe de fiscaliza&ccedil;&atilde;o trabalhista flagrava situa&ccedil;&atilde;o de&nbsp;cerceamento de liberdade, servid&atilde;o por d&iacute;vida, jornada exaustiva, ambiente degradante de trabalho e&nbsp;ind&iacute;cios de tr&aacute;fico de pessoas em uma oficina que produzia pe&ccedil;as para a marca, na&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":31242,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-31241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31241"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55919,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31241\/revisions\/55919"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}