{"id":28921,"date":"2011-11-17T17:46:41","date_gmt":"2011-11-17T19:46:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/caso-lupi-a-outra-versao-da-historia-4\/"},"modified":"2011-11-17T17:46:41","modified_gmt":"2011-11-17T19:46:41","slug":"caso-lupi-a-outra-versao-da-historia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/caso-lupi-a-outra-versao-da-historia-4\/","title":{"rendered":"Caso Lupi: a outra vers\u00e3o da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-decoration: underline\">A jornalista Angela Rocha, mulher de Carlos Lupi, decidiu voltar a escrever. E faz neste texto um desabafo que vale a pena ser lido. Ela lembra uma quest&atilde;o b&aacute;sica: &eacute; fundamental, para o cidad&atilde;o formar a sua pr&oacute;pria opini&atilde;o, que as vers&otilde;es do fato sejam apresentadas. Isto &eacute; b&aacute;sico no jornalismo. E isto n&atilde;o est&aacute; acontecendo. (OM)<\/span><\/p>\n<p>Voc&ecirc; tem direito de ter a sua verdade. Para isso voc&ecirc; precisa conhecer todas as vers&otilde;es de uma hist&oacute;ria para escolher a sua. A deles &eacute; f&aacute;cil, &eacute; s&oacute; continuar lendo a Veja, O Globo, assistindo ao Jornal Nacional. A nossa vai precisar circular por essa nova e democr&aacute;tica ferramenta que &eacute; a internet.<\/p>\n<p>Meu nome &eacute; Angela, sou esposa do Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi. Sou jornalista e especialista em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Somos casados h&aacute; 30 anos, temos 3 filhos e um neto. Resolvi voltar ao texto depois de tantos anos porque a causa &eacute; justa e o motivo &eacute; nobre. Mostrar a milhares, dezenas ou a uma pessoa que seja como se monta um esc&acirc;ndalo no Brasil.<\/p>\n<p>Vamos aos fatos: No dia 3 de novembro a revista Veja envia a assessoria de imprensa do Minist&eacute;rio do Trabalho algumas perguntas gen&eacute;ricas sobre conv&ecirc;nio, ONGS, repasses etc. Guarda essa informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica existe uma coisa chamada pend&ecirc;ncia administrativa. O que &eacute; isso? S&atilde;o processos que se avolumam em mesas a espera de solu&ccedil;&otilde;es que dependem de documentos, de comprova&ccedil;&otilde;es de despesas, presta&ccedil;&atilde;o de contas etc. Todo &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico, seja na esfera municipal, estadual ou federal, tem dezenas ou centenas desses.<\/p>\n<p>Como &eacute; montado o circo? A revista pega duas pend&ecirc;ncias administrativas dessas, junta com as respostas da assessoria de imprensa do minist&eacute;rio dando a impress&atilde;o de que s&atilde;o muito democr&aacute;ticos e que ouviram a outra parte, o que n&atilde;o &eacute; verdade, e paralelamente a isso pegam o depoimento de algu&eacute;m que n&atilde;o tem nome ou sobrenome, mas diz que pagou propina a algu&eacute;m da assessoria do ministro.<\/p>\n<p>No dia seguinte toda a m&iacute;dia nacional espalha e repercute a mat&eacute;ria em todos os notici&aacute;rios, revistas e jornais. Nada fica provado. O acusador n&atilde;o tem que provar que pagou, mas voc&ecirc; tem que provar que n&atilde;o recebeu. Curioso isso, n&atilde;o? O pr&oacute;prio texto da mat&eacute;ria isentava Lupi de qualquer responsabilidade. Ele sequer &eacute; citado pelo acusador. Mas a gente n&atilde;o l&ecirc; os textos, s&oacute; os t&iacute;tulos e a interpreta&ccedil;&atilde;o, que v&ecirc;m do estere&oacute;tipo &ldquo;pol&iacute;tico &eacute; tudo safado mesmo&rdquo;.<\/p>\n<p>Dizem que quando as coisas est&atilde;o ruins podem piorar. E &eacute; verdade. Na ter&ccedil;a-feira Lupi se re&uacute;ne na sede do PDT, seu partido pol&iacute;tico em Bras&iacute;lia para uma coletiva com a imprensa. E &eacute; literalmente metralhado n&atilde;o por perguntas, o que seria natural, mas por acusa&ccedil;&otilde;es. Nossa imprensa julga, condena e manda para o pelot&atilde;o de fuzilamento.<\/p>\n<p>E a&iacute; entra em cena a mais imprevis&iacute;vel das criaturas: o ser humano. Enquanto alguns acuados recuam, paralisam, Lupi faz parte de uma minoria que contra ataca. Explode, desafia. &Eacute; indelicado com a Presidenta e com a popula&ccedil;&atilde;o em geral. E solta a frase bomba, manchete do dia seguinte: &ldquo;S&oacute; saio a bala&rdquo;. O que as pessoas interpretaram como apego ao cargo era a defesa do seu nome. Era um recado com endere&ccedil;o certo e cujos destinat&aacute;rios voltaram com for&ccedil;a total.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Era a declara&ccedil;&atilde;o de uma guerra que ainda n&atilde;o deixou mortos, mas j&aacute; contabiliza muitos feridos. Em casa, passado o momento de tens&atilde;o, Lupi percebe o erro, os exageros e na quinta-feira na Comiss&atilde;o de Justi&ccedil;a do Congresso Nacional presta todos os esclarecimentos, apresenta os documentos que provam que o Minist&eacute;rio do Trabalho j&aacute; havia tomado provid&ecirc;ncias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ONGs que estavam sendo denunciadas e aproveita a oportunidade para admitir que passou do tom e pede desculpas p&uacute;blicas a Presidenta e a popula&ccedil;&atilde;o em geral.<\/p>\n<p>A essa altura, a acusa&ccedil;&atilde;o de corrupto j&aacute; n&atilde;o tinha mais sustenta&ccedil;&atilde;o. Era preciso montar outro esc&acirc;ndalo e a&iacute; entra a grava&ccedil;&atilde;o de uma resposta e uma fotografia. A resposta &eacute; aquela que &eacute; repetida em todos os telejornais. Onde o Lupi diz &ldquo;n&atilde;o tenho nenhum tipo de relacionamento com o Sr Adair. Fui apresentado a ele em alguns eventos p&uacute;blicos. Nunca andei em aeronave do Sr Adair&rdquo;.<\/p>\n<p>Pegam a frase e juntam a ela uma foto do Lupi descendo de uma aeronave com o seu Adair por perto. Pronto. Um novo esc&acirc;ndalo est&aacute; montado. Lupi agora n&atilde;o &eacute; mais corrupto, &eacute; mentiroso.<\/p>\n<p>Em algum momento, em algum desses telejornais voc&ecirc; ouviu a pergunta que foi feita ao Lupi e que originou aquela resposta? Com certeza n&atilde;o. Se algu&eacute;m pergunta se voc&ecirc; conhece o Seu Jos&eacute;, porteiro do seu pr&eacute;dio? Voc&ecirc; provavelmente responde: claro, conhe&ccedil;o. Agora, se algu&eacute;m pergunta: que tipo de relacionamento voc&ecirc; tem com o Seu Jos&eacute;? O que voc&ecirc; responde? Nenhum, simplesmente conhe&ccedil;o de vista.<\/p>\n<p>Foi essa a pergunta que n&atilde;o &eacute; mostrada: que tipo de relacionamento o Sr tem com o Sr Adair? Uma pergunta bem capciosa. Enquanto isso, o pr&oacute;prio Sr Adair garante que a aeronave n&atilde;o era dele, que ele n&atilde;o pagou pela aeronave e que ele simplesmente indicou.<\/p>\n<p>Quando comecei na profiss&atilde;o como estagi&aacute;ria na Tribuna da Imprensa, ouvi de um chefe de reportagem uma frase que nunca esqueci: &ldquo;Enquanto voc&ecirc; n&atilde;o ouvir todos os envolvidos e tiver todas as vers&otilde;es do fato, a mat&eacute;ria n&atilde;o sai. O leitor tem o direito de ler todas as vers&otilde;es de uma hist&oacute;ria e escolher a dele. Imprensa n&atilde;o julga, informa. Quem julga &eacute; o leitor&rdquo;.<\/p>\n<p>Quero deixar claro que isso n&atilde;o &eacute; um discurso para colocar o Lupi como v&iacute;tima.&nbsp; O Lupi n&atilde;o &eacute; v&iacute;tima de nada. &Eacute; um adulto plenamente consciente do seu papel nessa hist&oacute;ria. Ele sabe que &eacute; simplesmente o alvo menor que precisa ser abatido para que seja atingido um alvo maior. &Eacute; briga de cachorro grande.&nbsp;<\/p>\n<p>Tentaram atingir o seu nome como corrupto, mas n&atilde;o conseguiram. Agora &eacute; mentiroso, mas tamb&eacute;m n&atilde;o est&atilde;o conseguindo, e tenho at&eacute; medo de imaginar o que vem na sequ&ecirc;ncia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Para terminar queria deixar alguns recados:<\/p>\n<p>Para os amigos que nos acompanham ou simplesmente conhecidos que observam de longe a maneira como vivemos e educamos os nossos filhos eu queria dizer que podem continuar nos procurando para prestar solidariedade e que ser&atilde;o bem recebidos. Aos que preferem esperar a poeira baixar ou n&atilde;o tocar no assunto, tamb&eacute;m agrade&ccedil;o. E n&atilde;o fiquem constrangidos se em algum momento acompanhando o notici&aacute;rio tenham duvidado do Lupi. A coisa &eacute; t&atilde;o bem montada que at&eacute; a gente come&ccedil;a a duvidar de n&oacute;s mesmos. Quem passou por tortura psicol&oacute;gica sabe o que &eacute; isso. &Eacute; preciso ser muito forte e coerente com as suas convic&ccedil;&otilde;es para continuar nessa luta.<\/p>\n<p>Para os companheiros de partido, Senadores, Deputados, Vereadores, lideran&ccedil;as, militantes que nos &uacute;ltimos 30 anos testemunharam o trabalho incans&aacute;vel de um &ldquo;maluco&rdquo; que viajava o Brasil inteiro em fins de semana e feriados, filiando gente nova, fazendo reuni&otilde;es intermin&aacute;veis, celebrando e cumprindo acordos, respeitado at&eacute; pelos advers&aacute;rios como um homem de palavra, que manteve o PDT vivo e dentro do cen&aacute;rio nacional como um dos mais importantes partidos pol&iacute;ticos da atualidade. Eu pe&ccedil;o s&oacute; uma coisa: justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Aos colegas jornalistas que est&atilde;o fazendo o seu trabalho, aos que est&atilde;o aborrecidos com esse cara que parece arrogante e fica desafiando todo mundo, aos que s&oacute; seguem orienta&ccedil;&atilde;o da editoria sem questionamento, aos que observam e questionam, n&atilde;o importa. A todos voc&ecirc;s eu queria deixar um pensamento: reflex&atilde;o. Qual &eacute; o nosso papel na sociedade?<\/p>\n<p>E a voc&ecirc; Lupi, companheiro de uma vida, quero te dizer, como representante desse pequeno nucleozinho que &eacute; a nossa fam&iacute;lia, que n&oacute;s estamos cansados, indignados e tristes, mas unidos como sempre estivemos. Pode continuar lutando enquanto precisar, n&atilde;o para manter cargo, pois isso &eacute; pequeno, mas para manter limpo o seu nome constru&iacute;do em 30 anos de vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>E quando estiver muito cansado dessa guerra vai repousar no seu ref&uacute;gio que n&atilde;o &eacute; uma mans&atilde;o em Angra dos Reis, nem uma fazenda em Goi&aacute;s, sequer uma casa em B&uacute;zios, e sim um pequeno s&iacute;tio em  Mag&eacute;. Que corrupto &eacute; esse? Que Pa&iacute;s &eacute; esse?<\/p>\n<p>Ascom\/OM<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornalista Angela Rocha, mulher de Carlos Lupi, decidiu voltar a escrever. E faz neste texto um desabafo que vale a pena ser lido. Ela lembra uma quest&atilde;o b&aacute;sica: &eacute; fundamental, para o cidad&atilde;o formar a sua pr&oacute;pria opini&atilde;o, que as vers&otilde;es do fato sejam apresentadas. Isto &eacute; b&aacute;sico no jornalismo. E isto n&atilde;o est&aacute;&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":28922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1401],"tags":[],"class_list":["post-28921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28921\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}