{"id":19497,"date":"2008-03-13T00:00:00","date_gmt":"2008-03-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/carlos-lessa-o-pre-sal-e-o-enigmatico-futuro-brasileiro"},"modified":"2017-10-26T09:09:28","modified_gmt":"2017-10-26T11:09:28","slug":"carlos-lessa-o-pre-sal-e-o-enigmatico-futuro-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/carlos-lessa-o-pre-sal-e-o-enigmatico-futuro-brasileiro\/","title":{"rendered":"Carlos Lessa: O pr\u00e9-sal e o enigm\u00e1tico futuro brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O deputado Juli\u00e3o Amin(PDT)MA) chama a aten\u00e7\u00e3o para o artigo do do professor de economia, Carlos Lessa, publicado no jornal Valor Econ\u00f4mico, do dia 12 de mar\u00e7o de 2008, por se tratar de um assunto que sempre fez parte das bandeiras do PDT: o petr\u00f3leo brasileiro. O parlamentar salienta a import\u00e2ncia da discuss\u00e3o desse assunto no IV Congresso do PDT, marcado para os 18, 19 e 20 de abril.&nbsp; No artigo, o economista&nbsp; destaca a import\u00e2ncia das reservas de petr\u00f3leo no Brasil e a tecnologia existente para a sua explora\u00e7\u00e3o. Outro ponto defendido por Lessa \u00e9 a necessidade de ter a Petrobr\u00e1s como uma empresa estrat\u00e9gica para o futuro desenvolvimento do pa\u00eds, atuando como&nbsp; \u0093escudo protetor de uma geopol\u00edtica potencialmente amea\u00e7adora\u0094.&nbsp; Veja a \u00edntegra do texto<BR><BR><FONT class=title>O pr\u00e9-sal e o enigm\u00e1tico futuro brasileiro <\/FONT><BR>Carlos Lessa <BR><BR><BR>Toda profiss\u00e3o tem cacoetes ling\u00fc\u00edsticos. O ge\u00f3logo brasileiro denomina os campos submarinos de petr\u00f3leo existentes abaixo de um enorme e espesso len\u00e7ol de sal de pr\u00e9-sal. O ge\u00f3logo ordena o mundo de baixo para cima. O sal dificulta e encarece a extra\u00e7\u00e3o, por\u00e9m preserva um \u00f3leo leve e de \u00f3tima qualidade. <BR><BR>Fortes evid\u00eancias levam a crer que h\u00e1 130 milh\u00f5es de anos come\u00e7ou o desquite entre \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul. No meio, surgiu um lago que, crescendo, d\u00e1 origem ao Atl\u00e2ntico Sul. O material org\u00e2nico foi sepultado debaixo do sal; posteriormente, outros elementos se depositaram. A combina\u00e7\u00e3o de temperatura e press\u00e3o converteu a mat\u00e9ria org\u00e2nica em petr\u00f3leo. Movimentos tect\u00f4nicos deslocaram o sal; parte do petr\u00f3leo migrou para cima das &#8220;janelas&#8221; de sal. A Petrobras localizou campos submarinos nestas janelas: Namorado, Marlin, Roncador e toda uma peixaria permitiram a auto-sufici\u00eancia deste combust\u00edvel. O \u00f3leo dessas jazidas n\u00e3o \u00e9 o melhor &#8211; \u00e9 pesado &#8211; por\u00e9m \u00e9 nosso; est\u00e1 em nossa fronteira mar\u00edtima, pertence \u00e0 Petrobras, e o Brasil \u00e9 l\u00edder em tecnologia e ambi\u00e7\u00f5es em \u00e1guas profundas. <BR><BR>A Petrobras foi em frente. Perfurou ao longo do mar, desde Esp\u00edrito Santo at\u00e9 a Bacia de Santos, em busca do pr\u00e9-sal. Tudo leva a crer que existam campos no mar em uma \u00e1rea de at\u00e9 800 quil\u00f4metros de extens\u00e3o por 200 quil\u00f4metros de largura. As estimativas oscilam entre 30 e 50 bilh\u00f5es de barris no pr\u00e9-sal &#8211; n\u00e3o \u00e9 um del\u00edrio nacional, esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do Credit Suisse. Hoje temos 14 bilh\u00f5es de barris provados. Com Tupi, Carioca, J\u00fapiter e seus &#8220;compadres&#8221;, chegar\u00edamos \u00e0s reservas atuais da R\u00fassia e da Venezuela. <BR><BR>O \u00f3leo do pr\u00e9-sal \u00e9 leve. O Brasil pode confiar nos ge\u00f3logos, cientistas, engenheiros e tecn\u00f3logos que desenvolveremos a tecnologia para estes campos muito profundos e com espessas camadas de sal. Ao Eldorado Verde da Amaz\u00f4nia, descobrimos um Azul, no pr\u00e9-sal; um novo Eldorado pelo brasileiro e para o brasileiro. Este \u00e9 o sonho. Pode-se converter em um pesadelo. <BR><BR>Os EUA consomem 25% do petr\u00f3leo do mundo. O grande poluidor bebe, todos os anos, sete bilh\u00f5es de barris. Tem reservas pequenas, apenas para quatro anos. Por isto, tem tropas na Ar\u00e1bia Saudita (260 bilh\u00f5es de barris de reservas), e frotas navais no Oceano \u00cdndico; estimulou o conflito latente entre sunitas e xiitas, promoveu Saddam Hussein e deu f\u00f4lego a Bin Laden. Com o primeiro, alimentou o \u00f3dio ao Ir\u00e3 (100 bilh\u00f5es de barris); com o segundo, sustentou a rebeli\u00e3o dos afeg\u00e3os contra a URSS. Ap\u00f3s o 11 de setembro, destruiu os talib\u00e3s e, desde ent\u00e3o, acusou o Iraque (100 bilh\u00f5es de barris) de dispor de armas nucleares. Destru\u00eddo Saddam, n\u00e3o se descobriu nenhum armamento n\u00e3o convencional. Transferiu, imediatamente, para o Ir\u00e3 a acusa\u00e7\u00e3o de estar se nuclearizando. Os EUA mergulharam de ponta-cabe\u00e7a no Oriente M\u00e9dio, pois t\u00eam sede de petr\u00f3leo &#8211; ali\u00e1s, a China e a \u00cdndia tamb\u00e9m. <BR><BR>Meirelles, com o desejado fundo soberano, poderia converter o BC em &#8220;acionista&#8221;, recomprando as a\u00e7\u00f5es que governos liberalizantes venderam para estrangeiros <BR><BR>At\u00e9 o pr\u00e9-sal brasileiro, o Novo Mundo n\u00e3o poderia saciar os EUA; o M\u00e9xico j\u00e1 foi depredado (tinha 52 bilh\u00f5es de reservas e hoje est\u00e1 com 17). O Canad\u00e1 tem muita areia betuminosa (custos extremamente elevados de extra\u00e7\u00e3o). A Venezuela tem reservas insuficientes para a sede norte-americana. Alguns pa\u00edses ficaram sem petr\u00f3leo: a Indon\u00e9sia exportou, participou da Opep e vendeu seu \u00f3leo a US$ 3 o barril, hoje importa a US$100 o barril. O Reino Unido n\u00e3o \u00e9 mais exportador de petr\u00f3leo no Mar do Norte; bebeu e vendeu demais. Este \u00e9 o pano de fundo de um poss\u00edvel pesadelo geopol\u00edtico. N\u00e3o interessa ao Brasil que o Atl\u00e2ntico Sul se converta num Oriente M\u00e9dio. <BR><BR>A primeira pergunta que ocorre \u00e9: o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal \u00e9 nosso? Logo depois: at\u00e9 quando? O neoliberalismo j\u00e1 promoveu nove rodadas de leil\u00f5es. <BR><BR>A ANP &#8211; institui\u00e7\u00e3o que no passado seria denominada de &#8220;entreguista&#8221; &#8211; pretendeu acelerar uma nova rodada nos blocos do pr\u00e9-sal. Com clarivid\u00eancia, o presidente Lula suspendeu a rodada e solicitou \u00e0 ministra Chefe da Casa Civil que estudasse uma nova legisla\u00e7\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o da economia do petr\u00f3leo. Creio que Lula anteviu um poss\u00edvel &#8220;Iraque&#8221; em nosso territ\u00f3rio. O presidente sabe que a Petrobras pode, t\u00e9cnica e financeiramente, desenvolver Tupi e outros campos do pr\u00e9-sal. Sabe que n\u00e3o se brinca com soberania na &#8220;Amaz\u00f4nia azul&#8221;. Nossa Marinha de Guerra precisa do submarino nuclear; nossa Aeron\u00e1utica precisa de m\u00edsseis e da Base de Alc\u00e2ntara, por\u00e9m quem garante que n\u00e3o seremos acusados de belicismo? <BR><BR>Conhe\u00e7o a ministra Dilma desde os tempos da Unicamp. Sei que \u00e9 nacionalista e bem preparada; ela sabe que o pre\u00e7o do barril ir\u00e1 subir tendencialmente. \u00c9 uma boa &#8220;aplica\u00e7\u00e3o financeira&#8221; manter petr\u00f3leo conhecido e cubado como uma reserva estrat\u00e9gica; rende mais que os T\u00edtulos de D\u00edvida P\u00fablica norte-americanos. Um fundo soberano, alimentado com uma parcela das reservas cambiais de nosso Banco Central, poderia subscrever a\u00e7\u00f5es e financiar a Petrobras. \u00c9 mais estrat\u00e9gica esta &#8220;aplica\u00e7\u00e3o&#8221; do que apoiar o Tesouro dos EUA. Dilma sabe que a China fura po\u00e7os e os mant\u00e9m lacrados, preferindo beber petr\u00f3leo importado em troca de suas exporta\u00e7\u00f5es. Certamente, a regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 elevar royalties e contribui\u00e7\u00f5es especiais sobre o petr\u00f3leo extra\u00eddo do pr\u00e9-sal por companhias estrangeiras. <BR><BR>A premissa maior \u00e9 reassumir a Petrobras como empresa estrat\u00e9gica para o futuro desenvolvimento brasileiro e escudo protetor de uma geopol\u00edtica potencialmente amea\u00e7adora. Para tal, \u00e9 necess\u00e1rio retirar da companhia sua med\u00edocre miss\u00e3o atual: &#8220;honrar seus acionistas&#8221;. Ali\u00e1s, o Dr. Meirelles, com o desejado fundo soberano, poderia converter o Banco Central em &#8220;acionista&#8221;, recomprando as a\u00e7\u00f5es que os governos liberalizantes venderam para estrangeiros. <BR><BR>A diretoria da Petrobras, em vez de saber a cota\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o em Wall Street, deveria estar articulada com o presidente da Rep\u00fablica, expondo ao Brasil o modo de manter o Eldorado em nossas m\u00e3os. <BR><BR>Carlos Lessa \u00e9 professor-titular de economia brasileira da UFRJ. <BR><BR><\/P><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O deputado Juli\u00e3o Amin(PDT)MA) chama a aten\u00e7\u00e3o para o artigo do do professor de economia, Carlos Lessa, publicado no jornal Valor Econ\u00f4mico, do dia 12 de mar\u00e7o de 2008, por se tratar de um assunto que sempre fez parte das bandeiras do PDT: o petr\u00f3leo brasileiro. 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