{"id":19434,"date":"2008-02-01T00:00:00","date_gmt":"2008-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/neiva-moreira-jango-estava-em-listas-da-condor"},"modified":"2017-10-26T09:09:34","modified_gmt":"2017-10-26T11:09:34","slug":"neiva-moreira-jango-estava-em-listas-da-condor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/neiva-moreira-jango-estava-em-listas-da-condor\/","title":{"rendered":"Neiva Moreira: Jango estava em listas da Condor"},"content":{"rendered":"<p><P>Claudio Leal<\/P><br \/>\n<P>Em entrevista a Terra Magazine, o ex-exilado pol\u00edtico e ex-deputado federal Neiva Moreira, 90 anos, rememora seu primeiro contato com a Opera\u00e7\u00e3o Condor e oferece um testemunho: o nome do ex-presidente brasileiro Jo\u00e3o Goulart, deposto em 1964, estava em uma lista de inimigos das ditaduras sul-americanas a serem assassinados. Ele conheceu a rela\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um diplomata hispano-americano, na Argentina. <\/P><br \/>\n<P>&#8211; Circulava profusamente essa rela\u00e7\u00e3o onde constavam dois senadores do Uruguai e militares bolivianos e brasileiros democratas e opostos \u00e0s ditaduras, assassinados depois. (&#8230;) O que se pode afirmar, porque se tornou p\u00fablico, \u00e9 que o nome de Jo\u00e3o Goulart freq\u00fcentava aquela lista sinistra &#8211; afirma Neiva Moreira. <\/P><br \/>\n<P>Leia tamb\u00e9m:<BR><A href=\"\/paginas.asp?id=454\">\u00bb Em depoimento, agente diz que Jango foi envenenado<\/A>&nbsp;<BR><BR><BR>A morte de Jo\u00e3o Goulart, no ex\u00edlio argentino, em 1976, saiu do campo das teorias conspirat\u00f3rias e ganhou este m\u00eas a esfera jur\u00eddica. <\/P><br \/>\n<P>Baseada no depoimento do ex-agente da intelig\u00eancia do governo do Uruguai Mario Neira Barreiro &#8211; preso no Rio Grande do Sul por roubo e forma\u00e7\u00e3o de quadrilha &#8211; e nos rastros da Opera\u00e7\u00e3o Condor, a fam\u00edlia de Jango entrou com uma a\u00e7\u00e3o na Procuradoria Geral da Rep\u00fablica para apurar as den\u00fancias de envenenamento do l\u00edder trabalhista. <\/P><br \/>\n<P>Em entrevista \u00e0 rep\u00f3rter Simone Iglesias, na Folha de S. Paulo de ontem, Barreiro reafirmou a hist\u00f3ria e informou que a ordem para matar veio do governo Ernesto Geisel (1974-1979). <\/P><br \/>\n<P>No relato do uruguaio, comprimidos envenenados foram postos nos frascos dos rem\u00e9dios de Jango, numa opera\u00e7\u00e3o identificada como &#8220;Escorpi\u00e3o&#8221;. O escritor e jornalista Carlos Heitor Cony entrevistou o ex-agente para o livro O beijo da morte (2003), em parceria com Anna Lee. Em recente cr\u00f4nica na Folha, Cony definiu a personalidade de Barreiro: <\/P><br \/>\n<P>&#8220;\u00c9 um sujeito perigoso (estava algemado quando o entrevistamos), com uma tend\u00eancia ao del\u00edrio. Mas seu del\u00edrio tem uma espinha dorsal que supera os detalhes assombrosos de seu relato.&#8221; <\/P><br \/>\n<P>A Opera\u00e7\u00e3o Condor era um acordo de coopera\u00e7\u00e3o militar entre as ditaduras do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Peru, na persegui\u00e7\u00e3o aos inimigos pol\u00edticos no ex\u00edlio. Voltou \u00e0 cena em dezembro de 2007, com o pedido de pris\u00e3o de 140 militares desses pa\u00edses, expedido pela justi\u00e7a da It\u00e1lia (25 cidad\u00e3os de origem italiana est\u00e3o &#8220;desaparecidos&#8221;). <\/P><br \/>\n<P>Neiva Moreira sentiu no ex\u00edlio as movimenta\u00e7\u00f5es da Condor. Jornalista ainda atuante, trabalhou nos Di\u00e1rios Associados &#8211; lidando com uma serpente chamada Assis Chateaubriand &#8211; e fundou a revista internacional Cadernos do Terceiro Mundo. Entrevistou de Yasser Arafat a Saddam Hussein. Nascido no Maranh\u00e3o, em 10 de outubro de 1917, \u00e9 uma das refer\u00eancias \u00e9ticas do parlamento brasileiro. <\/P><br \/>\n<P>L\u00edder da Frente Parlamentar Nacionalista, Neiva se exilou, depois do golpe de 1964, no Uruguai. Por press\u00f5es pol\u00edticas, partiu para a Argentina e o Peru. Sua experi\u00eancia como pol\u00edtico e rep\u00f3rter est\u00e1 no livro de mem\u00f3rias O Pil\u00e3o da Madrugada &#8211; Um depoimento de Neiva Moreira a Jos\u00e9 Louzeiro. Leal amigo e companheiro do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004), permanece filiado ao PDT. Guarda a hist\u00f3ria dos embates pol\u00edticos brasileiros desde os anos 30. <\/P><br \/>\n<P>Em abril de 2001, Neiva Moreira dep\u00f4s na comiss\u00e3o da C\u00e2mara que investigou a morte do ex-presidente. \u00c0 \u00e9poca, lembrou que a lista inclu\u00eda ainda o general boliviano Juan Torres, o senador uruguaio Wilson Ferreira Aldunate e o general Prates. <\/P><br \/>\n<P>Nesta entrevista, o ex-deputado volta a defender a apura\u00e7\u00e3o dos fatos: <\/P><br \/>\n<P>&#8211; \u00c9 \u00f3bvio que a maioria esmagadora do povo brasileiro repudia os m\u00e9todos utilizados pela ditadura e \u00e9 natural que se espere que o governo e a justi\u00e7a brasileira (tenham) a posi\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a italiana como refer\u00eancia. <\/P><br \/>\n<P>A seguir, a entrevista com Neiva Moreira. Respondeu por escrito \u00e0s quest\u00f5es. <\/P><br \/>\n<P>Terra Magazine &#8211; A fam\u00edlia de Jo\u00e3o Goulart entrou com uma a\u00e7\u00e3o na Procuradoria Geral da Rep\u00fablica para pedir a investiga\u00e7\u00e3o da morte do ex-presidente no ex\u00edlio, que pode estar vinculada \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Condor. O senhor acredita que h\u00e1 raz\u00f5es para levantar a possibilidade de envenenamento?<BR>Neiva Moreira &#8211; No per\u00edodo posterior \u00e0 morte de Jo\u00e3o Goulart, circulou intensamente nos pa\u00edses latino-americanos, sobretudo na Argentina, a suspeita de assassinato. Considero importante e oportuna a iniciativa da fam\u00edlia, visando esclarecer a morte do Presidente. <\/P><br \/>\n<P>No ex\u00edlio, como o senhor tomou conhecimento da coopera\u00e7\u00e3o entre as ditaduras militares da Am\u00e9rica do Sul?<BR>V\u00e1rios meios confi\u00e1veis e confidenciais nos fizeram crer naquela coopera\u00e7\u00e3o e foram in\u00fameras as precau\u00e7\u00f5es que tomamos para escapar da repress\u00e3o continental. Aquilo nos deixava profundamente indignados e nos levou a denunciar tal fato nos meios de comunica\u00e7\u00f5es dos diversos pa\u00edses onde estivemos exilados. <\/P><br \/>\n<P>O senhor teve acesso a uma lista secreta com os inimigos a serem eliminados pelas regimes militares do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bol\u00edvia e Peru? O presidente Jo\u00e3o Goulart figurava nessa lista? Quem estava nela?<BR>Circulava profusamente essa rela\u00e7\u00e3o onde constavam dois senadores do Uruguai e militares bolivianos e brasileiros democratas e opostos \u00e0s ditaduras, assassinados depois. Pessoalmente, todas as vezes que uma figura importante da ditadura brasileira ia a Montevid\u00e9u, eu era preso previamente e um hotel que diziam pertencer ao presidente Jo\u00e3o Goulart, vasculhado. A \u00faltima opera\u00e7\u00e3o mobilizou mais de uma centena de soldados, que n\u00e3o encontraram nada que confirmasse tais boatos terroristas. <\/P><br \/>\n<P>Em 2001, numa comiss\u00e3o da C\u00e2mara que investigou a Condor, o senhor disse que ainda n\u00e3o poderia revelar o nome do diplomata hispano-americano que lhe forneceu a lista secreta. Sete anos depois, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel?<BR>Por motivos \u00f3bvios, a precau\u00e7\u00e3o continua e eu acho que vai perdurar por muito tempo. O que se pode afirmar, porque se tornou p\u00fablico, \u00e9 que o nome de Jo\u00e3o Goulart freq\u00fcentava aquela lista sinistra. <\/P><br \/>\n<P>Brizola esteve na mira da Opera\u00e7\u00e3o Condor?<BR>Era fregu\u00eas de carteirinha de todas as a\u00e7\u00f5es das ditaduras latino-americanas. \u00c9 importante afirmar que nunca e nem por nada ele se afastou um mil\u00edmetro de seus ideais de liberdade e sua incans\u00e1vel capacidade de luta. <\/P><br \/>\n<P>Como avalia a decis\u00e3o da justi\u00e7a italiana, que expediu 140 pedidos de pris\u00e3o contra os envolvidos na &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Condor&#8221;?<BR>N\u00e3o s\u00f3 essa decis\u00e3o merece todo apoio e aplauso, como todas as iniciativas que denunciem as ditaduras latino-americanas e outras da \u00e9poca carecem de aprofundamento com a den\u00fancia e a puni\u00e7\u00e3o dos envolvidos. <\/P><br \/>\n<P>Qual deve ser a a\u00e7\u00e3o do governo e da justi\u00e7a brasileira?<BR>\u00c9 \u00f3bvio que a maioria esmagadora do povo brasileiro repudia os m\u00e9todos utilizados pela ditadura e \u00e9 natural que se espere que o governo e a justi\u00e7a brasileira (tenham) a posi\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a italiana como refer\u00eancia.<\/P>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudio Leal Em entrevista a Terra Magazine, o ex-exilado pol\u00edtico e ex-deputado federal Neiva Moreira, 90 anos, rememora seu primeiro contato com a Opera\u00e7\u00e3o Condor e oferece um testemunho: o nome do ex-presidente brasileiro Jo\u00e3o Goulart, deposto em 1964, estava em uma lista de inimigos das ditaduras sul-americanas a serem assassinados. 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