{"id":19433,"date":"2008-02-01T00:00:00","date_gmt":"2008-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/joao-vicente-queremos-esclarecer-a-verdade-historica"},"modified":"2017-10-26T09:09:34","modified_gmt":"2017-10-26T11:09:34","slug":"joao-vicente-queremos-esclarecer-a-verdade-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/joao-vicente-queremos-esclarecer-a-verdade-historica\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Vicente: &#8220;Queremos esclarecer a verdade hist\u00f3rica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista: Jo\u00e3o Vicente Goulart, filho do presidente Jo\u00e3o Goulart <BR><BR>Jo\u00e3o Vicente Goulart: filho do presidente Jo\u00e3o Goulart <BR>Para ele, poss\u00edvel apura\u00e7\u00e3o sobre hip\u00f3tese de envenenamento traz esperan\u00e7a de passar a limpo a morte do pai <BR><BR>O pedido do ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro, e do procurador-geral da Rep\u00fablica, Ant\u00f4nio Fernando de Souza, para que a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul investiguem a possibilidade de o presidente Jo\u00e3o Goulart ter sido envenenado no ex\u00edlio trouxe ao filho dele, Jo\u00e3o Vicente Goulart, a esperan\u00e7a de finalmente passar a limpo a morte do pai, ocorrida em 1976. Oficialmente, Jango morreu na Argentina de complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas. Para Jo\u00e3o Vicente, o pai, deposto pelo golpe militar de 1964, foi uma das v\u00edtimas da coopera\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os secretos das ditaduras no Cone Sul, materializada na Opera\u00e7\u00e3o Condor. A principal motiva\u00e7\u00e3o para sua convic\u00e7\u00e3o \u00e9 o que ouviu de Mario Neira Barreiro, ex-agente do servi\u00e7o de intelig\u00eancia uruguaio que sustenta ter monitorado Jango e participado de seu assassinato. <BR><BR>Em 2006, Jo\u00e3o Vicente esteve na penitenci\u00e1ria de Charqueadas (RS), onde Barreiro est\u00e1 preso por tr\u00e1fico de armas, a fim de gravar um depoimento para um document\u00e1rio sobre Jango produzido em parceria com a TV Senado. O preso afirmou que, a mando do governo brasileiro, ele e outros agentes que vigiavam a fam\u00edlia Goulart trocaram rem\u00e9dios de Jango, que era card\u00edaco, por comprimidos com subst\u00e2ncias que provocariam um aparente enfarte. <BR><BR>Ao receber o Estado no apartamento onde vive a m\u00e3e, Maria Thereza Goulart, na zona sul do Rio, Jo\u00e3o Vicente disse que a hist\u00f3ria faz sentido para a fam\u00edlia, apesar da falta de provas. \u0093Ele (Barreiro) \u00e9 uma prova viva.\u0094 <BR><BR>Como foi sua conversa com Barreiro? <BR><BR>Ele n\u00e3o sabia quem eu era. Quando disse, ficou perturbado. A\u00ed, resolveu falar. Fui conduzindo a entrevista. Eu e minha m\u00e3e ficamos muito surpresos ao ver o DVD depois. Fatos, telefones, pessoas, lugares, tudo ele sabia. Citou uma batida que eu dei com o carro em Montevid\u00e9u uma vez, que n\u00e3o teve nem registro de ocorr\u00eancia. Como ele sabia? Estava monitorando. A monitora\u00e7\u00e3o existia e pesadamente sobre nossa fam\u00edlia. <BR><BR>Da monitora\u00e7\u00e3o voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam d\u00favida. Mas o senhor acha que ele participou de um plano para envenenar seu pai? <BR><BR>O que a fam\u00edlia tomou para si \u00e9 o que fez: o pedido de investiga\u00e7\u00e3o. Existe uma prova viva: ele. Dizem que n\u00e3o h\u00e1 prova. Mas todo pedido de investiga\u00e7\u00e3o, quando existe um ind\u00edcio, \u00e9 para que as provas venham a acontecer ou n\u00e3o. <BR><BR>O senhor acredita ou n\u00e3o que seu pai tenha sido assassinado? <BR><BR>Eu hoje acredito que sim. Tudo me leva a crer. Houve atentados ao escrit\u00f3rio do meu pai em Buenos Aires. O ex-governador Miguel Arraes alertou meu pai de que o nome dele estava na lista da Opera\u00e7\u00e3o Condor. Ent\u00e3o por que eu n\u00e3o vou acreditar? O que mais querem? Que o Barreiro apresente uma declara\u00e7\u00e3o oficial do Geisel, assinada, expedindo o mandado de morte? N\u00e3o existe isso. <BR><BR>O senhor considera veross\u00edmil essa parte do depoimento de Barreiro de que o pr\u00f3prio presidente Geisel teria dado ao delegado S\u00e9rgio Fleury a ordem para matar Jango? <BR><BR>N\u00e3o sei. Isso cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico investigar. O que coube \u00e0 fam\u00edlia foi levantar esse depoimento. N\u00e3o queremos a credibilidade do homem Mario Neira Barreiro, at\u00e9 porque ele est\u00e1 preso por contrabando de armas e falsidade ideol\u00f3gica. N\u00e3o fui a um pres\u00eddio procurar nele qualidades morais. O que temos de investigar \u00e9 a veracidade do que ele conta. Fatos e ind\u00edcios v\u00eam corroborando a hist\u00f3ria dele, como documentos que recebemos do antigo SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es). H\u00e1 registros de agentes que subtra\u00edram cartas do (Salvador) Allende, do (Juan) Per\u00f3n, do Ulysses Guimar\u00e3es. Est\u00e1 comprovado que eles tiravam. Isso mostra que estavam l\u00e1 dentro de casa. Se eles declararam que levaram de forma clandestina documentos, podiam ter trocado o rem\u00e9dio. Se estavam l\u00e1 dentro, n\u00e3o duvido disso. Como eu vou duvidar se os pr\u00f3prios documentos que n\u00f3s estamos pesquisando e abrindo est\u00e3o nos dizendo isso? <BR><BR>J\u00e1 se pensou na exuma\u00e7\u00e3o do corpo de Jango. Isso ser\u00e1 feito? <BR><BR>Primeiro temos de saber se h\u00e1 a possibilidade de detectar algum tipo de vest\u00edgio das subst\u00e2ncias. Se n\u00e3o, seria uma coisa desnecess\u00e1ria. <BR><BR>O ministro da Justi\u00e7a e o procurador-geral da Rep\u00fablica pediram que a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul apurem. \u00c9 o que queria? <BR><BR>Isso muito nos alegra. Era isso o que quer\u00edamos. Se houve uma ordem da ditadura brasileira, atrav\u00e9s do Fleury, com veneno ou sem veneno, para matar meu pai, cabe a eles apurar. <BR><BR>Sua fam\u00edlia espera uma indeniza\u00e7\u00e3o ou repara\u00e7\u00e3o do governo brasileiro se for comprovado que foi o mandante do assassinato de Jango? <BR><BR>Acho que nem tem mais prazo para isso. O que queremos \u00e9 o esclarecimento hist\u00f3rico da verdade. O que sempre negaram a Jango. Ele morreu sem ser anistiado, sem ter as honras de chefe de Estado. N\u00e3o dou legitimidade \u00e0quela ditadura que se instaurou. Entendemos que a declara\u00e7\u00e3o de vac\u00e2ncia da Presid\u00eancia, em mar\u00e7o de 1964, \u00e9 nula. Ent\u00e3o, se houve um atentado contra Jango no ex\u00edlio, n\u00e3o se tratava de um ex-presidente, mas do presidente leg\u00edtimo do Brasil. <BR><BR>Quem \u00e9: <BR>Jo\u00e3o Vicente Goulart <BR><BR>Formado em Filosofia pela PUC de Porto Alegre <BR><BR>Presidente do Instituto Jo\u00e3o Goulart, criado por ele h\u00e1 tr\u00eas anos <BR><BR>Produtor rural <BR><BR><\/p>\n<p>Estad\u00e3o<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Jo\u00e3o Vicente Goulart, filho do presidente Jo\u00e3o Goulart Jo\u00e3o Vicente Goulart: filho do presidente Jo\u00e3o Goulart Para ele, poss\u00edvel apura\u00e7\u00e3o sobre hip\u00f3tese de envenenamento traz esperan\u00e7a de passar a limpo a morte do pai O pedido do ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro, e do procurador-geral da Rep\u00fablica, Ant\u00f4nio Fernando de Souza, para que a&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-19433","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19433"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57213,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19433\/revisions\/57213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}