{"id":19000,"date":"2007-07-23T00:00:00","date_gmt":"2007-07-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/espioes-na-pele-de-diplomatas"},"modified":"2017-10-26T09:10:21","modified_gmt":"2017-10-26T11:10:21","slug":"espioes-na-pele-de-diplomatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/espioes-na-pele-de-diplomatas\/","title":{"rendered":"Espi\u00f5es na pele de diplomatas"},"content":{"rendered":"<p><BR>23\/07\/07<BR><BR>Integrantes do Itamaraty que serviram \u00e0 comunidade de informa\u00e7\u00f5es foram beneficiados na carreira p\u00fablica, mas sofreram preconceito dos colegas <BR><BR>Depois da an\u00e1lise de 20 mil p\u00e1ginas de informes secretos, o Correio identificou a maior parte dos diplomatas que dirigiram o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Exterior (Ciex) ao longo de 19 anos. Antes de chegarem ao posto m\u00e1ximo do \u00f3rg\u00e3o, esses profissionais demonstraram sua \u0093efici\u00eancia\u0094 coordenando as atividades de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em embaixadas brasileiras. Um requisito para integrar o Ciex era ter o curso de planejamento estrat\u00e9gico da Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, ou ter passado pelo treinamento de agente na Escola Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (Esni), em Bras\u00edlia. <BR><BR>Diplomatas que trabalharam na comunidade de informa\u00e7\u00f5es contaram \u00e0 reportagem que eram vistos com desd\u00e9m e preconceito pelos colegas. Nos corredores do minist\u00e9rio havia uma anedota de que os diplomatas eram classificados em tr\u00eas grupos distintos, segundo suas atividades. No primeiro grupo estavam os chamados \u0093destiladores de quinta ess\u00eancia\u0094, geralmente aqueles dedicados a temas jur\u00eddicos, de pol\u00edtica internacional ou defesa comercial. Ocupavam uma esp\u00e9cie de n\u00edvel superior na escala evolutiva da diplomacia. <BR><BR>O segundo grupo era formado pelos \u0093estivadores\u0094, diplomatas lotados em fun\u00e7\u00f5es de administra\u00e7\u00e3o na Secretaria de Estado. Esses funcion\u00e1rios, embora treinados para o exerc\u00edcio da diplomacia, acabavam chafurdados em meio a pilhas de papel, se transformando em meros burocratas. Ainda n\u00e3o haviam sido criados os cargos de assistentes e oficiais de chancelaria, e os pr\u00f3prios diplomatas tinham que carregar o piano da burocracia. <BR><BR>O terceiro e \u00faltimo grupo reunia o pessoal recrutado para os sistemas de informa\u00e7\u00e3o e contra-informa\u00e7\u00e3o. Esses diplomatas eram apelidados de \u0093lixeiros\u0094, numa refer\u00eancia claramente pejorativa \u00e0s atividades que exerciam. Na cultura geral do Itamaraty, a espionagem era uma atividade baixa, sem glamour e dignidade, especialmente se exercida sob uma ditadura. Por causa do preconceito e da natureza da atividade de intelig\u00eancia, os agentes-diplomatas acabaram por se fechar numa restrita fraternidade, que comportaria os membros da Divis\u00e3o de Seguran\u00e7a de Informa\u00e7\u00e3o (DSI) do Itamaraty \u0097 alguns com passagem pelo Ciex \u0097, criado em 1967. <BR><BR>As mazelas, no entanto, eram compensadas por uma r\u00e1pida ascens\u00e3o profissional. Depois de fazerem \u0093o trabalho sujo\u0094, os diplomatas-agentes eram promovidos em menos tempo que os demais e tamb\u00e9m enviados a postos importantes no exterior. Um exame detalhado das fichas profissionais desses servidores, obtidas com exclusividade pelo Correio, demonstra como o servi\u00e7o secreto serviu de atalho na hierarquia da carreira diplom\u00e1tica. <BR><BR>C\u00fapula <BR>As atividades do Ciex podem ter passado despercebidas para a maior parte do funcionalismo p\u00fablico e a toda uma sociedade, mas n\u00e3o para a c\u00fapula do Itamaraty. \u00c9 de se esperar que o ministro de Estado e o secret\u00e1rio-geral soubessem o que se passava no 4\u00ba andar do Anexo I do minist\u00e9rio. Enquanto respondia a determina\u00e7\u00f5es do SNI, o servi\u00e7o secreto diplom\u00e1tico tamb\u00e9m seguia as diretrizes da pol\u00edtica externa \u0097 era como servir a dois amos ao mesmo tempo. <BR><BR>Dessa maneira, grandes nomes da diplomacia, como os chanceleres Antonio Azeredo Silveira (1974-79) e Ramiro Saraiva Guerreiro (1979-85), foram c\u00famplices dos trabalhos do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Exterior. O mesmo ocorreu com Juracy Magalh\u00e3es, que viu o Ciex nascer, Magalh\u00e3es Pinto (1967-69) e M\u00e1rio Gibson Barbosa (1969-1974). Guerreiro, antes de ser ministro, chefiou a Secretaria de Estado, de 1974 a 78, despachando diariamente com o diretor do Ciex. <BR><BR>Passaram pela Secretaria de Estado Jorge de Carvalho e Silva (1969-74), D\u00e1rio Moreira de Castro Alves (1978-79), Carlos Calero Rodrigues (1984-85) e Jo\u00e3o Clemente Baena Soares (1979-84), que h\u00e1 poucos anos integrou a Comiss\u00e3o de Not\u00e1veis respons\u00e1vel por redigir o projeto de reforma das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Curiosamente, coube tamb\u00e9m a um secret\u00e1rio-geral a decis\u00e3o de preservar a mem\u00f3ria do servi\u00e7o secreto. O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, que chefiou a Casa entre 1985 e 1990, salvou da destrui\u00e7\u00e3o os 32 volumes \u0097 com mais de 8 mil informes \u0097 que comp\u00f5em o arquivo secreto do Ciex. No alvorecer da democracia, o SNI determinou a destrui\u00e7\u00e3o de milhares de documentos da repress\u00e3o, na tentativa de apagar evid\u00eancias e evitar \u0093revanchismos\u0094. Flecha de Lima se negou a cumprir tal ordem. <BR><BR><\/p>\n<p>Correio Brasiliense<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23\/07\/07Integrantes do Itamaraty que serviram \u00e0 comunidade de informa\u00e7\u00f5es foram beneficiados na carreira p\u00fablica, mas sofreram preconceito dos colegas Depois da an\u00e1lise de 20 mil p\u00e1ginas de informes secretos, o Correio identificou a maior parte dos diplomatas que dirigiram o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Exterior (Ciex) ao longo de 19 anos. Antes de chegarem ao&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-19000","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19000"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57633,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19000\/revisions\/57633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}