{"id":18998,"date":"2007-07-23T00:00:00","date_gmt":"2007-07-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/vidas-monitoradas-pela-diplomacia"},"modified":"2017-10-26T09:10:21","modified_gmt":"2017-10-26T11:10:21","slug":"vidas-monitoradas-pela-diplomacia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/vidas-monitoradas-pela-diplomacia\/","title":{"rendered":"Vidas monitoradas pela diplomacia"},"content":{"rendered":"<p><BR>Agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Exterior (Ciex) fizeram devassa na vida pessoal dos principais l\u00edderes comunistas no ex\u00edlio. Registro cronol\u00f3gico traz informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas sobre trajet\u00f3ria dos perseguidos <BR><BR><BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>Carlos Lamarca &#8211; Ex-militar, integrou VPR e MR-8 Morto <BR><BR>Um dos principais defensores da revolu\u00e7\u00e3o armada, Lamarca foi desde cedo acompanhado pelos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o do regime militar. E o Ciex n\u00e3o ficou de fora. J\u00e1 em 13 de junho de 1969, o ex-capit\u00e3o surge no informe 257 sobre sua presen\u00e7a no Rio de Janeiro, \u0093atuando integrado no esquema de Carlos Marighella\u0094. Mais do que isso, tra\u00e7a um hist\u00f3rico das atividades do \u0093subversivo\u0094, que atuou como \u0093membro secreto da organiza\u00e7\u00e3o de Marighella\u0094, para a qual executava \u0093pequenos desvios de armas\u0094. \u0093Ao serem presos em S\u00e3o Paulo alguns elementos de Marighela, os quais tinham tido contacto com Lamarca, este, temendo ser delatado, decidiu-se a desertar, levando consigo todo o armamento que p\u00f4de\u0094, escreve o agente do Ciex, que se refere a \u0093dificuldades\u0094 que Marighela teve \u0093para ocultar Lamarca\u0094. <BR><BR>Tal fato fez com que ele buscasse o ex\u00edlio ainda em 1969, como atesta o informe 354, de 30 de setembro. Essa informa\u00e7\u00e3o contradiz o senso de que Lamarca permaneceu clandestino em S\u00e3o Paulo at\u00e9 meados de 70. \u0093Carlos Lamarca viajaria, no correr dos pr\u00f3ximos dias, com destino \u00e0 cidade de Montevid\u00e9u e daquela capital seguiria viagem para Cuba, via Santiago do Chile e Praga\u0094. O informe 412, de 10 de novembro de 1969, diz que \u0093em fins de out\/69\u0094. \u0093O ex-capit\u00e3o Carlos Lamarca teria chegado clandestinamente a Montevid\u00e9u, procedente de Livramento (RS), via Rivera (ROU). Da capital uruguaia, Lamarca viajaria \u0096 ainda de forma clandestina e, portanto, com documenta\u00e7\u00e3o falsa \u0096 com destino a Santiago do Chile e, daquela capital, para Praga e Havana, onde se encontraria com sua esposa\u0094, informa o Ciex. <BR><BR>O informe 304, de 9 de setembro de 1970, tamb\u00e9m revela fato in\u00e9dito na trajet\u00f3ria de Lamarca. Segundo o documento entre 20 e 28 de julho de 1970, \u0093um emiss\u00e1rio dos Tupamaros\u0094 teria entrado em contato com Lamarca, vivendo no Acre, \u0093em zona entre Rio Branco e a fronteira boliviana\u0094. E o informe 483, de 8 de dezembro de 1970, fala da sugest\u00e3o de Cuba de realizar um Congresso no Chile, que seria dirigido pelo ex-capit\u00e3o, numa esp\u00e9cie de balan\u00e7o da luta guerrilheira e com o intuito de propor a unifica\u00e7\u00e3o de todos os movimentos como estrat\u00e9gia para a revolu\u00e7\u00e3o. O apoio de Cuba a Lamarca fez, segundo os informes, com que elementos da ALN, descontentes, passassem a VPR. <BR><BR>Enquanto esteve clandestino, Lamarca manteve forte atividade pol\u00edtica. Reuniu-se certa vez, no final dos 70, com Joaquim Cerveira e Apolonio de Carvalho. O encontro, mediado por Onofre Pinto, pode ter ocorrido no Chile, na Bol\u00edvia ou mesmo em Cuba. Outra reuni\u00e3o secreta teria ocorrido em meados de 71, pouco antes de ser morto. O informe 136, de 25 de maio, se refere \u00e0 presen\u00e7a no Chile de um ex-militar identificado como o ex-major de cavalaria Hancho Trench, cassado em 64. \u0093Ele seria o respons\u00e1vel por organizar visita a Santiago de Miguel Arraes e Carlos Lamarca\u0094. O Informe 466 registraria ainda a \u0093inusitada calma instalada entre os refugiados brasileiros depois da morte de Lamarca\u0094. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>Aderval Alves Coqueiro &#8211; Oper\u00e1rio, integrou PCB, PCdoB e MRT Morto <BR><BR>A morte de Coqueiro em fevereiro de 1971 foi epis\u00f3dio marcante no meio dos asilados, pois instaurou a desconfian\u00e7a e troca de acusa\u00e7\u00f5es. O relat\u00f3rio 177\/72, por exemplo, mostra que o ex-coronel Joaquim Alves Cerveira chegou a ser responsabilizado pela baixa. O agente do Ciex garante que \u0093Cerveira nada tem a ver com a morte de Coqueiro, j\u00e1 que o entregara no Uruguai com toda seguran\u00e7a\u0094. Em rea\u00e7\u00e3o, Cerveira exige da Val-Palmares \u0093explica\u00e7\u00f5es\u0094 sobre a execu\u00e7\u00e3o de Coqueiro. Relata que se encarregou pessoalmente de levar Coqueiro at\u00e9 a Argentina, \u0093onde ficou seis dias sob cobertura dos Motoneros\u0094. Depois o levou ao Uruguai, entregando-o a Luis Heron Paix\u00e3o de Ara\u00fajo, que se incumbiu de levar Coqueiro a Porto Alegre, de onde seria transferido ao Rio de Janeiro. Ali deveria ser escondido num aparelho nas Laranjeiras. O relat\u00f3rio de sua morte consta que ele teria voltado para seu apartamento no Cosme Velho, onde seria morto 20 dias depois. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>\u00c2ngelo Pezzuti da Silva &#8211; Psiquiatra, integrou VPR, Colina e Polop Morto <BR><BR>Pezzuti foi dirigente da VPR e, por isso, teve sua vida pessoal devassada pelo Ciex. Sua presen\u00e7a \u00e9 registrada no Chile em 1971, depois de ser monitorado em sua passagem por Cuba e Arg\u00e9lia. \u0093Chegou a Santiago, o terrorista brasileiro \u00c2ngelo Pezzuti da Silva, em companhia da tamb\u00e9m terrorista brasileira Maria do Carmo Brito (Sara, Lia), ex-esposa de Aldo S\u00e1 Brito. Os marginados pertencem aos quadros subversivos da VPR-Palmares e, viajaram ao Chile, para contatos com Jo\u00e3o Lopes Salgado (Dino), Jos\u00e9 Ara\u00fajo da N\u00f3brega (Alberto) e Joaquim Pires Cerveira (conhecido em Santiago pelo codinome de Walter)\u0094. <BR><BR>O informante avalia que a presen\u00e7a dos citados terroristas \u0093\u00e9 pouco conhecida no meio de asilados brasileiros radicados na capital chilena\u0094. E detalha a vida pessoal de Pezzuti. \u0093Aproveitando sua estada em Santiago, Pezzuti e Maria do Carmo se casaram em 27 de outubro de 1971\u0094. Uma das \u00faltimas men\u00e7\u00f5es a Pezzuti, em vida, ocorre no informe 538\/73, rela\u00e7\u00e3o dos asilados brasileiros que, depois do golpe de 11 de setembro, receberam salvo-conduto para diversos pa\u00edses. Pezzuti est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>James Allen da Luz &#8211; Estudante, Integrou VAR-Palmares Desaparecido <BR><BR>Allen da Luz, segundo o documentos do Ciex, teve uma trajet\u00f3ria bastante pol\u00eamica. Recrutado por Joaquim Cerveira e Apol\u00f4nio de Carvalho, e um dos l\u00edderes do seq\u00fcestro do avi\u00e3o da Cruzeiro do Sul, desviado para Cuba. Com movimenta\u00e7\u00e3o intensa no meio asilado, desapareceu deixando para tr\u00e1s muitas d\u00favidas. Foi identificado como elemento perigoso desde 1969, quando estava refugiado no Chile. Press\u00f5es do Itamaraty, inclusive, levaram o governo chileno a suspender seu asilo em 11 de junho daquele ano, como consta no Informe 262. O informe 85, de 19 de abril de 1971, \u00e9 farto em detalhes sobre a entrada de Allen Luz no Brasil. Estando no Chile, ele foi escoltado por um representante de Carlos Figueiredo de S\u00e1, de Santiago e Buenos Aires, via Mendoza, e depois a Montevid\u00e9u. Esse representante poderia ser Daniel de Carvalho ou Jasse Jane. L\u00e1 foi encaminhado a Cerveira, respons\u00e1vel por um esquema para colocar asilados brasileiros clandestinamente no Brasil \u0093com apoio da embaixada de Cuba em Santiago e seu embaixador Inschaustegui\u0094. <BR><BR>\u0093O representante de S\u00e1 teria sido instado por Cerveira a n\u00e3o demorar-se mais que 48 horas em Santiago, havendo partido da capital chilena em 10 de mar\u00e7o de 1971, acompanhado de James Allen Luz, que ostentava ent\u00e3o um frondoso bigode, viajando primeiramente em \u0091limousine\u0092 at\u00e9 a fronteira com a Argentina, e da capital argentina de aliscafo at\u00e9 Montevid\u00e9u, onde Allen Luz foi entregue a Carlos S\u00e1 que, por sua vez, o encaminhou a Luiz Heron de Ara\u00fajo. Allen Luz teria viajado do Uruguai para o Brasil em 15\/Mar\/71, seguindo o itiner\u00e1rio: Montevid\u00e9u-Livramento, Rio Grande do Sul at\u00e9 a localidade de S\u00e3o Pedrito, onde permaneceu 24 horas, prosseguindo viagem para Porto Alegre e da capital ga\u00facha diretamente para S\u00e3o Paulo e posteriormente para o Rio de Janeiro, onde deveria ter chegado a 19\/mar\/71.\u0094 A tarefa de Allen da Luz no Brasil seria a contatar elementos da VPR e fazer \u0093levantamento\u0094 para um pr\u00f3ximo seq\u00fcestro. Em mar\u00e7o de 1973, o informe 114 levanta a hip\u00f3tese in\u00e9dita de que Allen tenha sido justi\u00e7ado por companheiros ou desmobilizado pelos militares, recebendo nova identidade. \u0093N\u00e3o existem mais d\u00favida, entre os asilados brasileiros em Santiago, de que o Cabo Anselmo e James Allen Luz sejam agentes policiais, havendo contra Anselmo \u0091ordem de execu\u00e7\u00e3o\u0092\u0094. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>Joaquim Pires Cerveira &#8211; Ex-militar, integrou FLN e MR-8 Desaparecido <BR><BR>At\u00e9 agora pouco se sabe da atua\u00e7\u00e3o do ex-coronel Joaquim Cerveira, relegado a um papel menor na mem\u00f3ria da resist\u00eancia armada. Ele \u00e9 identificado como uma esp\u00e9cie de bra\u00e7o-direito de Brizola na Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, dissolvida em 1970, data de sua primeira pris\u00e3o. Ele foi banido naquele ano, e depois disso passaria a integrar as filas do MR8, informa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, que se soma ao fato de que Cerveira chegou a ser eleito pelo regime cubano para liderar nova tentativa de uma guerrilha rural. De fato, os informes do Ciex d\u00e3o conta de uma movimenta\u00e7\u00e3o incessante de Cerveira, com colabora\u00e7\u00e3o da esposa Lourdes, na estrutura\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o contra o regime militar, especialmente a partir dos anos 70. <BR><BR>Cerveira \u00e9 citado no Informe 483, de 8 de dezembro de 1970, tendo convencido o presidente cubano, Fidel Castro, a permitir que todos os brasileiros de Cuba fossem escoados para o Chile, onde se reuniriam com outros provenientes da Arg\u00e9lia. O plano de ataque incluiria levantamento de todos os quart\u00e9is de fronteira, do Acre at\u00e9 a Bol\u00edvia. \u0093J\u00e1 se encontraria em Cuba o levantamento da base da Marinha brasileira localizada em Corumb\u00e1\u0094, informa. Tamb\u00e9m haveria levantamento sobre a vida privada do general Ernesto Geisel. <BR><BR>O informe 85, de 19 de abril de 1971, confirma como Cerveira se tornou importante para o regime de Cuba, \u0093que n\u00e3o ajudou Jefferson por n\u00e3o confiar nele\u0094. \u0093Cerveira recebeu recursos financeiros e autoriza\u00e7\u00e3o para recrutar gente em Cuba\u0094, relata. \u0093Como \u00e9 do conhecimento da comunidade, Cerveira tem sido apontado como o \u0091l\u00edder militar\u0092 escolhido pela DGI cubana para chefiar a guerrilha rural no Brasil. Nessa qualidade, receberia \u0091assist\u00eancia t\u00e9cnica\u0092 de elementos cubanos \u0096 notadamente Fermin Ravello \u0096 e possivelmente de brasileiros treinados em Cuba \u0096 como Thalles Fleury. O c\u00edrculo de Cerveira em Santiago \u00e9 bastante fechado, n\u00e3o permitindo f\u00e1cil infiltra\u00e7\u00e3o\u0094, avalia o Ciex. <BR><BR>H\u00e1 v\u00e1rios informes com detalhes sobre atividades de Cerveira ao longo de 1972, inclusive amontagem de uma base em Arica. O informe 033\/72 traz balan\u00e7o geral dos movimentos subversivos no Chile e classifica, segundo sua for\u00e7a e capacidade de influ\u00eancia no Brasil, em primeiro o de Cerveira \u0096 constitu\u00eddo por elementos do MRT, FLN, Ex-Colina, VPR e Val-Palmares. O informe 657\/72, mostra que o Ciex tinha o endere\u00e7o de Cerveira em Santiago. A \u00faltima refer\u00eancia a ele com vida est\u00e1 no informe 635, sobre encontro com C\u00e2ndido Arag\u00e3o em Buenos Aires. L\u00e1, Cerveira desapareceu ap\u00f3s ser preso. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>V\u00edtor Luiz Papandreu &#8211; Ex-militar, integrou grupo cerveira <BR>Desaparecido <BR><BR>H\u00e1 dezenas de refer\u00eancias a Papandreu no arquivo secreto do Ciex. Na maior parte delas, ele aparece junto a Joaquim Pires Cerveira. Identificado como perigoso por ter sido um dos seq\u00fcestradores do v\u00f4o do M\u00e9xico que foi desviado a Cuba, Papandreu foi extenuamente monitorado. O informe 483 de 1970, por exemplo, registra sua presen\u00e7a em Montevid\u00e9u e tra\u00e7a seus passos anteriores por Cuba, Techoslov\u00e1quia, Arg\u00e9lia, Paris, Chile e Buenos Aires. \u0093O percurso Chile\/Buenos Aires teria sido feito em avi\u00e3o da BUA; o percurso Buenos Aires\/Montevid\u00e9u em avi\u00e3o da Arol\u00edneas Argentinas, no dia 28\/nov\/70; na capital argentina, o marginado teria apenas se deslocado do aeroporto de Ezeiza para o Aeroparque, onde teve sua passagem da BUA endossada para Aerolineas \u0096 manobra que visaria a fazer crer que o marginado procedia originalmente de Buenos Aires. Estaria Papandreu viajando muito de passaporte estrangeiro falso, provavelmente espanhol\u0094, escreveu o agente. <BR><BR>Papandreu, segundo os informes, \u0093faria parte do esquema de escoamento de brasileiros de Cuba para o Brasil, junto a Onofre Pinto\u0094. O informe 020, de 20 de janeiro de 1971, registra a viagem de Papandreu ao Brasil. Ele teria \u0093ingressado em territ\u00f3rio brasileiro, procedente do Uruguai, via Rivera, em 30 de dez\/70\u0094. \u0093O marginado teria contado em Rivera com o apoio e a cobertura de Breno Burman, refugiado brasileiro que reside naquela cidade fronteiri\u00e7a, \u00e0 calle Molles, no. 58.\u0094 Ele \u00e9 citado ainda no informe 190, de 23 de junho de 1971, sobre contato com Amarilio Vasconcellos em dezembro de 70. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>W\u00e2nio Jos\u00e9 de Mattos &#8211; Ex-policial, integrou VPR. Morto <BR><BR>O professor universit\u00e1rio W\u00e2nio Jos\u00e9 de Mattos caiu na malha do Ciex em maio de 1971, quando seu nome foi inclu\u00eddo na lista de brasileiros aos quais o governo Salvador Allende concedeu, por sua conta, passaportes para que deixassem o Chile, uma vez que o Itamaraty n\u00e3o quis faz\u00ea-lo. Embora W\u00e2nio fosse considerado por muitos asilados como um sujeito de confian\u00e7a, no informe 100, de fevereiro de 1973, ele \u00e9 arrolado entre os \u0093suspeitos\u0094, por parte da dire\u00e7\u00e3o da VPR, por supostamente dar cobertura ao Cabo Anselmo. De fato, W\u00e2nio foi preso pela pol\u00edcia chilena logo depois do golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet. Por muito tempo se pensou que ele teria sido fuzilado no Est\u00e1dio Nacional, como registra o informe 33, de 1976. No documento, h\u00e1 alus\u00e3o a um esquema que envolveria suposto apoio dos militares brasileiros naquele golpe, e que o tenente-coronel Cyro Etchegoyen teria inclusive ordenado a execu\u00e7\u00e3o de W\u00e2nio ao lado de Takao Amano e Onofre Pinto. <BR><BR>O informe 656, de 31 de dezembro de 1973, \u00e9 um dos mais importantes da colet\u00e2nea, pois revela que o Itamaraty foi informado da morte de W\u00e2nio meses depois de sua pris\u00e3o. Mesmo assim, esse fato foi ocultado por quase duas d\u00e9cadas at\u00e9 que o pr\u00f3prio governo chileno o confirmasse. A \u00edntegra do texto: \u0093Em anexo, fotoc\u00f3pia de nota do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Chile e de \u0091certificado m\u00e9dico de defunci\u00f3n\u0092, que informam sobre o falecimento do asilado brasileiro Wanio Jos\u00e9 de Mattos, ocorrido em 16 de outubro de 1973\u0094. N\u00e3o foi poss\u00edvel localizar o anexo, que continua guardado no arquivo secreto do minist\u00e9rio. <BR><BR>H\u00e1 ainda outros informes que demonstram como o Ciex perseguiu W\u00e2nio, e que essas informa\u00e7\u00f5es facilitaram sua pris\u00e3o por parte das autoridades chilenas. O informe 159, de 27 de mar\u00e7o de 1973, mostra que o agente teve acesso a \u0093apontamentos\u0094 de W\u00e2nio, nos quais encontra endere\u00e7os de dois apartamentos, um na pra\u00e7a Julio de Mesquita, em S\u00e3o Paulo, e outro na Avenida Copacabana, no Rio, acompanhado de um n\u00famero de telefone. \u0093Os referidos endere\u00e7os podem ser quentes. No cat\u00e1logo do Rio, figura sob o mesmo endere\u00e7o o nome de Mario Rog\u00e9rio Antonelli\u0094, ressalta o informe. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Onofre Pinto &#8211; Ex-militar, integrou VPR. Desaparecido <BR><BR>Onofre foi um dos participantes do grupo dos 15, respons\u00e1vel pelo famoso seq\u00fcestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick. Banido do pa\u00eds, ele perambulou por Cuba e Praga, antes de se estabelecer em Montevid\u00e9u, com inten\u00e7\u00f5es de voltar ao Brasil. Pol\u00eamico, os documentos do Ciex mostram que ele chegou a ser homem de confian\u00e7a de Carlos Lamarca e fez importantes contatos na Bol\u00edvia para a implanta\u00e7\u00e3o de um foco de guerrilheiros brasileiros l\u00e1. Apesar de sua excelente reputa\u00e7\u00e3o, Onofre seria expulso da VPR acusado de \u0093acobertar um policial infiltrado\u0094, no caso, ningu\u00e9m menos que o Jos\u00e9 Anselmo dos Santos (o cabo Anselmo). <BR><BR>O informe 100, de 16 de fevereiro de 1973, registra com detalhes o epis\u00f3dio. \u0093A queda de elementos da VPR em Pernambuco (janeiro\/73) e a not\u00edcia de que Jos\u00e9 Anselmo dos Santos \u00e9 elemento infiltrado lan\u00e7aram os refugiados brasileiros no Chile ligados \u00e0quela organiza\u00e7\u00e3o terrorista em grande desorganiza\u00e7\u00e3o, estabelecendo entre os mesmos um clima de desconfian\u00e7a e suspeita. Em conseq\u00fc\u00eancia do clima criado, o grupo de Maria do Carmo Brito e Angelo Pezzuti expulsou Onofre Pinto sob a acusa\u00e7\u00e3o de que este acobertava um policial infiltrado (Anselmo) e elementos suspeitos\u0094, diz o texto. Onofre era ent\u00e3o o representante da VPR no Uruguai, em substitui\u00e7\u00e3o a Luiz Heron da Paix\u00e3o, segundo o informe 163\/72. <BR><BR>Algumas curiosidades: O informe 292, de 16 de agosto de 1971, registra a presen\u00e7a em Santiago da esposa do ex-deputado comunista L\u00edcio Hauer e de Onofre Pinto, regressando ao Peru. \u0093Onofre j\u00e1 teria em seu poder cerca de 15 a 20 mil d\u00f3lares e viajaria para La Paz entre 12 e 30\/ago\/71\u0094, informa o agente. No informe 496 o informante do Ciex obt\u00e9m de Onofre revela\u00e7\u00e3o de que o seq\u00fcestro do embaixador su\u00ed\u00e7o Giovanni Bucher teria sido motivado principalmente pela pris\u00e3o \u0093de um estudante que sabe tudo acerca da nova escola de guerrilhas montada por Carlos Lamarca no Paran\u00e1\u0094. O informe 162, de 27 de mar\u00e7o de 1973, registra viagem de Onofre para a argentina no dia 20 de mar\u00e7o. \u00c9 a \u00faltima refer\u00eancia direta a ele, antes de seu desaparecimento. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>Alu\u00edsio Palhano Pedreira Silveira &#8211; Advogado, VPR <BR>Desaparecido <BR><BR>Palhano foi importante elo de liga\u00e7\u00e3o entre Leonel Brizola e Fidel Castro. O relat\u00f3rio 427, de 17 de outubro de 1966, mostra que cartas, trocadas entre eles, foram interceptadas pelos agentes do Ciex ou tiveram seu conte\u00fado revelado por terceiros. \u0093Na carta de Fidel, este aconselha Brizola a desencadear a revolu\u00e7\u00e3o armada em territ\u00f3rio brasileiro, como etapa inicial para a expuls\u00e3o do imperialismo americano do Brasil\u0094, diz uma delas. Em outra, consta que Palhano, a pedido de Fidel, solicita a Brizola \u0093o envio a Cuba de dois elementos da inteira confian\u00e7a, para coordenar, em Havana, o I Congresso dos Povos da Am\u00e9rica Latina\u0094. <BR><BR>Palhano \u00e9 identificado em Havana no informe 329 de 21 de setembro de 1970, acompanhado de ningu\u00e9m menos que Jos\u00e9 Dirceu e Cabo Anselmo. \u0093Entre 10 e 20 de julho, registrou-se a presen\u00e7a em Havana de Jefferson Cardin de Alencar Os\u00f3rio, procedente da Arg\u00e9lia, onde entrou em contato com Joaquim Pires Cerveira\u0094. Segundo o informe, Cardin teria entrado em contato com \u0093Wladimir Palmeira e esposa, Jos\u00e9 Dirceu de Oliveira, Victor Papandreu, Cabo Anselmo, Alo\u00edsio Palhano, Aldezito Bezerra, James Allen Luz, T\u00e2nia Rodrigues Fernandes.\u0094 Os registros hist\u00f3ricos at\u00e9 agora d\u00e3o conta de que Palhano foi preso e morto em maio de 1971, ao retornar clandestinamente ao Brasil. <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Reprodu\u00e7\u00e3o de internet\/21\/07\/07 <BR><BR>Carlos Marighella &#8211; Ex-deputado, ALN. Morto <BR><BR>Marighella foi um dos \u0093subversivos\u0094 preferidos do Ciex. A primeira refer\u00eancia a ele, dispon\u00edvel no arquivo secreto, se refere \u00e0 expans\u00e3o da ALN no Uruguai. Uma \u0091c\u00e9lula\u0092 seria montada para treinar elementos provenientes do sul do Brasil. \u0093Treinamento que incluiria programa de prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e breve curso sobre explosivos\u0094, relata o informe 676, de 19 de novembro de 1968. Consta ainda que os irm\u00e3os FRANCK e outro elemento, indicado como Leandro, tamb\u00e9m este com curso feito em Cuba, estariam atualmente ligados ao deputado Ariel Collazo, que, por sua vez, apoiaria o esquema de Marighella, na base da estrat\u00e9gia recomendada pela OLAS. Os agentes do Ciex antecipam os planos de Marighella de lan\u00e7ar, \u0093antes do fim de 1968, a execu\u00e7\u00e3o de um amplo plano de sabotagem das linhas f\u00e9rreas brasileiras, bem como de setores vitais para o com\u00e9rcio exterior do Brasil\u0094. <BR><BR>J\u00e1 o informe 32, de 6 de fevereiro de 1969, descreve plano de Marighella de trazer ao Brasil elementos treinados em Cuba e no Uruguai. \u0093De Cuba viriam 20 brasileiros, pertencentes ao movimento de Leonel Brizola. Paulo de Mello Bastos estaria integrado nesse esquema, mantendo contatos com o elemento Jos\u00e9 Francisco dos Santos, atualmente em Montevid\u00e9u e que estaria para ingressar em territ\u00f3rio brasileiro\u0094. Collazo seria o contato de Marighella em Montevid\u00e9u, segundo o documento, e prepararia os brasileiros para ir a Cuba fazer treinamento de guerrilha. <BR><BR>Curioso o informe 469, de 23 de dezembro de 1969, a respeito de outra vers\u00e3o para o assassinato de Marighella. Para o agente do Ciex, tratou-se de \u0093vers\u00e3o tendenciosa\u0094 sobre a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e servi\u00e7os de intelig\u00eancia brasileiros, \u0093que s\u00e3o acusados de torturar prisioneiros pol\u00edticos e de haver morto Marighella enquanto este caminhava, montando posteriormente o epis\u00f3dio do VW para inculpar religiosos dominicanos de \u0091trai\u00e7\u00e3o\u0092. Estes teriam comparecido normalmente ao encontro com Marighella, sendo presos ao tentar escapar\u0094. Mesmo depois de sua morte, pessoas ligadas a Marighella continuaram sendo monitoradas. O informe 353\/76, denuncia que a ex-mulher montara na It\u00e1lia, \u0093juntamente com outros latino-americanos\u0094, uma \u0093f\u00e1brica de documentos e passaportes falsos\u0094. \u0093No futuro, pretende falsificar tamb\u00e9m d\u00f3lares americanos\u0094, aposta o agente. (CDS) <BR>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <BR>Mortos e desaparecidos <BR><BR>Aderval Alves Coqueiro; Alu\u00edsio Palhano Pedreira Silveira; \u00c2ngelo Pezzuti da Silva; Antonio Benetazzo; Ant\u00f4nio Guilherme Ribeiro Ribas; Ant\u00f4nio Henrique Pereira Neto (Padre Henrique); Armando Teixeira Frutuoso; Aylton Adalberto Mortati; Boanerges de Souza Massa; Carlos Eduardo Pires Fleury; Carlos Lamarca; Carlos Marighella; Carmem Jacomini; Daniel Jos\u00e9 de Carvalho; David Capistrano da Costa; Djalma Carvalho Maranh\u00e3o; EDMUR P\u00c9RICLES CAMARGO; EDSON NEVES QUARESMA; ELSON COSTA; FLAVIO CARVALHO MOLINA; FRANCISCO DE CHAGAS PEREIRA; FRANCISCO JOS\u00c9 DE OLIVEIRA; FREDERICO EDUARDO MAYR; GASTONE LUCIA DE CARVALHO BELTR\u00c3O; IARA IAVELBERG; JAMES ALLEN LUZ; JAYME AMORIM MIRANDA; JEOV\u00c1 ASSIS GOMES; JO\u00c3O BATISTA FRANCO DRUMMOND; JO\u00c3O BATISTA RITA; JO\u00c3O BOSCO PENIDO BURNIER (padre); JO\u00c3O LEONARDO DA SILVA ROCHA; JO\u00c3O LUCAS ALVES; JO\u00c3O MASSENA MELO; JOAQUIM C\u00c2MARA FERREIRA; JOAQUIM PIRES CERVEIRA; JO\u00c3O JOEL DE CARVALHO; JOS\u00c9 MARIA FERREIRA DE ARA\u00daJO; JOS\u00c9 MENDES DE S\u00c1 RORIZ; JOS\u00c9 RAIMUNDO DA COSTA; LINCOLN CORDEIRO OEST; LUIZ EURICO TEJERA LISBOA; LUIZ JOS\u00c9 DA CUNHA; MANOEL RAIMUNDO SOARES; M\u00c1RCIO BECK MACHADO; MARCO ANTONIO DA SILVA LIMA; MARIA AUGUSTA THOMAZ; MARIA AUXILIADORA LARA BARECELLOS; MARIO ALVES DE SOUZA VIEIRA; MAUR\u00cdCIO GRABOIS; GUILHERME PEREIRA DOS SANTOS; NELSON JOS\u00c9 DE ALMEIDA; ONOFRE PINTO; ORLANDO DA SILVA ROSA BONFIM JUNIOR; PAULO DE TARSO CELESTINO DA SILVA; PEDRO VENTURA FELIPE DE ARA\u00daJO POMAR; RUY CARLOS VIEIRA BERBERT; SOLEDAD BARRET VIEDMA (paraguaia); TITO DE ALENCAR LIMA (Frei Tito); TULIO ROBERTO CARDOSO QUINTILIANO; VICTOR CARLOS RAMOS DA SILVA; V\u00edTOR LUIZ PAPANDREU; W\u00c2NIO JOS\u00c9 DE MATTOS; WILSON SILVA <BR><BR><\/p>\n<p>Correio Brasiliense<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agentes do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Exterior (Ciex) fizeram devassa na vida pessoal dos principais l\u00edderes comunistas no ex\u00edlio. 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