{"id":18960,"date":"2007-07-04T00:00:00","date_gmt":"2007-07-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/brizola-desmascarou-a-grande-midia"},"modified":"2017-10-26T09:10:25","modified_gmt":"2017-10-26T11:10:25","slug":"brizola-desmascarou-a-grande-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/brizola-desmascarou-a-grande-midia\/","title":{"rendered":"Brizola desmascarou a grande m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p><BR>Carlos Alberto Kolecza <BR><BR>Em sua \u00faltima grande batalha, Brizola desvendou a cumplicidade da grande m\u00eddia no boicote ao desenvolvimento com justi\u00e7a social e soberania nacional \u0096 Ele n\u00e3o p\u00f4de levar adiante os objetivos do trabalhismo mas legou um ensinamento de valor insuper\u00e1vel na compreens\u00e3o do papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na consuma\u00e7\u00e3o do apartheid social e na submiss\u00e3o do pa\u00eds aos grupos transnacionais \u0096 A grande m\u00eddia empregou contra Brizola a mesma discrimina\u00e7\u00e3o com que as elites tentam perpetuar a exclus\u00e3o social \u0096 Ele ser\u00e1 reconhecido como patrono da luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, pela clarivid\u00eancia das li\u00e7\u00f5es e coragem com que enfrentou a m\u00e1quina da mentira. <BR><BR><BR>\u0093O poder econ\u00f4mico consegue envolver os meios de comunica\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o livres apenas em algumas faixas e agem como empres\u00e1rios dos homens de neg\u00f3cios. A imprensa atua claramente como um rolo compressor e transforma-se num partido \u00fanico, como no caso do apoio \u00e0 leiloagem do patrim\u00f4nio p\u00fablico. N\u00e3o querem discutir nada, sempre de cabe\u00e7a feita, e s\u00e3o muito h\u00e1beis em desenvolver a intriga. Precisamos libertar a imprensa brasileira do dom\u00ednio econ\u00f4mico\u0094. <BR>Leonel Brizola <BR><BR>Nenhum pol\u00edtico ou pensador foi t\u00e3o fundo quanto Leonel Brizola no desvendamento do papel da grande m\u00eddia na perpetua\u00e7\u00e3o da desigualdade social e da depend\u00eancia do Brasil. Publicamente, ningu\u00e9m antes apontou os conglomerados do jornal, r\u00e1dio e TV, as revistas semanais e grandes jornais isolados, como uma corpora\u00e7\u00e3o que ilegitimamente condiciona o jogo pol\u00edtico e a a\u00e7\u00e3o dos governos. Ensinou com exemplos irrefut\u00e1veis que a grande m\u00eddia optou por exercer o controle social em vez de informar. Percebeu a estranha coincid\u00eancia das movimenta\u00e7\u00f5es unilaterais e monol\u00edticas dos \u00f3rg\u00e3os de imprensa ocorrerem em momentos cruciais para a distribui\u00e7\u00e3o de renda e o interesse nacional. Denunciou a chantagem das campanhas de desestabiliza\u00e7\u00e3o dos governos e a irresponsabilidade dos bar\u00f5es da m\u00eddia com a democracia e a coes\u00e3o social. <BR><BR>A grande m\u00eddia renunciou \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de servi\u00e7o de interesse p\u00fablico \u0096 acusou Brizola \u0096 para ser a ponta de lan\u00e7a de um centro oculto de poder de produ\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o social. Nesse cons\u00f3rcio de poder \u00e0 margem das institui\u00e7\u00f5es \u0096 deduziu \u0096 a cota da grande m\u00eddia corresponde \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Brizola repetiu a den\u00fancia de deturpa\u00e7\u00e3o da finalidade essencial dos meios de comunica\u00e7\u00e3o por anos a fio, ante in\u00fameras plat\u00e9ias, sem ser contestado uma \u00fanica vez. Em revide truculento e obscurantista, caracter\u00edstica peculiar de quem mutila a informa\u00e7\u00e3o, a grande m\u00eddia partiu maci\u00e7amente para o enxovalhamento pol\u00edtico e pessoal, com o objetivo de expurgar Brizola da vida p\u00fablica. De perigoso \u00e0 ordem p\u00fablica antes de 64, Brizola virou inimigo da ordem econ\u00f4mica. Os espasmos de desordem social j\u00e1 esguichavam sangue, na d\u00e9cada de 80, e fazia falta um vil\u00e3o de plant\u00e3o. O dif\u00edcil era enfiar algu\u00e9m de integridade inatac\u00e1vel e lucidez esplendorosa na moldura de inimigo p\u00fablico. Inabal\u00e1vel nas convic\u00e7\u00f5es e consciente de suas responsabilidades, Brizola atribuiu o desinteresse da grande m\u00eddia pelo desenvolvimento do pa\u00eds \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o das elites econ\u00f4micas tradicionais a grupos de fora, em rela\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos tempos de Brasil Col\u00f4nia. Suas advert\u00eancias foram prof\u00e9ticas: a grande m\u00eddia arrombou por dentro os port\u00f5es dos setores estrat\u00e9gicos da economia, como s\u00f3cia privilegiada das privatiza\u00e7\u00f5es. <BR>Um caso de crime, <BR>assassinato moral. <BR><BR>Brizola sabia que pagaria caro por desnudar a verdadeira fun\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia, de sentinela dos privil\u00e9gios causadores da desigualdade. A abomina\u00e7\u00e3o de sua imagem, antes e depois de 64, figura entre os cap\u00edtulos mais s\u00f3rdidos da imprensa brasileira. <BR><BR>Rotular de equ\u00edvoco pueril o enfrentamento com as Organiza\u00e7\u00f5es Globo \u00e9 afronta \u00e0 hist\u00f3ria de Brizola, ind\u00edcio de escapismo ou de cumplicidade com seus detratores. Brizola focalizava na Rede Globo, hegem\u00f4nica em audi\u00eancia e por extens\u00e3o na intromiss\u00e3o em assuntos da pol\u00edtica e do governo, o paradigma de distor\u00e7\u00e3o de uma atividade comprometida exclusivamente com o bem comum. N\u00e3o livrava outras redes nem poupava emissora, jornal ou revista n\u00e3o pertencentes aos conglomerados multim\u00eddia. Costumava comparar r\u00e1dios e TVs \u00e0s empresas de \u00f4nibus \u0096 igualmente uma concess\u00e3o p\u00fablica \u0096 que s\u00e3o proibidas de recusar passageiros por suas cren\u00e7as pol\u00edticas ou religiosas. Exatamente o contr\u00e1rio da sele\u00e7\u00e3o de assuntos e pessoas (censura, na verdade) pela grande m\u00eddia. <BR><BR>Nenhuma lei outorga a uma empresa de comunica\u00e7\u00e3o ou a um jornalista individualmente o direito de destruir a imagem p\u00fablica de algu\u00e9m. Os tratadistas contempor\u00e2neos tipificam esse crime como assassinato moral. <BR><BR>O confronto com Roberto Marinho, ent\u00e3o o homem mais poderoso do Brasil, diante de quem presidentes e ministros se prostravam reverentes, n\u00e3o foi epis\u00f3dio isolado ou tempor\u00e3o na carreira de Brizola. Inconformado com a discrimina\u00e7\u00e3o dos jornais tradicionais ao trabalhismo, na d\u00e9cada de 50, ele funda em Porto Alegre um vespertino (Clarim) afinado com sua vis\u00e3o modernizadora das rela\u00e7\u00f5es sociais. Aprendera j\u00e1 nessa \u00e9poca que os grandes jornais n\u00e3o se importam com a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um estado ou do pa\u00eds desde que elejam os candidatos conservadores. Descobre tamb\u00e9m que a resist\u00eancia \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o enruste uma tara social, a fobia ao trabalhador. \u00c0s voltas com a oposi\u00e7\u00e3o da Igreja e do latif\u00fandio, inclui a mentalidade conservadora do Correio do Povo, o mais influente jornal ga\u00facho da \u00e9poca, entre os <BR>fatores do marasmo econ\u00f4mico do estado. Responde \u00e0s cr\u00edticas falando por duas horas, ao estilo p\u00e9 de ouvido, em programa semanal de r\u00e1dio de grande audi\u00eancia. <BR><BR>Cooptadora-mor de pol\u00edticos para o campo conservador em troca de visibilidade midi\u00e1tica, n\u00e3o seria a Globo que docilizaria o pensamento de Brizola. Esperar que se resignasse seria o mesmo que aconselh\u00e1-lo a acatar o veto dos generais a Jo\u00e3o Goulart, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio, sob a alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o dispunha de tanques e avi\u00f5es. <BR><BR>O erro de Brizola foi acreditar na solidariedade das for\u00e7as progressistas e da intelectualidade. N\u00e3o se deu conta que h\u00e1 muito poucos se atrevem, em p\u00fablico, a dizer n\u00e3o \u00e0 Rede Globo. Ele foi supliciado midiaticamente como l\u00edder, governante e chefe de fam\u00edlia, sem que uma voz se levantasse em sua defesa. <BR><BR>Pol\u00edticos, intelectuais e empres\u00e1rios haviam aprendido, desde o regime militar, a n\u00e3o questionar as posi\u00e7\u00f5es do centro obscuro de poder que se expressa por meio da Rede Globo. Brizola n\u00e3o foi a \u00fanica v\u00edtima do jogo sujo da grande m\u00eddia nem ser\u00e1 a \u00faltima, mas com ele n\u00e3o havia complac\u00eancia. <BR><BR>A redemocratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o \u0093esqueceu-se\u0094 de acontecer no retorno dos civis ao poder e quase 30 anos depois a grande m\u00eddia opera a censura por conta pr\u00f3pria nos mesmos moldes do regime militar. <BR><BR>Brizola n\u00e3o cutucou a on\u00e7a com vara curta, ela foi rugir nos port\u00f5es do Pal\u00e1cio Guanabara na vers\u00e3o mais sofisticada da elite bo\u00e7al originada do tr\u00e1fico de escravos, que ainda pro\u00edbe empregados no elevador social. A mesma elite que ainda responsabiliza Brizola pela explos\u00e3o de viol\u00eancia no Rio aprovou silenciosamente a gratifica\u00e7\u00e3o genocida a policiais a cada morte de \u0093suspeito\u0094. A vingan\u00e7a da fina flor da burguesia carioca \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de Brizola de arrombamento de casas e deten\u00e7\u00e3o de moradores da favela n\u00e3o mereceu uma linha de reprova\u00e7\u00e3o no Jornal Nacional&#8230; <BR><BR>Navalha afiada da <BR>intoler\u00e2ncia das elites <BR><BR>A implac\u00e1vel estigmatiza\u00e7\u00e3o de Brizola ao longo de sua trajet\u00f3ria atesta a incapacidade das elites dirigentes de considerarem uma proposta de revis\u00e3o do pacto social, ainda mais vinda de algu\u00e9m com representatividade pol\u00edtica. Nada em Brizola sugeria o perfil de um pol\u00edtico de id\u00e9ias extremadas ou demag\u00f3gicas. Caiu na lista negra da vanguarda nacional do atraso que n\u00e3o prev\u00ea a incorpora\u00e7\u00e3o de contingentes crescentes \u00e0 classe m\u00e9dia, um mercado interno amplo e economia baseada em recursos pr\u00f3prios, os objetivos do trabalhismo. <BR><BR>Um risco em potencial \u00e0 coes\u00e3o das elites, caso conseguisse atrair uma fac\u00e7\u00e3o delas ao di\u00e1logo, antes de 64 Brizola j\u00e1 figurava em primeiro lugar na galeria dos inimigos do establishment. Atenta ao menor sinal de fissura na ponta da pir\u00e2mide do poder \u0096 uma de suas tarefas encobertas &#8211; a grande m\u00eddia atracou-se com vol\u00fapia ao torneio de tiro ao alvo na imagem de Brizola. Alpinistas do jornalismo, com hist\u00f3rico de livre acesso \u00e0s ante-salas do regime militar, em posi\u00e7\u00f5es de topo nas grandes reda\u00e7\u00f5es, candidataram-se aos pr\u00eamios. Acertaria na mosca quem \u0093vendesse\u0094 Brizola como pol\u00edtico superado, de linguagem defasada e pr\u00e1ticas personalistas caudilhescas, distributivista, enfim, um f\u00f3ssil vivo da pr\u00e9-hist\u00f3ria pol\u00edtica. <BR><BR>O clube fechado das finan\u00e7as j\u00e1 armava o esquema das privatiza\u00e7\u00f5es e da desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia, com a assist\u00eancia de consultorias de ex-ministros da Fazenda e ex-diretores do Banco Central. Sob a garantia de servir-se \u00e0 vontade na farra da leiloagem das teles, a grande m\u00eddia se encarrega de convencer a classe m\u00e9dia a pressionar a classe pol\u00edtica a reformar a Constitui\u00e7\u00e3o. O bombardeio das vantagens fict\u00edcias da ades\u00e3o incondicional ao receitu\u00e1rio neoliberal se intensifica. \u00danica resist\u00eancia de peso a superar, Brizola \u00e9 caricaturado como prot\u00f3tipo da mentalidade arcaica incapaz de adaptar-se aos novos tempos. <BR><BR>Curioso, os defeitos dele que povoam as colunas de grife da grande imprensa correspondem simetricamente \u00e0s suas qualidades. O personalismo equivale a fidelidade inegoci\u00e1vel a princ\u00edpios, imperme\u00e1vel \u00e0s concess\u00f5es e conchavos da pol\u00edtica tradicional; caudilhismo, a coragem no enfrentamento de desafios e capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o, como no epis\u00f3dio da Legalidade; populismo, o carisma na lideran\u00e7a popular; distributivismo, a determina\u00e7\u00e3o de quebrar o tabu do sal\u00e1rio indigno; estatismo, a disposi\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel de estadista de preservar os setores estrat\u00e9gicos da economia. <BR><BR>Cabe\u00e7a feita pela colonizada e cada vez mais ativa legi\u00e3o dos formadores de opini\u00e3o e obcecada em imitar o padr\u00e3o de vida glamouroso dos filmes, a classe m\u00e9dia vira as costas \u00e0 gente feia e sem modos que insiste em morar por perto. <BR>N\u00e3o \u00e9 a Brizola que, afinal, a grande m\u00eddia vence ao toque do plim-plim unificador da linguagem, uniformizador do olhar e padronizador de um modo de vida de uma sociedade fraturada, disforme e invi\u00e1vel. A ele resta continuar lutando at\u00e9 o fim, cada vez mais desamparado, carregando sozinho o projeto rejeitado de desenvolvimento com justi\u00e7a social. <BR><BR>Levou com ele a frustra\u00e7\u00e3o de um sonho mas legou uma certeza em rela\u00e7\u00e3o aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. A corpora\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia n\u00e3o apenas interv\u00e9m indevidamente na superf\u00edcie da vida pol\u00edtica mas calculadamente busca interferir na delicada teia de subjetividades da sociedade, de modo a influir na luta social. <BR><BR>O enigma <BR>da in\u00e9rcia <BR>social, a fa\u00edsca <BR><BR>Brizola parte para o ex\u00edlio inconformado com a ferocidade da grande imprensa nos momentos decisivos da luta pol\u00edtica, sempre ao lado das for\u00e7as antidemocr\u00e1ticas. Foi assim com Get\u00falio, Jango e ele pr\u00f3prio. O fracasso das conspira\u00e7\u00f5es contra o regime militar introduz Brizola no enigma da in\u00e9rcia social, a incapacidade do conjunto da sociedade de mobilizar-se em torno de objetivos comuns. Nenhuma elite fora do Brasil parece t\u00e3o h\u00e1bil em desatender as necessidades das camadas humildes e t\u00e3o eficiente em neutralizar os movimentos populares no nascedouro. \u00c9 a raz\u00e3o nebulosa de os brasileiros n\u00e3o conseguirem se coesionar em torno de uma causa de interesse geral. <BR><BR>Chama-lhe aten\u00e7\u00e3o a desinibi\u00e7\u00e3o com que a grande imprensa, a cabe\u00e7a pensante da grande m\u00eddia, se refere \u00e0 &#8220;sociedade brasileira&#8221;, como se ela fosse una, sim\u00e9trica, culturalmente homog\u00eanea e igual no modo de vida. Explica que essa sociedade abstrata s\u00f3 existe nos editoriais verbosos para justificar a imposi\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o \u00fanica da realidade. Casualmente, a vis\u00e3o da minoria bem de vida, do Brasil de chap\u00e9u na m\u00e3o atr\u00e1s de vultosos investimentos externos \u00e0 custa de sua soberania. &#8220;Costuma-se falar em sociedade brasileira. H\u00e1 v\u00e1rias sociedades no Brasil&#8221;, corrigem os que, em nome da minoria, fingem falar por todos. <BR><BR>N\u00e3o ser\u00e1 Brizola que vai ensinar o padre a rezar missa. Se reconhecer a exist\u00eancia de v\u00e1rios Brasis, obrigatoriamente a grande m\u00eddia ter\u00e1 que p\u00f4r os interesses de todos na mesa, caso insistir em representar a &#8220;sociedade brasileira&#8221;. Ocultar a realidade \u00e9 a sa\u00edda esperta para continuar bancando os privil\u00e9gios que travam o crescimento, boicotam o desenvolvimento e atolam o pa\u00eds na crise social. <BR><BR>A oculta\u00e7\u00e3o da realidade n\u00e3o se limita \u00e0s duras condi\u00e7\u00f5es e de falta de perspectiva de vida da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Inclui sua m\u00fasica, suas cren\u00e7as, seus anseios, as m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es de uma imensa diversidade cultural. A rejei\u00e7\u00e3o do valioso patrim\u00f4nio de subjetividade das entranhas dos v\u00e1rios Brasis significa cassa\u00e7\u00e3o de identidade cultural e equivale a um aviso pr\u00e9vio de exclus\u00e3o social. Ao aviltar os signos e dic\u00e7\u00f5es de raiz da originalidade brasileira, a grande m\u00eddia corta o oxig\u00eanio do imagin\u00e1rio social. Brizola apostou obstinadamente no investimento essencial da acumula\u00e7\u00e3o de capital social &#8211; a educa\u00e7\u00e3o. Acreditava que a escola geraria a intelig\u00eancia social imprescind\u00edvel a um pacto de conviv\u00eancia entre as v\u00e1rias sociedades. <BR><BR>O c\u00f3digo est\u00e9tico colonizado (o famoso padr\u00e3o Globo de qualidade) da grande m\u00eddia joga pesado na desidentifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade da outra. Ela cobra uma fatura de falsa integra\u00e7\u00e3o para esconder que subliminarmente investe na desintegra\u00e7\u00e3o. Do meio da n\u00e9voa emerge a muralha fat\u00eddica do iceberg do apartheid social. <BR><BR>Nas medita\u00e7\u00f5es da solid\u00e3o no ex\u00edlio, Brizola detecta o n\u00f3 da grande m\u00eddia no centro de poderes extralegais encobertos por outras atribui\u00e7\u00f5es. Capta a troca da fun\u00e7\u00e3o socializadora da informa\u00e7\u00e3o pelo controle social com prerrogativas autorit\u00e1rias. Conclui que a grande m\u00eddia substitui com vantagens as organiza\u00e7\u00f5es que, no passado ou mais recentemente, ligavam-se obrigatoriamente \u00e0s for\u00e7as reacion\u00e1rias para neutralizar movimentos por mudan\u00e7as. <BR><BR>De reflex\u00e3o em reflex\u00e3o, Brizola desencava o verdadeiro motivo da condena\u00e7\u00e3o un\u00e2nime \u00e0s realiza\u00e7\u00f5es de Vargas e de sustenta\u00e7\u00e3o a aventuras golpistas: a decis\u00e3o de frear o projeto trabalhista em vis\u00edvel ascens\u00e3o eleitoral. <BR><BR>Mais, convence-se que a grande m\u00eddia investe na obstru\u00e7\u00e3o \u00e0s tentativas de acordo entre as v\u00e1rias sociedades, apelando inclusive a pistoleiros de aluguel especialistas em homic\u00eddios pol\u00edticos. <BR><BR>Comprometido com a reconcilia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos brasileiros, arquiva suas descobertas, sem abrir m\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o que espera dar \u00e0 quebra da in\u00e9rcia social: a organiza\u00e7\u00e3o da vontade dos exclu\u00eddos. <BR><BR>Surpresa <BR>desagrad\u00e1vel <BR>na volta <BR><BR>Brizola retornou do ex\u00edlio subestimando o quanto as concep\u00e7\u00f5es r\u00edgidas de hierarquia social, ressoadas pela grande m\u00eddia durante o regime militar, haviam impregnado a classe m\u00e9dia. Imaginou a redemocratiza\u00e7\u00e3o multiplicando as oportunidades de express\u00e3o dos setores sociais silenciados e um pa\u00eds fervilhando de id\u00e9ias at\u00e9 ent\u00e3o sufocadas. Igualmente dimensionara mal a contrariedade de partidos de oposi\u00e7\u00e3o ao regime \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que lhe cabia no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Logo sentiu as estocadas, amplificadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Expoentes de esquerda disfar\u00e7avam o mal-estar recitando a cantilena dos perigos do populismo, a alergia ao povo dos soci\u00f3logos colonizados. <BR><BR>O estoque de m\u00e1 vontade da grande m\u00eddia extravasa a cada dia a menor movimenta\u00e7\u00e3o de Brizola (&#8230;&#8221;s\u00e3o muito h\u00e1beis em desenvolver a intriga&#8221;&#8230;). Percorre o pa\u00eds na pacienciosa tarefa de fundar e definir a prioridade de seu partido: ajudar na organiza\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos. Ent\u00e3o tromba com uma descoberta inimagin\u00e1vel: a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica continua controlada tal e qual nos tempos da ditadura. Na restaura\u00e7\u00e3o da liberdade de imprensa, a censura apenas havia passado das m\u00e3os dos generais \u00e0s dos empres\u00e1rios da comunica\u00e7\u00e3o. Agora entende a hostilidade dos comentadores pol\u00edticos, e dos intelectuais midi\u00e1ticos que falam sobre tudo por encomenda e sob medida. <BR><BR>De repente, &#8220;doutrinas arrebatadoras&#8221; desembarcam nas telinhas, nas colunas dos jornais e nos est\u00fadios de r\u00e1dio, pregando uma era fant\u00e1stica de progresso. Palavras m\u00e1gicas &#8211; globaliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o &#8211; pegam carona na linguagem cotidiana. Brizola repara que a ladainha un\u00edssona dos formadores de opini\u00e3o coincide com a toada dos consultores econ\u00f4micos e banqueiros de primeira viagem com passagem por cargos p\u00fablicos de primeiro escal\u00e3o. Admira-se com a intimidade entre jornalistas e banqueiros. Escandaliza-se com a ensurdecedora gritaria pela desestatiza\u00e7\u00e3o seguida de hist\u00e9rica onda de privatiza\u00e7\u00e3o. Revoltado, ouve FHC proclamar &#8220;o fim da Era Vargas&#8221;. <BR><BR>Tudo se encadeia em sincronia matem\u00e1tica nas vitrinas fe\u00e9ricas de not\u00edcia e opini\u00e3o na pilotagem da captura do patrim\u00f4nio suado de gera\u00e7\u00f5es pelos predadores disfar\u00e7ados de investidores. Uma cortina de sil\u00eancio recobre a mobiliza\u00e7\u00e3o das ruas contra as privatiza\u00e7\u00f5es. Brizola testemunha em Porto Alegre a censura da r\u00e1dio de uma organiza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica a um ato p\u00fablico contra a privatiza\u00e7\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es. A transmiss\u00e3o, paga antecipadamente, \u00e9 cancelada \u00e0 \u00faltima hora sem justificativa. Concorda plenamente com o protesto de um l\u00edder sindical: &#8220;Nem pagando se tem democracia na m\u00eddia&#8221;(1). J\u00e1 testemunhou e foi v\u00edtima da trucul\u00eancia da grande m\u00eddia e ainda tem pela frente in\u00fameras outras. <BR><BR><BR>A sinistra fabrica\u00e7\u00e3o de medo <BR><BR>A servi\u00e7o exclusivamente das elites do atraso, a grande m\u00eddia empenha-se em sabotar as propostas de di\u00e1logo entre as diferentes sociedades brasileiras, por implicarem na desconcentra\u00e7\u00e3o de renda. Sem di\u00e1logo, evapora a possibilidade de coesionamento em torno de objetivos comuns. Zerado o capital social, vale tudo. Dinamismo, criatividade, eloq\u00fc\u00eancia, carisma, honestidade, coragem, as qualidades pessoais de Brizola talhavam o perfil ideal de mediador de um pacto social. Aplicado com \u00eaxito por Vargas a ele mesmo, o projeto trabalhista fermentava nas urnas. <BR><BR>Contra ele, foram disparados os ardis maquiav\u00e9licos de desqualifica\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as populares consideradas perigosas. O principal foi particularmente eficaz: o medo. Antes e depois de 64, os sentimentos de inseguran\u00e7a da classe m\u00e9dia foram ati\u00e7ados, na constru\u00e7\u00e3o da imagem de um pol\u00edtico radical que age sem medir as conseq\u00fc\u00eancias. <BR><BR>N\u00e3o importou salvar uma gera\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia com escolas \u00e0 vontade; n\u00e3o valeu uma reforma agr\u00e1ria sem turbul\u00eancia; n\u00e3o contou um estado voltando a ter energia e comunica\u00e7\u00f5es para crescer. A classe m\u00e9dia desempatou o jogo a favor do latif\u00fandio e das transnacionais e os militares entrarem em cena. Ao voltar do ex\u00edlio 15 anos depois, Brizola encontrou a vaga de bicho-pap\u00e3o \u00e0 sua espera. Parceira favorecida do autoritarismo, a grande m\u00eddia aproveitou a aus\u00eancia de Brizola para trocar de pele mas n\u00e3o de veneno. Assim que os militares repassaram o poder, a grande m\u00eddia escalou-se para arbitrar o jogo pol\u00edtico entre os Brasis. Aguardada ansiosamente por longos anos, a informa\u00e7\u00e3o limpa da democracia perdeu o lugar para a opini\u00e3o de cartas marcadas do mercado (&#8230;&#8221;agem como empres\u00e1rios dos homens de neg\u00f3cios&#8221;&#8230;) <BR><BR>Com o fantasma do medo sempre a postos, a grande m\u00eddia imp\u00f4s o condicionamento das perspectivas sociais e pol\u00edticas ao faturamento dos neg\u00f3cios. Dia a dia, o fundamentalismo econ\u00f4mico foi estendendo meticulosamente o tapete vermelho ao s\u00e9q\u00fcito de prepostos do Consenso de Washington. <BR><BR>As not\u00edcias euforizantes de um investimento externo atr\u00e1s do outro contrastam com as opini\u00f5es acabrunhantes intimidando para mais um sacrif\u00edcio interno. Umas naturalizam, outras legitimam a periferiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do Brasil. &#8220;\u00c9 preciso piorar para depois melhorar&#8221;(2) receitam \u0093os eunucos que voltam do exterior com a mente lavada, com a garantia de empregos generosos, para administrar verdadeiros escrit\u00f3rios de contabilidade das perdas internacionais&#8221;. Enquanto houver uma casca de capital nacional os leiloeiros continuar\u00e3o batendo o martelo com a concord\u00e2ncia monoman\u00edaca da grande m\u00eddia de olho na percentagem da comiss\u00e3o. N\u00e3o tem fundo o saco por onde escoa de m\u00e3o beijada a poupan\u00e7a compuls\u00f3ria de longos anos de milh\u00f5es de brasileiros. <BR><BR>Qu\u00ea ningu\u00e9m se atreva a arranhar a boa imagem do Brasil junto \u00e0 comunidade econ\u00f4mica internacional, rosnam os comentadores, inoculando medo na classe m\u00e9dia. <BR><BR>Overdoses de baixaria e viol\u00eancia na TV completam o terrorismo pol\u00edtico dos jornal\u00f5es e revistonas na fabrica\u00e7\u00e3o de passividade, o princ\u00edpio ativo da in\u00e9rcia social. A cumplicidade da grande m\u00eddia na privatiza\u00e7\u00e3o inviabiliza a articula\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0 ofensiva neoliberal. \u00danica lideran\u00e7a nacional a opor-se \u00e0 leiloagem, Brizola constata que poucos se atrevem a juntar-se a ele por temerem o esc\u00e1rnio da grande m\u00eddia. Com a franqueza de sua genialidade, Darcy Ribeiro, um dos grandes pensadores do Brasil, reconhece: &#8220;De 54 para c\u00e1 perdemos todas as batalhas&#8221;. Fiel a seu temperamento est\u00f3ico, Brizola segue rijo na luta. <BR><BR>Sozinho em meio \u00e0 recep\u00e7\u00e3o pirot\u00e9cnica da grande m\u00eddia ao desembarque do neoliberalismo, Brizola clama em v\u00e3o em nome do futuro do Brasil. N\u00e3o lhe podem cassar essa honra, nem ele tem o direito de se render. Guiado pelos fios da Hist\u00f3ria, adverte para as conseq\u00fc\u00eancias sociais da quebra da espinha dorsal da economia: &#8220;O que v\u00e3o fazer os nossos adolescentes? Amanh\u00e3, os jovens se levantar\u00e3o porque s\u00e3o tratados com a viol\u00eancia do desemprego.&#8221; Seu desabafo pungente bem que poderia ser incorporado \u00e0 Carta Testamento: &#8220;Quem trair o povo brasileiro est\u00e1 sujeito \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o!&#8221; <BR><BR><BR>Exemplo de <BR>intoler\u00e2ncia <BR>da grande m\u00eddia <BR><BR>Quando se dissiparem as trevas da era obscurantista, os historiadores ficar\u00e3o perplexos ao revolverem as injusti\u00e7as torpes cometidas contra Brizola. Ser\u00e1 f\u00e1cil entender ent\u00e3o porque disse \u0093n\u00e3o posso terminar minha vida p\u00fablica como se fosse um vil\u00e3o\u0094. Sem nenhuma acusa\u00e7\u00e3o \u00e0 sua integridade moral e livre da suspeita de persegui\u00e7\u00e3o a advers\u00e1rios, ele foi vilanizado exclusivamente pelas id\u00e9ias que levou \u00e0 pr\u00e1tica e por outras que certamente realizaria se fosse presidente. Eram perigosas demais \u0093\u00e0s elites que preferem se aliar aos interesses de fora do pa\u00eds do que a seu pr\u00f3prio povo\u0094. <BR><BR>A obsess\u00e3o na desmoraliza\u00e7\u00e3o de Brizola comprova a trucul\u00eancia e a insensibilidade da grande m\u00eddia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es sociais e ao desenvolvimento do pa\u00eds. Trucul\u00eancia como meio de impedir o debate de alternativas econ\u00f4micas e insensibilidade com o drama de sobreviv\u00eancia dos exclu\u00eddos. Era preciso abafar a voz e desvalorizar as iniciativas que levantavam esperan\u00e7as de uma vida digna e avivavam o orgulho de ser brasileiro. Povo e patriotismo, palavras proibidas nos textos jornal\u00edsticos \u0096 s\u00e3o consideradas sin\u00f4nimos de breguice e jequice. <BR><BR>Contra a mistifica\u00e7\u00e3o incessante da Hist\u00f3ria, agora sem ele, os trabalhistas aut\u00eanticos precisam ser her\u00f3icos na defesa de sua mem\u00f3ria. \u00c9 um compromisso com as futuras gera\u00e7\u00f5es, privadas de ouvir dele mesmo a verdade sobre os acontecimentos de 64. \u0093Podem dizer e fazer o que quiserem contra n\u00f3s, mas gente de vergonha na cara nunca fica quieta quando \u00e9 questionada\u0094. <BR><BR>Um manifesto de coron\u00e9is apeara Jango do minist\u00e9rio do Trabalho, por haver dobrado o sal\u00e1rio m\u00ednimo congelado nos cinco anos do governo Dutra. Coron\u00e9is zelam muito por contracheque folgado mas acham um esc\u00e2ndalo o trabalhador levar um quilo a mais de feij\u00e3o para casa. E o que coron\u00e9is t\u00eam a ver com o sal\u00e1rio m\u00ednimo? Crime de insubordina\u00e7\u00e3o, quebra da sacrossanta disciplina. <BR><BR>Com a pr\u00f3pria vida, Vargas consegue brecar o golpe, mas n\u00e3o o golpismo pregado diariamente pelos jornal\u00f5es. Na Legalidade, na coragem e no gog\u00f3, Brizola nocauteia os golpistas mas fica marcado para sempre. Queriam que Brizola recepcionasse os generais na rampa do Pal\u00e1cio do Planalto? Tentou, como era de seu direito, contrapor-se de todas as formas ao radicalismo golpista. Na revanche dos vencedores, a grande imprensa tatuou-lhe a imagem com o estigma infame. Alvo permanente do radicalismo social contra os pobres, nele foi fulanizada por gera\u00e7\u00f5es a discrimina\u00e7\u00e3o dos que acreditam no Brasil e confiam nos brasileiros. <BR><BR>Radicalismo \u00e9 o encobrimento premeditado do apartheid simultaneamente \u00e0 execra\u00e7\u00e3o de quem luta contra as causas da desigualdade, a t\u00e1tica p\u00e9rfida da m\u00eddia. <BR><BR>Rebeldia <BR>imperdo\u00e1vel <BR><BR>O menino pobre do grot\u00e3o ga\u00facho, \u00f3rf\u00e3o de pai, engraxate e carregador de malas, que aos 37 anos chega ao governo do estado bem que poderia ser o exemplo, cantado em prosa e verso, de mobilidade social. Era a prova vi\u00e7osa de como \u00e9 poss\u00edvel construir um destino glorioso sobre as agruras da pen\u00faria. Ele tinha, por\u00e9m, a consci\u00eancia de que milhares de outros garotos iguais a ele n\u00e3o contariam com a mesma sorte. O garoto solit\u00e1rio que diariamente se empoleirava no muro para espiar o recreio teve a sorte de ser acolhido pelo diretor do col\u00e9gio, o pastor metodista Isidoro Pereira. O gesto de caridade desvenda um destino incompar\u00e1vel. Aos 29 anos, trabalhando e estudando em Porto Alegre, j\u00e1 \u00e9 o deputado da escola para todos. <BR><BR>Logo percebe a necessidade de outras molas sociais indispens\u00e1veis a uma vida melhor aos deserdados, ciceroneado pelo pensamento de Alberto Pasqualini e encara as cr\u00edticas como rea\u00e7\u00e3o natural dos que nunca precisaram se preocupar com o futuro. <BR><BR>Assombra-se, no entanto, na morte de Get\u00falio, com a estranha identidade de linguagem dos grandes jornais e os grupos internacionais contrariados pelo presidente. Na crise de 64, a diaboliza\u00e7\u00e3o de Jango veste batina importada enquanto o fogo do golpismo incendeia os editoriais. No ex\u00edlio, Brizola rumina a origem das aberra\u00e7\u00f5es que infestam o notici\u00e1rio e tem o estalo clarividente: a grande m\u00eddia se engajou de corpo e alma na luta social. N\u00e3o se trata apenas de m\u00e1 vontade em rela\u00e7\u00e3o a um protagonismo pol\u00edtico de desamortecimento das massas (sempre temidas) para com seus direitos de cidadania. \u00c9 guerra, surda, ardilosa, fingida, mas \u00e9 guerra. <BR><BR>Em 64, a grande m\u00eddia ingressou para n\u00e3o mais sair do campo da luta social, com prerrogativas autoconcedidas de policiamento do pensamento e de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o recua dessa posi\u00e7\u00e3o extremada, mirando no horizonte de consuma\u00e7\u00e3o do apartheid social. \u00c9 essa grande m\u00eddia, equipada com censura pr\u00f3pria em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 dos militares e detentora do monop\u00f3lio da palavra que, na volta do ex\u00edlio, tenta perpetuar a tatuagem maldita de radicalismo. <BR><BR>Nunca, em nenhum momento, Brizola manifestou simpatia pelo comunismo. Era detestado, preconceituosamente, pela c\u00fapula ga\u00facha do partid\u00e3o. Nos debates acad\u00eamicos, impressiona-se com o dogmatismo dos comunistas e a arrog\u00e2ncia dos filhotes da elite. Conscientemente, ruma na trilha do trabalhismo, para ele o caminho mais realista para o desenvolvimento com justi\u00e7a social. Em dificuldade para \u0093fichar\u0094 Brizola, a grande m\u00eddia recorre aos pistoleiros de aluguel de grife. A habilidade em encontrar defeitos em Brizola torna-se quesito de ascens\u00e3o nas editorias pol\u00edticas. Famosos nomes do jornalismo devem sua carreira ao modo esperto com que camuflaram o direitismo nos ataques a Brizola. Malhavam Brizola inclusive sem cit\u00e1-lo, em artigos que desancavam as \u0093fantasias\u0094 nacionalistas. Brizola era a \u00fanica lideran\u00e7a nacional assumidamente nacionalista. <BR><BR>Enrijecido pelas prova\u00e7\u00f5es do ex\u00edlio, Brizola retorna sabendo do combate desigual \u00e0 sua espera. Gra\u00e7as \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, a grande imprensa havia se transformado em grande m\u00eddia, um complexo poderos\u00edssimo de amestramento de vontades e desejos e de viabiliza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios. E a grande m\u00eddia, habilitada de mil e uma maneiras, brutas ou sutis, a atingir seus des\u00edgnios, se preparara para executar o veto das elites ao sonho de Brizola. O ex\u00edlio era tempor\u00e1rio, a cassa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. A capacidade de Brizola de sobreviver \u00e0 sistem\u00e1tica execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 exemplo \u00edmpar na hist\u00f3ria pol\u00edtica. <BR><BR>A grande m\u00eddia por tr\u00e1s <BR>da recep\u00e7\u00e3o hostil <BR><BR><BR>Na sua volta, a oposi\u00e7\u00e3o consentida ao regime autorit\u00e1rio, que exclu\u00edra Brizola do projeto original de anistia, refuga as suas concep\u00e7\u00f5es sobre um projeto de governo para o pa\u00eds. O colunismo pol\u00edtico se encarrega de promover o antibrizolismo. <BR><BR>No acordo de Tancredo Neves com os militares, de passagem de poder, h\u00e1 um cap\u00edtulo secreto, guardado a sete chaves pela grande m\u00eddia, a data das elei\u00e7\u00f5es diretas \u00e0 presid\u00eancia. Elas demoraram cinco anos para dar tempo de \u0093trabalhar\u0094 a cabe\u00e7a da classe m\u00e9dia, em trai\u00e7\u00e3o aos milh\u00f5es de brasileiros que clamaram por \u0093Diretas J\u00e1\u0094 nas ruas. <BR><BR>A perda da sigla PTB na Justi\u00e7a Eleitoral nega-lhe o direito de usar o distintivo ic\u00f4nico do trabalhismo. \u0093N\u00e3o esper\u00e1vamos, ao voltar do ex\u00edlio, tanta gente de estilete contra n\u00f3s\u0094. Ganha o governo do Rio pulverizando uma conspira\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (Proconsult). Mal assume, o Corcovado treme com a rea\u00e7\u00e3o \u00e0 descoberta de uma arapuca milion\u00e1ria, o monta-desmonta anual das arquibancadas do Carnaval. Sem querer e sem saber, havia tocado num dos feudos de corrup\u00e7\u00e3o da elite carioca, dos tantos que depois viriam \u00e0 tona. <BR><BR>At\u00e9 a noite de inaugura\u00e7\u00e3o, o Samb\u00f3dromo esteve sob suspeita de desabamento no notici\u00e1rio de O Globo. Os CIEPs foram criticados pelo custo e ignorados na sua fun\u00e7\u00e3o principal. Afora Paulo Freire, outro maldito, nenhum educador de renome pergunta em p\u00fablico quanto custa deixar as crian\u00e7as ao desamparo. Os morros lata d\u0092\u00e1gua na cabe\u00e7a ganharam encanamento, reservat\u00f3rio, luz e creche, mas isso n\u00e3o era not\u00edcia. O crit\u00e9rio de not\u00edcia \u00e9 um dos estratagemas da grande m\u00eddia para expurgar as informa\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis <BR><BR>Por onde passa, Brizola pisa em ninho de escorpi\u00f5es. H\u00e1 sempre uma ferroada dolorida de plant\u00e3o, caso da apresentadora de TV mato-grossense, na campanha de 89. Ele n\u00e3o esperava a baixeza da pergunta se havia fugido do Brasil vestido de mulher. Responde com uma grosseria e no dia seguinte pede desculpas. A velhacaria da grande m\u00eddia n\u00e3o tem limite na hora de picar. <BR><BR>Brizola lan\u00e7a m\u00e3o dos recursos do partido para publicar o que os jornalistas ouvem e os jornais censuram. No espa\u00e7o comprado a pre\u00e7o de an\u00fancio \u0096 o tijol\u00e3o \u0096 denuncia os equ\u00edvocos de sucessivos governos e os interesses por tr\u00e1s. Um jornal ga\u00facho exclu\u00eddo da publica\u00e7\u00e3o por medida de economia pro\u00edbe qualquer not\u00edcia sobre ele. Outro jornal ga\u00facho, em s\u00e9rie de perfis dos candidatos a presidente em 94, distorce o di\u00e1logo de um encontro com Roberto Marinho e nem se refere \u00e0s suas realiza\u00e7\u00f5es. <BR><BR>A TV Globo banaliza a viol\u00eancia na programa\u00e7\u00e3o de entretenimento e O Globo responsabiliza o governador pela expans\u00e3o da criminalidade. O ovo da serpente da viol\u00eancia choca longe dos lugares batidos pela pol\u00edcia. Brizola recorre a pesquisas internacionais sobre a influ\u00eancia da TV no comportamento social. A intelectualidade desperdi\u00e7a a oportunidade de debater, sinal de que trocou a liberdade de pensamento por 15 minutos de fama. <BR><BR>Vale tudo. A TV Globo invade vergonhosamente seu espa\u00e7o familiar para desonr\u00e1-lo como pai. A justi\u00e7a concede a Brizola direito de resposta no Jornal Nacional. Na capa, O Globo exibe foto de uma boca de fumo tapada de cartazes de Brizola pouco antes de iniciar a campanha de 89. Ele protesta contra o jornal. Na noite do mesmo dia, apresentador paulista de TV, famoso por seu bord\u00e3o, solidariza-se com seus colegas cariocas. No dia seguinte, fica provado que o cen\u00e1rio da foto n\u00e3o passava de uma arma\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. <BR><BR>Em 2001, conhecido rosto de TV de S\u00e3o Paulo vai a Bras\u00edlia promover livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado sobre a rebeli\u00e3o c\u00edvica da Legalidade que completava 40 anos. Em hor\u00e1rio quente da TV Globo local, apresentado por outro afamado comunicador, voz que ecoa diariamente tamb\u00e9m nas r\u00e1dios, ningu\u00e9m menciona o l\u00edder do movimento. A quem viu e ouviu o programa, a Legalidade foi um fen\u00f4meno pol\u00edtico misterioso, tipo fogo f\u00e1tuo, acendido por uma mula sem cabe\u00e7a. No apagamento vil dos feitos de Brizola n\u00e3o h\u00e1 limites na trucul\u00eancia para com o telespectador, ouvinte e leitor. N\u00e3o s\u00f3 com ele. \u00c9 a sina dos patriotas. Ao morrer, o centen\u00e1rio jornalista Barbosa Lima Sobrinho foi ligeiramente lembrado como democrata na Globo News, sem nenhuma refer\u00eancia \u00e0 prega\u00e7\u00e3o nacionalista de toda sua vida. <BR><BR>No an\u00e1tema ao nacionalismo, a grande m\u00eddia disfar\u00e7a sua condena\u00e7\u00e3o visceral ao patriotismo, sentimento capaz de acender energias insuper\u00e1veis em um povo. Disfar\u00e7a mas n\u00e3o tem como esconder o of\u00edcio de correia de transmiss\u00e3o de pensamento colonizado. <BR><BR>Cumplicidade da <BR>grande m\u00eddia <BR>na fratura social <BR><BR>Nunca antes disparadas de modo t\u00e3o escancarado e aberto a quem quisesse ouvir e entender, as acusa\u00e7\u00f5es de Brizola ricochetearam na muralha da desinforma\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia. A academia, que legitima o jornalismo excludente, silenciou. A classe pol\u00edtica comemorou furtivamente o \u0093quixotismo\u0094 que privaria Brizola dos poucos espa\u00e7os que lhe restavam. <BR><BR>Abismado com a indiferen\u00e7a geral ante uma quest\u00e3o essencial \u00e0 democracia \u0096 s\u00f3 a informa\u00e7\u00e3o plena gera cidadania \u0096 Brizola chegou a cair em devaneio. No programa C\u00e2mera 2 (TV Gua\u00edba) imaginou um grande jornal rompendo com o pacto de controle de informa\u00e7\u00e3o. (\u0093talvez a Folha de S\u00e3o Paulo\u0094). N\u00e3o se conformava em falar apenas \u00e0 sociedade favorecida pela desinforma\u00e7\u00e3o e por isso nenhum pouco interessada em esmiu\u00e7ar a caixa preta da grande m\u00eddia. <BR><BR>A fratura social que o trabalhismo nacionalista se empenhava em evitar, cavando canais de ascens\u00e3o aos setores exclu\u00eddos, j\u00e1 estava em franco andamento, rumo ao apartheid. <BR><BR>A servi\u00e7o da exclus\u00e3o, o obscurantismo da grande m\u00eddia inviabiliza a integra\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias sociedades e for\u00e7a espa\u00e7o pol\u00edtico \u0093\u00e0s reformas para tr\u00e1s, que buscam manter o retrocesso e a acumula\u00e7\u00e3o de riquezas, em vez de democratiza\u00e7\u00e3o\u0094. Brizola n\u00e3o exagerou no libelo em que decifra a cumplicidade da grande m\u00eddia na trama de \u0093transfer\u00eancia do patrim\u00f4nio nacional a grupos privados\u0094. Da aterradora conclus\u00e3o \u0096 \u0093no fundo o que querem \u00e9 uma ata decretando o fim da exist\u00eancia da na\u00e7\u00e3o\u0094 \u0096 aprende-se que ela n\u00e3o tem como livrar-se da sinistra compuls\u00e3o antipovo e antip\u00e1tria. Os neg\u00f3cios patrocinados pela grande m\u00eddia exigem a dissolu\u00e7\u00e3o dos testemunhos perenes da vontade nacional, que ela substitui por uma opini\u00e3o p\u00fablica fajuta. <BR><BR>\u0093Observem os meios <BR>de comunica\u00e7\u00e3o e no <BR>que eles se transformaram\u0094 <BR><BR>Longe ou perto, contra Brizola a grande m\u00eddia recorreu, uma ap\u00f3s outra, ao sortimento de maldades reservado a quem tenta organizar a vontade dos exclu\u00eddos. \u00c0s v\u00e9speras de voltar, as manchetes lhe atribu\u00edram provoca\u00e7\u00f5es aos militares. Encurralado ao longo de 25 anos, aos poucos acabou isolado no tabuleiro pol\u00edtico. Com lucidez e bravura, no entanto, arrancou de seus perseguidores uma vit\u00f3ria insuper\u00e1vel, que em dia bem pr\u00f3ximo ser\u00e1 plenamente reconhecida. <BR><BR>\u00c0s custas de seu sacrif\u00edcio, a falta de \u00e9tica da grande m\u00eddia foi flagrada publicamente. N\u00e3o h\u00e1 corpora\u00e7\u00e3o t\u00e3o poderosa e desprovida de autoridade moral para ditar o certo ou o errado. Grupo de press\u00e3o inigual\u00e1vel de interesses pol\u00edticos tenebrosos, subliminarmente ela se move no sentido da desintegra\u00e7\u00e3o social. Cada grau de descoesionamento, o ponteiro da crise social, exibe as digitais da grande m\u00eddia como co-respons\u00e1vel. <BR><BR>Os n\u00fameros atestam que a for\u00e7a da grande m\u00eddia resulta da sua desimport\u00e2ncia social, do seu descomprometimento com o Brasil plural, heterog\u00eaneo e desigual. Os 7 milh\u00f5es de exemplares\/dia dos grandes e m\u00e9dios jornais revelam o diminuto p\u00fablico a que atende e serve. A tiragem de Veja \u0096 mais de um milh\u00e3o de exemplares semanais \u0096 dimensiona com precis\u00e3o a faixa de empres\u00e1rios, executivos e profissionais, s\u00f3cios do seleto clube dos formadores de opini\u00e3o de direita. <BR><BR>Em poucas e contundentes frases, Brizola identificou o aparelho ideol\u00f3gico de domina\u00e7\u00e3o enrustido na parafern\u00e1lia onipresente e desp\u00f3tica. Entregou aos pesquisadores da comunica\u00e7\u00e3o social a tarefa de devassar os prop\u00f3sitos nefastos e as t\u00e9cnicas esp\u00farias de racismo social. <BR><BR>A salvo de qualquer controle e com o poder de pulverizar questionamentos, o monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o interdita o debate para hierarquizar o pensamento de acordo com a estratifica\u00e7\u00e3o social em castas. Simultaneamente, tenta impor um padr\u00e3o colonizado de subjetividade \u00edntimo de um modelo econ\u00f4mico subalterno. Moldado para gerar inferioridade abaixo da linha da classe m\u00e9dia, o padr\u00e3o est\u00e9tico da grande m\u00eddia opera em sintonia com a mentalidade subserviente em economia. Brizola ensinou a pensar grande o Brasil e a grande m\u00eddia condiciona a pensar pequeno. Sob o controle autorit\u00e1rio da informa\u00e7\u00e3o, o brasileiro n\u00e3o conhece seu pa\u00eds e n\u00e3o reconhece a si mesmo, inconsciente de sua dignidade de cidad\u00e3o. <BR><BR>O resultado tr\u00e1gico do seq\u00fcestro e corrup\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o essencial estoura no inconsciente coletivo, com a quebra do interesse pelo conhecimento. Pesquisa nos bairros mais infestados de dengue em Recife, revelou grande n\u00famero de moradores que sequer sabiam o nome da doen\u00e7a que haviam tido. Na d\u00favida, a leg\u00edtima defesa instintiva contra a mentira arrasta consigo a rejei\u00e7\u00e3o da verdade. Intoc\u00e1vel e infame, o sofisticado aparato de desinforma\u00e7\u00e3o tritura \u00e0 vontade os retalhos de consci\u00eancia da nacionalidade, na premeditada produ\u00e7\u00e3o de alheamento e dessensibiliza\u00e7\u00e3o do sentimento de pertencimento a um mesmo destino. <BR><BR>\u0093Dente de jacar\u00e9, <BR>couro de jacar\u00e9, <BR>olhos de jacar\u00e9&#8230;\u0094 <BR><BR>Do pavilh\u00e3o de rebeldes perigosos, Brizola foi transferido \u00e0 galeria dos malditos incur\u00e1veis por seu estalo de clarivid\u00eancia. Ele percebeu que a grande m\u00eddia opera a fabrica\u00e7\u00e3o de consentimento \u00e0 venaliza\u00e7\u00e3o dos recursos f\u00edsicos e a deprecia\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio imaterial do Brasil, por meio do esvaziamento da consci\u00eancia c\u00edvica dos brasileiros. No vazio, ela injeta o determinismo da submiss\u00e3o e da separa\u00e7\u00e3o animosa dos brasileiros. <BR><BR>Brizola n\u00e3o lutou em v\u00e3o contra a sinistra corpora\u00e7\u00e3o que distorce a vontade, degrada consci\u00eancias, perverte sentimentos e criminaliza desejos dos brasileiros. Deixou-nos a base de compreens\u00e3o das engrenagens in\u00edq\u00fcas da mentira e a gran\u00edtica esperan\u00e7a de que o Brasil vai dar certo. Repetia sempre: \u0093Antes de tudo, confiamos na lucidez do povo brasileiro\u0094. <BR><BR>Nos bustos e est\u00e1tuas que um dia imortalizar\u00e3o a mem\u00f3ria do homem p\u00fablico vision\u00e1rio da justi\u00e7a social e da soberania nacional, as placas devem guardar espa\u00e7o a uma homenagem posterior: \u0093Patrono da luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o no Brasil\u0094. <BR><BR>Alvo di\u00e1rio de discrimina\u00e7\u00e3o por ser o guardi\u00e3o fiel do legado libertador de Brizola, seu partido n\u00e3o pode esquecer, nos momentos dif\u00edceis, este conselho: <BR><BR>\u0093Observem os meios de comunica\u00e7\u00e3o e no que eles se transformaram: o requinte da t\u00e9cnica, a m\u00e1quina gigantesca que existe pelo mundo. Os centros de poder passaram a utilizar essas t\u00e9cnicas. Para mim, o chamado neoliberalismo nada mais \u00e9 que o batismo, o verniz colorido com que encobriram o mesmo sistema de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos povos. Eu chego a dizer: isto tem dente de jacar\u00e9, tem couro de jacar\u00e9, tem olho de jacar\u00e9, como n\u00e3o \u00e9 jacar\u00e9? Como n\u00e3o \u00e9 colonialismo?\u0094 <BR><BR>(Palestra no Centro de Ensino Unificado de Bras\u00edlia sobre A Inser\u00e7\u00e3o Soberana do Brasil no Mundo em Globaliza\u00e7\u00e3o, em 30\/04\/97) <BR><BR>Brizola vive! <BR>1 \u0096 Jurandir Leite, presidente do Sindicato dos Telef\u00f4nicos <BR>2 \u0096 Declara\u00e7\u00e3o de Ma\u00edlson de N\u00f3brega, ex-ministro da Fazenda, segundo o jornalista Lu\u00eds Nassif. <BR><BR><A href=\"\/paginas.asp?id=38\"><STRONG>Saiba mais sobre Brizola<\/STRONG><\/A>&nbsp;<BR><BR><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alberto Kolecza Em sua \u00faltima grande batalha, Brizola desvendou a cumplicidade da grande m\u00eddia no boicote ao desenvolvimento com justi\u00e7a social e soberania nacional \u0096 Ele n\u00e3o p\u00f4de levar adiante os objetivos do trabalhismo mas legou um ensinamento de valor insuper\u00e1vel na compreens\u00e3o do papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na consuma\u00e7\u00e3o do apartheid social&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on wp_trim_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on wp_trim_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[976],"tags":[],"class_list":["post-18960","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-em-destaque"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18960"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57675,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18960\/revisions\/57675"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}