{"id":18939,"date":"2007-07-03T00:00:00","date_gmt":"2007-07-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.malungo2.com.br\/pdt\/index.php\/golpe-de-64-relatorios-provam-ajuda-dos-eua"},"modified":"2017-10-26T09:10:26","modified_gmt":"2017-10-26T11:10:26","slug":"golpe-de-64-relatorios-provam-ajuda-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdt-rj.org.br\/index.php\/golpe-de-64-relatorios-provam-ajuda-dos-eua\/","title":{"rendered":"Golpe de 64: relat\u00f3rios provam ajuda dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><BR>O Globo &#8211; 03\/07\/07<BR>Jos\u00e9 Meirelles Passos <BR><BR><BR>Documentos secretos cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre participa\u00e7\u00e3o americana na derrubada de Jo\u00e3o Goulart da Presid\u00eancia <BR><BR>WASHINGTON. O mais recente pacote de documentos secretos sobre o Brasil divulgado pelo governo dos Estados Unidos comprova a tese que a vi\u00fava do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, Maria Thereza, e seus dois filhos, Jo\u00e3o Vicente e Denise, defendem na Justi\u00e7a brasileira, ao reivindicar R$3,4 bilh\u00f5es como compensa\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais: a de que o governo americano deu apoio financeiro, material e pol\u00edtico ao golpe militar em 1964. <BR><BR>Informes da CIA &#8211; a Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia -, telegramas do Departamento de Estado, al\u00e9m de documentos e uma grava\u00e7\u00e3o atualmente guardados na Biblioteca Lyndon Johnson, no Texas, que foram consultados ontem pelo GLOBO, cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a ativa participa\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, numa intensa campanha encoberta de interven\u00e7\u00e3o dos EUA. <BR><BR><BR>Essa campanha culminou com o pr\u00f3prio presidente Johnson dando o sinal verde para o apoio \u00e0 derrubada de Jo\u00e3o Goulart, como mostra um \u00e1udio de quase seis minutos &#8211; da Casa Branca &#8211; contendo uma conversa telef\u00f4nica entre ele e o subsecret\u00e1rio de Estado, George Ball. Depois que este lhe fez um resumo sobre a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, Johnson disse: <BR><BR>&#8211; Acho que n\u00f3s devemos dar todos os passos que podemos, e estar preparados para tudo o que precisarmos fazer. <BR><BR>Segundos depois, o presidente Johnson, que estava em seu rancho no Texas, acrescentou uma sugest\u00e3o para que o golpe fosse exitoso: <BR><BR>&#8211; Eu colocaria nisso todo mundo que tem alguma imagina\u00e7\u00e3o e engenhosidade &#8211; diz ele, mencionando como exemplos o diretor da CIA, John McCone, e o secret\u00e1rio de Defesa, Robert McNamara. <BR><BR>Johnson, referindo-se aparentemente a Goulart, arrematou: <BR><BR>&#8211; N\u00f3s n\u00e3o podemos tolerar esse a\u00ed. Eu investiria tudo nisso (o golpe) e at\u00e9 me arriscaria um pouco (por isso). <BR><BR>Relat\u00f3rios citam entrega de armas <BR><BR>At\u00e9 a noite de ontem, Gordon n\u00e3o respondeu \u00e0s mensagens de voz e e-mail deixadas pelo GLOBO em seu escrit\u00f3rio, no Brookings Institution, em Washington, para falar a respeito da a\u00e7\u00e3o movida pelos Goulart e de sua participa\u00e7\u00e3o na conspira\u00e7\u00e3o. <BR><BR>Os pap\u00e9is outrora secretos mostram, por exemplo, a recomenda\u00e7\u00e3o de Gordon \u00e0 Casa Branca para &#8220;tomar medidas o mais brevemente poss\u00edvel para a entrega clandestina de armas, que n\u00e3o sejam de origem dos EUA, para for\u00e7as partid\u00e1rias de Castello Branco em S\u00e3o Paulo&#8221;. Tais armas, segundo ele, deveriam estar posicionadas &#8220;antes do in\u00edcio de qualquer viol\u00eancia&#8221;. <BR><BR>Tais armas, sugeriu Gordon, deveriam ser desembarcas no litoral sul paulista: &#8220;O melhor meio para a entrega agora nos parece ser um submarino sem inscri\u00e7\u00f5es, que seria descarregado \u00e0 noite em locais isolados da costa no Estado de S\u00e3o Paulo, ao sul de Santos, provavelmente perto de Iguape ou Canan\u00e9ia&#8221;. <BR><BR>Segundo um despacho, enviado por Gordon em 29 de mar\u00e7o de 1964 a Washington, as armas seriam utilizadas por &#8220;unidades paramilitares trabalhando com grupos militares democr\u00e1ticos, ou por militares amigos contra militares hostis, se necess\u00e1rio&#8221;. Gordon, num longo telegrama enviado dois dias antes, j\u00e1 tinha argumentado que &#8220;para minimizar as possibilidades de uma prolongada guerra civil e assegurar a ader\u00eancia de grande n\u00famero de partid\u00e1rios de \u00faltima hora&#8221;, os EUA deveriam fazer &#8220;uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a com grande rapidez&#8221;. Isso, afirmou &#8220;pode ser crucial&#8221;. <BR><BR>Por isso, Gordon sugeriu o envio de uma for\u00e7a-tarefa naval para manobras no Atl\u00e2ntico Sul, &#8220;trazendo a frota para uma dist\u00e2ncia de poucos dias de Santos&#8221;. E completou: &#8220;Um porta-avi\u00f5es seria mais importante para efeito psicol\u00f3gico&#8221;. O embaixador refor\u00e7ou a solicita\u00e7\u00e3o garantindo: &#8220;Essa mensagem n\u00e3o \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o alarmista ou de p\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o a qualquer epis\u00f3dio. Ela reflete conclus\u00f5es conjuntas dos mais altos funcion\u00e1rios dessa embaixada com base numa cadeia de a\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia&#8221;. <BR><BR>O seu pedido foi aceito exatamente no dia em que o golpe militar foi desfechado. A Casa Branca ainda n\u00e3o sabia sobre a deflagra\u00e7\u00e3o do golpe quando o Pent\u00e1gono e a CIA enviaram a Gordon, atrav\u00e9s do Departamento de Estado, um telegrama contando que estavam despachando para as vizinhan\u00e7as de Santos um porta-avi\u00f5es, dois destr\u00f3ieres com m\u00edsseis guiados, outros quatro destr\u00f3ieres, duas escoltas de destr\u00f3ieres, navios-tanque, e cerca de 110 toneladas de muni\u00e7\u00e3o e bombas de g\u00e1s para controle de massas, e gasolina. &#8220;O transporte a\u00e9reo (para Campinas) ser\u00e1 feito entre 14 e 36 horas&#8221;, dizia o despacho, &#8220;e envolver\u00e1 dez avios de carga, seis avi\u00f5es-tanque e seis ca\u00e7as&#8221;. <BR><BR>Gordon queria mais dinheiro <BR><BR>O embaixador Gordon notificou a Casa Branca de que, enquanto as armas n\u00e3o chegavam, adotou &#8220;medidas complementares com os recursos dispon\u00edveis para ajudar as for\u00e7as de resist\u00eancia&#8221;, e que eventualmente precisaria de mais dinheiro al\u00e9m do que j\u00e1 havia gasto nessa campanha. &#8220;As medidas incluem apoio encoberto para manifesta\u00e7\u00f5es de rua e incentivo ao sentimento democr\u00e1tico e anticomunista no Congresso, nas For\u00e7as Armadas, nos sindicatos amigos, na Igreja e entre empres\u00e1rios. Podemos vir a requisitar um modesto fundo suplementar para outras opera\u00e7\u00f5es encobertas no futuro&#8221;. <BR><BR><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Globo &#8211; 03\/07\/07Jos\u00e9 Meirelles Passos Documentos secretos cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es sobre participa\u00e7\u00e3o americana na derrubada de Jo\u00e3o Goulart da Presid\u00eancia WASHINGTON. 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