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	<title>pregação trabalhista &#8211; PDT</title>
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		<title>Um certo Leonel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2022 02:33:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Campanha da Legalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Leonel Brizola]]></category>
		<category><![CDATA[pregação trabalhista]]></category>
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<p>O general paisano dos caboclos sem chão prometia terra em troca de lealdade nas peleias entreveradas dos senhores da guerra.</p>
<p>Esperançado, o posseiro José, pai de um bebê prometido de se chamar Itagiba em cartório, alistou-se nas hostes rebeldes do caudilho destemido. Queria um chão de seu para tirar o sustento da família. Coragem não lhe faltava. Lá se foi.</p>
<p>O nenê ensaiava os primeiros passos quando a gargalhada histérica da metralhadora apresentou a custo de muito sangue as lendárias cargas de cavalaria a ponta de lança na Revolução maragata de 1923.</p>
<p>Uma época épica enterrava seus mortos em cova rasa e empurrava para décadas incertas as esperanças no futuro, talvez para nunca mais. Ao retornar dos combates, o pai do pequenino que se chamaria Itagiba foi morto a traição. Não demorou para Oniva, a mãe do menininho, ser avisada que deveria entregar o pequeno pedaço de terra ao dono de papel passado. Que buscasse seu lugar com as crias no aperto da cidade.</p>
<p>As asperezas da vida se apresentavam sem cerimônia ao molequinho que brincava na rua com uma espada de pau. Imitava um certo Leonel dos ervais em ação contra os inimigos traiçoeiros. E Leonel passou a chamar-se por conta própria, para lidar com o trauma da orfandade. Itagiba desapareceu da história sem nunca ter entrado. E Leonel passou a ser para todos, menos para o cartório, por dessas coisas do Brasil profundo. Na falta de escola, aprendeu a desenhar as letras guiado pela mão da mãe, à luz de lampião.</p>
<p>Logo descobriu que precisava ajudar a levar comida para a mesa. No vaivém incessante das ruas, em busca de alguns trocados, engraxava sapatos e entregava encomendas. Nas caminhadas, uma construção o fazia parar, na tentativa de adivinhar o que acontecia lá dentro. Tanto se esforçou para escalar o muro em volta que alertou alguém, por acaso o diretor do colégio metodista, reverendo Isidoro Pereira, que o acolheu em sua casa e o matriculou. Um dia se saberá o quanto a evolução da ideia de educação avançou no Brasil devido a esse gesto de compaixão.</p>
<p>Logo o reverendo percebe no garotinho a vivacidade, a determinação – nada lhe parece impossível – e a vocação de liderança.</p>
<p>Ao natural, acontece o estalo de tentar a sorte em Porto Alegre, para continuar os estudos e trabalhar. O prefeito de Carazinho, Albino Hillebrand, jamais esqueceria o olhar do “menino pobre” à espera de sua assinatura na requisição de uma passagem de trem na segunda classe. Nem o sentimento de gratidão se apagaria na memória de Leonel.</p>
<p>Sozinho, embalado pela batucada monótona dos trilhos, começa a grande aventura da vida de Leonel. Ninguém o espera ao descer do fumegante maria fumaça, na mesma gare em que Getúlio Vargas subiu no trem vitorioso da Revolução de 30, poucos anos antes.</p>
<p>Ele se sente acolhido por gente como ele vinda de todos os cantos do Estado. Confia em si mesmo e nas pessoas que, por sua vez, confiam naquele garoto resoluto. Havia confiança na troca de olhares e lugar para mais um que viesse com boas intenções. Era assim, embora não se soubesse o motivo. Lá fora o mundo beirava a convulsão, aqui a Revolução de 30 reorganizava o Brasil. A confiança no futuro fazia as coisas darem certo. As pessoas juntavam as suas bondades. Era natural que se confiassem. O rapazinho não poderia imaginar que um dia inspiraria a confiança nas pessoas nele e ele nelas. Tampouco que expressaria a vontade das pessoas por seus atos e palavras vida afora. Sem saber, mergulhava nos insondáveis mistérios do inconsciente coletivo. O Brasil e Leonel se apresentavam um ao outro. Era cedo para saber o resultado desse encontro. Leonel ainda não existia pela lei. Às pressas terá que providenciar a certidão de nascimento para matricular-se na escola técnica de agricultura de Viamão. Só então tem o direito de chamar-se pelo nome de seu herói.</p>
<p>Logo ao formar-se muda-se para Porto Alegre, a procura de trabalho. Em sequência será operador de balança, ascensorista, jardineiro e operário de uma fábrica de graxa. Passa em concurso para fiscal de moinho do ministério da Agricultura. Frequenta o curso supletivo do colégio Júlio de Castilhos e ingressa na escola de Engenharia.</p>
<p>Está se aproximando a hora em que vai tocar sem querer no fio invisível da história, a ligação entre as atitudes banais do cotidiano às decisões que afetarão a vida de todos. O fio da política, o mesmo da emboscada a seu pai e da expulsão de sua mãe para a periferia da cidade.</p>
<p>Algo estava mudando nas ruas pacatas de Porto Alegre. De hora para outra, as pessoas queriam se reunir nas praças, como se estivessem despertando de uma letargia. O que conversavam, no entanto, não conferia com o ambiente de sofisticação na escola de Engenharia. Indiferentes às tropas e até tanques que cercavam as praças, o povo não arredava pé. Queriam a permanência de Getúlio.</p>
<p>É nas ruas que ouve falar pela primeira vez do Trabalhismo, àquela altura mais um sentimento de identidade social que um pensamento. Getúlio e o Trabalhismo despertavam a vontade das pessoas por uma vida condigna. Era a mesma vontade de Leonel. Percebe claramente que o Trabalhismo é o lado sacrificado da sociedade que começa a se organizar. O seu lado. Era a mensagem de uma experiência concreta de vida conduzindo um projeto de dignidade social com lugar para todos. Uma ideologia brasileira para o Brasil.</p>
<p>Brizola, que na prática tinha aberto pessoalmente o caminho para uma vida melhor, enxerga o Trabalhismo como o meio político de criar condições de ascensão social massiva. Não seria surpresa para alguém que perdeu o pai numa traição a reação furiosa de alguns setores da sociedade às propostas trabalhistas de salário mínimo, industrialização e educação. Será espantosa, sim, a descoberta que setores ditos esclarecidos vêem o Brasil como um eterno fazendão. Em seguida, começam a desabar sobre os cabeças do Trabalhismo a acusação de estarem a serviço do comunismo. As nuvens pesadas da Guerra Fria estacionam sobre o Brasil.</p>
<p>Leonel junta-se aos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e empenha-se na estruturação do movimento popular que em breve sacudirá as urnas.</p>
<p>Elege-se deputado estadual em 1947 levantando a bandeira da educação pública. Forma-se engenheiro civil e casa-se com Neusa Goulart. Adota a didática de explicar a raiz das questões ao público, iniciativa que o transformará em professor de conscientização política. Suas falas expressam a combinação ideal de teoria e prática. Reelege-se deputado estadual, candidata-se a prefeito de Porto Alegre e perde, assume a secretaria de Obras do governo estadual. Elege-se deputado federal e desta vez (1955) vence a eleição a prefeitura da capital. De imediato acaba com as filas de matrículas lançando o programa Nenhuma criança sem Escola. Está se delineando a carreira política que assombrará o país pela lucidez, criatividade, tino administrativo e coragem. Da prefeitura salta para o governo do Estado (1958). Prioriza o planejamento, reestrutura o serviço público, funda bancos (Caixa Econômica Estadual e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul), usina de açúcar (Agasa), de cebola (Progasa), aciaria (Aços Finos Piratini), abre estrada estratégica (atual BR-386), cria um jardim zoológico.</p>
<p>Novamente, ataca o déficit educacional. Os deputados negam a criação da taxa de Educação? Lança letras do Tesouro, atrativas e de resgate pontual. Articula correntes de solidariedade de escolas onde for necessário. As prefeituras cedem o local e fornecem o material de construção junto com doações de particulares. Quartéis abrem seus pátios. Os vilarejos remotos passam a ostentar a sua escola. Nas cidades, ruas interditadas a pedido dos moradores viram pátios buliçosos. Abre um programa especial de bolsas nas escolas particulares.</p>
<p>Ao fim de quatro anos, 5.962 escolas primárias e 228 técnicas recortam a paisagem gaúcha. São 20 mil professores e 400 mil alunos a mais.</p>
<p>Na volta do exílio, de São Borja a Porto Alegre, ficará contando do alto, nos dedos, as escolinhas que avistava na vastidão do pampa.</p>
<p>As realizações que farão o sobrenome de Leonel circular pelo mundo acontecem paralelamente ao frenesi administrativo. Desapropria a Fazenda Sarandi, área comprovadamente ociosa, e outra que depois de drenada estava sendo ocupada por fazendeiros, o Banhado do Colégio, onde implanta com pioneirismo uma agrovila. Naquela época estados podiam legislar sobre reforma agrária.</p>
<p>Depois de tentativas infrutíferas de negociação, desapropria uma concessionária de energia elétrica (Bond and Share) e uma empresa telefônica do grupo ITT. Fidel Castro ainda não havia feito as suas. John Kennedy protesta. Entra na lista negra do capital internacional e na de revelações da esquerda continental.</p>
<p>Prenome e sobrenome se juntarão no episódio da Legalidade mas é Brizola que se perpetua na memória popular pelo destemor com que neutralizou um golpe militar. Ele não se permitia acessos de vaidade. O único gesto de orgulho conhecido era o de se considerar o governante que mais construiu escolas. Ao relembrar a resistência que comandou, em eventos públicos, era econômico nos detalhes, como que a proteger segredos recônditos. Não havia segredos de gaveta.</p>
<p>Tudo foi às claras desde o momento em que determinou a mobilização contra a tentativa de violação da Constituição. Leonel confiou na resposta do povo a seu gesto e o povo confiou na bravura de Brizola. Ficou o exemplo de levante cívico para sempre.</p>
<p>Não se conhece uma retaliação de Brizola contra adversários políticos. Três dos governadores nomeados que se sucederam no Palácio Piratini após o golpe de 64 foram derrotados por ele nas urnas. Um gesto ostensivo de vingança contra os eleitores.</p>
<p>A incansável pregação trabalhista contra o retrocesso do neoliberalismo, insuficiente para superar os reveses eleitorais, permanece intocado para todas as gerações.</p>
<p>Seus ensinamentos não envelhecem, pelo contrário, fertilizam o pensamento político, como acontece com as reflexões sobre a grande mídia.</p>
<p>Peito aberto, lastreado apenas por sua autoridade política de inegável integridade, denunciou a cumplicidade dos conglomerados midiáticos com as imposições antinação e antipovo.</p>
<p>A acolhida do povo fluminense após o exílio e a derrota eleitoral de 1989 testemunham o reconhecimento a sua luta de toda uma vida.</p>
<p>“Entre nós existem os brasileiros comprometidos e brasileiros não comprometidos. Quem são os brasileiros comprometidos?</p>
<p>São aqueles que integram a casta dos privilegiados. São aqueles que não têm pressa para nada, usufruem mais direitos do que usufrui a grande maioria do povo brasileiro, embora a lei a todos declare iguais. São aqueles que, encastelados em suas posições, não se sentem obrigados a um mínimo de solidariedade ou dever com o povo deste país. São aqueles que brandem as teses do liberalismo econômico, com elas encobrindo o seu egoísmo antissocial e anticristão e a ânsia anti-humana da riqueza e sua desarvorada sede de poder econômico e político. São aqueles que defendem o latifúndio e, quando falam em liberdade, não estão defendendo senão a sua liberdade de continuarem ricos num país de pobres. E quando falam de segurança não pensam senão na estabilidade dos seus negócios, enquanto o resto da nação afunda na incerteza, no temor, no medo”. (Conferência na cidade de Presidente Prudente (SP), em 25 de novembro de 1961).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>*Carlos Alberto Kolecza é jornalista.</strong></em></p>
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