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		<title>BBC:  Senado  pode ser questionado pelo STF por votar impeachment</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 May 2016 09:47:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia em destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[Juristas ouvidos pela BBC Brasil apontam que potenciais resultados da votação do processo de impeachment mantida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda podem ser questionados caso o Supremo Tribunal Federal (STF) acolha ações que coloquem em xeque o processo. Eles divergem, no entanto, sobre as chances do STF demonstrar tal entendimento. Na visão dos...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Juristas ouvidos pela BBC Brasil apontam que potenciais resultados da votação do processo de impeachment mantida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda podem ser questionados caso o Supremo Tribunal Federal (STF) acolha ações que coloquem em xeque o processo. Eles divergem, no entanto, sobre as chances do STF demonstrar tal entendimento.</p>
<p>Na visão dos especialistas, há a possibilidade de o processo ser questionado caso o STF receba ações relativas à decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA). Mas há discordâncias, no entanto, sobre a força dos argumentos apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e aceitos por Maranhão, e a probabilidade de serem acolhidos pelo STF. Há especialistas que enxergam a possibilidade de o Senado votar pelo impeachment e posteriormente o STF acolher ações que peçam a anulação da votação da Câmara; outros, porém, descartam tal cenário, avaliado como &#8220;improvável&#8221;.</p>
<p>Para Michael Mohallem, coordenador do Centro de Justiça e Sociedade da FGV-Rio e pesquisador da Universidade de Oxford, a decisão de Renan de manter o rito no Senado pode levar a uma &#8220;tragédia política&#8221;. &#8220;O processo jurídico é como uma camisa de botões. Se você erra um botão, continua abotoando e só percebe que errou lá no final. É inevitável desfazer tudo e começar do zero. Seria uma verdadeira ‘tragédia política’ se Dilma for afastada e Temer assumir, e logo depois o STF anular a votação da Câmara, invalidando todo o processo&#8221;, avalia.</p>
<p>Para Mohallem, há vícios &#8220;sanáveis&#8221; e &#8220;não sanáveis&#8221; nos trâmites jurídicos do processo de impeachment. E, ainda que a Câmara possa se reunir em plenário e votar sobre a decisão de Maranhão, a palavra final será do STF. &#8220;Há duas rotas de deliberações para o anúncio de Maranhão. Uma é política, conduzida pelos deputados na Câmara, e outra é jurídica, conduzida pelo Supremo. Não há hierarquia dos poderes, é óbvio, mas a diferença é que ações e recursos serão julgados pelo STF e tais decisões serão soberanas&#8221;, explica.</p>
<p>Para Roberto Batista Dias da Silva, professor de Direito da PUC-SP, não há garantias de que o Supremo se manifeste até quarta-feira. &#8220;Renan está apostando que o STF entenderá que não há mérito na decisão de Maranhão e em possíveis ações impetradas nos próximos dias. É possível, sim, que o afastamento da presidente seja colocado em prática e depois revertido&#8221;, diz.</p>
<p>Mas apesar de considerar o cenário juridicamente possível, Dias da Silva considera &#8220;improvável&#8221; que aconteça mais essa reviravolta no processo. &#8220;Minha opinião pessoal jurídica é de que o Senado votará pelo afastamento na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff será afastada, o vice Michel Temer assumirá, e que uma vez judicializadas, a decisão de Maranhão e quaisquer ações posteriores venham a ser consideradas equivocadas pelo STF&#8221;, avalia. Entre os argumentos listados por Maranhão em sua decisão anunciada mais cedo estão aspectos considerados pelos juristas como mais técnicos e de menor significância, e outro relativo à condução da votação, que, segundo os especialistas, poderia ter mais chance de encontrar acolhimento no STF. Entre os aspectos técnicos estão o fato de o resultado da votação ter sido comunicado ao Senado por meio de uma resolução, e não um ofício. Renan Calheiros rebateu dizendo que o rito seguiu o mesmo realizado em 1992 no processo contra Fernando Collor.</p>
<p>Outros argumentos citados na petição da AGU apontam que por terem indicado votos &#8220;pela família&#8221;, por suas cidades, e diversas outras razões, os deputados não estariam votando pelas razões específicas em debate no processo de impeachment. O argumento para anular a votação que poderia ter mais força no STF é o de que o voto dos deputados não poderia ter sido orientado pelas bancadas – ponto de discordância entre os juristas. Para Dias da Silva, da PUC-SP, isso não tende a encontrar ressonância.</p>
<p>&#8220;Não vejo como um argumento de consistência jurídica por se tratar de uma votação política. Outra questão é que vimos diversos deputados votando de forma diferente do que o orientado por suas bancadas, ou seja, a orientação não teve caráter vinculante e não maculou a votação&#8221;, avalia. Juristas divergem quanto a possibilidade de Senado aprovar impeachment e posteriormente STF acolher ações que tragam processo de volta à Câmara dos Deputados Já Mohallem, da FGV-Rio, analisa a questão sob outro prisma. Para ele, resta saber se houve deputados que só votaram junto com suas bancadas por temerem sanções ou até expulsão de seus partidos.</p>
<p>&#8220;O entendimento da AGU e de Maranhão é de que esse procedimento maculou de forma irreversível o processo e que a votação deve ser refeita. É um argumento considerável, e resta saber como o STF se pronunciará assim que provocado por ações a respeito do tema&#8221;, opina. O jurista avalia que a decisão do presidente do Senado de manter a votação de quarta-feira apesar das reviravoltas e das ações pendentes no STF aumenta o grau de incerteza e dúvida em torno de todo o processo.</p>
<p>&#8220;Seria muito mais cauteloso que o Senado aguardasse uma posição oficial quanto ao anúncio de Maranhão antes de prosseguir&#8221;, diz. Thiago Bottino, professor de Direito da FGV-Rio, avalia que há a possibilidade de o STF acolher o argumento da AGU, aceito pelo presidente interino da Câmara em sua decisão, de que o voto dos deputados não poderia ter sido orientado por seus partidos. Segundo o artigo 23 da Lei do Impeachment, de 1950, &#8220;encerrada a discussão do parecer, será o mesmo submetido a votação nominal, não sendo permitidas, então, questões de ordem, nem encaminhamento de votação&#8221;. Na opinião de Bottino, &#8220;se o STF entender que houve encaminhamento de votação, anula o impeachment&#8221;</p>
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