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	<title>História &#8211; PDT</title>
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	<title>História &#8211; PDT</title>
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		<title>&#8220;O PDT tem história, presente e futuro”, diz Goura em entrevista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2020 17:28:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="696" height="391" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58.jpeg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58.jpeg 696w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58-100x56.jpeg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58-300x169.jpeg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58-160x90.jpeg 160w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2020/06/WhatsApp-Image-2020-06-16-at-20.33.58-600x337.jpeg 600w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /><p>Eleito vereador e depois deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista do Paraná (PDT-PR), Goura Nataraj é um político que tem compromisso com a coerência partidária. A opção pelo partido não se deu por simples conveniência.</p>
<p>Depois de deixar o PV, que, segundo ele, abandonou a luta em defesa do meio ambiente, Goura encontrou no PDT um partido que tem história, com militância e compromissos éticos.</p>
<p>Para ele, o PDT tem um presente comprometido com as pautas relacionadas ao bem comum e a um futuro com uma proposta de desenvolvimento diferente do que vivemos hoje no Brasil.</p>
<p>Nesta entrevista, o líder da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Paraná conta um pouco dessa relação com a legenda, faz algumas considerações relevantes e garante que o PDT estará na disputa pela prefeitura em Curitiba.</p>
<p>Você é, antes do vereador e do deputado, um ativista do meio ambiente, da bicicleta e das causas do bem comum. Já foi filiado ao Partido Verde, que teoricamente faria todo sentido, mas não se “encaixou” na sigla. Pelo PDT, foi eleito vereador e deputado estadual, sendo o mais votado da legenda. O que lhe fez escolher o PDT?</p>
<p><strong>Goura –</strong> Recebi o convite para me filiar ao PDT do então prefeito Gustavo Fruet. Primeiro fui convidado para atuar como assessor, na Secretaria de Trânsito, na área de mobilidade, onde pudemos fazer muitas ações em prol da bicicleta, dos pedestres, da redução das mortes no trânsito.<br />
Época em que foram criadas as vias calmas de Curitiba. Então veio o convite para eu me filiar ao PDT. Tinha saído de uma candidatura a deputado federal pelo PV e entendi que faltava um pouco mais de compromisso verde naquele partido.</p>
<p>Então, pedi a minha desfiliação e, com o convite do Fruet, me senti à vontade para me filiar num projeto de construção partidária, baseada nos compromissos com os direitos sociais, com a educação, que são bandeiras históricas do PDT.</p>
<p>Fui candidato a vereador e me elegi com mais de 6,5 mil votos e me tornei líder do PDT e líder da oposição na Câmara Municipal de Curitiba. Foi um processo natural a partir de afinidades ideológicas e de construção coletiva.</p>
<p><em><strong>E qual é, na sua opinião, o grande diferencial do Partido Democrático Trabalhista, se comparado com outros partidos do campo progressista?</strong></em></p>
<p><strong>Goura –</strong> Primeiro o PDT tem uma história. Uma história rica, plena de bons exemplos de vida pública, de compromissos éticos, desde Darcy Ribeiro, desde Brizola. Atualmente a gente vê o PDT como um partido que consegue fazer um diálogo com alguns campos. É, no meu entendimento, um partido de centro esquerda, comprometido com os direitos humanos, com o meio ambiente, com o direito dos trabalhadores, comprometido com políticas públicas. Então, a gente tem essa história, e esse é o grande diferencial. A gente tem um presente, temos muitos parlamentares no Brasil inteiro comprometidos e avançando nessas temáticas de forma coerente.<br />
E a gente tem um futuro, na figura do ex-deputado, ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, que apresenta um projeto de desenvolvimento diferente desse que está posto.</p>
<p><strong>Quais seriam as principais diferenças?</strong></p>
<p><strong>Goura –</strong> É uma proposta de desenvolvimento baseado no respeito à dignidade humana, com uma noção muito sensata sobre a economia e o papel do Estado. Acho que são diferenciais que refletem essa coerência do partido.<br />
Obviamente estamos falando de um partido presente no Brasil inteiro e a gente vai ter problemas na construção de um programa nacional. Mas acho que é no processo que se coloca, de se construir cada vez mais a democracia dentro do partido, a escuta atenta aos movimentos sociais. Acho que o PDT está caminhando nesse sentido, está reafirmando os seus compromissos.</p>
<p>Falando em construção, sabemos que todos os partidos, independente do campo em que atuam, possuem contradições. Nesse sentido, na sua opinião o que merece ser revisto no PDT?</p>
<p><strong>Goura –</strong> Por ser um partido com muita história, às vezes falta espaço para a gente trazer uma oxigenação. Mas é um processo dialético, é um processo da política e naturalmente os novos quadros têm que vir, têm que fazer a crítica, têm que se posicionar e eu espero estar contribuindo nesse processo.<br />
Vejo no deputado federal Túlio Gadelha, no Wellington Gomes, pré-candidato a vereador no Rio de Janeiro, toda uma geração de jovens lideranças dentro do PDT que está comprometida com essa visão.<br />
Que entendem que o partido deve, sim, ser preservado, mas que a gente tem que estar o tempo todo otimizando, dinamizando, fazendo essa escuta atenta e respeitosa aos movimentos sociais e as demandas da sociedade.</p>
<p>No Paraná, o PDT já foi governo e já administrou a prefeitura da Capital, além de muitos outros municípios. Qual é, na sua avaliação, o grande legado do partido no estado até agora?</p>
<p><strong>Goura –</strong> O PDT tem uma história no Paraná, mas quero me ater à história recente na figura do deputado federal Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba, que teve uma gestão comprometida com uma agenda urbana, com uma agenda ambiental e uma agenda social.<br />
Foi o exemplo de uma boa gestão, uma gestão séria e que foi boicotada pelo ex-governador Beto Richa, que se aproveitou da sua posição como governador para prejudicar sua gestão da Prefeitura de Curitiba.<br />
Com isso, Richa prejudicou a vida dos curitibanos e dos moradores da Região Metropolitana. E eu lembro que o atual governador Ratinho Junior esteve o tempo todo na gestão do Beto Richa.<br />
Como secretário de Desenvolvimento Urbano, ele foi um dos responsáveis pelo desmantelamento da integração metropolitana para priorizar um jogo político, um jogo para favorecer os seus aliados e criar empecilhos para a boa gestão dos seus adversários.</p>
<p>Mas apesar desse boicote, a gestão Gustavo Fruet conseguiu grandes avanços, não é?</p>
<p><strong>Goura – </strong>Acho que o legado da gestão Gustavo Fruet tem que ser visto nesta perspectiva, de uma atuação corretíssima, baseada na ética, na transparência, no investimento pesado em educação, em saúde pública e com muitos avanços significativos na área de mobilidade.<br />
A gente teve um começo de uma política cicloviária sendo implantada em Curitiba. As áreas ambientais, as unidades de conservação, o tratamento da moradia como um direito social.</p>
<p>Muitas das questões que foram colocadas pelo Gustavo, nos seus quatro anos de gestão, devem ser reafirmadas pelo PDT. Temos que assumir esse protagonismo da boa gestão dos municípios brasileiros.</p>
<p><em><strong>Com essa perspectiva, você já se colocou como pré-candidato a prefeito de Curitiba. Na sua opinião, quais seriam as prioridades do PDT para a Capital, caso o partido assuma novamente a administração municipal?</strong></em></p>
<p><strong>Goura –</strong> Eu fui o único vereador de Curitiba que se elegeu deputado estadual. Estou como líder da bancada do PDT na Assembleia e entendo que, como cidadão curitibano, como pai de crianças curitibanas, preocupado com o desenvolvimento da cidade, é minha obrigação colocar o meu nome à disposição do partido e da cidade para uma eventual gestão frente à prefeitura. O PDT vai estar presente na disputa majoritária, seja comigo ou com o ex-prefeito Gustavo Fruet, que tem meu total apoio. A gente tem um diálogo plenamente harmonioso nesse sentido.</p>
<p><em><strong>E qual é o modelo de cidade que o PDT defende?</strong></em></p>
<p><strong>Goura –</strong> O PDT defende uma visão de cidade diferente, de cidade menos desigual, uma visão com real inovação na área de mobilidade, na área ambiental e na social. O contrário acontece com a gestão Greca. A gente vê o atual prefeito comprometido com o lucro e com os grandes contratos dos empresários que prestam serviços à prefeitura de Curitiba.</p>
<p>Há uma completa falta de inovação na área de mobilidade. Faz quase quatro anos que não temos uma política para estimular e aumentar o uso da bicicleta.</p>
<p>Na área ambiental, o que se vê é um descaso, uma cidade que está parada no tempo, vivendo do eco do que foi nos anos 70 e 80.</p>
<p>Há também um desmantelamento da saúde pública e da educação pública. Então, acho que o PDT vem para reafirmar a importância da educação, das políticas públicas de educação, da valorização dos professores, das escolas públicas da rede municipal.</p>
<p>Vem para valorizar o atendimento à saúde pública, os profissionais, os equipamentos. A gente viu agora durante a pandemia mais de 30 Upas fechadas pelo atual prefeito.</p>
<p>Também queremos promover essa visão de cidade menos desigual. Temos que ter cada vez mais esse conceito de cidade metropolitana, de uma cidade que precisa inovar.<br />
Infelizmente a atual gestão não tem priorizado a função social do transporte, da educação, da saúde pública, mas tem sim priorizado a manutenção de um sistema que favorece o lucro de poucos em detrimento da qualidade de vida para todos.</p>
<p>O PDT está firme, está forte, está com um projeto de cidade baseado na ciência, baseado na escuta e baseado na justiça social acima de tudo.</p>
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		<title>Dilma: &#8216;Vou resistir, a democracia é o lado certo da História&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 May 2016 15:41:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia em destaque]]></category>
		<category><![CDATA[BBC de Londres]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Resistência]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="645" height="365" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/dilma.bbc_.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/dilma.bbc_.jpg 645w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/dilma.bbc_-100x57.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/dilma.bbc_-300x170.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/dilma.bbc_-600x340.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 645px) 100vw, 645px" /><div id="div_twitter"> </div>
<div id="div_face">
<div id="___plusone_0">Em entrevista à emissora britânica <a href="http://www.bbc.com/news" target="_blank" data-wpel-link="external" rel="external noopener noreferrer">BBC News</a>, publicada na quinta-feira (5) passada, a presidenta <a href="https://twitter.com/dilmabr" target="_blank" data-wpel-link="external" rel="external noopener noreferrer">Dilma Rousseff</a> disse que se for afastada do cargo em decorrência do processo de impeachment irá resistir e batalhar para vencer na comprovação de que não cometeu crime de responsabilidade.</div>
</div>
<div class="post"> </div>
<div id="post-101577" class="post"><em>“Nós iremos continuar lutando para voltar ao governo. O que nós iremos fazer é resistir, resistir e resistir, e lutar para ganhar no mérito e retornar ao governo”</em>, afirmou, voltando a apontar ilegalidade no processo. <em>“O que nós defendemos, o meu governo e todos os meus apoiadores, é que o processo de impeachment é ilegítimo e ilegal porque baseado em uma farsa”</em>, disse a presidente.</div>
<div class="post"> </div>
<div class="post">Na entrevista concedida à BBC, no <a href="https://www.facebook.com/PalacioDoPlanalto/?fref=ts" target="_blank" data-wpel-link="external" rel="external noopener noreferrer">Palácio do Planalto</a>, Dilma Rousseff foi questionada sobre se não possuía conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras. Na resposta, ela defendeu que as denúncias sejam investigadas.</div>
<div class="post"> </div>
<div class="post"><em>“Não concordo que o Brasil seja diferente dos outros países no que se refere à existência de corrupção. É intríseco aos processos de corrupção se esconder por baixo de estruturas e de práticas aparentemente corretas. Elas tem que ser investigadas”</em>, defendeu, voltando a afirmar que não teme as investigações. <em>“Eu aceito qualquer forma de investigação porque tenho certeza que sou inocente. Então, não será por conta de investigação [que não voltarei à Presidência]. Não há o menor problema. A mim, podem investigar”</em>, afirmou.</div>
<div class="post"> </div>
<div class="post">A BBC também perguntou à presidenta se não é necessário lembrar aos que defendem o retorno da ditadura que esse não é um regime político ideal. Em resposta, ela lembrou sua prisão na década de 70 pelo regime militar.</div>
<div class="post"> </div>
<div class="post"><em>“Eu pessoalmente fiquei presa três anos e tinha uma espécie de ritual: você era preso, e neste período você era desconectado do mundo, você era torturado e enquanto achassem que era importante saber informações, eles mantinham a sua tortura. Muitas pessoas morreram. Não precisa viver aquele terror e aquela tragédia para aprender que a democracia é o lado certo da história”.</em></div>
<div class="post"> </div>
<div class="post"> </div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Jessé Souza:  Golpe contra Dilma é o espelho do que nos tornamos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 May 2016 15:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícia em destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Getúlio Vargas]]></category>
		<category><![CDATA[golpe]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução de 30]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="729" height="475" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff.jpg 729w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-100x65.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-300x195.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-600x391.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px" />&#160; O golpe foi contra a democracia como princípio de organização da vida social. Esse foi um golpe comandado pela ínfima elite do dinheiro que nos domina sem ruptura importante desde nosso passado escravocrata. O ponto de inflexão da história recente do Brasil contra a herança escravocrata foi a revolução comandada por contraelites subordinadas que...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="729" height="475" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff.jpg 729w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-100x65.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-300x195.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2016/05/golpe.latuff-600x391.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px" /><p>&nbsp;</p>
<p>O golpe foi contra a democracia como princípio de organização da vida social. Esse foi um golpe comandado pela ínfima elite do dinheiro que nos domina sem ruptura importante desde nosso passado escravocrata.</p>
<p>O ponto de inflexão da história recente do Brasil contra a herança escravocrata foi a revolução comandada por contraelites subordinadas que se uniram em 1930.</p>
<p>A visão pessoal de Getúlio Vargas transformou o que poderia ter sido um mero conflito interno de elites em disputa em uma possibilidade de reinvenção nacional.</p>
<p>A classe trabalhadora protegida, com capacidade de consumo. Nossa elite do dinheiro jamais sequer &#8220;compreendeu&#8221; esse sonho, posto que &#8220;afetivamente&#8221; nunca sentiu compromisso com os destinos do país.</p>
<p>Desde então o Brasil é palco de uma disputa entre esses dois projetos: o sonho de um país grande e pujante para a maioria; e a realidade de uma elite da rapina que quer drenar o trabalho de todos e saquear as riquezas do país para o bolso de meia dúzia.</p>
<p>A elite do dinheiro manda pelo simples fato de poder &#8220;comprar&#8221; todas as outras elites.</p>
<p>É essa elite, cujo símbolo maior é a bela avenida Paulista, que compra a elite intelectual de modo a construir, com o prestígio da ciência, a lorota da corrupção apenas do Estado, tornando invisível a corrupção legal e ilegal do mercado que ela domina; que compra a política via financiamento privado de eleições; e que compra a imprensa e as redes de TV, cujos próprios donos fazem parte da mesma elite da rapina.</p>
<p>De acordo com a conjuntura histórica, sempre que o Executivo está nas mãos do inimigo, imprensa e Congresso, comprados pelo dinheiro, se aliam a um quarto elemento que é o que suja as mãos de fato no golpe: as Forças Armadas antes, e o complexo jurídico-policial do Estado hoje em dia.</p>
<p>A história do Brasil desde 1930 é um movimento pendular entre esses dois polos. Getúlio caiu, como o desafeto histórico maior desta elite, por um conluio entre Congresso comprado, imprensa manipuladora e Forças Armadas que se imaginavam pairar acima dos conflitos sociais.</p>
<p>O suicídio do presidente adia em dez anos o golpe formal, que acontece em 1964 pela mesma articulação de interesses. O curioso, no entanto, é que dentro das Forças Armadas existia a mesma polarização que existia na sociedade.</p>
<p>INFRAESTRUTURA</p>
<p>O nacionalismo autoritário das Forças Armadas articula, por meio do 2º PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) do presidente Geisel, uma versão ambiciosa do sonho getulista: investimento maciço em infraestrutura e setores-chave da vanguarda tecnológica com a disseminação de universidades e centros de pesquisa em todo o país.</p>
<p>Ainda que o capital privado fosse muito bem-vindo, a condução do projeto de longo prazo era do Estado. Foi o bastante para que os jornais se lançassem em uma batalha ideológica contra a &#8220;república socialista do Brasil&#8221; e os empresários descobrissem, de uma hora para outra, sua inabalável &#8220;vocação democrática&#8221;.</p>
<p>O processo de redemocratização comandado pela elite do dinheiro tem tal pano de fundo. As Diretas-Já, na verdade, espelham a volta da rapina de curto prazo e uma nova derrota do sonho de um &#8220;Brasil grande&#8221;.</p>
<p>Aqui já poderia ter ocorrido a conscientização de que a rapina selvagem é o fio condutor, e que a forma autoritária ou democrática que ela assume é mera conveniência. Mas o processo de aprendizado foi abortado. O público ficou sem saber por que o golpe tinha ocorrido e, depois, por que ele havia sido criticado. Criou-se uma anistia do &#8220;esquecimento&#8221; no mesmo sentido da queima dos papéis da escravidão por Rui Barbosa: para que jamais saibamos quem somos e a quem obedecemos.</p>
<p>Com o governo FHC, essa elite da rapina de curto prazo se insere, enfim, não apenas no mercado mas também, com todas as mãos, no Estado e no Executivo.</p>
<p>A festa da privatização para o bolso da meia dúzia de sempre, da riqueza acumulada pela sociedade durante gerações, se deu a céu aberto. A maior eficiência dos serviços, prometida à sociedade e alardeada pela imprensa, sempre solícita e sócia de todo saque, se deixa esperar até hoje.</p>
<p>Como uma imprensa a serviço do saque e do dinheiro não pode fazer todo mundo de tolo durante todo o tempo, e como ainda existem sonhos que o dinheiro não pode comprar, o Executivo mudou de mãos em 2002.</p>
<p>O novo governo tentou o mesmo projeto desenvolvimentista anterior, de apoio à indústria e à inteligência nacional. Mas seu crime maior foi a ascensão dos setores populares via, antes de tudo, a valorização real do salário mínimo.</p>
<p>Os mais pobres passaram a ocupar espaços antes exclusivos às classes do privilégio.</p>
<p>Parte da classe média sofria profundo incômodo diante dessa nova proximidade em shopping centers e aeroportos, mas &#8220;pegava mal&#8221; expressar o descontentamento em público. Pior, a classe média temia que essa classe ascendente pudesse vir a disputar os seus privilégios e os seus empregos.</p>
<p>O discurso da &#8220;corrupção seletiva&#8221; manipulado pela mídia permite que se enfrente agora o medo mais mesquinho com um discurso moralizador e uma atitude de pretenso &#8220;campeão da moralidade&#8221;. O que antes se dizia a boca pequena entre amigos agora pode ser dito com a camisa do Brasil e empunhando a bandeira nacional. Está criada a &#8220;base popular&#8221;, produto da mídia servil à elite da rapina.</p>
<p>A luta contra os juros desencadeada pela presidente Dilma em 2012 reedita a eterna crença da esquerda nacionalista brasileira na existência de uma &#8220;boa burguesia&#8221;, ou seja, a fração industrial supostamente interessada em um projeto de longo prazo de fortalecimento do mercado interno.</p>
<p>Mas todas as frações da elite já mamam na mesma teta dos juros altos que permite transferir recursos de todas as classes para o bolso dos endinheirados de modo invisível, funcionando como uma &#8220;taxa&#8221; que encarece todos os preços e transfere parte de tudo o que é produzido para os rentistas –inclusive da classe média feita de tola pela imprensa comprada.</p>
<p>Quando em abril de 2013 as taxas de juros voltam a subir, a elite está armada e unida contra a presidente. As &#8220;jornadas de junho&#8221; daquele ano vêm bem a calhar e, por força de bem urdida campanha midiática, transformam protestos localizados em uma recém-formada coalizão entre a elite endinheirada e a classe média &#8220;campeã da moralidade e da decência&#8221; contra o projeto inclusivo e desenvolvimentista da esquerda.</p>
<p>Como os votos dos pobres recém-incluídos são mais numerosos, no entanto, perde-se a campanha de 2014. Mas a aliança entre endinheirados e moralistas de ocasião se mantém e se fortalece com um novo um novo aliado: o aparato jurídico-policial do Estado.</p>
<p>Construído pela Constituição de 1988 para funcionar como controle recíproco das atividades investigativas e jurisdicionais, todo esse aparato passa por mudanças expressivas desde então. Altos salários e demanda crescente por privilégios de todo tipo associados ao &#8220;sentimento de casta&#8221; que os concursos dirigidos aos filhos das classes do privilégio ensejam transformam esses aparelhos que tudo controlam, mas não são controlados por ninguém, em verdadeiros &#8220;partidos corporativos&#8221; lutando por interesses próprios dentro do aparelho de Estado.</p>
<p>A manipulação da &#8220;corrupção seletiva&#8221; pela imprensa é o discurso ideal para travestir, também aqui, os mais mesquinhos interesses corporativos em suposto &#8220;bem comum&#8221;. O troféu de &#8220;campeão da moralidade pública&#8221; passa a ser disputado por todas as corporações e se estabelece um conluio entre elas e a imprensa, que os vazamentos seletivos cuidadosamente orquestrados comprovam tão bem.</p>
<p>Esse é o elemento novo do velho golpe surrado de sempre. Ainda que o golpe tenha se dado no circo do Congresso em uma palhaçada denunciada por toda a imprensa internacional, sem o trabalho prévio dos justiceiros da &#8220;justiça seletiva&#8221; ele não teria acontecido.</p>
<p>O Estado policial a cargo da &#8220;casta jurídica&#8221; já está sendo testado há meses e deve assumir o papel de perseguir, com base na mesma &#8220;seletividade midiática&#8221;, o princípio: para os inimigos a lei, e para os amigos a &#8220;grande pizza&#8221;.</p>
<p>A &#8220;pizza&#8221; para os amigos já está em todos os jornais e acontece à luz do dia. O acirramento da criminalização da esquerda é o próximo passo. Esse é o maior perigo. Muita injustiça será cometida em nome da Justiça.</p>
<p>Mas existe também a oportunidade. Nem toda classe média é o aprendiz de fascista que transforma seu medo irracional em ódio contra os mais fracos, travestindo-o de &#8220;coragem cívica&#8221;.</p>
<p>Ainda que nossa classe média esteja longe de ser refletida e inteligente como ela se imagina, quem quer que tenha escapado do bombardeio diário de veneno midiático com dois neurônios intactos não deixará de estranhar o mundo que ajudou a criar: um mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de &#8220;justiceiros&#8221; que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos.</p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>(*)  JESSÉ SOUZA, 56, presidente do Ipea, é professor titular de ciência política da UFF.</em></strong></p>
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