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	<title>Centenário de Jango &#8211; PDT</title>
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	<title>Centenário de Jango &#8211; PDT</title>
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		<title>&#8220;João Goulart tentou tornar o Brasil um país mais igual e independente&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jul 2019 19:57:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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<p>O golpe, em sua opinião, mudou os rumos do Brasil e foi consequência da aliança da elite brasileira com os militares para fazer prevalecer o predomínio da Casa Grande sobre a Senzala: dos brasileiros ricos sobre as camadas mais pobres da população.</p>
<p>“No poder, Jango demonstrou a sua dimensão de estadista, depois que conseguiu se desvencilhar do parlamentarismo” e pôde avançar no seu projeto de reformas de base, que previa, entre outras grandes conquistas para a sociedade brasileira, a reforma agrária, bancária, tributária e da educação – além de uma política externa independente, na construção de um Brasil mais justo para os brasileiros.</p>
<p>Jango era um homem de esquerda, apesar de rico fazendeiro – levando-se em conta a definição de Norberto Bobbio, especialmente o que escreveu após a queda do muro de Berlim, que ser de esquerda “é lutar de forma desassombrada pela igualdade”. Jango lutou, quando Presidente do Brasil, em todas as dimensões, lutando pelo centro.</p>
<p>“Jango tentou tornar o Brasil um país mais igual e independente e, por isto, dou grande importância ao período da vida brasileira que vai de Getúlio a Jango”, época em que o Brasil se torna a 15ª potência industrial do mundo. Só que a elite brasileira, na luta em defesa por seus privilégios, antigos, “apoiou o golpe para que a Senzala continuasse Senzala”.</p>
<p>As desigualdades se aprofundaram após 64; e mais ainda após a chamada redemocratização dos anos 80, com o fim da ditadura. “O Brasil poderia ter encontrado o caminho certo, mas isto não foi possível porque a Casa Grande foi muito mais eficaz“ em fazer prevalecer os seus privilégios na sociedade brasileira, sob o domínio dos militares apoiados pelos Estados Unidos que, por sua vez, usavam o fantasma do regime cubano.</p>
<p>Jango, como Lula, acreditou na conciliação com as elites sem perceber que ela é fechada para a Senzala – não há acordo possível, argumentou Mino Carta. Por isto acha que Jango e Lula em parte foram parecidos no exercício do poder. Em parte; porque no poder, depois que se libertou da amarra do parlamentarismo, Jango partiu para as reformas de base “e estava tudo ali, nas reformas, o que o Brasil necessitava”.</p>
<p>E por conta disto Jango foi combatido e desestabilizado, até o golpe – que contou com apoio da mídia “que sempre serviu ao Poder como espécie de porta-voz da Casa Grande”. Mino, que em 1964 trabalhava na revista “Quatro Rodas”, lembra que viu a marcha passar, literalmente, ao assistir às tropas avançando pelo centro de São Paulo; ele posicionado na esquina da Marconi com Barão de Itapetininga: “Senti arrepios de puro pavor vendo aquela marcha muito simbólica para mim que vi o Brasil medieval, o da Casa Grande, passar. Na frente dela vieram os sócios da harmonia, acompanhados por seus fâmulos, aias, jardineiros, motoristas, pedicuros etc. Todos juntos: escravos e senhores”.</p>
<p>No poder, para Mino, Jango tornou-se um estadista porque trabalhou pelo Brasil sonhado por Getúlio Vargas; assumiu uma postura claramente de esquerda, sendo ele um social-democrata autêntico. “Tenho grande admiração por João Goulart por este desempenho no poder, quando soube liderar e sonhar com um Brasil muito grande”. Mino se confessa admirador de Jango, porque foi no período em que ele governou que começou a perceber os caminhos que o Brasil precisa seguir. Mas sabe também que Jango não tinha ilusões: sabia das dificuldades que teria que enfrentar. E vem daí a sua admiração ao presidente João Goulart.</p>
<p>Mino Carta foi editor ou diretor de Quatro Rodas, o Jornal da Tarde, Veja, Isto É; e hoje é diretor de redação da revista Carta Capital; é doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero; e recebeu o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), em 2006.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>“A reforma agrária, defendida por João Goulart, é uma necessidade no Brasil”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jul 2019 15:12:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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<p>Abdias perguntou: “Vai vender? Pois me proponho a comprar”. Sabia que Jango não cobraria caro; venderia a preço justo. Explicou que tinha carro, mas estava velho e precisava de um mais novo. Jango respondeu: “Podemos conversar”. Dias depois encontrei Abdias e perguntei: “Compraste o carro do Jango?” Ele respondeu: “Quando ele me deu o preço, disse que pagaria 50% à vista e, em 30 dias, os outros 50%. Ele me disse: Pois não vais dar nada; vou te dar o carro de presente. E deu”. </p>
<p>Índio Vargas lembra também que quando entrevistou Jango no exílio, pela primeira vez, ele morava em um hotel de Montevidéu. Depois, soube que Jango comprou o hotel e abrigou nele todos os brasileiros pobres e acossados, como ele, pela ditadura. O hotel ficou cheio até ele ser obrigado a se mudar, como outros exilados, para a Argentina – por conta da ditadura também instalada no Uruguai. </p>
<p>Antes de o exílio, sem alarde, Jango ajudava com alimentos o sustento de muitas famílias pobres da periferia de São Borja, acrescentou. <br /> No Ministério do Trabalho de Getúlio Vargas, Jango se dedicou intensamente às suas tarefas, porque se identificava com a política de Vargas de proteção ao trabalhador. “Afinal fomos o último país do mundo a libertar os escravos”, dizia ao defender a importância da criação da CLT e das regras para o mundo do trabalho.</p>
<p>Índio Vargas, na época da Legalidade, trabalhava no Diário de Notícias. E lembra que um dia ao descer do bonde na Rua da Praia, no Centro de Porto Alegre, para ir ao Palácio do Piratini, soube da renúncia do presidente Jânio Quadros. Primeiro falaram em deposição pelos militares, depois soube que era renúncia. Quando chegou em palácio, lembra bem, o Piratini estava fervendo porque Brizola não acreditava em renúncia; e não parava de ligar, ligar, para saber o que realmente acontecera. Até que conseguiu falar com o secretário de imprensa de Jânio, o jornalista Carlos Castello Branco, e se convencer de que era mesmo renúncia. </p>
<p>“Minha participação na Legalidade foi de jornalista: a de divulgar os fatos”, define Índio. </p>
<p>Mas logo em seguida veio o veto militar à posse de Jango, que estava na China – e a reação de Brizola ao veto, fatos que desencadearam a Legalidade. “Os militares quiseram atribuir à presença de Jango na China um cambalacho de arrumação: um acerto entre Brasil e China para comunizar o Brasil. Como se fosse possível o Brasil, hoje um país com mais de 200 milhões de habitantes, se tornar comunista unicamente por conta de uma conversa de beltrano com fulano. O Brasil, que não entende o que é comunismo; se compreendesse aí mesmo é que não aceitaria, reagiu contra o golpe”, frisou Índio Vargas. </p>
<p>Em 1964 foi diferente. Lembrou que Dom Evaristo Arns conta, em um dos seus livros, que quando era um simples capelão do Exército, fez questão de se juntar às tropas que marcharam de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro, para derrubar Jango. Ele temia o enfrentamento, as mortes, o conflito. Quando chegou na divisa de Minas com o Rio de Janeiro, ele assistiu a tudo, viu os militares dos dois lados conversando, rindo, constatou que não haveria hostilidade, nenhum tiro foi disparado. Ele voltou para São Paulo. </p>
<p>A solução parlamentarista que garantiu a posse de Jango, em sua opinião, foi só um arranjo político, “um parlamentarismo de araque”. Se Tancredo Neves tivesse pousado em Porto Alegre quando saiu do Rio para conversar com Jango em Montevidéu, antes da posse, acredita, teria sido preso por Brizola. Segundo Índio da Costa, no Rio Grande do Sul ninguém gostou da solução parlamentarista: havia disposição de lutar e resistir ao golpe dos militares. “Se Brizola teria forças para enfrentar os reacionários que estavam há tempos trabalhando pelo golpe, sinceramente, não sei”, afirmou.</p>
<p>Jango no governo, lembra, montou um ministério altamente preparado – “um esquema muito bom” –, preocupado em fazer o Brasil avançar. “Lembro que nesta época, em um churrasco em São Borja, na casa do Jango, já presidente, conversando com o prefeito de Dom Pedrito: um homem muito rico, um homem bom. Resolvi ouvir um pouco da conversa e vi que Jango estava empenhado em convencer o prefeito, grande proprietário de terras como ele, a ceder parte de sua propriedade para os camponeses pobres. E o convenceu”.</p>
<p>A reforma agrária, defendida por Jango, é uma necessidade no Brasil – na opinião de Índio Vargas. “Vi o Banhado do Colégio antes e depois da reforma agrária [feita por Brizola, em seu governo]. Como se desenvolveu aquela região! Infelizmente, ela está trancada até hoje e vai ficar mil anos sem acontecer. O Brasil, sem a reforma agrária, não deslancha”, opinou. </p>
<p>No governo de Jango, Índio Vargas foi para Brasília, a pedido do amigo João Caruso, para trabalhar no núcleo que desenvolvia a questão da reforma agrária. Por isto tem certeza de que “a reforma agrária não sai porque o povo não sabe a importância dela. No dia em que souber a verdade, as coisas vão mudar totalmente” e a reforma agrária vai acontecer. </p>
<p>Ele ouviu Jango dizer que se ele, Presidente, não fizesse a reforma agrária, ela não sairia nunca. Por isto acredita que o medo da reforma agrária foi o principal gancho dos inimigos de Jango, para derrubá-lo do poder. <br /> Veio o golpe de 1964. Índio Vargas participou da reunião na casa do comandante do III Exército, Ladário Telles, em Porto Alegre, puxada por Brizola, para reagir ao golpe dos militares.</p>
<p>– “Ouvi Brizola falando, falando, falando, naquela reunião. Não o via (tinha muita gente lá), mas ouvia sua voz. Ele quis que Jango enfrentasse os militares golpistas. Ladário Telles, por sua vez, informara que o esquema bélico de resistência estava pronto. Aí Jango perguntou se haveria derramamento de sangue. Ladário disse que, seguramente, haveria confronto e derramamento de sangue. Me emociona dizer isto. Jango então disse: Prefiro me retirar, sair; façam o que quiserem. Esta é a verdade”.</p>
<p>Ao definir Jango em poucas palavras, Índio Vargas disse: “Jango era bom demais para ser Presidente da República. Ele era um homem muito inteligente; profundamente bom”.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>“Jango caiu por suas virtudes, não por seus defeitos”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jul 2019 19:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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<p>Corria o ano de 1950 quando seu pai fez campanha para dois jovens trabalhistas: um de São Borja, João Goulart, candidato a deputado federal; e o outro, Leonel Brizola, de Carazinho, que o pai definia como “jovem sonhador”.</p>
<p>Nesta mesma época, Batista Filho começou a acompanhar os noticiários sobre o governo de Getúlio Vargas; veio a crise provocada pelo aumento de 100% do salário mínimo, que ensejou a reorganização das forças reacionárias que não toleravam Getúlio no poder e a primeira derrota de Jango, obrigado a renunciar ao cargo de ministro do Trabalho.</p>
<p>Essas mesmas forças reacionárias “fizeram acontecer o suicídio de Getúlio”, em 1954. Mas não conseguiram impedir as vitórias de Juscelino Kubistchek e de João Goulart – para presidente e vice – na eleição presidencial seguinte. Nem a reeleição de Jango em 1960, embora o seu parceiro na chapa, o marechal Lott, tenha perdido para Jânio Quadros.</p>
<p>Batista Filho define a campanha da Legalidade como “maior movimento cívico espontâneo” já ocorrido no Brasil, liderado por Leonel Brizola, quando os gaúchos, e depois os brasileiros – pelas ondas do rádio –derrotaram o golpe das forças contrárias a João Goulart e a todos os progressistas remanescentes do governo de Vargas. A renúncia de Jânio, em sua opinião, “foi um delírio de grandeza” que não deu certo.</p>
<p>O sucesso da Legalidade foi fruto da “coerência e coragem” de Brizola aliadas à capacidade de “conciliar e compreender” de Jango, com a solução parlamentarista de Tancredo.</p>
<p>Sobre o golpe de 64, três anos depois, Batista Filho explica: “Jango caiu por suas virtudes, não por seus defeitos; porque ele tinha uma equipe preparada e sabia que o Brasil precisava avançar rompendo barreiras: furando esquemas antigos e ultrapassados de dominação, base das desigualdades no Brasil”. Daí toda a sua luta pelas reformas de base.</p>
<p>“As reformas agrária, política, tributária e, sobretudo, a bancária são reformas imprescindíveis que até agora ninguém teve coragem de realizar”, acrescentou. </p>
<p>Para Batista Filho, no Brasil nada é mais transparente, claro, objetivo e simbólico do que “a dominação do capital financeiro sobre os demais setores da economia”: daí a existência do controle da economia por “apenas cinco ou seis grandes bancos”. Esta concentração não existiria caso as reformas de base de Jango tivessem acontecido; mas como elas foram descartadas, isto causou um atraso “de 40 a 50 anos” em relação a outros países.</p>
<p>Ao sintetizar o João Goulart, Batista Filho disse que Jango não foi só um trabalhista, foi também um humanista e político inspirado que tentou fazer o que considerava certo, o que acreditava; mas foi impedido pelos que não querem que o bem dos brasileiros. </p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>&#8220;Jango foi um homem fraterno, identificado com seu tempo&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jul 2019 19:20:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="921" height="515" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas.jpg 921w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas-100x56.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas-300x168.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas-768x429.jpg 768w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas-161x90.jpg 161w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/João-Luiz-Vargas-600x336.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 921px) 100vw, 921px" />João Luiz Vargas nasceu em berço janguista, que veio do pai e principalmente da avó. E como, trabalhista de raiz, primeiro elegeu-se vereador em São Sepé, depois prefeito da cidade; e, posteriormente, quatro vezes deputado estadual pelo Rio Grande do Sul. E no exercício destes cargos, sempre fez questão de se identificar com o presidente...]]></description>
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<p>Nunca esqueceu o conselho que Jango lhe deu na ocasião e que guarda até hoje com carinho: “Guri, nunca abandona os teus amigos”. Era o ano de 1976 e ele foi visitar Jango acompanhando amigos, todos trabalhistas histórico de São Sepé: Luciano Palmeiras de Freitas, Doutor Afif e João Natalício Bruno Fontes. </p>
<p>Lá, conheceu um Jango sereno, um pouco obeso, cabelos embranquecidos “e já um pouco destelhado pelos anos de vida”. Esta é a imagem que guardou. Daqueles poucos dias em que teve oportunidade de conviver com o ex-presidente também guardou a sua firme disposição de voltar um dia ao Brasil “porque aqui era a sua querência”. </p>
<p>João Luiz Vargas define até hoje Jango como um homem fraterno – extremamente fraterno –, identificado com seu tempo.</p>
<p>A Legalidade – liderada por Brizola – foi fundamental para que Jango chegasse à presidência e lutasse pelas reformas de base. Depois da posse, no exercício da presidência da República, “as manifestações de Jango eram sempre eivadas de sentimento de fraternidade; bem diferente do presidente de hoje que, toda vez que se manifesta, manifesta ódio, rancor e perseguição.</p>
<p>“O que trago na minha alma, que pertence ao meu coração, à minha alma é aquele presidente fraterno; e que fez com que, com sua fraternidade e confiança nos seres humanos seu governo sofresse um golpe. Porque não interessava, como não interessam até hoje, as reformas de base”.</p>
<p>João Luiz Vargas prosseguiu: “As reformas que estão propondo agora é a reforma da Previdência; e a quem ela prejudica? Prejudica ao trabalhador brasileiro, ao servidor público que também é trabalhador”. Segundo João Luiz, 70% das pessoas que ganham salário no Brasil, ganham um salário mínimo e meio, nem dois salários.</p>
<p>“Estes é que terão um pagamento maior na sua contribuição para ter sua aposentadoria”, ao contrário do governo de Jango, que tentou promover mudanças estruturais, mas defendendo posições claras e fraternas em prol dos mais necessitados.</p>
<p>Lembrou que quando Jango criou a Superintendência de Reforma Agrária (Supra) foi com o objetivo de que os agricultores brasileiros sem terra recebessem um pedaço de terra para, sem invasão, produzir com o apoio do governo, “diferente daquilo que a gente vive hoje”. </p>
<p>A questão da soberania nacional, comparando com a época de Jango, é outra grande preocupação de João Luiz Vargas nos dias de hoje. Na sua opinião, não interessa aos Estados Unidos o crescimento do Brasil; e atualmente há um acordo neste sentido, escondido, do atual governo.</p>
<p>“O Brasil tem que abrir as suas energias econômicas para o globo, de forma que esteja também os americanos e aqueles que mais crescem hoje, que são os orientais – China e Japão”, entre eles.</p>
<p>Outro tema da atualidade que também o preocupa é a Amazônia, que a cada dia, na sua opinião, “é entregue ao capital estrangeiro para que aqui venha buscar não só questões que dizem à proteção biológica, mas também nossas riquezas minerais”. </p>
<p>Homem de fé no futuro do Brasil, João Luiz Vargas acredita que os dias passarão ligeiro até se dar um basta na situação atual elegendo, na próxima eleição para presidente, o ex-ministro Ciro Gomes. </p>
<p>“Ciro Gomes é um homem determinado; homem que traz bagagem fantástica de administrador e traz este sentimento de fraternidade do doutor Jango. Às vezes um pouco violento, sim! Mas um misto de Jango e de Brizola. Será que não é isto que estamos precisando?”</p>
<p>Acrescentou: “Como disse o nosso grande líder (e alguns criticam) Che Guevara [“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”]: Hay que endurecerse, sin perder jamás o sentimento de fraternidade, sem perder o amor – traduzindo, em parte o que ele nos ensinou. Sem perder a ternura…”</p>
<p>E finalizou: “Nós temos uma grande obrigação: de preservar os frutos que surgem das nossas raízes, que criam árvores frondosas e que dão frutos. E se nós não protegemos estes frutos, as raízes também serão perdidas. Temos que proteger os frutos das raízes do Trabalhismo. É a isto que eu me dedico há muito tempo”.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>&#8220;Jango foi um grande estadista, homem generoso, pessoa que sabia escutar&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jul 2019 18:21:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="804" height="523" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02.jpg 804w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02-100x65.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02-300x195.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02-768x500.jpg 768w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02-138x90.jpg 138w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/07/Juremir-Machado-02-600x390.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px" /><p>O escritor, jornalista, historiador e professor Juremir Machado, gaúcho da fronteira nascido em Santana do Livramento, em 1962, não conheceu Jango pessoalmente &#8211; mas através da leitura de livros, documentos e depoimentos que recolheu sobre o presidente João Goulart de pessoas que conviveram com o presidente.</p>
<p>Juremir é autor, entre outros livros, de “Jango, a vida e a morte no exílio” – publicado em 2013 – e de outros títulos dedicados à história regional do Rio Grande do Sul, à Revolução de 30, aos governos de Getúlio Vargas, e ao movimento da Legalidade liderado por Leonel Brizola, que garantiu a posse de Jango, em 1961.</p>
<p>“Jango foi um homem interessante, carismático, que chamou muito a minha atenção por sua sensibilidade de homem da fronteira capaz de sentar com os peões, conversar, ser igual e ao mesmo tempo tomar decisões. Todos são iguais, mas ele é o chefe e faz a separação”, explicou Juremir. </p>
<p>Por conta da leitura de milhares de documentos, continuou, a sua leitura sobre ele se consolidou: </p>
<p>“João Goulart foi uma pessoa fabulosa, injustiçada; um grande personagem, porque ao mesmo tempo em que era qualificado para o exercício da presidência, era grande ser humano com todas as contradições. Era pessoa boa, generosa, capaz de cometer erros, mas capaz também de ouvir, ajudar e ter momentos de frieza. Foi um grande ser humano, verdadeiro personagem de romance com paradoxos e profundidades”, elogiou.</p>
<p>O tempo em que Jango governou também precisa ser levado em conta, segundo Juremir Machado, porque no Brasil do início dos anos 60 “tudo precisava ser criado” em termos de normas, porque a política era clientelista: “todos pediam alguma coisa aos que ocupavam cargos”, como João Goulart. Padres, operários, jornalistas, pessoas que queriam transferências no Banco do Brasil de uma cidade para outra – “muitas vezes eram necessárias concessões ao adversário para que se conseguisse um mínimo de governabilidade”.</p>
<p>E Jango se concentrou nas reformas que o Brasil precisava para deixar de ser um país atrasado, embora a elite e a mídia fossem contra. Havia um antagonismo muito grande entre a maioria da população e a pequena elite, sem existir praticamente uma classe média. Jango quis construir um país adequado a todos, promovendo as reformas de base – agrária, educacional, bancária, de moradia – começando pela reforma agrária, no Brasil rural da época.</p>
<p>“Jango decidiu fazer no campo o que o próprio Getúlio não fizera, dando o grande salto da reforma agrária”. E ficou espremido, segundo Juremir, entre a direita que achava que a reforma agrária era comunista e as forças de esquerda, que achavam que ele esta indo devagar demais.</p>
<p>A Legalidade, na opinião de Juremir, “talvez tenha sido o momento mais honroso da política e da imprensa brasileira por conta da grande sacada de Brizola de tomar a rádio Guaíba, formar a rede e defender o que era líquido e certo: o direito de Jango de assumir a presidência da República”. </p>
<p>Acrescentou: “Quando alguém está dizendo a verdade de maneira inflamada, isto contamina as pessoas. Brizola estava dizendo a verdade: a posse de Jango era direito; e qualquer forma de impedir isto era golpe”.</p>
<p>A Cadeia da Legalidade – que espontaneamente reuniu cerca de 120 emissoras espalhadas por todo o Brasil, retransmitindo o sinal da Guaíba – “foi uma ideia espetacular, porque Brizola fez das rádios as redes sociais da época, atingindo o país inteiro e levando Jango ao poder”. Depois vieram as diferenças, mas, para Juremir, a atitude de Brizola “foi determinante para que Jango tivesse o direito garantido. Sem Brizola Jango não ganhava”.</p>
<p>No início da rebelião da Legalidade “nem Brizola tinha convicção de que seria capaz de ganhar a parada muito desigual, mesmo quando o III Exército aderiu à Legalidade”. Por isto, Juremir considera que Jango teve dois grandes momentos como estadista: quando evitou a guerra civil no episódio da Legalidade, ao aceitar a solução parlamentarista; e ao não lutar contra os golpistas de 64. “Ele se mostra maior quando resiste ao que deveria fazer”, argumentou, embora Brizola tenha sido contra nas duas ocasiões.</p>
<p>Em 1964, destacou, Jango acreditava que o golpe seria de curta duração – como foi o que derrubou Getúlio em 1945. “Ele não imaginava que a ditadura iria durar 20 anos e que acabaria morrendo no exílio”. </p>
<p>Das reformas de base, avalia que a reforma agrária era a mais importante foi a que, de fato, levou a queda de Jango. “O Brasil na época não tinha mercado interno consolidado, a indústria tinha dificuldades para se desenvolver”, por conta da população analfabeta e majoritariamente rural.</p>
<p>A reforma agrária necessariamente ajudaria a construir uma classe média, mas ela assustou a elite e a imprensa, porque a revolução cubana ainda era notícia muito quente e os Estados Unidos temiam a cubanização do Brasil – que poderia contaminar, no ponto de vista deles, toda a América Latina.</p>
<p>Jango era um trabalhista “na mais pura acepção do Trabalhismo: da divisão entre o capital e trabalho; porque não concordava com a ideia de que os ricos deveriam ficar com 99% da riqueza, deixando apenas 1% para o resto da população”.</p>
<p>Exatamente por este fato, Juremir Machado considera Jango “um homem à frente de seu tempo”. E os militares, depois do fiasco de 1961, se prepararam meticulosamente para o golpe de 1964, cujo estopim foi o comício da Central do Brasil. “Jango saiu dali deposto, o golpe passou a ser questão de dias. Nele Jango atingiu o seu apogeu ao decidir dar o grande salto, decisão que acionou todas as forças contrárias a ele que, 17 dias depois, deram o golpe”. </p>
<p>Juremir Machado, ao encerrar o seu depoimento sobre Jango, o definiu como “um grande estadista, homem generoso, pessoa que sabia escutar”.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>&#8220;João Goulart se dedicou à causa pública. E não fez mais, porque não deixaram&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2019 20:43:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="608" height="415" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon.jpg 608w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon-100x68.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon-300x205.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon-132x90.jpg 132w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Pedro-Simon-600x410.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 608px) 100vw, 608px" />O ex-governador e ex-senador gaúcho Pedro Simon e o presidente João Goulart se conheceram quando ambos ainda integravam a Ala Moça do PTB, véspera da eleição de Juscelino Kubistchek à Presidência da República, tendo na chapa Jango de vice. Convivência que se desdobrou em reuniões de Jango com os jovens, mesmo quando já tinha se...]]></description>
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<p>[O Palácio Monroe, sede do Senado Federal desde 1925 até a mudança da Capital para Brasília – que recebeu a medalha de ouro na Exposição Mundial de Saint Louis, nos Estados Unidos, onde competiu com 50 projetos – foi demolido, 1975, por ordem presidente Ernesto Geisel.]</p>
<p>“Jango discutia política com a gente, naquela situação difícil, demonstrando sempre grande carinho pela opinião dos jovens”, lembrou Simon.</p>
<p>Herdeiro político de Getúlio Vargas, Jango liderava a Ala Moça, cuidando dos assuntos nacionais; enquanto Brizola cuidava dos assuntos ligados ao Rio Grande do Sul. “Jango era figura respeitável para todos nós: nos orientava a todos – última instância” para as questões políticas dos jovens, dentro do PTB.</p>
<p>O comando do PTB, depois de a morte de Getúlio Vargas, para Simon, foi uma sucessão natural; até porque quando Getúlio saiu do poder em 1945 e foi para São Borja, Jango se aproximou de Vargas, levou adiante e criou entre eles uma forte amizade. “Getúlio o considerava uma espécie de filho mais velho”, frisou Simon, um representante das pessoas mais simples com quem gostava de conviver.</p>
<p>A vitoriosa campanha de Getúlio à Presidência “foi dramática”, segundo Simon, mas também vitoriosa politicamente. E a primeira derrota sofrida por Getúlio, no poder, foi por conta de o aumento do salário mínimo e a consequente exoneração de Jango do Ministério do Trabalho, segundo Simon, início da pressão que acabou levando-o ao suicídio.</p>
<p>“Em 1954, Getúlio se matou para evitar uma imprevisível guerra civil”, garante Simon. Situação difícil que, em sua opinião, repetiu-se com o golpe de 1964 – quando Jango decidiu se afastar sem resistência da Presidência da República, para evitar uma guerra civil.</p>
<p>“A Quarta frota já estava navegando em direção ao Brasil, pronta para intervir – como relata em seu livro o então Embaixador americano no Brasil; que não gostou da renúncia de Jango, porque ele queria a guerra civil, queria intervir no Brasil, fato que influenciaria toda a América do Sul”, acrescentou.</p>
<p>A campanha da direita, as marchas da igreja contra Jango, a atuação da imprensa: a situação de calamidade que se criou no país às vésperas de 64, na opinião de Simon, não passou de uma grande mentira para desestabilizar o governo de Jango.</p>
<p>João Goulart, em sua opinião, era um estadista – o que provou no grande discurso que fez na sua visita à China, anunciando o que hoje é uma realidade com o BRICS: entidade que reúne Brasil, Rússia, China e África do Sul, de grande futuro no seu entendimento, por ser metade do mundo.</p>
<p>– “Jango começou isto!”.</p>
<p>Os anos 60, sob o governo Jango, foram de muita movimentação política; e não dá para dizer que Jango foi radical, embora ele tenha radicalizado a condução do país pouco antes do golpe, apressando a reação da direita; principalmente quando desapropriou, para fins de reforma agrária, as terras à beira das rodovias federais. “Ele fez isto para não ser vaiado no comício da Central do Brasil, entrando em um canal estreito”, argumentou.</p>
<p>Veio o golpe. Simon fala sobre a reunião na casa do comandante do III Exército, em Porto Alegre, puxada por Brizola, para articular a resistência ao golpe. “Ficamos boquiabertos com o que podia ser feito, mas tudo dependia do que aconteceria no Rio; Jango queria resistir, embora Brizola estivesse na paixão”.</p>
<p>A reunião durou até de manhã, com Jango saindo em direção ao Uruguai. </p>
<p>“Ficamos ali indecisos sobre o que iríamos fazer. Decidimos que não tinha o que fazer. E – com toda sinceridade – não critico a posição de Jango; embora, olhando agora para o episódio: tudo poderia acontecer se Jango tivesse ficado”.</p>
<p>Os fuzileiros navais americanos teriam desembarcado no Brasil em apoio ao golpe; provavelmente toda a América Latina, depois de o Brasil, seria submetida à ocupação norte-americana por conta dos fatos políticos que estavam acontecendo na Argentina, no Chile etc. </p>
<p>“Isto levou Jango a pensar duas vezes”, garante Simon, lembrando que se o general Kruel, comandante do II Exército, tivesse reagido ao golpe, seria diferente. Jango, segundo Simon, tinha restrições ao estilo de Brizola, apaixonado: jamais o deixaria no comando.</p>
<p>“Não dá para criticar Getúlio Vargas por se suicidar. Jango fez a mesma coisa, de outra forma, para evitar a guerra civil”.</p>
<p>A posição de independência do Brasil – marca dos governos de Getúlio e Jango: os presidentes do PTB – incomodava o governo dos Estados Unidos no mundo bipolar da época, de guerra fria entre Washington e Moscou. Hoje seria diferente. Embora os Estados Unidos continuem fortes, o mundo mudou e estão aí a China, a Índia, países árabes etc. O mundo mudou.</p>
<p>A morte de Jango, no exílio, foi uma notícia dura. Simon lembrou que até hoje há dúvidas sobre como ele morreu, principalmente depois que um uruguaio que está preso assumiu a culpa pela morte dele, no âmbito da Operação Condor – a eliminação física das grandes personalidades políticas fora do poder na América Latina. “João Vicente, filho de Jango, tem convicção de que seu pai foi assassinado”.</p>
<p>“Com toda sinceridade, acho absurdo não terem feito autópsia na época, ficando essa interrogação sobre a morte de Jango”, afirmou Simon, lembrando, porém das restrições impostas por Brasília para o sepultamento de Jango em São Borja, como o féretro atravessar a fronteira em alta velocidade para impedir qualquer manifestação política no enterro.</p>
<p>Pelo presidente que foi, Simon não tem dúvida de que Jango “tem um grande lugar na História”, por sua luta em defesa dos trabalhadores: como herdeiro do legado político de Vargas e por sua atuação na Presidência, onde não se acomodou. </p>
<p>“Diferente, por exemplo, da sucessão de José Sarney ao presidente Tancredo Neves. Quando Tancredo morreu, Sarney assumiu e jogou todas as bandeiras de Tancredo fora”, criticou. “Jango não se acomodou e se o general Amaury Kruel tivesse marchado em direção às tropas que marchavam para o Rio, procedentes de Minas Gerais, ele teria feito a resistência”. </p>
<p>E concluiu:</p>
<p>“Jango foi dedicado à causa pública. Farrista, boêmio, não é o que foi… Como Ministro, como Presidente da República e presidente do PTB, Jango se dedicou à causa pública. E não fez mais, porque não deixaram”.</p>
<p> Confira a entrevista completa abaixo: </p>
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		<title>&#8220;João Goulart é um injustiçado. Foi um homem leal e conciliador&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jun 2019 21:11:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="824" height="520" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto.jpg 824w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-100x63.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-300x189.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-768x485.jpg 768w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-143x90.jpg 143w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-600x379.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 824px) 100vw, 824px" />“De longe e de perto, o jornalista Carlos Bastos acompanhou toda a carreira política do presidente João Goulart: no início, apenas como leitor de jornais, viu Jango tornar-se deputado estadual em 45; depois, deputado federal em 1950; tornando-se logo em seguida secretário do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul, no governo de Ernesto...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="824" height="520" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto.jpg 824w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-100x63.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-300x189.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-768x485.jpg 768w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-143x90.jpg 143w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Carlos-Bastos-foto-600x379.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 824px) 100vw, 824px" /><p><strong>“</strong>De longe e de perto, o jornalista Carlos Bastos acompanhou toda a carreira política do presidente João Goulart: no início, apenas como leitor de jornais, viu Jango tornar-se deputado estadual em 45; depois, deputado federal em 1950; tornando-se logo em seguida secretário do Interior e Justiça do Rio Grande do Sul, no governo de Ernesto Dornelles. Bastos também viu Jango ser alçado por Vargas para Ministro do Trabalho, onde ganhou projeção nacional. </p>
<p>Bastos acompanhou a crise política desencadeada pelo manifesto dos coronéis contra o aumento de 100% do salário mínimo, assinado por Vargas e Jango, no início de 1954; e também o afastamento de Jango da pasta do Trabalho por pressão dos militares e de empresários – fato que não impediu o crescimento político de Jango à frente do PTB, partido ao qual se filiara logo no início de sua vida política, a pedido do próprio Vargas, e se tornara um dos principais responsáveis da aproximação das lideranças sindicais ao PTB original. </p>
<p>Ainda como leitor atento, Bastos acompanhou toda a crise de agosto de 1954 e o desfecho trágico dela com o suicídio de Vargas e a divulgação, por Jango, da Carta-Testamento. Em 1955, já como jornalista, viu Jango ser eleito e tomar posse como vice-presidente da República, junto com JK; e posteriormente ser reeleito, embora seu parceiro de chapa, o Marechal Lott, tenha perdido a eleição para Jânio Quadros apoiado pela UDN.</p>
<p>“Acompanhei a carreira de Jango como leitor de jornais e jornalista”, explicou Bastos, frisando que na época a imprensa brasileira já era muito reacionária, exceto o jornal “Última Hora” de Samuel Wainer, onde trabalhava na sucursal de Porto alegre. A “Última Hora” publicava edições regionais em vários estados brasileiros, inclusive no Rio Grande do Sul. </p>
<p>João Goulart era político em ascensão no início dos anos 50, homem da confiança de Getúlio Vargas – por isto Vargas lhe confiou a Carta-Testamento quando decidiu se suicidar, na véspera de uma viagem que Jango faria a Porto Alegre, com a instrução de só abrir o envelope quando chegasse ao Rio Grande do Sul.</p>
<p>Bastos – como Jango, Brizola e Darcy Ribeiro – considera a Carta-Testamento o mais importante documento político da História do Brasil. Também não tem dúvidas de que Vargas preparou Jango para sucedê-lo; tanto que o indicou para vice de JK (PSD), na época em que vice-presidente, além de presidir o Senado, também era eleito pelo voto direto.</p>
<p>Para Bastos, a competência política de Jango era inquestionável; tanto que pegou o PTB com 60 deputados e quando foi deposto, em 1964, o partido fundado por Getúlio Vargas em 1945 já tinha 120 deputados: e era o maior do país. Outro exemplo que cita é a criação em São Paulo dos comitês ‘JanJan’, Jânio e Jango, decisivo para a sua eleição à vice-presidência, capturando votos do vice-presidente da chapa de Jânio Quadros, Milton Campos. </p>
<p>Bastos lembra, como se fosse hoje, o dia da renúncia de Jânio Quadros, meses depois de assumir o mandato de presidente da República. </p>
<p>“Estava atravessando a 7 de setembro, aqui no Centro de Porto Alegre, indo para a redação da “Última Hora” quando o pai, comunista, de um colega jornalista gritou no meio da rua para que apressasse o passo porque Jânio tinha renunciado. Ainda pensei comigo, esses comunistas!… Não acreditei. Só quando cheguei na redação, vendo a balbúrdia completa, é que acreditei na renúncia”.</p>
<p>A crise foi imediata, com grande movimentação em busca de informações naquele mesmo dia à tarde. Porque a campanha da Legalidade começou mesmo no sábado, depois que Brizola, governador dos gaúchos, contatou autoridades, se convenceu da renúncia e, depois, do veto dos ministros militares à posse de Jango, que estava na China. Brizola imediatamente começou a articular a reação, contatando Lott, que prepara um manifesto pela posse de Jango que, a pedido de Brizola, começa a ser difundido pelas rádios gaúchas.</p>
<p>Uma a uma, na medida que divulgavam o manifesto de Lott, as rádios eram tiradas do ar por ordem dos militares do III Exército. </p>
<p>“No domingo de manhã, o Salles, assessor de imprensa do governador, avisou a Brizola que se ele não fizesse alguma coisa, só restaria o serviço de alto-falantes em frente à praça do Palácio Piratini para difundir o manifesto do Lott. Brizola decide ocupar a rádio Guaíba – que se negara a divulgar o manifesto – e iniciar a rede da Legalidade” – uma cadeia radiofônica formada espontaneamente a partir das transmissões da rádio Guaíba, que chegou a reunir cerca de 120 emissoras espalhados por todo o país, derrotando a tentativa de golpe. </p>
<p>Brizola venceu a batalha da opinião pública e isolou os militares golpistas.<br /> Sobre o levante da Legalidade, Bastos confessa: “Fiquei o tempo todo no Piratini. Tenho um galardão na minha carreira de jornalista, porque sempre procurei ser imparcial; mesmo tendo partido e clube (fui conselheiro do Grêmio, 30 anos) sempre procurei separar o jornalista. Mas tenho que confessar que na Campanha da Legalidade não fui jornalista: fui militante”.<br /> E não foi o único:</p>
<p>“O clima dentro do Palácio Piratini era tão incendiário, tão empolgante, que até jornalistas estrangeiros que vieram cobrir o acontecimento se transformaram em defensores da Legalidade”.</p>
<p>Citou também o caso do cineasta Luiz Carlos Barreto, na época repórter da revista “O Cruzeiro”, a maior do país, que era até de oposição ao Trabalhismo. Barreto liderou grupo de jornalistas que não queriam que Jango aceitasse a solução parlamentarista. “Em determinado momento ele subiu em uma mesa para incitar os jornalistas que estavam no Piratini contra o parlamentarismo”, lembrou. </p>
<p>“A Legalidade envolveu as pessoas”, destacou.<br /> Jango é um injustiçado pela História oficial, na opinião de Bastos. Ele espera que a celebração do seu centenário do nascimento sirva para recuperar a sua imagem por conta do grande presidente, grande ministro, pelo homem público de primeira linha que ele foi. </p>
<p>“O governo Jango foi incinerado pela mídia reacionária do Brasil. Ele foi um grande presidente; e não podemos esquecer que ele se cercou de colaboradores, como Darcy Ribeiro, Gabriel Passos (líder nacionalista da UDN), San Tiago Dantas, Walter Moreira Salles e muitos outros. Mesmo depois que cedeu à solução parlamentarista, Jango teve a habilidade para, em 63, retomar o presidencialismo . Além disso, Jango era um pecuarista rico, jamais, nunca foi ladrão”. Bastos lembrou também que Jango sempre teve por perto gente de esquerda, como Josué Guimarães e Raul Ryff, além de dialogar permanentemente com a esquerda, antes e durante o governo. “As reformas de base até hoje são necessárias”, completou.</p>
<p>Veio a solução parlamentarista, respeitada por Brizola embora discordasse dela, e a posse de Jango em Brasilia, a qual Brizola não compareceu por discordar do desfecho da legalidade. Brizola queria marchar sobre Brasília, fechar o Congresso, prender os três ministros militares golpistas – os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica – e convocar uma Constituinte. Depois veio o golpe e o exílio porque Jango não quis o confronto.</p>
<p>Da época do exílio, uma das coisas que mais o emocionou foi uma conversa com a sogra de Jango, em São Borja, em que ela lhe disse que Jango eventualmente ia ao Automóvel Clube de São Tomé, na Argentina, para ver –da outra margem do rio Uruguai – as luzes de São Borja.</p>
<p>“Jango sonhava com a volta ao Brasil”, o que não aconteceu. Ao definir Jango em poucas palavras, Bastos resumiu: “Jango é um injustiçado; foi um homem leal e conciliador”.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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		<title>“João Goulart e Getúlio é que se preocuparam com os trabalhadores”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Jun 2019 20:21:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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<p>Como ministro, destacou medidas que tomou em defesa do servidor público; e lembrou que, no Governo do Estado, atendeu uma reivindicação do funcionalismo gaúcho que havia mais de 20 anos, ao conceder-lhes o 13° salário.</p>
<p>Jair Soares conheceu Jango de perto e, embora não participasse das mesmas rodas políticas, o admirava por sua paciência de ouvir a todos, especialmente “as pessoas simples e sábias”. O movimento da Legalidade, liderado por Brizola, que garantiu a posse de Jango foi para ele “uma dessas coisas que acontecem na nossa política, que nos enriquecem – mas não cultuamos, porque não veneramos aqueles que, realmente, fizeram algo pelo país”.</p>
<p>Como atuavam em campos opostos na política, Jair Soares destaca que só quando se tornou Ministro da Previdência no Governo Figueiredo, de 1979 a 1982, é que viu de perto o trabalho que Jango fez, especialmente na questão da previdência social brasileira. E declara: “Acho que temos que prestar uma grande homenagem ao presidente João Goulart, nestes 100 anos, porque ela é merecida; mais ainda da minha parte, porque fui adversário e amigo dos trabalhistas”.</p>
<p>Segundo Jair Soares, de Jango em diante (depois do golpe de 64), muito pouco foi feito pelos trabalhadores brasileiros. “Getúlio Vargas e João Goulart foram pessoas que se preocuparam com o direito social: com a Previdência, com o trabalhador”.</p>
<p>O ex- ministro da Previdência Social, ao reafirmar que ninguém fez mais pelos trabalhadores brasileiros do que Getúlio Vargas e João Goulart, lamenta que o que os dois fizeram não foi aprimorado – “esta é que é a grande questão. E foi categórico: “Ao contrário, hoje, sofremos a falácia do déficit da Previdência, que é uma mentira”.</p>
<p>Jair Soares achava que quando o PT assumiu o governo seria diferente. Mas isto, para ele, não aconteceu; e o PT, no governo, foi até pior. Lembrou que Juscelino Kubistchek, na presidência, “raspou todo o dinheiro para construir Brasília”, acabando com as reservas da Previdência; nunca devolvidas.</p>
<p>Mas Lula, em sua opinião, fez pior ao botar todos os recursos da Previdência na “super-receita”, misturando dinheiro do empregador, do trabalhador, das prefeituras, dos estados, das empresas, da contribuição sobre o Finsocial e das loterias.</p>
<p>Por isto, como conhecedor do direito previdenciário, não faz sentido afirmar – como o ministro Paulo Guedes faz o tempo todo – que se não fizer a reforma da Previdência o Brasil vai parar. “Orçamento da União é uma coisa, orçamento da Previdência é outra”, garante.</p>
<p>Jair Soares considera que é importantíssimo que os jovens se inteirem do debate da Previdência – a começar pela obrigatoriedade de serem descontados em seus salários assim que entram no mercado do trabalho – exatamente por serem jovens e não estarem nem um pouco preocupados com o fato de que um dia precisarão estar aposentados. Em sua explicação sobre esta despreocupação, usa a expressão “jovens, quando o éramos”, o que demonstra que também era um pensamento natural no período de sua juventude.</p>
<p>– “A gente nunca acha que vai adoecer; nunca se pensa que vai morrer. E a coisa mais certa na vida é que o epílogo é a morte: não existe vacina para a vida; não existe o ficar para a vida toda. E os jovens, se não fosse obrigatório, não fariam a sua poupança para ter uma velhice adequada, para poder viver com dignidade”.</p>
<p> Confira a entrevista completa abaixo: </p>
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		<title>&#8220;João Goulart foi o mais injustiçados dos políticos brasileiros&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jun 2019 18:43:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="630" height="517" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada.jpg 630w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-100x82.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-300x246.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-110x90.jpg 110w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-600x492.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px" />Nascido nos anos 60, o ex-vereador e ex-prefeito de Osório por três mandatos Romildo Bolzan Júnior conviveu, dentro de casa, com os nomes dos grandes líderes trabalhistas – Vargas, Jango e Brizola – por conta de seu pai, professor, que foi para Osório trabalhar na escola e acabou se radicando lá, cidade que o elegeu...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="630" height="517" src="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada.jpg 630w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-100x82.jpg 100w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-300x246.jpg 300w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-110x90.jpg 110w, https://pdt-rj.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Romildo-Bolzan-cortada-600x492.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px" /><p>Nascido nos anos 60, o ex-vereador e ex-prefeito de Osório por três mandatos Romildo Bolzan Júnior conviveu, dentro de casa, com os nomes dos grandes líderes trabalhistas – Vargas, Jango e Brizola – por conta de seu pai, professor, que foi para Osório trabalhar na escola e acabou se radicando lá, cidade que o elegeu vereador pelo velho PTB e depois prefeito, ao longo dos anos 50, década em que Brizola governou o Rio Grande do Sul.</p>
<p>Atual presidente do Grêmio Porto-Alegrense, Bolzan Júnior presidiu o PDT gaúcho por oito anos e se define – por ter seguido os passos do pai na política – como um “egresso de pai trabalhista”. Jango foi um nome muito presente em toda a sua vida, através do seu pai; e sempre foi para Bolzan uma espécie de exemplo, “pelo que significava para o meu pai. Sempre o admirei; sempre tive por ele empatia e identificação”.</p>
<p>Seu amadurecimento político, através das leituras e do melhor conhecimento dos fatos, consolidou o ponto de vista herdado de pai de que Jango foi uma grande liderança, um grande estadista. “Jango recebeu a oportunidade de ser ministro – com a simpatia do presidente Getúlio Vargas – e se mostrou capaz, competente e identificado política e ideologicamente com compromissos claros e nítidos” com o Trabalhismo.</p>
<p>Para Bolzan, Jango se fez vice-presidente da República e depois Presidente exatamente por conta de sua capacidade, consciência política e, principalmente, sua liderança. “Jango sempre se elegeu única e exclusivamente Vice-Presidente da República. E ao se eleger vice, se elegeu com mais voto, às vezes, que o próprio Presidente. Isto é liderança”, argumentou.</p>
<p>Bolzan falou sobre a importância da mobilização popular liderada por Brizola – a campanha da Legalidade –, que “foi um dos movimentos populares mais importantes, mais expressivos e emblemáticos para defender um governo que se poderia discordar ou não discordar, mas que era legítimo”. Também falou sobre as reformas de base de Jango que “se tivessem vingado por inteiro, o país não seria mais este que vivemos”.</p>
<p>“Estaríamos numa ordem social muito mais justa”, em um país mais igualitário, socialmente mais identificado com as demandas populares. O golpe militar de 64, em sua visão “e sem a menor dúvida, foi um golpe contra a própria cidadania”. </p>
<p>Para Bolzan, “as reformas de base de Jango – no campo, na cidade e no setor público – davam conteúdo e visão muito clara de que o Brasil tinha que ser dos brasileiros, e justo com todos”. Defensor e propagador do Trabalhismo, Bolzan o considera como a corrente política que mais contribuiu na preservação do patrimônio público, no impulsionamento do desenvolvimento nacional, por conta da visão estratégica de que cada setor da vida brasileira precisava de uma intervenção estatal em prol do desenvolvimento. </p>
<p>“O Trabalhismo foi a ideologia política que mais criou condições de dar aos brasileiros autonomia, autossuficiência, autoestima e, por consequência, soberania”. O Trabalhismo, acrescentou, foi fundamental para que o povo brasileiro se sentisse dono, efetivamente, dos bens públicos que lhe pertencem – bens comuns que estão no subsolo, como o petróleo e os minérios; bens como moradia; e em toda ação que vise exclusivamente a patrocinar os meios de produção de maneira mais justa para servir a todos os brasileiros.</p>
<p>A elite brasileira, na opinião de Bolzan, “sempre teve um sentimento forte de egoísmo”; egoísmo dos que acham que são os donos dos meios de produção e o povo não é dono de nada. “É muito simplista dizer: eu produzo, eu emprego, eu corro riscos; por consequência, sou dono de tudo”. Trazendo a questão para os dias de hoje, de desregulamentações a partir de decisões do governo recém-empossado, Bolzan dispara: “O que estamos vendo hoje é o exato reflexo do egoísmo das elites” brasileiras.</p>
<p>A chamada “carteira verde e amarela” é uma iniciativa que faz parte da mesma iniciativa que motivou o golpe de 64, ao caminhar junto com a desnacionalização de empresas estatais estratégicas para o país. Para Bolzan, os movimentos de hoje, dentro da ordem democrática, refletem os mesmos movimentos ocorridos em 64, porque os conteúdos ideológicos são idênticos. “Jango foi deposto porque criou um país muito mais justo, mais capaz de produzir igualdade entre as pessoas, mais capaz de criar o bem estar para todos”. </p>
<p>Jango foi derrubado, na opinião de Bolzan, por um movimento militar contra o avanço social do país porque Jango foi a síntese da melhor qualidade social que o Brasil poderia produzir. “Ele caiu por conta de suas qualidades”, sintetizou.</p>
<p>E evitou também, para preservar a integridade do povo brasileiro, o derramamento de sangue em 1964. “Eu respeito este tipo de decisão, dou legitimidade a este tipo de decisão e creio que Jango teve todos os fatores de sua decisão pesados para que isto acontecesse”, argumentou Bolzan.</p>
<p>“Jango era um ser humano despojado, homem inteligentíssimo, grande negociador, grande pecuarista, homem capaz de aumentar e fazer patrimônio”, mas também um homem que sabia muito bem o que fazia: um grande político, grande estadista e, principalmente, homem solidário – porque não se vinculava ao que definiu como “poder fechado”: as elites.</p>
<p>Jango, concluiu, “foi um brasileiro da melhor espécie” e o mais injustiçados dos políticos brasileiros, porque sofreu na carne todos os processos ideológicos represados.</p>
<p> Confira a entrevista completa abaixo: </p>
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		<title>Jairo Jorge: “Jango amava a democracia, amava o Brasil&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joildo Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 May 2019 19:47:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bloco Editorias]]></category>
		<category><![CDATA[Centenário de Jango]]></category>
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<p>Na medida em que estudou e foi conhecendo melhor Jango, a sua admiração pelo presidente trabalhista cresceu: “Considero-o um dos grandes heróis de nossa Nação”. E explica o por quê: “O presidente João Goulart foi um humanista; um homem que amou o Brasil acima de qualquer coisa; homem despojado, que acreditava na democracia e era democrata por essência”.</p>
<p>A campanha da Legalidade pela posse de Jango – movimento nacional liderado por Leonel Brizola, a partir do Rio Grande do Sul – “foi a grande afirmação da democracia brasileira, um grande momento da Nação na defesa do estado democrático de direito e, ao mesmo tempo, de afirmação de nossa soberania”. </p>
<p>As reformas de base de Jango, na opinião de Jairo Jorge, “são absolutamente atuais” e necessárias, porque ainda não foram feitas apesar de serem fundamentais. “O Brasil precisa até hoje das reformas tributária, política, urbana e educacional, além da agrária – pela qual ele tanto se empenhou”, argumentou. </p>
<p>A agenda de Jango era reformista e transformadora para colocar o Brasil  no caminho correto, dando nele um choque de civilidade e humanismo.</p>
<p>“É claro que esta agenda estava na contramão de outros interesses que acabaram sendo predominantes: interesses que procuravam atrelar o Brasil”, disse, explicando  que Jango tentou construir o centro político, mas não conseguiu por conta da polarização na época entre direita e esquerda. “Ele estava absolutamente certo quando tentou construir um centro democrático”, caminho que até hoje os brasileiros anseiam.</p>
<p>“Jango estava à frente do seu tempo ao defender bandeiras atuais e necessárias que o Brasil de hoje, do século 21, precisa recolocar na sua agenda: reformas estruturantes; reformas de base”, complementou.</p>
<p>Ao definir o governo Jango como “reformista, democrático e transformador, que defendia o Brasil”, Jairo Jorge destacou: “João Goulart era um democrata, homem de diálogo; um homem que amava o povo. Ele foi o primeiro ministro do trabalho que chamou os trabalhadores para dentro do ministério. Ele era um homem que tinha paciência de ouvir o povo e isto ele levou para dentro da Presidência da República”.</p>
<p>Já os vencedores de 64, intolerantes, tentaram subverter este fato, acusando-o de ser incapaz de tomar decisões. “Ao contrário, o presidente João Goulart foi um homem de decisões. E de decisões a favor daqueles que mais precisavam: os mais humildes – a quem ele respeitava; a quem ouvia; a quem ele sempre teve a sensibilidade de procurar conhecer desde as sua origens em São Borja”. </p>
<p>Jairo Jorge frisou: “Por isto seu governo orgulha os brasileiros, apesar de abreviado, interrompido”.<br /> João Goulart morreu no exílio porque seu governo “olhou para o povo, foi democrático, fez a diferença”. Diferença importante – ainda mais nos dias de hoje, acrescentou &#8211; pelo fato da democracia estar novamente sob ameaça  “aqui e no mundo”. </p>
<p>Na sua opinião, por isto,  é importante olhar o passado, olhar para a História, principalmente para os momentos em que a democracia foi afetada. Jairo Jorge entende que não podem ser esquecidos os tempos do fascismo e do nazismo e do surgimento, aqui na América Latina, de ditaduras que levaram vários países às trevas da repressão. “É importante que os jovens saibam que o que fazemos agora [este depoimento] era impossível”. </p>
<p>Ditadura, na sua visão, não é modelo para o Brasil nem para nenhuma nação, porque a democracia “é o remédio para a democracia”. Lembrou que as ditaduras militares ceifaram uma geração não só no Brasil, como na Argentina, no Uruguai, no Chile – e praticamente em toda América Latina. E Jango, por defender o Brasil, foi alijado do poder e teve que partir para o exílio com sua família.</p>
<p>“Não podemos esquecer o que aconteceu para não repetir erros como o dos que foram às ruas na época para defender a ditadura”.<br />  E, como exemplo, citou Carlos Lacerda, ferrenho opositor do Trabalhismo:</p>
<p>“Carlos Lacerda atacava o governo legítimo de João Goulart, como atacara o de Getúlio Vargas; atacava Leonel Brizola. E o que aconteceu? Ele foi vítima exatamente do regime que gerou: da ditadura. Foi cassado e também morreu – assim como Juscelino Kubitschek; assim como João Goulart – de forma suspeita”.</p>
<p>Destacou também que Jango, no governo, defendia a soberania nacional, “que não é dizer amém, bater continência para os interesses de outros países”. Soberania é essencial, “mas hoje tem muita gente que não entende isto. Se não tivermos capacidade para pensar a soberania, não teremos futuro”.</p>
<p>Usou como exemplo o caminho em que o Brasil estava trilhando antes de Michel Temer assumir, através do BRICS e de suas relações com a China, Rússia, Índia e África do Sul &#8211; antes da deposição da presidente Dilma: “Buscava-se a afirmação desta soberania no Governo João Goulart”,  comparou.</p>
<p>“Esta bandeira não pode ser perdida, não pode ser esquecida; é algo que tem que estar no coração, principalmente, dos jovens e daqueles que ainda têm esperança”, destacou.</p>
<p>Ao falar sobre o ser humano Goulart, Jairo Jorge disse que pelo que ele pôde ler, estudar e conhecer de Jango – líder que o intrigava –, “ele era pessoa absolutamente sensível, inteligente, competente, homem que admirava os mais humildes”. </p>
<p>“Jango, à mesa, não se colocava acima das pessoas, mas de igual para igual. Isto é um dom. São características de sua origem humilde, campeira; de pessoa da região das Missões, de São Borja”.</p>
<p>E concluiu: “Ele mostrou isto ao Brasil e esta é a sua grande marca: Jango foi um democrata radical; homem que amava a Democracia, que amava o Brasil”.</p>
<p>Confira a entrevista completa abaixo:</p>
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